Social Icons

sábado, 23 de setembro de 2017

Sob Nova Direção

O processo de investigação do caso Luana ainda corria, o policial Freitas, durante dois meses, seguiu todos os passos: voltou a procurar o Edgar, a Daisy, o pessoal da loja, foi até a casa de praia em Maresias, em Bragança Paulista, conversou com pessoas e não encontrou vestígios de homicídio ou da desaparecida. A única beneficiada com a morte da Luana seria sua tia Carlota, mas as investigações não apontaram indícios de que ela estivesse ligada ao sumiço da sobrinha. O caso seria encerrado se nada de novo surgisse nos próximos dias.

Meu relacionamento com o Edgar tornou-se destrutivo, a cada dia ele aumentava o seu campo de controle sobre mim. Ele não gostava quando eu não agia do jeito que ele queria e isso me afastava cada vez mais dele.
— Não gosto que você use esses shortinhos minúsculos — e essa blusa então…

Ele segurou no cós da minha blusa a puxando para baixo, meus seios saíram pelo decote.

— Veste um sutiã, pelo amor de Deus! — parece que gosta que a chamem de oferecida e vadia.
— Mas você adora ver essa “vadia” pelada, não é?
— Claro que sim, mas é diferente quando estamos em nossa intimidade. 

Ele sempre tinha uma resposta pronta. Desde o início eu tentei levar aquela relação numa boa, evitava retrucar e até engoli alguns sapos, mas o homem estava insuportável e divergíamos em tudo.

— Eu não sou uma senhora como sua ex-mulher, me visto igual aos jovens da minha idade.
— Está me chamando de velho?
— Estou dizendo pra você parar de exagerar e de ficar me dando ordens; até parece que sou sua escrava.

Era meu primeiro desabafo mais contundente, já estava de saco cheio desse homem me ditando regras.

— Me deixa viver uma vida normal, me divertir, ter amigos, não significa que eu irei transar com eles. Que mania você tem de ver defeito em tudo que faço, até parece que gosta de brigar.

Acho que o peguei de surpresa, pois o homem baixou um pouco o tom e me devolveu a surpresa usando sua arma favorita, o poder financeiro. Falou que estava considerando a ideia de me dar um carro, mas não tinha certeza se eu merecia o presente.
“Putz! Que golpe baixo. Pensando bem… Acho que consigo engolir mais alguns sapos”. Falei comigo mesma e sorri por dentro, mas ainda com carinha de brava.
Ele deu uma trégua trocando a DR por sexo. Fiz minha parte me portando como uma boa menina e aumentei minhas chances de ganhar meu primeiro carro.

***

Ao completar três meses do desaparecimento da Luana, Carlota, a tia, entrou com uma petição para assumir o controle dos bens da sobrinha e poder administrar provisoriamente os negócios. Para ter os bens definitivamente poderia levar uma década até que o sumiço fosse considerado morte presumida. A menos que achassem o cadáver antes.
Na mesma semana o arquivamento do inquérito sobre o desaparecimento foi requerido pelo Ministério Público. As autoridades já haviam dadas por encerradas as buscas há mais de um mês e não encontraram nenhum indício de que a mulher estivesse viva ou morta.
Quanto ao Edgar, ele continuava retirando o máximo de dinheiro que podia da loja e trocava os reais por dólares e também euros. Pretendia manter o dinheiro ilegal escondido em sua residência até que fosse solicitado oficialmente que entregasse a casa.
Dayse passou a frequentar e a dormir na residência com certa frequência, ela sabia que o homem estava fazendo um grande pé de meia com o desfalque que dava na loja, só não sabia em qual parte da casa ele escondia o dinheiro.
Na semana seguinte à morte da Luana, o homem conseguiu abrir o cofre particular da esposa com a ajuda de um especialista. Ela escondia seu dinheiro não declarado, parte era herança do seu pai que sonegava impostos. A filha manteve o esquema em menor proporção, mas ainda era dinheiro ilegal, algo em torno de 600 mil dólares.
O Edgar transferiu o montante do cofre para um local secreto no quintal da casa, se por uma eventualidade a tia soubesse do dinheiro, não o acharia e nem poderia dar queixa à polícia, pois era dinheiro ilícito.

***

Carlota teve sua petição aprovada. Ela não tinha conhecimento e nem vocação para este tipo de negócio, então colocou uma representante de sua confiança para administrar a loja em seu lugar. Giulia era o nome da mulher jovem, sem namorado e sem atrativos. A moça seria o seu braço direito no comércio. Carlota só não previu que a sua escolhida faria um jogo duplo desde o início ao cair na conversa romântica do sócio minoritário. A moça carente de uma relação amorosa tornou-se uma vítima fácil para o novo Edgar, seguro e conquistador. O homem aprendeu bastante sobre relações amorosas nos últimos meses, assediou a Giulia com elogios, cortesias e convite para jantar, o mesmo foi aceito de imediato.
Em uma daquelas noites, depois de uma refeição maravilhosa e uma garrafa e meia de um bom vinho, foram direto do restaurante para o quarto do homem.
Pela manhã havia manchas de amor sobre o lençol e mais uma aliada conquistada.
Não foi difícil para que ele a controlasse e continuasse fazendo suas retiradas do Caixa 2. O mais difícil seria manter o romance em segredo e as duas mulheres, pois ele não queria abrir mão de nada.


Noite de baladas

Algumas semanas mais tarde, o Paulo estava em São Paulo acompanhando seu pai, o prefeito, em uma agenda política e de negócios. O rapaz até considerou a ideia de que Daisy estivesse se escondendo na cidade ou no Rio de Janeiro, contudo sabia que procurar alguém em uma cidade tão grande era como procurar uma agulha em um palheiro.
Na verdade, o Paulinho veio é curtir a noite paulistana e as suas boates convidativas enquanto o pai cuidava dos negócios. Não tinha a mínima intenção de iniciar uma busca impossível.
Todavia o destino iria pregar uma peça nos dois jovens os colocando frente a frente em um reencontro inesperado.

Não muito distante dali, Daisy arquitetava um novo plano para dar mais um “perdido” no Edgar naquela noite.

O homem depois que ficou viúvo passou a controlar meus horários e a interferir demais em minha vida. Isso já havia acontecido quando me mudei para a quitinete, mas piorou chegando a parecer neurose. Seu ciúme e senso de propriedade estavam exagerados e dificultando meus encontros com o Augusto. Naquele sábado precisei inventar uma história diferente para passar a noite fora, iria com o Augusto em uma balada privada na casa de seus amigos.
Só consegui driblar o Edgar com a ajuda de uma colega que trabalha na padaria, inventamos uma noite do pijama em sua casa. O homem fez que acreditou, mas disse que me pegaria de manhã cedinho na casa da garota. Caraca! Que homem chato. Teria que perder horas de sono para chegar antes dele e ficar plantada defronte a residência para parecer que dormi lá.
Mais tarde, depois das 22h, fui com a colega para a casa dela; precisava me produzir para o meu encontro com o meu amor. Ele veio me pegar pouco depois.


Enquanto isso, na rua Augusta, centro da cidade, o Paulo fugiu do jantar de negócios políticos com o pai e foi se divertir em uma boate. Apesar do requinte da casa noturna, strip-tease com nu total não era muito mais caro que uma dose de uísque. O Paulinho, que não tinha problemas com dinheiro, aceitou a companhia de duas gatas insinuantes e oferecidas. Uma loira tipo ninfetinha de peitos miúdos e bundinha carnuda. A outra morena, uns 20 anos, peitos enormes, naturais e firmes e de corpo tipo mulherão. As duas profissionais o levaram para o reservado e fizeram o strip particular entre uma e outra garrafa de champanhe. Além da dança recheada de erotismo das duas garotas, elas também estimulavam ainda mais o cliente sentando a bunda nua em seu colo, se esfregando, o acariciando e o enlouquecendo de desejos.
O meninão não aguentava mais só olhar e ser esfregado, queria transar com as duas ali mesmo.
Elas disseram que ali não podia, mas poderiam ir para um motel. A diversão ficaria um pouco mais cara, elas explicaram. “Dinheiro não é problema”, falou o filho do prefeito. Elas trocaram um olhar discreto… Era um código das perversas. Sugeriram a saideira antes de irem para o motel.

O trio saiu minutos depois, embarcaram no que seria supostamente um Uber e a diversão chegou ao fim; as garotas lhe aplicaram o golpe do Boa Noite Cinderela. Obtiveram as senhas dos cartões com a cooperação dele quando estava apenas atordoado devido ao efeito das drogas. Levaram sua grana, o rolex, celular e o largaram em um bairro distante, deserto e sem testemunhas. As duas ladras, junto com o comparsa do carro, fariam saques com os cartões do rapaz durante o decorrer da noite.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O Interrogatório

Em uma reunião da equipe que investigava o caso Luana, parte dela trabalhava com a hipótese de homicídio. O sequestro relâmpago foi descartado, assim como o sequestro com a intenção de pagamento de resgate, já que não houve saques em suas contas, compras com cartões de crédito ou contato pedindo dinheiro. Na tarde de quinta-feira a desaparecida sacou pessoalmente, em sua agência bancária, dois mil reais de sua conta.
— Onde terminam nossas pistas?
Segundo o relatório com os dados das centrais telefônicas que abrangem a região de Bragança Paulista até São Sebastião, a última chamada do celular da vítima foi em sua própria residência às 20h18. Uma ligação para Bragança Paulista, casa de sua tia, com duração de 2 minutos. O aparelho permaneceu conectado à internet, via wi-fi da casa, até 5h da manhã de sexta-feira. Não há registro de sinal depois disso.
— O que isso significa? — questionou o investigador Freitas.
— Ou desligaram o aparelho ou saíram levando o mesmo com o envio de dados desativado — explicou um técnico.

A Luana não era uma pessoa informatizada, sua relação com o Smartphone de chip pré pago era somente para fazer ligações, nunca se interessou em aprender a mexer no envio de mensagens e redes sociais. Isso era um ponto a favor dos dois criminosos e era conhecido pelo Edgar quando resolveu sumir com o cadáver.

***

Outra noite e outro pesadelo. Revivi em detalhes a cena do esquartejamento; foi a parte mais difícil depois da batalha mortal. Tiramos toda nossa roupa e vestimos capas de chuva, botas de faxina e luvas. O Edgar pensou nos mínimos detalhes para não deixar nenhum vestígio. Despimos o cadáver e o rolamos para cima do plástico grande com o qual forramos o piso cerâmico da sala.
O homem começou a separar as partes do corpo com tamanha frieza, parecia que cortava um frango assado: coxa, sobrecoxa, asa, digo, braço. Eu olhava com dificuldade e sentia a dor de cada corte como se fosse em mim, além de ficar agoniada vendo tanto sangue.
No instante em que ele cortou a barriga dela e o cheiro nojento impregnou minhas narinas embrulhando o meu estômago, achei que nunca mais conseguiria comer novamente.
Fiquei aterrorizada quando ouvi batidas fortes na porta. A casa toda estremeceu como se algo sobrenatural a envolvesse. Queria correr, mas minhas pernas pareciam adormecidas, fiquei agoniada e não conseguia sair do lugar… Mais pancadas na porta.
Acordei e fiquei aliviada quando vi que estava em minha cama.
Ao ouvir novas batidas, desta vez em minha casa, o meu coração voltou a acelerar.

— Quem é? — gritei sem sair da cama.
— Investigador Freitas do departamento de homicídios.

Tremi na base, não sabia o que era pior, se os pesadelos mantendo vivas as cenas do crime ou acordar com a polícia batendo em minha porta. Tentei manter a calma, o investigador já esteve na loja fazendo perguntas e sabia que me procuraria. Só não esperava que fosse assim de surpresa em minha residência.

Abri uma fresta da porta, um homem pardo, de barba curta e bigode, de uns quarenta anos e corpo sarado, mostrou sua identificação de policial.


— Bom dia! — senhorita Deisiane Santos?
— Sim.
— Gostaria de lhe fazer algumas perguntas sobre a sua patroa.
— Pois não, o que o senhor quer saber?
— Eu poderia entrar, por favor? — tomarei só alguns minutos do seu tempo.
— Só um instante, por favor, vou me vestir.

Encostei a porta e vesti o robe por cima do pijaminha. Depois o convidei a entrar e a se sentar no pequeno sofá. Ele se desculpou por ter vindo cedo e me acordado, mas ele queria ter uma conversa individual comigo, fora da loja. Pegou um caderninho de notas e uma caneta.

— Quando foi que você viu a senhora Luana pela última vez?

Ele sabia que minha resposta seria quinta-feira, pois quando esteve na loja entrevistou a todos, principalmente o patrão. Talvez ele quisesse analisar qual era a minha reação. Dizem que bons policiais sabem quando o depoente está mentindo.

— Na quinta feira de tarde, da semana passada — respondi.
— Por acaso você percebeu se ela estava nervosa, angustiada, com comportamento diferente do que você costuma ver?
— Pra mim ela estava normal, séria como sempre.
— Você sabe sobre a relação dela com o marido, Sr. Edgar, se eles brigavam?
— Não que eu saiba, eles conversam pouco na loja, são muito reservados, mas se dão bem.
— Você viajou para o litoral com o seu patrão este final de semana, não foi?

Mais uma vez não adiantaria mentir, ele já ouvira do Edgar que estivemos juntos na casa da praia por três dias. Ele disse para não mentirmos, pois a polícia poderia fazer o levantamento das chamadas dos nossos celulares e saberiam das nossas conversas antes de viajarmos e também da localização dos aparelhos durante o final de semana macabro.

— Sim, passamos o final de semana em uma casa de praia em Maresias.
— Tinha mais alguém na casa com vocês?
— Não, só nós dois.
— Vocês estão tendo um caso?
— Magina, moço… desculpe… policial — o patrão é como um pai pra mim, ele sabe que estou sempre sozinha, a gente gosta de conversar. Somos só amigos.

“É sempre a mesma história, basta um rostinho bonito, uma bunda novinha e peitinhos durinhos aparecem se oferecendo para que o marido fiel esqueça os votos de fidelidade e corra atrás de uma aventura.” Pensou com sarcasmo o policial.

— Você mora aqui sozinha?
— Sim senhor.
— Pode me chamar somente de Freitas, por favor.
— É alugado, né?
Respondi que sim.
— Desculpe perguntar, mas quanto você paga de aluguel?
— Sem problemas — eu pago $1.100 com o condomínio, água está incluso.
— E você consegue bancar isso trabalhando de entregadora?
— Sim, os clientes da loja são pessoas de posse, eu ganho boas caixinhas.
— E os seus pais, moram por perto?

No dia anterior, o Jaime, em sua conversa reservada com o investigador Freitas, havia contado detalhes sobre a Daisy: sua origem, a relação carinhosa com o patrão, que não queria ser registrada, etc.
Mais tarde, no distrito, o policial se inteirou do caso de atropelamento no RN. Ficou sabendo, oficialmente, de que não havia mais queixa contra a garota.
Ele não introduziu o assunto durante aquela conversa na casa da jovem.

— Eu não conheci meu pai, a minha mãe era solteira e me deixou com meus avós no interior do Rio Grande do Norte e sumiu no mundo. Eu era apenas uma recém nascida. Não tem muito trabalho em minha cidade, vim sozinha para trabalhar e futuramente estudar em São Paulo.
— Por hora é só isso senhorita Deisiane.
— Pode me chamar de Daisy, por favor — quer tomar um café? — eu faço rapidinho.
— Não, obrigado, Daisy, fica para a próxima vez. Provavelmente voltaremos a conversar.
Enquanto ele caminhava em direção à porta, tirou um cartão do bolso e me deu.
— Caso você se lembre de algo que tenha visto ou ouvido e que ache importante, por gentileza, não exite em me ligar.

Aff! Assim que fechei a porta comecei a me questionar e a tremer igual vara verde: “Ai meu Deus! Quanto tempo irá durar este pesadelo? Será que ele suspeita de mim? Claro que sim, né? E aquele meu papo de pai e filha me deu até vergonha. Está mais que na cara que somos amantes. Mas a pergunta que vale um milhão de dólares: será que conseguirão provas que incrimine a mim e ao Edgar?”
Na limpeza minuciosa que fizemos na casa da praia logo após ensacarmos o corpo, o homem disse para usarmos desinfetante à vontade por todos os cômodos.
— Tá precisando mesmo, sua mulher fede pra caramba, credo! — falei inocentemente.
Ele sorriu pela primeira vez desde o momento trágico ocorrido pela manhã, depois explicou que o desinfetante era para camuflar as manchas de sangue no caso de peritos da polícia procurarem as mesmas pela casa.

O cheiro do desinfetante era agradável, porém tornou-se enjoativo depois de algum tempo cheirando aquilo.
Quando voltamos da praia no sábado, o calor daquela tarde estava sufocante, evitei ficar no interior da casa, estava embrulhando o meu estômago. Deitei em uma espreguiçadeira ao lado da piscina para dormir um pouco. Havia dado uma cochilada na praia, mas não chegou nem perto de recuperar o sono perdido na última noite.
Não consegui dormir, o homem grudou em mim cheio de más intenções e foi me despindo entre carícias e sussurros. O peladão não ouviu meus pedidos para deixar-me dormir, sentou na espreguiçadeira e colocou-me sentada em seu colo com as pernas abertas e encaixou o seu sexo no meu. Tombei a cabeça em seu ombro e praticamente adormeci sentindo meu corpo subir e descer comandado pelas suas mãos.
Ele chegou ao orgasmo, mas não parecia satisfeito. Pegou-me nos braços e me deitou em um colchão inflável para piscina que estava no gramado. Senti seu gozo da primeira pegada escorrendo do meu sexo. Ele se aninhou atrás de mim e penetrou minha vagina molhada. Suas bombadas brutas pareciam ser um castigo por eu o ter metido nessa roubada.
Não curti a pegada, não estava nem um pouco a fim de transar. Adormeci com ele ainda dentro de mim, de conchinha e me abraçando. Estava esgotada e apaguei de vez.

Acordei quando o dia começava a clarear, doida pra fazer xixi. Estava no quarto e na cama. Meu sono foi tão profundo que nem percebi quando ele me carregou para dentro.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

domingo, 10 de setembro de 2017

Segredos de um Crime

Daisy, com voz de choro, falou para o Edgar não atender a porta, poderia ser a tia que veio atrás da Luana.
— Shiu! — calma e fica quietinha!
Ele foi até a fresta de uma janela e viu um taxista, foi dedução, pois o táxi estava parado do outro lado da rua.
O Edgar abriu a janela e atendeu o homem. Ele queria saber se sua passageira ia ficar, pois ele precisava voltar para São Paulo.
— Ela vai ficar, o senhor pode ir, obrigado!
— Ela tem que acertar o valor da corrida.
Após perguntar quanto era o Edgar pegou sua carteira e saiu pela porta da cozinha e pagou o homem. A seguir o taxista se foi sem mais perguntas.
— Precisamos manter a calma e nos concentrarmos na ocultação do corpo — falou o patrão ao retornar à sala.
Depois pediu que eu ficasse quietinha para não espalhar sangue pela casa. Ele trouxe a sua toalha de banho levemente umedecida para limpar meu corpo. Começou passando em meu rosto e perguntou se eu tinha certeza que não estava ferida, pois estava banhada em sangue. Eu já havia respondido que não.
A toalha geladinha deslizou pelo meu pescoço, seios, ventre e chegou em meu sexo. Ele perdeu um pouco mais de tempo entre minhas coxas fazendo uma limpeza carinhosa em minha parte íntima. Virei para que fizesse o mesmo em minha bunda.
Quando terminou a “limpeza” em meu corpo, mandou-me para o banho. Ele faria uma lista e iríamos às compras assim que eu estivesse pronta.

— Você tá doido? — isso lá é hora de pensar em compras?
Se eu não estivesse tão traumatizada com a situação, teria gargalhado de mim mesma quando ele explicou que era a compra do material necessário para sumir com o corpo.
Ele pegou a bolsa da mulher, tinha $2.500 em dinheiro. Enfiou a grana em seu bolso. Claro que tive uma rápida sensação de perda e até pensei : “E a minha parte? Afinal fui eu quem abateu o monstro.“ De pronto ele disse que compraríamos as coisas com aquele dinheiro, não poderíamos vacilar usando cartão de banco.


Enquanto a Daisy se banhava o Edgar olhava o histórico de ligações do celular da falecida. Viu que as duas últimas foram no dia anterior para a tia às 18:11, foi logo após fecharem a loja, a outra às 20:18. A primeira de cinco e a segunda de dois minutos de duração. Não havia chamadas que pudesse ligá-la à casa da praia ele deduziu. Retirou o chip e a bateria do aparelho.
O homem achou prudente limpar aquele excesso de sangue antes de saírem. Usou a mesma toalha para tanto. A seguir colocou o pano ensanguentado dentro de um saco de lixo, assim como os pedaços da cadeira quebrada.
Pouco depois o casal saiu e rodaram por quilômetros comprando além dos sacos de lixo, material de limpeza e ferramentas para cavar. Também um galão de gasolina e uma faca grande. Tudo à dinheiro, em lugares diferentes e distantes uns dos outros.
— Prá que a faca? — tem faca lá na cozinha — indagou a garota.
Ela ficou sem fala e arregalou os olhos quando ele disse que precisavam de uma que poderiam jogar fora depois de esquartejarem o corpo, já que era impossível carregá-lo inteiro.
Ela fez “Em nome do Pai” e disse que não conseguiria fazer isso. Friamente ele disse que ela precisava ser forte, ou estaria tudo perdido.
Só faltava comprar um saco de cal e voltariam para a casa, mencionou o Edgar.
— Cal? — porque não compra látex?
— É para colocar na cova, reduz o odor — não é para pintar.
— Ah, bom! — entendi.

Horas mais tarde, uma das partes mais difíceis daquele pesadelo estava concluído, o esquartejamento. Os sacos contendo partes do corpo e material usado no trabalho e também na limpeza da casa, estavam no quintal dos fundos aguardando a noite chegar para efetuarmos a desova. Tudo feito segundo as instruções do homem.
— Você já fez isso antes, Edgar? — quero dizer, ocultar um cadáver?
— Não, mas já pensei em fazer e estudei bastante sobre o assunto.
— Eu percebi.

No início da noite nós enchemos o porta malas da Tucson com os sacos e demais apetrechos que usaríamos. Na sequência partimos em direção a Bragança Paulista, era onde morava a tia da Luana. Enterraríamos em algum lugar no meio do caminho que não fosse possível relacionar a nós, se por azar alguém encontrasse os restos mortais.
Antes de sairmos ele alterou a placa do carro usando fita isolante. Era para o caso de tomar alguma multa ou de haver câmeras de vigilância pelo caminho que capturasse a imagem do carro.
Deixamos nossos celulares na residência e partirmos por um caminho alternativo via Caraguatatuba e depois São José dos Campos; o homem disse que era mais seguro.
Rodamos por 3 horas sem parar, Igaratá havia ficado para trás e uma placa indicava que Nazaré Paulista seria a próxima cidade. Praticamente estávamos no meio do mato. Ele saiu da estrada pegando uma via secundária, de terra. Depois adentrou com o carro em uma vegetação rasteira em meio a algumas árvores. Era quase meia-noite quando parou e disse que o local era bom e não seríamos vistos trabalhando.
Desligou as luzes do carro e cavamos só com a luz do luar e uma lanterna quando era preciso.


Uma hora e meia depois havíamos cavado um buraco fundo o suficiente para me cobrir em pé. Enterramos somente as partes do corpo. Os sacos, plástico que cobria o porta malas e tudo que foi usado, seriam deixados pouco a pouco durante o trajeto da volta. 
Passava das nove horas, estávamos de volta à casa. Ele fez uma nova inspeção procurando vestígios, depois nos trocamos, pegamos os celulares e fomos para a praia para sermos vistos e fortalecer nosso álibi.
Combinamos de que tudo o que fosse dito sobre o acontecido seria tratado somente pessoalmente e em local seguro, pois as paredes têm ouvidos; a mulher apareceu na casa de praia porque deve ter ouvido algo na loja.
Outro pacto entre nós é de que jamais tocaremos no assunto por meios eletrônicos. Em época alguma.

No domingo, depois de mais um rolê na praia para sermos vistos e um almoço em um restaurante movimentado, voltamos para São Paulo. O corpo estava devidamente desovado e o local limpo. Nossas atitudes nos próximos dias teriam que ser de muita frieza e naturalidade.
***

Semana seguinte em São Paulo

Todo aquele trauma vivido na praia me deixou carente de uma relação que me fizesse esquecer aquela loucura temporariamente. Procurei o Augusto, talvez só ele me fizesse esquecer a tragédia vivida no litoral.
A semana era do feriado de Tiradentes e de novo um final de semana prolongado. Por telefone ele me convidou para passar a sexta-feira (21) em uma chácara em Arujá, uns 50 km distante de São Paulo.
Eu só dei a resposta na quinta, após convencer o Edgar a trocar minha folga de segunda para sexta. Nós estávamos dando um tempo até esfriar o sumiço da Luana. A polícia esteve na loja fazendo mil perguntas para todos depois que o Edgar notificou o desaparecimento.

***

Sexta-feira, feriado

O local da chácara não era em Arujá e sim em Igaratá, 10 km à frente e a poucos quilômetros do local em que fizemos a desova. Os momentos vividos por mim e pelo Edgar durante o último fim de semana ainda estavam martelando a minha mente como se houvera acabado de acontecer.

Fomos recebidos pelos caseiros, aconteceu um imprevisto com o patrão e ele chegaria um pouco mais tarde. E só após a chegada do homem teríamos chance de curtir o WindSurf tão comentado pelo meu acompanhante.
Fui para a sauna com o Augusto. Teríamos algum tempo de privacidade para nos curtirmos. Já dentro do ambiente e somente de toalha, ganhei um abraço por trás e compactuei com suas safadezas deliciosas observando ele soltar a minha toalha que foi ao chão. Suas mãos acariciaram meus seios e direcionaram meu corpo para que sentasse sobre uma de suas pernas. Ele estava acomodado em um dos degraus da sauna. A mão máscula percorreu meus quadris e chegou até o meu sexo. O homem me fez ronronar ao penetrar minha fenda e me tocar com seus dedos ágeis e firmes.
Nossas preliminares estavam mais gostosas a cada dia devido ao nosso avançado grau de intimidades. Com o conhecimento que ele adquiriu dos meus pontos mais sensíveis, conseguiu me transportar para mundos ainda não explorados, tamanho era o prazer.
Nossa viagem terminou quando fomos surpreendidos pelo filho do chefe e sua mulher. Foi constrangedor ser pega arreganhadinha, com as pernas para cima enquanto recebia as últimas gotas de sêmen em meu ânus já todo inundado.
Pouco depois fui apresentada ao restante do pessoal na área da piscina — achei que estava em uma praia de nudismo, pois todo mundo estava nu — o chefe do Augusto me pediu que tirasse o biquíni, era costume da casa todos ficarem ao natural. Argumentei que não estava acostumada e não fui alertada a respeito. Fiquei muito sem graça, uma vez que todos eles me eram estranhos.
O coroa estava praticamente me forçando a ficar pelada. O Augusto tirou sua bermuda e pediu com jeitinho para que eu também tirasse. O patrão ainda estava em cima de mim ansioso para ver minha intimidade. Tirei o top do biquíni, não queria prejudicar meu acompanhante criando um constrangimento só por causa de duas pequenas peças de pano. “Na sauna o filho já tinha visto mais do que a minha nudez, porque bancaria a casta agora, né?” Pensei enquanto terminava de me despir.
Consegui administrar os assédios do coroa safado que me “atacou” nas oportunidades que teve. Consegui levar de boa até a hora que fomos embora. Eu já tinha preocupações demais e não precisava de mais uma.

No dia seguinte (sábado) acordei com batidas em minha porta, olhei as horas, 7h30. “Quem seria tão cedo?"

— Quem é?
— Investigador Freitas do departamento de homicídios.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Confronto Sangrento

Na manhã seguinte acordei com o Edgar beijando o meu rosto, ele disse que ia fazer umas comprinhas no mercado e voltaria logo para tomarmos café.
— Tô morrendo de sono, vou dormir mais um pouquinho.
Ele me chamou de dorminhoca, deu um tapinha em minha bunda nua sob o lençol e se foi. Voltei a dormir.
Acordei com o barulho da campainha. Assustada virei para o lado, mas lembrei de imediato que o homem não estava comigo na cama. Imaginei que fosse ele do lado de fora, não conseguia abrir a porta, pois não levou as chaves.
Peguei a camisa usada por ele no dia anterior, era a roupa mais próxima da cama, cobri parcialmente meu corpo e fui rapidão em direção à sala após ouvir o segundo toque da campainha. Realmente ele havia esquecido a chave, ela estava alojada na fechadura pelo lado de dentro.

— Só um segundo, amor — falei bocejando enquanto abria a porta.
Gelei ao dar de cara com a mulher gigante, Luana. Fulminou-me com o olhar surpreso.

A esposa e, também a patroa, ficou possessa ao sentir-se duplamente traída e humilhada: “os dois fdp deveriam rir zombando de mim toda vez que lhes dava as costas.“ Pensou.
Ela veio na expectativa de que a outra fosse uma prostituta qualquer. Estava até pensando em dar-lhe algum dinheiro para sumir de vez da vida deles depois de intimidá-la. No entanto os pensamentos que passaram como um raio por sua cabeça só deixaram um ódio descomunal em seu lugar.
Com uma expressão demoníaca ela vociferou:
— É vocêêê a vadia?! — tira essa camisa sua vagabunda!

A mulher me deu um tapão no rosto com sua mão enorme e braço pesado que me fez cair metros pra trás. Aterrizei sobre uma das cadeiras que se espatifou. Fiquei estatelada no chão.

— Depois que eu acabar de arrebentar sua cara de putinha vadia, marido nenhum vai lhe querer como amante.
Fiquei apavorada, aquele monstro desengonçado partiu em minha direção com passos pesados parecendo um tiranossauro. Veio pra cima de mim proferindo mais ofensas. Eu me afastei rastejando de costas, estava zonza com a bofetada e a queda que levei. Ela chegou me acuando, feroz como um bicho, fiquei estirada no piso entre suas pernas e por debaixo dos seus 150 quilos.
Tentava me defender dos seu tapas e murros, mas não aguentaria por muito tempo, meus braços não eram páreo para aquela selvageria. Ela segurou um dos meus braços e com a outra mão apertou o meu pescoço. Mordendo os lábios e cuspindo ameaças ela demonstrava todo o seu ódio. Sua cara de maníaca deixou-me aterrorizada. Eu não conseguia mais respirar, tateei à procura de algo para poder bater naquele bicho. Minha mão tocou em um pedaço de madeira quebrado da cadeira. Senti uma farpa da ponta lascada entrar em meu dedo. Segurei mais para cima como se empunhasse uma faca e reuni toda a força que me restava para desferir um golpe movimentando o braço em forma de arco para acertar a cara daquela vaca gorda.
A madeira pontiaguda penetrou abaixo do seu maxilar. A mulher deu um urro abafado olhando pra mim com os olhos incrédulos e arregalados. Sua expressão era de terror, como de alguém que sabia que foi ferida gravemente.
Com movimentos descontrolados ela tentou ficar em pé, mas caiu de joelhos parecendo sufocada. Eu tentei me afastar arrastando a bunda, não conseguia levantar, porém fui segura pela camisa. Desesperada ela tentou me dizer algo e arrancou a lasca de madeira do pescoço… Deus do céu! O sangue esguichou feito um spray. Fiquei com o corpo todo borrifado pelo líquido vermelho. Eu a empurrei com os dois pés jogando meu corpo para trás, temia que ela me acertasse com a mesma madeira. A camisa rasgou ficando parte na mão dela e parte em meu corpo.
Eu me afastei engatinhando e a seguir assisti a cena mais macabra de minha vida: a mulher estrebuchando no chão feito um hipopótamo ferido. Levantou a mão em minha direção como se pedisse ajuda. Eu continuei apenas assistindo, e sem compaixão… Seu braço tombou pesado e seu corpo agitou convulsivamente alguns segundos. E ficou completamente inanimado em seguida.
Continuei imóvel totalmente atordoada. Um silêncio fúnebre tomou conta da casa enquanto pensamentos diversos martelavam a minha cabeça. “Preciso fugir antes que o homem retorne. “ Pensei, porém como fugiria sem dinheiro?

Ouvi o barulho de chave girando na fechadura. A porta da cozinha se abriu. Imaginei que estava em um filme de terror: portas rangendo, música de suspense e um ser maligno vindo pra cima de mim.
O ser que surgiu foi o Edgar e quase surtou ao ver a mulher tombada no chão em meio a uma poça de sangue e com um buraco no pescoço. Ele colocou as mão na cabeça em desespero.

— Meu Deus! — o que é isso?
Eu estava sentada no piso, encostada na parede, pelada e ensanguentada. Atônita pensava o que aconteceria comigo a seguir.
Ele olhou pra mim ainda não acreditando naquela cena de filme de terror.

— Eu sei o que você está pensando, mas eu só me defendi, esta louca tentou me matar — falei aos prantos — deixa eu ir embora antes de chamar a polícia, por favor.
Ele respirou fundo e continuou sem dizer nada.
Pensamentos fluíam em velocidade absurda na mente do homem, pensou que perderia aquela menina que tanto bem tem feito à sua vida e ao seu coração.
Não descartou a possibilidade de não acreditarem no real acontecimento e o julgarem cúmplice.
Considerou o fato do seu casamento ser em comunhão parcial de bens; a casa e as aplicações bancárias da mulher além de 90% da loja ficariam para a tia dela, sua única herdeira. Sua participação na sociedade da loja era de apenas 10%, era tudo a que teria direito, além do seu carro e uma pequena aplicação conjunta.
Por outro lado, se a Luana sumisse, ele teria tempo para fazer um bom pé de meia antes da mulher ser considerada morta e os bens serem entregues à tia.

Abracei minhas pernas e chorando de cabeça baixa falei que passaria o resto da minha vida na cadeia.
— Eu não vou chamar a polícia — ele falou com calma.
Eu levantei a cabeça esboçando um sorriso involuntário, sequei as lágrimas e perguntei:
— Não? — e o que você vai fazer?
— Só eu não, o que nós vamos fazer — ele disse.
Explicou seu plano: “vamos ter que tirar o corpo daqui e sem sermos vistos, enterrar em algum lugar que ninguém ache. Depois vamos limpar este lugar muito bem limpo. E segunda-feira, quando ela não voltar da casa da tia, eu começo a dar telefonemas a procurando como se não soubesse de nada. Só depois avisarei a polícia.
A campainha tocou. Daisy ficou em pé com um pulo e quase gritou de medo. Se mexia igual a uma barata tonta sem saber para onde ia.
— Ai meu Deus! — tô fodida.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

sábado, 2 de setembro de 2017

O Espião que Não me Amava

Daisy acabara de tirar uma fornada de pão de queijo, separou uma porção, pegou uma garrafa térmica com café e foi levar para os três rapazes que trabalhavam na casa abaixo da sua. Era um agradecimento por eles serem prestativos quando ela precisou de reparos em sua casa. O Edgar chegou bem na hora em que a menina e os três homens se divertiam conversando amigavelmente e saboreando o lanche matinal. Não foi nada educado quando a chamou quase ordenando para que o acompanhasse até a quitinete.
— Por que você fica de papo no meio desses tarados, ainda mais com esta minissaia que mal cobre sua bunda. Gosta de se exibir, é?
Daisy fazia de conta que nem ouvia, não queria arrumar briga com o homem. Completou dois meses em sua nova moradia e não conseguiu passar um dia de folga sozinha, posto que o Edgar a visitava todas às segundas-feiras e passava o dia todo. Ela ainda tinha que recebê-lo e satisfazê-lo por algumas horas noturnas durante os outros dias da semana.
No início, quando ela fez o seu joguinho de sedução para conquistar o patrão e conseguir estabilidade financeira, ainda não tinha o Augusto em sua vida e em seu coração, era um momento em que ainda estava amargurada. Aquele ódio passou e a jovem amorosa ressurgiu das cinzas, porém tinha que continuar em um mundo de segredos e submissão, uma vez que era o patrão que bancava todas suas despesas. Em troca exigia fidelidade e 100% da sua atenção. Ela não imaginou que o preço da estabilidade seria tão difícil de pagar.
Quanto ao patrão…Pense em um homem feliz e realizado, este era o Edgar. O romance com a jovem amante refletiu positivamente em seu casamento dando um upgrade em suas relações sexuais com a patroa. Seu bem sucedido caso de amor secreto o deixou mais seguro. O fato de estar enganando a Luana o fez sentir-se superior em relação a ela e não tão apequenado quando em sua presença. Houvera melhorias também para os funcionários da loja: a patroa parecia feliz e estava ligeiramente simpática. Era algo extraordinário, posto que sempre fora mal humorada e grosseira. Era falta de sexo provavelmente. No entanto, o lado egoísta, mandona e sempre alerta da mulher a fez estranhar o comportamento do marido. Contrário ao que ele costumava fazer, não ficava mais em casa durante seus dias de folga. As ausências passaram a ser frequentes e as desculpas não eram convincentes.

O marido infiel ficou ousado e caprichou em uma estratégia para ficar com a amante por três dias inteiros: era Semana Santa e eles fechariam a loja quinta à noite e só reabririam na segunda pela manhã. O movimento nesses dias era insignificante.
Ele arrumou uma pescaria de barco com amigos no litoral de São Paulo (São Sebastião), na mesma casa que costumava ficar com sua ex-mulher no passado. Ele sabia que a patroa odiava a praia e tudo que era relacionado a sua ex.
A Luana ficou irritada e contrariada, mas não tanto quanto ele esperava. Ela disse que já havia planejado passar a data no interior na casa da tia, irmã de sua falecida mãe e sua única parente.
— Pensei que você fosse comigo, sabe que odeio dirigir — disse ela tentando persuadi-lo, porém sem êxito.
Eles não eram religiosos, mas a Mulher alertou que não se pesca na sexta-feira Santa. O homem contornou dizendo que era pura superstição. “Na verdade ele não iria pescar, era só uma mentira, então não importava”, pensou ele.

O Edgar também ficou descuidado, na quinta pela manhã, escondido pelos cantos, o Jaime ouviu uma conversa do patrão ao telefone com um dos amigos. Ele ria ao dizer que passaria três dias do feriado prolongado com uma ninfeta na praia de Maresias enquanto sua mulher estaria na casa da tia no interior.
O fofoqueiro e puxa-saco foi correndo contar para a patroa o que ele havia ouvido. O rapaz Imaginou que a ninfeta pudesse ser a Daisy, se estivesse certo já estaria contente se conseguisse pelo menos estragar o fim de semana da garota e ganhar uns pontos com a patroa.
Há algumas semanas que a Luana suspeitava que o Edgar estivesse tendo um caso extraconjugal, no entanto, além de não haver provas concretas, também nem desconfiava que sua concorrente pudesse estar tão perto.
“Justamente quando sua relação com o marido encontrava-se em um estágio maravilhoso (sexualmente falando) surgia alguém para atrapalhar. Ela descobriria quem era a vadia e a tiraria do seu caminho por bem ou por mal.” Pensou.
Quinta 20 de abril, véspera de feriado, os patrões resolveram fechar a loja mais cedo, eu fui pra casa. O homem foi me pegar no início da noite e rumamos para o litoral.

Praia de Maresias, algumas horas mais tarde.

A casa ficava a 300 metros da praia: dois dormitórios (uma suíte), cozinha e todas as demais dependências de uma casa normal. O ponto alto era a piscina no quintal dos fundos; pequena, mas perfeita. Parecia uma hidromassagem enorme com uma mini cachoeira.

Deixei minhas coisas na sala de estar sobre uma mesa de madeira rústica.Aguardei enquanto ele iluminava toda a casa e dava uma olhada nos outros cômodos. Fui até a janela que dava para a rua, a noite linda e agradável convidava para um passeio noturno.
Nós saímos para jantar meia hora depois. Fomos caminhando pela praia até um bar e restaurante um pouco mais distante. Depois de alguns chopes, duas caipirinhas de vodca e uma refeição deliciosa de frutos do mar, o homem foi ao banheiro fazer xixi. Dois carinhas que estavam em um grupinho de quatro em uma mesa próxima e que ficaram me “filmando” o tempo todo, aproveitaram o momento para me abordarem.
Depois de se apresentarem disseram que aconteceria uma baladinha daqui à pouco em um Camping bem conhecido nas proximidades. Seria show se me juntasse a eles, disseram.
Expliquei que não daria, meu pai é muito conservador, careta mesmo, e não me deixa sair sozinha.
— Finge que vai dormir e foge, gata, vai rolar a noite toda.
— Vou tentar, ok? — não prometo — ele está voltando, por favor, sai fora rapidão.
O Edgar encarou os meninos que tentavam disfarçar enquanto voltavam para suas mesas. Contornei a situação falando que me confundiram com alguém conhecido. Pedi para o homem que fossemos embora.

Na metade do caminho para a casa eu falei que queria fazer xixi. Claro que ele ficou bravo e perguntou por que não fiz enquanto estávamos no bar.
— Aqui é mais gostoso, vem! — vamos ali perto das pedras.
A praia já era praticamente deserta durante o dia, a noite era completamente abandonada.
Abaixei meu shorts e calcinha. Enquanto fazia xixi me deu vontade de entrar na água, só de farra. Provavelmente era o efeito das bebidas, mas também tentava prolongar o momento em que teria que abrir as pernas para o Edgar e suportar seu corpo pesando sobre o meu.
Tirei totalmente minha roupa sob os protestos do homem. Entrei na água gostosa e o chamei para curtir também.
E não é que o doido veio. Se eu esperava começar uma briga, não deu certo. Ele olhou em volta, tirou sua roupa e veio ao meu encontro. A bebida o deixou animado, a mim também, estava adorando aquela praia, brincamos feito crianças. Porém quando saímos da água ele me deitou na areia e se impôs como macho e pagador das minhas contas. Fui possuída naquela praia tranquila iluminada pelo luar e, apesar dos meus protestos, a transa não foi ruim, a sensação de estarmos sendo observados e a minha fantasia de que era o Augusto estocando o meu sexo ao invés dele, proporcionou-me orgasmos deliciosos.


Após ele me inundar com seu sêmen, ficou quietinho abraçado ao meu corpo e recuperando a respiração. Ouvimos vozes e não deu tempo de levantarmos antes de sermos flagrados pelos quatro rapazes do bar. Eles diminuíram a marcha enquanto passavam observando a gente se vestir sem graça e confusamente. O Quarteto seguiu em frente falando gracinhas para nós e entre eles mesmos.
No fim das contas eu até que achei engraçado, eles deveriam estar pensando que presenciaram um ato de incesto.

Horas antes, na saída do shopping Ibirapuera em São Paulo, a Luana que desistira de viajar para a casa da tia, conversava com um homem dentro de um carro.
— Precisarei dos seus serviços novamente amanhã.
O homem aceitou o trabalho. Chegaram a um acordo sobre o valor, posto que tratava-se de um serviço especial.

Continua…
 

Translate

Total de visualizações de página