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sábado, 19 de agosto de 2017

Motel

Segunda-feira combinamos de nos encontrarmos no restaurante. Ele estava me aguardando quando cheguei, bancou o cavalheiro se levantando e puxando uma cadeira pra mim.
Aproveitamos para falarmos de assuntos que geralmente não entram em pauta quando estamos na loja. Como ele tem mais experiência de vida e mais quilometragem, falamos dele quase o tempo todo.


Daisy se divertia ao perceber a mudança de comportamento do patrão quando sua mulher não estava presente. Até parecia que a dona era mãe dele, uma mãe má e autoritária que intimidava e reprimia o menino com um simples olhar.
Na época em que Edgar conheceu a Luana, ele acabara de receber o pedido de divórcio de Irene — sua ex-esposa e mãe de suas duas filhas —. Estava falido e sem perspectivas futuras. O casamento com a Luana foi sua tábua de salvação.
Um homem sem atrativos e de conversa monótona. Se não fosse o trabalho que lhe toma quase todo o tempo, os seus dias seriam de um grande vazio existencial, já que sua vida afetiva com a mulher é uma rotina entediante. Sua postura é de inferioridade e conformismo perante a mulher que herdou os investimentos, o comércio e também a personalidade forte do pai. Ela é a dona do dinheiro e é ela quem manda. Com um nível plus de obesidade ela não dá grande importância à aparência ou futilidades. Está sempre buscando a possibilidade de ascensão material “possuir é mais importante que usufruir”. Solidariedade e tolerância são atitudes que ela nunca entenderá. Essa é a patroa. 

Passamos o restante da tarde em uma suíte adorável em minha primeira vez no interior de um motel; tudo era novidade. Infelizmente o meu acompanhante não era a pessoa que eu gostaria que estivesse ali comigo. Suas atitudes também não combinavam com o ambiente tão convidativo e aconchegante; o patrão não foi nada romântico. Após alguns beijos e apertos em meu corpo, sem cerimônia arrancou o meu vestido e por alguns segundos apreciou o conjunto de lingerie que ele mesmo havia me dado. A seguir se expressou “poeticamente“ dizendo:
— Você está um puta de um tesãozinho vestida assim.
Ele me fez ajoelhar para abocanhar seu pênis. Permaneceu em pé,agarrado aos meus cabelos e forçou seu pinto em minha boca e garganta. Engasguei algumas vezes e tive ânsia de vômito. Ele percebeu que aquilo não ia prestar, então terminamos de nos despir e fomos para a cama.
O Edgar deitou por detrás de mim, ergueu uma de minhas pernas e se acomodou por dentro delas. Seu próximo movimento foi penetrar minha boceta com rispidez. O homem estava se sentindo poderoso, com a mão em meu pescoço ele virava o meu rosto procurando minha boca com seus lábios ou simplesmente segurava firme me mantendo presa, queria dar a entender que eu estava em seu poder e que era ele quem mandava. As estocadas do seu membro em meu sexo eram tão intensas que o desconforto trazia à tona os meus gemidos mais profundos, em compensação também me proporcionaram uma parcela de prazer.

O desempenho sexual do Edgar superou suas próprias expectativas na companhia da jovem amante. Em virtude dela estar dependendo momentaneamente do patrão, interferiu positivamente na masculinidade do homem. Sua vida sexual com a atual esposa era um fracasso algumas vezes e sem tesão em outras, pelo fato dele se apequenar diante de mulheres independentes. O mesmo ocorreu em seu casamento de seis anos com Irene, sua ex. Conforme ela progredia em sua carreira a dele regredia. Isso o afetou tanto profissionalmente quanto sexualmente.

Daisy percebeu nas entrelinhas dos comentários feitos pelo parceiro, que a química entre eles superava com folga as relações do homem com suas mulheres (atual e ex). Friamente começaria a tirar vantagem daquela relação enquanto o homem ainda curtia o seu momento de glória. Ela pediu sua ajuda para sair da pensão o quanto antes. Ele prometeu que resolveria o assunto nos próximos dias.

***

A garota entregadora esperou ansiosa pela sexta-feira e o provável terceiro encontro com o Augusto. No entanto, deu ruim, ele não fez contato. Esperançosa ainda aguardava pelo pedido no dia seguinte (sábado).
Quando ela estacionou o ciclomotor na entrada da loja ao voltar de uma entrega, um carro parou no meio fio e deu um toque de buzina; era o Augusto. Daisy já o havia reconhecido antes dele abrir o vidro do lado do passageiro e chamá-la. A buzina também chamou a atenção do patrão no interior da loja. O homem ficou à espreita como um animal que sente o seu domínio sendo ameaçado; principalmente quando a garota debruçou na janela do carro colocando cabeça e parte do tronco para dentro. Ainda tinha o agravante da bunda redondinha e arrebitada dentro de um jeans justíssimo que deixou alguns marmanjos babando naquela calçada.
— Não quis a entrega especial esta semana? — ela perguntou insinuante.
— Era tudo o que eu queria, mas vou falir se continuar assim.
— Não seja por isso, acabei de criar uma promoção só para você: pague por duas cestas especiais e ganhe a terceira grátis — somente a parte especial, claro — ela gargalhou a seguir.
— Opa! Adorei esta promoção — ele falou com brilho no olhar — quando posso receber meu brinde? — será que pode ser hoje à noite — ele sugeriu.
— Pra mim está ótimo — estamos combinados então, hoje à noite eu levo a sua encomenda.
A novinha não se continha de felicidade, aquele trintão mexeu com seus sentimentos, isso estava mais que evidente e somente ela é que achava que aquilo ainda era só um lance profissional.
Ela deu tchau e disse que tinha que voltar ao trabalho. Ele tentou beijá-la na boca, a jovem rapidamente virou o rosto e o beijo foi na bochecha.
— Seu doido, aqui não — ela sorriu e acariciou a mão dele — tchau, até depois.

Quando Daisy entrou na loja o Edgar estava espumando de ciúmes e raiva. Com cara de “eu sou seu dono” ele disse:
— Mocinha! Deixe para bater papo com os seus amigos depois do expediente.
Ela se desculpou e voltou ao trabalho. Ambos eram observados sorrateiramente pela patroa em outro canto da loja.

Mais tarde, em um momento a sós com o patrão, ela levou nova bronca do seu empregador e amante ciumento.
— Você precisa parar de se sentir ameaçado e me respeitar — zangou-se a menina — me ajudar a mudar você não ajuda, né?

***

A cena com o Augusto e a DR que tiveram na sequência surtiu efeito para a felicidade da jovem. O Edgar alugou, em caráter provisório, uma kitnet de um amigo. Pagou por um período de três meses, adiantado. Deisy não podia fazer um contrato e nem ele, sem que sua mulher soubesse.
A garota foi pressionada pelo homem que quis saber mais sobre sua origem e com quem ele estava se relacionando. Encurralada ela inventa uma história de que foi agredida pelo pai policial que a pegou fazendo amor com um namorado. Ela fugiu de casa depois de o ferir gravemente, pois o pai violento jurou matá-la quando conseguisse pôr as mãos nela.
— Eu sabia que ele não falava da boca pra fora, eu tinha que sumir para bem longe e ficar invisível, por isso acabei chegando aqui.

Enquanto isso, na UTI de um hospital do Rio Grande do Norte:
A família do prefeito comemorou quando o filho Paulo reagiu a estímulos após seu traumatismo craniano gravíssimo e fizeram uma verdadeira festa quando ele saiu do coma profundo.
Sua primeira frase foi:
— Vou matar aquela vadia.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

3 comentários:

  1. Nossa linda...eu viajo nas suas histórias não vejo a hora de vc escrever e postar a continuação dessa aventura bjs...

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    1. Oie Giba! Continua no próximo fim de semana. Obrigada por "viajar" comigo nessa história. Beijos!

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  2. Sou suspeito em comentar seus contos pq adoro todos e me distrai muito..se é que me entende kkk

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