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domingo, 27 de agosto de 2017

Núpcias e Segredos

Comecei o dia com uma grande notícia: a quitinete que o Edgar alugou pra mim ficou pronta e eu poderia mudar na segunda feira, era quando ele iria comigo pegar as chaves. Eu nem a vi e só sabia que ficava em Santo Amaro, um bairro da zona sul de São Paulo, contudo estava contentíssima em poder morar sozinha, ter privacidade e um banheiro só pra mim.
Eu também estava feliz por outro motivo, no sábado anterior, em meu encontro com o Augusto em que lhe dei o “brinde”, ele me fez desejar que o tempo parasse naquela noite de orgasmos múltiplos. Como que ele consegue ser tão gostoso?Ele me fez trabalhar feliz na manhã daquele domingo, e não foi apenas pela saideira matinal que energizou meu corpo e o meu coração, mas também pelo convite para irmos ao cinema no próximo sábado, haveria um filme ótimo estreando e ele só gostaria de assistir se fosse em minha companhia (palavras dele).
Amei o convite, não que eu seja doida por cinema, mas por ser um encontro não profissional. Não queria mais encontrá-lo apenas quando estivesse me pagando, eu o queria ao meu lado porque ele me diverte com seu papo sem compromisso. Até suas cantadas furadas me fazem rir.
Já como homem e mulher o lance fica sério, a química entre nós é muito louca. Eu flutuo a cada abraço carinhoso, a cada beijo gostoso e chego às nuvens quando a sua boca desliza em minha pele. O odor agradável dos nossos corpos quentes, suados e fundidos como se fossemos um só ser, é um tempero a mais para apimentar a nossa “batalha” de amor.
O cara mexeu mesmo comigo, a sensação de prazer que me proporciona em nossas transas carregadas de tesão é indescritível. Sua pegada me surpreende a cada novo encontro.
Enfim, transar com ele é a certeza de acordar na manhã seguinte com um sorriso de felicidade estampado no rosto e o desejo de reviver tudo o mais depressa possível.
A recíproca parece ser verdadeira, o fofo disse que sua vontade era de estar em meus braços todos os dias e que sente falta da minha companhia a todo instante.

***

Jaime (vulgo Jaiminho) era empregado da loja há mais de dois anos, também era entregador. Ele queixou-se com o Edgar dizendo que a Daisy estava escolhendo os clientes que ela atenderia. Por coincidência eram somente os melhores (os que costumam caprichar nas gorjetas).
Sua abordagem não foi bem aceita, ele sentiu seu emprego ameaçado quando o patrão disse em tom autoritário para o rapaz parar de agitar que as entregas e os clientes eram todos iguais.
Daisy acabara de chegar, o patrão mudou sua expressão de irritado para sorridente e todo solícito foi ter com a jovem. O Jaiminho se afastou incomodado com as gentilezas do patrão com a novata, sentiu que rolava um clima. Bater de frente com ela não seria a melhor estratégia.
Ele tentaria o plano B: ganhar a preferência da patroa puxando o saco dela, mas tentaria também queimar o filme da menina com a patroa.

Jaiminho começou a se interessar pelo passado de Daisy procurando respostas para suas dúvidas: por que ela veio para São Paulo se não tinha nenhum parente na cidade? por que não queria ser registrada? Tinha algo a esconder? Estava fugindo?
Após pesquisar na Internet sobre a cidade de origem da garota ele ficou sabendo do caso de atropelamento do filho do prefeito. A notícia dizia que ele saiu do coma e se recuperava rápido.
Em outra matéria, de semanas anteriores, fizeram referência à garota motociclista, de 18 anos incompletos, que evadiu-se do local do acidente: era neta de um funcionário muito ligado à família do prefeito e amiga de infância do filho Paulo (o acidentado). O prefeito havia comunicado à imprensa que o filho havia retirado a queixa contra a garota imediatamente após sair do coma. Disse que a perdoou, pois sabia que não fez por mal. (final da notícia)

Paulinho tomou esta decisão orientado pelo pai, raposa velha da política. No entanto, em conversa reservada entre eles, o atropelado disse que não descansaria enquanto não encontrasse e desse um fim naquela puta vadia.

***

Na segunda-feira o Edgar foi me buscar na pensão, falou para eu pegar todas as minhas coisas e entregar a vaga.
— Mas eu tenho que comprar “de um tudo” para a casa ainda, nem roupa de cama eu tenho… E muito menos a cama.
— Fica tranquila eu te arrumo umas caixas de papelão.
— Engraçadinho!
Ele disse para irmos até lá e depois iríamos às compras.


A minha nova habitação era distante do trabalho, eu gastaria uma hora ou mais de ônibus, mas isso era o que menos importava.
A construção era de dois pavimentos: havia duas casas maiores no térreo, garagem para dois carros e quatro quitinetes no piso superior. Anteriormente era apenas um sobrado com duas casas, o comprador, amigo do Edgar, estava fazendo uma grande reforma. Apenas o meu AP e o do lado estavam prontos e alugados. Nos dois ao fundo faltavam detalhes de acabamento e as casas no térreo ainda pareciam com um canteiro de obras.
Gostei da rua tranquila sem trânsito, na pensão eu acordava no meio da noite com barulho de ônibus e sirenes.

Paramos diante da primeira porta do corredor comprido. Ele me levantou em seus braços como uma noiva na noite de núpcias, mandou eu fechar os olhos e só então abriu a porta e entrou comigo.
— Pode abrir os olhos!
Caraca! Fiquei maluca de felicidade, já tinha cama arrumadinha, sofazinho, mesa, cadeiras, fogão, geladeira, máquina de lavar roupas. Enfim, tinha de tudo e novinho.
— Gostou?
— Eu amei — você é louco, tudo isso deve ter custado uma fortuna.
— Você merece e depois você vê se precisa de mais alguma coisa.
— Você já sabe o que eu preciso agora… É de uma pegada daquelas que você me dá quando me possui.
Dei-lhe um beijo ardente, depois comecei a me despir e caminhar em direção à cama. Deitei só de calcinha.
— Vem, amor! — a minha calcinha de renda pretinha que você me deu está pronta para ser arrancada pelos seus dentes.
A cama nova no lar novo e minha entrega por agradecimento, fez o homem bater alguns recordes. Ele mesmo quem disse.
Estava feliz com o meu cantinho e saberia compensá-lo sexualmente, afinal de contas era somente isso que ele queria… E era somente o que eu tinha para dar.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

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