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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Confronto Sangrento

Na manhã seguinte acordei com o Edgar beijando o meu rosto, ele disse que ia fazer umas comprinhas no mercado e voltaria logo para tomarmos café.
— Tô morrendo de sono, vou dormir mais um pouquinho.
Ele me chamou de dorminhoca, deu um tapinha em minha bunda nua sob o lençol e se foi. Voltei a dormir.
Acordei com o barulho da campainha. Assustada virei para o lado, mas lembrei de imediato que o homem não estava comigo na cama. Imaginei que fosse ele do lado de fora, não conseguia abrir a porta, pois não levou as chaves.
Peguei a camisa usada por ele no dia anterior, era a roupa mais próxima da cama, cobri parcialmente meu corpo e fui rapidão em direção à sala após ouvir o segundo toque da campainha. Realmente ele havia esquecido a chave, ela estava alojada na fechadura pelo lado de dentro.

— Só um segundo, amor — falei bocejando enquanto abria a porta.
Gelei ao dar de cara com a mulher gigante, Luana. Fulminou-me com o olhar surpreso.

A esposa e, também a patroa, ficou possessa ao sentir-se duplamente traída e humilhada: “os dois fdp deveriam rir zombando de mim toda vez que lhes dava as costas.“ Pensou.
Ela veio na expectativa de que a outra fosse uma prostituta qualquer. Estava até pensando em dar-lhe algum dinheiro para sumir de vez da vida deles depois de intimidá-la. No entanto os pensamentos que passaram como um raio por sua cabeça só deixaram um ódio descomunal em seu lugar.
Com uma expressão demoníaca ela vociferou:
— É vocêêê a vadia?! — tira essa camisa sua vagabunda!

A mulher me deu um tapão no rosto com sua mão enorme e braço pesado que me fez cair metros pra trás. Aterrizei sobre uma das cadeiras que se espatifou. Fiquei estatelada no chão.

— Depois que eu acabar de arrebentar sua cara de putinha vadia, marido nenhum vai lhe querer como amante.
Fiquei apavorada, aquele monstro desengonçado partiu em minha direção com passos pesados parecendo um tiranossauro. Veio pra cima de mim proferindo mais ofensas. Eu me afastei rastejando de costas, estava zonza com a bofetada e a queda que levei. Ela chegou me acuando, feroz como um bicho, fiquei estirada no piso entre suas pernas e por debaixo dos seus 150 quilos.
Tentava me defender dos seu tapas e murros, mas não aguentaria por muito tempo, meus braços não eram páreo para aquela selvageria. Ela segurou um dos meus braços e com a outra mão apertou o meu pescoço. Mordendo os lábios e cuspindo ameaças ela demonstrava todo o seu ódio. Sua cara de maníaca deixou-me aterrorizada. Eu não conseguia mais respirar, tateei à procura de algo para poder bater naquele bicho. Minha mão tocou em um pedaço de madeira quebrado da cadeira. Senti uma farpa da ponta lascada entrar em meu dedo. Segurei mais para cima como se empunhasse uma faca e reuni toda a força que me restava para desferir um golpe movimentando o braço em forma de arco para acertar a cara daquela vaca gorda.
A madeira pontiaguda penetrou abaixo do seu maxilar. A mulher deu um urro abafado olhando pra mim com os olhos incrédulos e arregalados. Sua expressão era de terror, como de alguém que sabia que foi ferida gravemente.
Com movimentos descontrolados ela tentou ficar em pé, mas caiu de joelhos parecendo sufocada. Eu tentei me afastar arrastando a bunda, não conseguia levantar, porém fui segura pela camisa. Desesperada ela tentou me dizer algo e arrancou a lasca de madeira do pescoço… Deus do céu! O sangue esguichou feito um spray. Fiquei com o corpo todo borrifado pelo líquido vermelho. Eu a empurrei com os dois pés jogando meu corpo para trás, temia que ela me acertasse com a mesma madeira. A camisa rasgou ficando parte na mão dela e parte em meu corpo.
Eu me afastei engatinhando e a seguir assisti a cena mais macabra de minha vida: a mulher estrebuchando no chão feito um hipopótamo ferido. Levantou a mão em minha direção como se pedisse ajuda. Eu continuei apenas assistindo, e sem compaixão… Seu braço tombou pesado e seu corpo agitou convulsivamente alguns segundos. E ficou completamente inanimado em seguida.
Continuei imóvel totalmente atordoada. Um silêncio fúnebre tomou conta da casa enquanto pensamentos diversos martelavam a minha cabeça. “Preciso fugir antes que o homem retorne. “ Pensei, porém como fugiria sem dinheiro?

Ouvi o barulho de chave girando na fechadura. A porta da cozinha se abriu. Imaginei que estava em um filme de terror: portas rangendo, música de suspense e um ser maligno vindo pra cima de mim.
O ser que surgiu foi o Edgar e quase surtou ao ver a mulher tombada no chão em meio a uma poça de sangue e com um buraco no pescoço. Ele colocou as mão na cabeça em desespero.

— Meu Deus! — o que é isso?
Eu estava sentada no piso, encostada na parede, pelada e ensanguentada. Atônita pensava o que aconteceria comigo a seguir.
Ele olhou pra mim ainda não acreditando naquela cena de filme de terror.

— Eu sei o que você está pensando, mas eu só me defendi, esta louca tentou me matar — falei aos prantos — deixa eu ir embora antes de chamar a polícia, por favor.
Ele respirou fundo e continuou sem dizer nada.
Pensamentos fluíam em velocidade absurda na mente do homem, pensou que perderia aquela menina que tanto bem tem feito à sua vida e ao seu coração.
Não descartou a possibilidade de não acreditarem no real acontecimento e o julgarem cúmplice.
Considerou o fato do seu casamento ser em comunhão parcial de bens; a casa e as aplicações bancárias da mulher além de 90% da loja ficariam para a tia dela, sua única herdeira. Sua participação na sociedade da loja era de apenas 10%, era tudo a que teria direito, além do seu carro e uma pequena aplicação conjunta.
Por outro lado, se a Luana sumisse, ele teria tempo para fazer um bom pé de meia antes da mulher ser considerada morta e os bens serem entregues à tia.

Abracei minhas pernas e chorando de cabeça baixa falei que passaria o resto da minha vida na cadeia.
— Eu não vou chamar a polícia — ele falou com calma.
Eu levantei a cabeça esboçando um sorriso involuntário, sequei as lágrimas e perguntei:
— Não? — e o que você vai fazer?
— Só eu não, o que nós vamos fazer — ele disse.
Explicou seu plano: “vamos ter que tirar o corpo daqui e sem sermos vistos, enterrar em algum lugar que ninguém ache. Depois vamos limpar este lugar muito bem limpo. E segunda-feira, quando ela não voltar da casa da tia, eu começo a dar telefonemas a procurando como se não soubesse de nada. Só depois avisarei a polícia.
A campainha tocou. Daisy ficou em pé com um pulo e quase gritou de medo. Se mexia igual a uma barata tonta sem saber para onde ia.
— Ai meu Deus! — tô fodida.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

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