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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Anjo Assassino

Início de noite, o ônibus percorria pela BR-116 no estado do Paraná em direção à Santa Catarina. Eu pensava no Augusto, nossa relação esfriara desde o dia em que encontrei a cocaína em seu bolso. Conversamos dias depois do ocorrido. Ele admitiu que ganhava uma boa grana revendendo para seus parceiros de balada. Disse que era só para tirarem um barato, ele não era traficante. Ele era sim, só que não queria se ver como tal.
Não foi o motivo principal do declínio do meu entusiasmo por ele; o novo Augusto que passei a enxergar não me atraía tanto quanto o do início.
Não houve despedida entre nós, era até bom, pois com certeza a polícia iria querer ouví-lo e pareceria que sumi contra a minha vontade.


O Edgar foi preso, ele era o principal suspeito de ter assassinado a pessoa encontrada carbonizada em seu carro. O grau de carbonização, somado a ausência das partes mutiladas, impediram a identificação do corpo.
Outro agravante contra o homem: centrais telefônicas da região confirmaram que os celulares da Giulia e da Daisy estiveram conectados ao wi-fi da casa dele até 1h08 da madrugada de sábado. Ambos perderam o sinal ao mesmo tempo e não houve mais registros. Os aparelhos não foram localizados.
Além disso foram encontrados vestígios de sangue na residência. Após a perícia complicaria ainda mais a vida do homem.


Despertei dos meus pensamentos ao ouvir que o ônibus clandestino voltou a apresentar problemas. Rodamos somente alguns quilômetros depois que deixamos a cidade de Piraquara. Faríamos uma nova parada em um fim de mundo, pois a lata velha havia quebrado de vez. Nós, passageiros, teríamos que permanecer no local até o dia seguinte, era quando chegariam as peças necessárias para efetuar o conserto do busão.


Enquanto Daizy caminhava pela pequena praça do vilarejo, ela foi abordada por um jovem casal no interior de um Santana que mal dava para ver a cor de tão empoeirado que estava. Eles vinham em sentido contrário, à caminho de São Paulo. Estavam de passagem pela cidade e pensaram que ela fosse moradora do local. Perguntaram onde poderiam comer e beber algo e se havia alguma diversão naquele lugar.
Depois que Daisy explicou que também estava de passagem, disse que havia visto um lugar legal a uns 500 metros atrás. O trio sorri e fazem o mesmo comentário: “se não fossem os cabelos, todos diriam que as duas garotas são gêmeas.”
A semelhança entre elas era impressionante. A jovem de cabelo curto e negro se apresenta como Jessie e o rapaz como James. Ela 20 anos, ele 24.
O trio se dirigiu ao “lugar legal” mencionado por Daisy, uma parada de caminhoneiros e viajantes. Lá eles comem, bebem, conversam banalidades e desconversam quando a pergunta é mais íntima. Ninguém quer revelar detalhes relevantes de sua origem. O casal diz que é do interior de São Paulo, estão a dois anos na estrada vivendo como ciganos. Ninguém chorou quando partiram e tão pouco alguém deseja ou espere que voltem.
Daisy revela que saiu do Nordeste (sem especificar o local) e veio para o Sudeste em busca de trabalho e de melhores oportunidades.
Os três jovens têm algo a esconder: más intenções e interesses distintos. A conversa amigável se assemelha a um jogo de poker em que você paga pra ver caso presuma que está de posse das melhores cartas.
O casal de relação aberta assedia a jovem que cede sem muita resistência. O trio encaminhou-se até uma represa próxima que mais parecia uma praia deserta. A intenção era a de praticarem um ménage à trois.


Já as margens da represa, longe dos olhares incriminatórios, a Jessie me abraçou dizendo que estava morrendo de tesão por mim. Me beijou sem a menor cerimônia. Nós três estávamos ligeiramente embriagados e com a libido a mil. As preliminares avançam com o cara me despindo o tronco, roçou seu tórax nu em minhas costas também nuas, massageou e amassou carinhosamente os meus peitos. James puxou meu rosto para o lado, descolei meus lábios dos da jessie para beijá-lo.
Após devorar minha língua ele desceu até meu seio e o sugou como se estivesse faminto. Nesse meio tempo eu já estava pelada, pois a Jessie havia me despido inteirinha e se enfiou entre minhas pernas. A garota me ganhou de vez ao brincar com meu sexo em sua boca.
Tudo acontecia rápido demais e eles trabalhavam em conjunto como se houvessem ensaiado ou praticado o lance várias vezes. Desde o bar eu desconfiei daqueles dois, suspeitava que poderia estar caindo em um golpe, mas eles tinham algo que me interessava muito, então resolvi correr o risco e entrar nesse jogo perigoso.
O cara me deitou na areia e ajoelhou me deixando entre suas pernas para que eu recebesse seu pau garganta a dentro. Fiquei receosa e com raiva de mim mesma; deixei que me colocassem indefesa estendida embaixo dele. Contudo, a posição de submissão teve o seu lado bom, a garota abriu minhas pernas as levantando e teria arrancado meus gritos de tesão com sua chupada caso eu não estivesse de boca cheia fazendo um boquete no James.
O momento a seguir foi de dúvida e hesitação, ele veio de pau em riste pronto para me possuir… E sem preservativo. Eu estava morrendo de tesão e doida para transar gostoso com ele. Em outra situação eu teria dado um foda-se e me entregado, porém havia algo mais em jogo, não era somente sexo.
Demonstrei receio e disse que gostaria de assistir os dois se pegando primeiro, pois ainda não estava completamente à vontade com aquela novidade única em minha vida. Eles se olharam — sabe aquele instante de percepção que você consegue até ler pensamentos? — foi o que aconteceu comigo, sabia que estavam se comunicando por código. Eu tinha que tomar uma decisão rápida executando o meu plano, antes que fosse tarde demais e me transformasse em vítima.
Falei que ia procurar uma camisinha na minha mochila. Enquanto isso ele deitou sobre ela, percebi que a penetrou, pois o gemido profundo da garota refletiu em mim como se fosse eu a penetrada.


Nos minutos seguintes o casal se amou intensamente como se o fizessem pela última vez.


***


Acordei horas mais tarde ouvindo a cantoria dos pássaros, começava a raiar o dia. Estava deitada na relva, um pouco mais acima de onde aconteceu nossa transa. Estava sozinha no lugar deserto, exausta, nua e toda suja. Olhei assustada procurando as minhas coisas e fiquei aliviada vendo que tudo ainda estava como deixei. Tomei um banho na represa de água fria antes de me vestir e voltar para o ônibus. Fiquei preocupada que antecipassem o conserto e o motorista saísse antes que eu chegasse.
Já era dia de sol quando cheguei e pedi minha mala para o responsável pelo transporte, a maior parte dos meus 600 mil dólares estavam guardados dentro dela. Depois caminhei alguns quarteirões e peguei o Santana onde deixara estacionado. Acelerei estrada a fora.


Ao passar pela “prainha deserta” Daisy acenou dando um tchau, um muito obrigado e sorriu com frieza. Foi no mesmo local onde ocorreu a orgia da noite anterior que ela sepultou os corpos do casal Jessie e James.
Os dois jovens haviam rodado por quase todo o país nos últimos dois anos. Viviam um dia após o outro com o fruto dos pequenos golpes que aplicavam. A tática era atrair homens e mulheres para diversão sexual a três ou a quatro para depois roubá-los e fugirem para outra cidade. Quando o dinheiro acabava após farras e noitadas, eles partiam atrás de uma nova vítima. No entanto, dessa vez os caçadores é que seriam a caça. Enquanto estavam com os corpos colados ao chegarem ao momento mágico daquela transa, Jessie teve um orgasmo múltiplo ao ouvir o urro demoníaco do seu parceiro. Ela imaginou que a manifestação fosse de tesão quando ele deu seu último gemido de dor ao sentir a lâmina de uma faca atravessando o seu coração. Isso a fez gemer e remexer ainda mais com a intensidade do seu clímax.
Jessie estava de olhos cerrados quando sentiu o primeiro golpe em seu pescoço. Horrorizada abriu os olhos e viu a sua algoz a golpeando mais uma, duas, três vez.
O momento mágico, último na vida do casal, se transformou em momento trágico.
Os dois corpos foram enterrados juntos onde a vegetação mantém os transeuntes afastados do local e da cova.


Enquanto isso em São Paulo, o investigador Freitas havia sido designado para o caso do corpo carbonizado. Durante a investigação na casa do Edgar foram recuperados dados apagados do HD do seu Laptop. O policial fez uma expressão de questionamento ao visualizar o material, havia várias fotos e pequenos vídeos da Daisy. Na maioria deles ela estava nua ou em trajes menores. Aparentemente foi o patrão Edgar quem registrou as cenas produzidas em sua residência, na casa de praia em Maresias e também na casa da garota. Em quase todas as imagens ela está contrariada; esconde o rosto, mostra o dedo e ameaça jogar objetos.
Em um vídeo a jovem está na cozinha de sua casa mexendo em uma panela no fogão. Suas nádegas e restante da retaguarda estão descobertas, pois ela veste somente um aventalzinho que cobre parcialmente suas partes frontais. Ela se vira Irritada e ordena que ele pare de filmá-la.

O policial conjectura que a irritação, na verdade, seja um jogo de provocação e sedução que a menina astuta faz com o homem, ou com os homens. Ele pensou na cena da última vez em que esteve na casa da garota para pegar informações do caso Luana. Era quase meio-dia de uma segunda-feira e ela estava com este mesmo pequeno avental do vídeo quando o atendeu após suas batidas na porta:
— Já vai, Léo, um minuto.
Ela escancarou a porta. Estava com um sorriso largo no rosto e ajeitando os cabelos, porém sua expressão ficou séria ao me ver e fechou um pouco a porta ficando com o corpo parcialmente coberto.
— Desculpe-me por não ser o Léo.
— Magina, não tem de quê — pensei que fosse um dos rapazes que está trabalhando na casa debaixo, ele à pouco disse que vinha pegar o almoço.
“Essa malandrinha se justifica demais para quem não tem nada a esconder.” Pensou o homem e, não, o investigador.
— Eu estava passando e aproveitei para lhe fazer mais umas perguntas… O celular dele tocou e era urgente, tinha que ir para uma cena de crime. Disse para a Daisy que a procuraria outro dia.


“Só hoje me dei conta de que não vi nada mais em seu corpo além do aventalzinho que cobria seios e quadris. Ela provavelmente estava com a bundinha de fora e o felizardo do pedreiro é quem se deliciou com a cena da menina exibida. Droga de telefone, não poderia ter esperado quinze minutos antes de tocar?” Lamentou-se o policial em pensamento.


Freitas continuou examinando os vídeos. No próximo ela aparentava embriaguez, contudo estava calma e amorosa dessa vez. Cheia de malícia e com gestos de sensualidade diz que faria um strip-tease e masturbaria a si e a ele também. Permitiria que a filmasse, porém queria parte do pé de meia dele. Ela fez sinal de aspas com as mãos ao dizer “pé de meia”, sem largar o copo de vinho. O vídeo é pausado e quando continua Daisy está caminhando rápido em direção à pia. Está completamente nua novamente e desta vez parecia ser real a sua fúria. A moça pegou uma faca de cozinha e o ameaçou:
— Para caralho! Você sabe do que sou capaz, faço o mesmo com você se continuar me emputecendo — o homem a chama de boca suja e encerra o vídeo.
Freitas balança negativamente a cabeça, sorri e se recusa a acreditar na teoria que acabara de formular: que aquele anjo sedutor não fosse uma vítima e, sim, uma assassina fria e calculista.


Horas mais tarde, em uma cidade no estado de Santa Catarina, Daisy se admirava no espelho de uma pousada. Ela cortou seus cabelos longos e castanhos e os tingiu de negro. Comparou com a foto da identidade da Jessie e sorriu satisfeita. A jovem criminosa ganhou um visual diferente e documentos coerentes com a nova aparência. Possuindo dinheiro suficiente para não precisar trabalhar por anos, ela só se preocuparia em não ser presa e continuaria com as suas vilanias.
Fim

"Quero agradecer a todos que tornaram esta obra possível, especialmente ao meu amigo Caio Renato Gadelha que disponibilizou seu tempo me ajudando com a minha dificuldade em desenvolver cenas de crime. Também foi fundamental na construção do perfil criminoso da minha protagonista (Daisy)."

Agradeço a atenção e carinho de todos. Nos veremos em breve com uma nova história.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Caça ao Tesouro

Daisy sente que está sendo colocada de lado pouco a pouco. Suspeitava que sairia da relação com o Edgar e também da loja com uma mão na frente e outra atrás. Ela já tinha conhecimento que limparam a sua ficha com a justiça referente ao caso do atropelamento do filho do prefeito, então para ter alguma salvaguarda no emprego ela pediu que o Edgar a registrasse. O homem transferiu a responsabilidade para a patroa substituta. A Giulia a enrolou com evasivas dizendo para deixar assim por enquanto, falariam sobre o assunto no início do próximo ano. A garota percebeu o joguinho do casal de patrões e sabia que não passaria o Réveillon empregada. Decerto teria que sair da quitinete também.


Eu precisava pôr a mão na grana que o Edgar estava ocultando, depois daria um perdido me escondendo bem longe de São Paulo. Em uma das últimas noites em que dormi em sua casa, fui para o banho assim que chegamos. Enquanto estava sentada no vaso pensando na vida, ouvi um barulho discreto parecido com uma tampa de bueiro sendo removida, ou recolocada. Aquilo chamou a minha atenção, pois era quase meia noite, porém somente um dia depois, em meio aos meus pensamentos, me dei conta que poderia ser o homem escondendo a grana desviada da loja.
Em minha visita seguinte fiquei ligada no barulho, porém nesse dia não ouvi nada. Mesmo assim, pela manhã, enquanto ele estava no banho, dei uma olhada rápida no quintal em busca de algo similar. Encontrei duas tampas de ferro de uns 80x40cm no interior da pequena área onde fica a churrasqueira, no chão, rente à parede, sob um balcão de alvenaria que separa o ambiente do quintal. Tentei levantar uma das bichas enfiando dois dedos em um pequeno orifício lateral… Sem chance, a chapa era grossa e pesada, precisaria de um ferro para fazer de alavanca. Voltei rapidinho para dentro antes que ele saísse do banho e me visse bisbilhotando.


Na última sexta-feira daquele mês, a tia Carlota chegou de surpresa para conferir de perto como o seu patrimônio, herdado da sobrinha, estava sendo administrado. A princípio ela se hospedaria no apartamento alugado pela Giulia. Foi um balde de água fria nos planos da moça que estava cada vez mais envolvida em seu relacionamento secreto com o Edgar. O casal havia combinado de saírem para jantar e depois dormiriam na casa dele, como era costume nos dias de encontro. Ela também não queria dar uma oportunidade para que a Daisy fosse em seu lugar. Apesar do homem jurar que acabara há meses o envolvimento com a menina, Giulia sabia que continuavam se encontrando (a mulher sempre sabe).

As duas mulheres saíram pouco antes da loja fechar, eu fiquei enrolando na última entrega, pois queria ficar sozinha com o Edgar e pedir para dormir em sua casa. Desconfiei que com a aproximação repentina da tia, minhas chances de conseguir pôr as mãos no dinheiro estariam terminando.
Ele não se opôs, passamos em um drive-thru e levamos nosso jantar.

Quando chegamos, ainda dentro de sua garagem, ele estava todo safado e queria transar dentro do carro. Eu escapei dele com minhas calças quase arriadas, desci falando que precisava fazer xixi — realmente precisava — o homem desceu e me segurou, colocou-me sobre o capô e disse que não aguentava mais de tesão e queria me ter ali mesmo.
Na hora eu não entendi nada, depois pensei que ele estivesse preocupado que a Giulia visse as manchas no lençol. Não dei importância e até curti o calorzinho do motor em minha bunda nua, uma vez que ele já havia puxado o meu jeans e a minha calcinha até o meio de minhas pernas.
O homem estava mesmo afim; meu jeans justinho e minha lingerie passaram pelos meus pés em tempo recorde. A sua boca chegou em meu sexo segundos depois. Ahh! Ele judiou de mim com sua língua em minha vagina, me fez contorcer sobre a lataria. Eu ia gozar na boca dele sem aviso prévio, porém ele desceu as calças junto com a cueca e me penetrou tão rapidamente que gozei antes que seu pinto chegasse ao fundo de minha boceta. Deeeeus! As bombadas a seguir intensificaram meus orgasmos, nunca foi tão bom com ele antes. O quarentão me fez delirar naquela noite.

Pouco depois subi correndo com uma mão na xoxota segurando a meleca dentro de mim e quase mijando escada acima. Cheguei ao banheiro e aconteceu novamente o lance do barulho enquanto eu estava sentada no vaso, era o som de uma das chapas de ferro, com certeza.
Eu vim preparada, trouxe um sonífero para fazer o Edgar dormir pesado, assim eu poderia remover as tampas para achar o dinheiro, ou continuar procurando enquanto ele estivesse “desmaiado”.


Após o jantar ele apagou e não acordaria tão cedo, havia colocado porções caprichadas da droga em suas duas últimas doses. Desci e procurei por alguma ferramenta na área de serviço. Achei um pé de cabra que estava em destaque dentro de um armário, acho que o Edgar o usava com o mesmo fim.
Chequei a primeira… Nada, só buracos de canos grandes. Na segunda havia uma caixa plástica do mesmo tamanho do compartimento retangular. Abri a tampa de plástico e quase tive um treco, o bagulho estava estufado com pacotes de dólares com notas de 100, 50 e 20, além de um maço de uns dez centímetros com notas de 50 e 100 reais.
Tirei a caixa com o dinheiro e ia repor a chapa de ferro para sair fora, porém um som vindo da cozinha me fez gelar. Abaixei ficando quietinha. Era a voz da Giulia chamando pelo patrão. Ela entrou na área da churrasqueira e tornou a chamá-lo. Eu não tive como apagar a luz, ou teria ficado em silêncio escondida debaixo do balcão. Ouvi o som do seu salto vindo em minha direção; ela veria a mim, a caixa do dinheiro e tudo daria errado.


— Tô fodida, preciso me livrar dessa intrometida — falei comigo mesma.

Levantei e dei um sorriso forçado.

— Oi! Chefinha, você aqui? — ela odiava que eu a chamasse de chefinha, nem lembrei na hora, estava muito nervosa.

Ela também ficou nervosa e disse ironicamente:

— Então a menina continua fazendo hora extra aqui — cadê o Edgar?

Ela ainda estava do lado de fora do balcão. Falei que ele estava examinando o encanamento entupido e percebi sua cara de quem não entendeu nada. Adiantei-me antes dela falar.

— Vem aqui ver, ele está lá dentro.

E apontei para debaixo do balcão, depois peguei discretamente o pé de cabra e o segurei escondido atrás de minha perna.
Ela veio toda altiva e cheia de pose com seu salto alto e chamando pelo homem.


— Acho que ele não consegue te ouvir lá de dentro.

Ela olhou para a caixa, olhou para a luva de limpeza em minha mão e para o buraco.

— Você tem que chamar mais perto da entrada para que ele ouça.

Ela pareceu desconfiada, e eu pensei em acertar a cara dela enquanto era tempo. No entanto a sonsa abaixou quase ajoelhando na beirada da cavidade. Quando ela gritou “EDGARRRR” eu levantei o pé de cabra e dei uma pancada com toda a minha força em sua cabeça. Ela caiu tombada com o tronco dentro do buraco e a ferramenta foi junto escapando de minhas mãos. Eu ia pegar o bagulho e bater novamente, pois ela não poderia sair dali com vida e contar o que viu. Não foi preciso, eu tenho mais força do que imaginava, a parte da ferramenta que é usada para arrancar pregos, entrou totalmente na cabeça dela e só consegui tirar com muita dificuldade.


Algumas horas antes, no apartamento da Giulia, durante o jantar, a tia Carlota pressionou a moça sobre seu envolvimento com o Edgar. Ela negou e quis saber de onde ela tirou aquela ideia.
A mulher não revelou como soube. Ela ouviu um comentário maldoso da Daisy durante a tarde, dito para outro funcionário:
— Esperta essa gerente, além de administrar a loja, também 
administra o patrão na cama da nossa ex-patroa.

A tia estava contrariada; deu uma desculpa e disse que voltaria para Bragança Paulista naquela noite mesmo. Ao decidir não pernoitar no apto, sem saber ela estava assinando a sentença de morte da moça, seu braço direito.
A Giulia não insistiu. Assim que a mulher saiu, mais que depressa ela mandou uma mensagem de texto para o Edgar dizendo que estava indo dormir com ele. Não obteve resposta, deduziu que o homem já estivesse dormindo. Sem problemas, ela tinha as chaves da casa e faria uma surpresa.


“Meu plano inicial era achar ‘o pé de meia’ do patrão e sair com a grana dentro da minha mochila. Depois vi que precisaria de outra mochila, era muito dinheiro. E agora me acontece isto. Por que esta infeliz tinha que aparecer?“ Fiquei me lamentando e xingando a morta idiota que atrapalhou tudo. Pensava em um plano rápido de fuga e que não me incriminasse. As ideias fluíam desordenadas. Depois que participei do esquartejamento da patroa, nada mais me impressionava. Pensei em tudo que precisaria e fui juntando na garagem. 


Ensaquei a cabeça dela com uma sacolinha plástica para não espalhar sangue pela casa toda. Arrastei e coloquei o corpo no porta malas do carro do homem, também a arma do crime e as coisas necessárias para me livrar do corpo e para a fuga. Dividi o dinheiro da caixa: parte em minha mochila e parte em uma bolsa de lona. Recoloquei a caixa de volta na cavidade e também a tampa de ferro. Limpei o sangue do piso com um pano, evitaria que o homem descobrisse de imediato que houve violência ali, ele só pensaria no roubo do seu dinheiro. Ainda deixei algumas gotas do meu sangue misturado ao que estava no pano e o coloquei no fundo do cesto de lixo.
Peguei minhas coisas, a carteira do homem com os documentos da Tucson, os copos em que eu coloquei o sonífero, dei uma última conferida e partiu desova.


Eu iria queimá-la dentro do carro em um lugar deserto, queria que pensassem que a carbonizada fosse eu. Para tanto teria que ser forte o suficiente para cortar as falanges dos dedos dela… E também a cabeça. Argh!
Não havia tempo para carbonizar as partes cortadas e o  fogo de madrugada chamaria muito a atenção. Enterrei bem distante de onde deixaria o corpo.

Cheguei ao local escolhido, próximo à represa. Já havia me livrado das ferramentas e acessórios pelo caminho. Troquei de roupa e deixei a que estava suja dentro do carro. Encharquei todo o interior, também o cadáver, com quase dez litros de gasolina, recuei alguns metros, acendi uma tocha que fiz enrolando um pano umedecido de gasolina no salto do sapato dela e joguei no carro.
Aff! O fogo enorme chamaria a atenção a quilômetros de distância.
Peguei a mochila e a bolsa que estavam mais à frente e desapareci do local.

Era quase quatro horas da manhã. Teria que caminhar meia hora até a estação de trem.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

sábado, 30 de setembro de 2017

Acerto de Contas

O Augusto levou-me em um bar no bairro de Santana, o pessoal costumava se reunir ali para comer algo e também começavam a beber antes de irem para as casas noturnas. Só então fiquei sabendo que a festa privada, a qual iríamos, tinha uma pegada diferente; era um misto de “Balada” e “Festa do Pijama” para adultos. Se estenderia até o avançar do dia seguinte (domingo). O local era na Serra da Cantareira, ali mesmo na zona norte de São Paulo.
Ainda no bar conheci alguns dos seus colegas, inclusive um que parecia ser o mais sem noção da turma; além de ficar me assediando com olhares, caras e bocas, ainda fez questão de ficar exibindo um chaveiro com o logotipo nada discreto da BMW. O Augusto já havia me falado dessa tática dele para tentar “pegar” garotas nas baladas. No entanto, o carro dele era um Corsa Classic 2012.

— E funciona? — questionei só de farra.
— Não, ele continua indo embora sozinho — respondeu o Augusto e gargalhou.

Era meia-noite e pouco quando chegamos em uma casa enorme que parecia estar no meio do nada em vista de só haver vegetação em toda a volta.
O ponto alto do agito aparentemente acontecia na área externa. Noite quente e piscina liberada propiciou um figurino mais praiano tanto para os homens quanto para as mulheres que curtiam a balada particular.
Uma novidade, pelo menos para mim, eram as pequenas tendas tipo barracas de camping, oito ao todo e ao lado da piscina. Os convidados teriam privacidade para transarem no decorrer da festa. Pegamos uma “senha” assim que chegamos e também duas bebidas. Mais que depressa nos instalarmos no “motelzinho de lona”. Extravasamos todo o desejo acumulado durante aquela semana o transformando em uma pegada com orgasmos múltiplos.

Mais tarde, depois do love gostoso, fomos abastecer nossos copos com a mistura de uísque e energético; a bebida tinha à vontade, assim como vodca. No caminhar entre os convidados o Augusto foi me apresentando para alguns dos seus colegas de trabalho e outros de noitadas.

O momento constrangedor aconteceu instantes depois: o encontro dele com sua ex-namorada. A fulana estava no interior da casa em companhia de um cara do círculo de amizades deles, e pelo grau das intimidades e carícias trocadas era evidente que estavam namorando (praticamente transando) em um sofá. O Augusto apontou para o casal e disse que ia lá falar umas verdade. Eu tentei contê-lo, pois sabia que ia dar treta, o homem já estava embriagado, começou a beber no bar e não havia parado até então.
Não consegui segurá-lo, chegou com grosserias acusando o cara de fingir ser seu amigo só para pegar sua mulher. A garota ficou puta dizendo para ele respeitá-la e que não era sua propriedade. Completou dizendo que apesar de não ser da conta dele, ela só começou a ficar com o outro após terminarem o namoro.
Meu acompanhante perdeu a linha de vez a chamando de vadia mentirosa e ao outro de amigo sacana, entre outros pejorativos. Ela o chamou de bêbado descontrolado e disse que foi por isso que o deixou. Aí não prestou, fechou o tempo e foi um barraco total. Porém sempre tem a turma do deixa disso, eu ajudei a separar o trio com o auxílio do cara do chaveiro da BMW e uns outros.
A ex saiu com o namorado, eu fiquei com o Augusto no interior da casa. Ele estava igual ao dia em que o conheci: de baixa autoestima e carente, fugindo da realidade consumindo álcool e provavelmente drogas. Pelo menos se acalmou.

Ficou tarde pra mim, precisava sair fora e dormir pelo menos um pouquinho antes do sol raiar. Depois ainda tinha que ir para a porta da casa da colega antes do Edgar chegar. Pedi para irmos embora, ele disse que não estava em condições de dirigir. Falei que eu estava legal e dirigiria. Retrucou dizendo que estava curtindo a festa, pediu para ficarmos só mais um pouco. Eu pensei em pegar uma carona com qualquer um que estivesse saindo, porém precisaria da minha mochila que estava no carro dele.
— Me empresta a chave para eu pegar minha necessaire? — estou precisando dela.
Ele tirou o chaveiro do bolso e disse que ia comigo, no entanto mal conseguia se levantar. Puxei o chaveiro da sua mão e sai andando dizendo que voltaria rapidão. Retornei com a mochila e encontrei o homem apagado de tão bêbado (eu supus), nem se mexeu quando enfiei a mão em seu bolso para guardar o chaveiro… Fiquei apreensiva quando meus dedos tocaram algo, eram “pinos” de cocaína, havia vários. Deduzi que a droga não era apenas para consumo próprio, ele deveria estar vendendo para o pessoal da festa, era um traficante “vip”.
“Caraca! Em que roubada eu estava me metendo?” Eu pensaria naquilo em outra oportunidade, naquele instante eu só queria sair dali e teria que ser antes do amanhecer.

Aquela turma estava animadíssima, calculei que não iria rolar uma carona tão cedo.
Até pensei em pegar o carro do Augusto, mas desisti, o veículo tinha um sistema biométrico de ignição, ou seja, eu precisaria da digital do homem para dar a partida. E se eu pegasse o dedo dele emprestado? hahaha. Não era uma boa ideia. Mesmo adorando aquele dedo “mau”, eu não iria cortá-lo e carregá-lo comigo.

O cara sem noção, o do chaveiro da BMW, ficou me assediando grandão depois que o Augusto apagou. Convidou-me para um drink dentro do ofurô. Eu recusei, expliquei que não trouxe biquíni. O safado disse que não era preciso roupa de banho, estávamos em uma festa adulta e liberal. Isso era verdade havia alguns peitos de fora ao redor e carícias pra lá de “calientes” fora das tendas. Vislumbrei a oportunidade de conseguir transporte para sair fora, não com ele, pois com certeza o tarado iria querer algo mais em troca. A ideia era pegar suas chaves e seu carro emprestado sem ele saber.
Como sempre os anjos conspiraram a meu favor; uma perua, digo, uma mulher ao nosso lado, se intrometeu na conversa e revelou seu desejo incontrolável de entrar no tanquinho. Ela estava vestida somente com um body “similar a um maiô”.
Deduzi: aquela seria a chance de conseguir as chaves do cara quando ele desse mole.
Fiquei à espreita e esperei eles começarem a diversão dentro d’água. Quando vislumbrei uma oportunidade, passei ao lado das roupas, arrastei as chaves discretamente com o pé e as peguei sem ser notada.
Fui para a área de estacionamento e com o controle do alarme localizei o Corsa. O som da balada era mais alto que o apitinho do carro, tanto quanto o barulho do motor, felizmente para mim. Saí devagar e tudo conspirava a favor. O filme escuro dos vidros do veículo impediriam que alguém identificasse quem estava ao volante. Afastei-me o suficiente da casa e comecei a dar um gás nos quilômetros seguintes. Fiquei pensando até onde iria e qual seria o melhor local para abandonar o carro.

Peguei meu celular que deu aviso de entrada de mensagem, poderia ser o Augusto. Não era, também não era importante. Depois eu mandaria uma mensagem para ele avisando que peguei uma carona pra casa.
— Merda! — deixei o celular cair no piso do carro.
Não levei mais que dois segundos para abaixar e pegar o danado, mas foi o suficiente para não perceber um cara cambaleando no meio da rua… Eu freei tarde demais e o acertei em cheio. Parei o carro apavorada rezando para vê-lo levantar-se. Girei o olhar em busca de algum observador, felizmente ali só tinha vegetação. Se eu fosse pega pela polícia estaria fodida: roubo de carro, dirigindo sem habilitação e alcoolizada. Além do meu passado que me condena, ainda havia atropelado um pedestre.

Não tinha viva alma naquele lugar. Arrisquei ir olhar como ele estava, poderia ligar para o resgate, não do meu celular, mas se achasse um telefone público mais adiante. Desci do carro e voltei procurando pela vítima, não o via nem no asfalto e nem na lateral da rua.
Fiquei horrorizada quando o encontrei dentro de uma vala, era uma depressão do terreno. A visão lembrava um contorcionista com o corpo dobrado. O agravante era o pescoço quebrado que deixou sua cabeça para trás parecendo a menina do filme o exorcista. Ele não precisava de um médico e, sim, de um padre.

Eu ia correr para o carro e me mandar o quanto antes, porém aquele rosto sujo de terra e ensanguentado me pareceu familiar. Mesmo sabendo que precisava fugir enquanto era tempo, eu cheguei pertinho para conferir a minha suspeita… Jeeesus! Era mesmo o Paulo, filho do prefeito.
— Que mundo pequeno — você deu sorte da outra vez, mas hoje eu te acertei em cheio — descanse em paz, Paulinho!

Daisy saboreou o momento como uma libertação, levantou e olhou novamente em volta procurando testemunhas… Nada. Com uma frieza incomum ela olhou para o cadáver apontando o dedo e disse:
— E não atravesse mais o meu caminho!

Voltei correndo para o carro e desapareci.
Achei prudente me livrar do veículo depois de rodar por alguns quilômetros. Estacionei em uma praça de uma área residencial do bairro de Santana. Vesti minha calça jeans, tirei o vestido, coloquei a blusa e troquei os sapatos pelo tênis.
Com a minha roupa limpei o interior do carro da melhor maneira que pude para eliminar minhas digitais, também a maçaneta e porta do lado de fora, “vai que”, né? Andei em volta do veículo procurando por algum resíduo indesejável; estava limpo, mas com a marca evidente do impacto.
A seguir andei por quarteirões até encontrar o metrô Santana. Livrei-me da chave a jogando em uma boca de lobo.

Naquele dia algumas rádios deram uma notícia de forma discreta:

“O corpo de um rapaz, de cerca de 20 anos, foi encontrado na lateral da Av. Santa Inês, próximo à serra da Cantareira. Morto atropelado ele foi arremessado fora da pista. Motociclistas passaram pelo local, viram o corpo e chamaram a polícia. Nenhuma identificação estava em posse da vítima. Também não havia indícios do veículo que o atingiu . A polícia vai investigar o caso.”

No final do dia a notícia ganhou repercussão quando o prefeito reconheceu o corpo do filho no IML. A autópsia indicou que ele havia consumido álcool e algumas drogas características do golpe Boa Noite Cinderela.
Sobre os autores do crime e o carro envolvido a polícia ainda não tinha nenhuma pista.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

sábado, 23 de setembro de 2017

Sob Nova Direção

O processo de investigação do caso Luana ainda corria, o policial Freitas, durante dois meses, seguiu todos os passos: voltou a procurar o Edgar, a Daisy, o pessoal da loja, foi até a casa de praia em Maresias, em Bragança Paulista, conversou com pessoas e não encontrou vestígios de homicídio ou da desaparecida. A única beneficiada com a morte da Luana seria sua tia Carlota, mas as investigações não apontaram indícios de que ela estivesse ligada ao sumiço da sobrinha. O caso seria encerrado se nada de novo surgisse nos próximos dias.

Meu relacionamento com o Edgar tornou-se destrutivo, a cada dia ele aumentava o seu campo de controle sobre mim. Ele não gostava quando eu não agia do jeito que ele queria e isso me afastava cada vez mais dele.
— Não gosto que você use esses shortinhos minúsculos — e essa blusa então…

Ele segurou no cós da minha blusa a puxando para baixo, meus seios saíram pelo decote.

— Veste um sutiã, pelo amor de Deus! — parece que gosta que a chamem de oferecida e vadia.
— Mas você adora ver essa “vadia” pelada, não é?
— Claro que sim, mas é diferente quando estamos em nossa intimidade. 

Ele sempre tinha uma resposta pronta. Desde o início eu tentei levar aquela relação numa boa, evitava retrucar e até engoli alguns sapos, mas o homem estava insuportável e divergíamos em tudo.

— Eu não sou uma senhora como sua ex-mulher, me visto igual aos jovens da minha idade.
— Está me chamando de velho?
— Estou dizendo pra você parar de exagerar e de ficar me dando ordens; até parece que sou sua escrava.

Era meu primeiro desabafo mais contundente, já estava de saco cheio desse homem me ditando regras.

— Me deixa viver uma vida normal, me divertir, ter amigos, não significa que eu irei transar com eles. Que mania você tem de ver defeito em tudo que faço, até parece que gosta de brigar.

Acho que o peguei de surpresa, pois o homem baixou um pouco o tom e me devolveu a surpresa usando sua arma favorita, o poder financeiro. Falou que estava considerando a ideia de me dar um carro, mas não tinha certeza se eu merecia o presente.
“Putz! Que golpe baixo. Pensando bem… Acho que consigo engolir mais alguns sapos”. Falei comigo mesma e sorri por dentro, mas ainda com carinha de brava.
Ele deu uma trégua trocando a DR por sexo. Fiz minha parte me portando como uma boa menina e aumentei minhas chances de ganhar meu primeiro carro.

***

Ao completar três meses do desaparecimento da Luana, Carlota, a tia, entrou com uma petição para assumir o controle dos bens da sobrinha e poder administrar provisoriamente os negócios. Para ter os bens definitivamente poderia levar uma década até que o sumiço fosse considerado morte presumida. A menos que achassem o cadáver antes.
Na mesma semana o arquivamento do inquérito sobre o desaparecimento foi requerido pelo Ministério Público. As autoridades já haviam dadas por encerradas as buscas há mais de um mês e não encontraram nenhum indício de que a mulher estivesse viva ou morta.
Quanto ao Edgar, ele continuava retirando o máximo de dinheiro que podia da loja e trocava os reais por dólares e também euros. Pretendia manter o dinheiro ilegal escondido em sua residência até que fosse solicitado oficialmente que entregasse a casa.
Dayse passou a frequentar e a dormir na residência com certa frequência, ela sabia que o homem estava fazendo um grande pé de meia com o desfalque que dava na loja, só não sabia em qual parte da casa ele escondia o dinheiro.
Na semana seguinte à morte da Luana, o homem conseguiu abrir o cofre particular da esposa com a ajuda de um especialista. Ela escondia seu dinheiro não declarado, parte era herança do seu pai que sonegava impostos. A filha manteve o esquema em menor proporção, mas ainda era dinheiro ilegal, algo em torno de 600 mil dólares.
O Edgar transferiu o montante do cofre para um local secreto no quintal da casa, se por uma eventualidade a tia soubesse do dinheiro, não o acharia e nem poderia dar queixa à polícia, pois era dinheiro ilícito.

***

Carlota teve sua petição aprovada. Ela não tinha conhecimento e nem vocação para este tipo de negócio, então colocou uma representante de sua confiança para administrar a loja em seu lugar. Giulia era o nome da mulher jovem, sem namorado e sem atrativos. A moça seria o seu braço direito no comércio. Carlota só não previu que a sua escolhida faria um jogo duplo desde o início ao cair na conversa romântica do sócio minoritário. A moça carente de uma relação amorosa tornou-se uma vítima fácil para o novo Edgar, seguro e conquistador. O homem aprendeu bastante sobre relações amorosas nos últimos meses, assediou a Giulia com elogios, cortesias e convite para jantar, o mesmo foi aceito de imediato.
Em uma daquelas noites, depois de uma refeição maravilhosa e uma garrafa e meia de um bom vinho, foram direto do restaurante para o quarto do homem.
Pela manhã havia manchas de amor sobre o lençol e mais uma aliada conquistada.
Não foi difícil para que ele a controlasse e continuasse fazendo suas retiradas do Caixa 2. O mais difícil seria manter o romance em segredo e as duas mulheres, pois ele não queria abrir mão de nada.


Noite de baladas

Algumas semanas mais tarde, o Paulo estava em São Paulo acompanhando seu pai, o prefeito, em uma agenda política e de negócios. O rapaz até considerou a ideia de que Daisy estivesse se escondendo na cidade ou no Rio de Janeiro, contudo sabia que procurar alguém em uma cidade tão grande era como procurar uma agulha em um palheiro.
Na verdade, o Paulinho veio é curtir a noite paulistana e as suas boates convidativas enquanto o pai cuidava dos negócios. Não tinha a mínima intenção de iniciar uma busca impossível.
Todavia o destino iria pregar uma peça nos dois jovens os colocando frente a frente em um reencontro inesperado.

Não muito distante dali, Daisy arquitetava um novo plano para dar mais um “perdido” no Edgar naquela noite.

O homem depois que ficou viúvo passou a controlar meus horários e a interferir demais em minha vida. Isso já havia acontecido quando me mudei para a quitinete, mas piorou chegando a parecer neurose. Seu ciúme e senso de propriedade estavam exagerados e dificultando meus encontros com o Augusto. Naquele sábado precisei inventar uma história diferente para passar a noite fora, iria com o Augusto em uma balada privada na casa de seus amigos.
Só consegui driblar o Edgar com a ajuda de uma colega que trabalha na padaria, inventamos uma noite do pijama em sua casa. O homem fez que acreditou, mas disse que me pegaria de manhã cedinho na casa da garota. Caraca! Que homem chato. Teria que perder horas de sono para chegar antes dele e ficar plantada defronte a residência para parecer que dormi lá.
Mais tarde, depois das 22h, fui com a colega para a casa dela; precisava me produzir para o meu encontro com o meu amor. Ele veio me pegar pouco depois.


Enquanto isso, na rua Augusta, centro da cidade, o Paulo fugiu do jantar de negócios políticos com o pai e foi se divertir em uma boate. Apesar do requinte da casa noturna, strip-tease com nu total não era muito mais caro que uma dose de uísque. O Paulinho, que não tinha problemas com dinheiro, aceitou a companhia de duas gatas insinuantes e oferecidas. Uma loira tipo ninfetinha de peitos miúdos e bundinha carnuda. A outra morena, uns 20 anos, peitos enormes, naturais e firmes e de corpo tipo mulherão. As duas profissionais o levaram para o reservado e fizeram o strip particular entre uma e outra garrafa de champanhe. Além da dança recheada de erotismo das duas garotas, elas também estimulavam ainda mais o cliente sentando a bunda nua em seu colo, se esfregando, o acariciando e o enlouquecendo de desejos.
O meninão não aguentava mais só olhar e ser esfregado, queria transar com as duas ali mesmo.
Elas disseram que ali não podia, mas poderiam ir para um motel. A diversão ficaria um pouco mais cara, elas explicaram. “Dinheiro não é problema”, falou o filho do prefeito. Elas trocaram um olhar discreto… Era um código das perversas. Sugeriram a saideira antes de irem para o motel.

O trio saiu minutos depois, embarcaram no que seria supostamente um Uber e a diversão chegou ao fim; as garotas lhe aplicaram o golpe do Boa Noite Cinderela. Obtiveram as senhas dos cartões com a cooperação dele quando estava apenas atordoado devido ao efeito das drogas. Levaram sua grana, o rolex, celular e o largaram em um bairro distante, deserto e sem testemunhas. As duas ladras, junto com o comparsa do carro, fariam saques com os cartões do rapaz durante o decorrer da noite.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O Interrogatório

Em uma reunião da equipe que investigava o caso Luana, parte dela trabalhava com a hipótese de homicídio. O sequestro relâmpago foi descartado, assim como o sequestro com a intenção de pagamento de resgate, já que não houve saques em suas contas, compras com cartões de crédito ou contato pedindo dinheiro. Na tarde de quinta-feira a desaparecida sacou pessoalmente, em sua agência bancária, dois mil reais de sua conta.
— Onde terminam nossas pistas?
Segundo o relatório com os dados das centrais telefônicas que abrangem a região de Bragança Paulista até São Sebastião, a última chamada do celular da vítima foi em sua própria residência às 20h18. Uma ligação para Bragança Paulista, casa de sua tia, com duração de 2 minutos. O aparelho permaneceu conectado à internet, via wi-fi da casa, até 5h da manhã de sexta-feira. Não há registro de sinal depois disso.
— O que isso significa? — questionou o investigador Freitas.
— Ou desligaram o aparelho ou saíram levando o mesmo com o envio de dados desativado — explicou um técnico.

A Luana não era uma pessoa informatizada, sua relação com o Smartphone de chip pré pago era somente para fazer ligações, nunca se interessou em aprender a mexer no envio de mensagens e redes sociais. Isso era um ponto a favor dos dois criminosos e era conhecido pelo Edgar quando resolveu sumir com o cadáver.

***

Outra noite e outro pesadelo. Revivi em detalhes a cena do esquartejamento; foi a parte mais difícil depois da batalha mortal. Tiramos toda nossa roupa e vestimos capas de chuva, botas de faxina e luvas. O Edgar pensou nos mínimos detalhes para não deixar nenhum vestígio. Despimos o cadáver e o rolamos para cima do plástico grande com o qual forramos o piso cerâmico da sala.
O homem começou a separar as partes do corpo com tamanha frieza, parecia que cortava um frango assado: coxa, sobrecoxa, asa, digo, braço. Eu olhava com dificuldade e sentia a dor de cada corte como se fosse em mim, além de ficar agoniada vendo tanto sangue.
No instante em que ele cortou a barriga dela e o cheiro nojento impregnou minhas narinas embrulhando o meu estômago, achei que nunca mais conseguiria comer novamente.
Fiquei aterrorizada quando ouvi batidas fortes na porta. A casa toda estremeceu como se algo sobrenatural a envolvesse. Queria correr, mas minhas pernas pareciam adormecidas, fiquei agoniada e não conseguia sair do lugar… Mais pancadas na porta.
Acordei e fiquei aliviada quando vi que estava em minha cama.
Ao ouvir novas batidas, desta vez em minha casa, o meu coração voltou a acelerar.

— Quem é? — gritei sem sair da cama.
— Investigador Freitas do departamento de homicídios.

Tremi na base, não sabia o que era pior, se os pesadelos mantendo vivas as cenas do crime ou acordar com a polícia batendo em minha porta. Tentei manter a calma, o investigador já esteve na loja fazendo perguntas e sabia que me procuraria. Só não esperava que fosse assim de surpresa em minha residência.

Abri uma fresta da porta, um homem pardo, de barba curta e bigode, de uns quarenta anos e corpo sarado, mostrou sua identificação de policial.


— Bom dia! — senhorita Deisiane Santos?
— Sim.
— Gostaria de lhe fazer algumas perguntas sobre a sua patroa.
— Pois não, o que o senhor quer saber?
— Eu poderia entrar, por favor? — tomarei só alguns minutos do seu tempo.
— Só um instante, por favor, vou me vestir.

Encostei a porta e vesti o robe por cima do pijaminha. Depois o convidei a entrar e a se sentar no pequeno sofá. Ele se desculpou por ter vindo cedo e me acordado, mas ele queria ter uma conversa individual comigo, fora da loja. Pegou um caderninho de notas e uma caneta.

— Quando foi que você viu a senhora Luana pela última vez?

Ele sabia que minha resposta seria quinta-feira, pois quando esteve na loja entrevistou a todos, principalmente o patrão. Talvez ele quisesse analisar qual era a minha reação. Dizem que bons policiais sabem quando o depoente está mentindo.

— Na quinta feira de tarde, da semana passada — respondi.
— Por acaso você percebeu se ela estava nervosa, angustiada, com comportamento diferente do que você costuma ver?
— Pra mim ela estava normal, séria como sempre.
— Você sabe sobre a relação dela com o marido, Sr. Edgar, se eles brigavam?
— Não que eu saiba, eles conversam pouco na loja, são muito reservados, mas se dão bem.
— Você viajou para o litoral com o seu patrão este final de semana, não foi?

Mais uma vez não adiantaria mentir, ele já ouvira do Edgar que estivemos juntos na casa da praia por três dias. Ele disse para não mentirmos, pois a polícia poderia fazer o levantamento das chamadas dos nossos celulares e saberiam das nossas conversas antes de viajarmos e também da localização dos aparelhos durante o final de semana macabro.

— Sim, passamos o final de semana em uma casa de praia em Maresias.
— Tinha mais alguém na casa com vocês?
— Não, só nós dois.
— Vocês estão tendo um caso?
— Magina, moço… desculpe… policial — o patrão é como um pai pra mim, ele sabe que estou sempre sozinha, a gente gosta de conversar. Somos só amigos.

“É sempre a mesma história, basta um rostinho bonito, uma bunda novinha e peitinhos durinhos aparecem se oferecendo para que o marido fiel esqueça os votos de fidelidade e corra atrás de uma aventura.” Pensou com sarcasmo o policial.

— Você mora aqui sozinha?
— Sim senhor.
— Pode me chamar somente de Freitas, por favor.
— É alugado, né?
Respondi que sim.
— Desculpe perguntar, mas quanto você paga de aluguel?
— Sem problemas — eu pago $1.100 com o condomínio, água está incluso.
— E você consegue bancar isso trabalhando de entregadora?
— Sim, os clientes da loja são pessoas de posse, eu ganho boas caixinhas.
— E os seus pais, moram por perto?

No dia anterior, o Jaime, em sua conversa reservada com o investigador Freitas, havia contado detalhes sobre a Daisy: sua origem, a relação carinhosa com o patrão, que não queria ser registrada, etc.
Mais tarde, no distrito, o policial se inteirou do caso de atropelamento no RN. Ficou sabendo, oficialmente, de que não havia mais queixa contra a garota.
Ele não introduziu o assunto durante aquela conversa na casa da jovem.

— Eu não conheci meu pai, a minha mãe era solteira e me deixou com meus avós no interior do Rio Grande do Norte e sumiu no mundo. Eu era apenas uma recém nascida. Não tem muito trabalho em minha cidade, vim sozinha para trabalhar e futuramente estudar em São Paulo.
— Por hora é só isso senhorita Deisiane.
— Pode me chamar de Daisy, por favor — quer tomar um café? — eu faço rapidinho.
— Não, obrigado, Daisy, fica para a próxima vez. Provavelmente voltaremos a conversar.
Enquanto ele caminhava em direção à porta, tirou um cartão do bolso e me deu.
— Caso você se lembre de algo que tenha visto ou ouvido e que ache importante, por gentileza, não exite em me ligar.

Aff! Assim que fechei a porta comecei a me questionar e a tremer igual vara verde: “Ai meu Deus! Quanto tempo irá durar este pesadelo? Será que ele suspeita de mim? Claro que sim, né? E aquele meu papo de pai e filha me deu até vergonha. Está mais que na cara que somos amantes. Mas a pergunta que vale um milhão de dólares: será que conseguirão provas que incrimine a mim e ao Edgar?”
Na limpeza minuciosa que fizemos na casa da praia logo após ensacarmos o corpo, o homem disse para usarmos desinfetante à vontade por todos os cômodos.
— Tá precisando mesmo, sua mulher fede pra caramba, credo! — falei inocentemente.
Ele sorriu pela primeira vez desde o momento trágico ocorrido pela manhã, depois explicou que o desinfetante era para camuflar as manchas de sangue no caso de peritos da polícia procurarem as mesmas pela casa.

O cheiro do desinfetante era agradável, porém tornou-se enjoativo depois de algum tempo cheirando aquilo.
Quando voltamos da praia no sábado, o calor daquela tarde estava sufocante, evitei ficar no interior da casa, estava embrulhando o meu estômago. Deitei em uma espreguiçadeira ao lado da piscina para dormir um pouco. Havia dado uma cochilada na praia, mas não chegou nem perto de recuperar o sono perdido na última noite.
Não consegui dormir, o homem grudou em mim cheio de más intenções e foi me despindo entre carícias e sussurros. O peladão não ouviu meus pedidos para deixar-me dormir, sentou na espreguiçadeira e colocou-me sentada em seu colo com as pernas abertas e encaixou o seu sexo no meu. Tombei a cabeça em seu ombro e praticamente adormeci sentindo meu corpo subir e descer comandado pelas suas mãos.
Ele chegou ao orgasmo, mas não parecia satisfeito. Pegou-me nos braços e me deitou em um colchão inflável para piscina que estava no gramado. Senti seu gozo da primeira pegada escorrendo do meu sexo. Ele se aninhou atrás de mim e penetrou minha vagina molhada. Suas bombadas brutas pareciam ser um castigo por eu o ter metido nessa roubada.
Não curti a pegada, não estava nem um pouco a fim de transar. Adormeci com ele ainda dentro de mim, de conchinha e me abraçando. Estava esgotada e apaguei de vez.

Acordei quando o dia começava a clarear, doida pra fazer xixi. Estava no quarto e na cama. Meu sono foi tão profundo que nem percebi quando ele me carregou para dentro.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

domingo, 10 de setembro de 2017

Segredos de um Crime

Daisy, com voz de choro, falou para o Edgar não atender a porta, poderia ser a tia que veio atrás da Luana.
— Shiu! — calma e fica quietinha!
Ele foi até a fresta de uma janela e viu um taxista, foi dedução, pois o táxi estava parado do outro lado da rua.
O Edgar abriu a janela e atendeu o homem. Ele queria saber se sua passageira ia ficar, pois ele precisava voltar para São Paulo.
— Ela vai ficar, o senhor pode ir, obrigado!
— Ela tem que acertar o valor da corrida.
Após perguntar quanto era o Edgar pegou sua carteira e saiu pela porta da cozinha e pagou o homem. A seguir o taxista se foi sem mais perguntas.
— Precisamos manter a calma e nos concentrarmos na ocultação do corpo — falou o patrão ao retornar à sala.
Depois pediu que eu ficasse quietinha para não espalhar sangue pela casa. Ele trouxe a sua toalha de banho levemente umedecida para limpar meu corpo. Começou passando em meu rosto e perguntou se eu tinha certeza que não estava ferida, pois estava banhada em sangue. Eu já havia respondido que não.
A toalha geladinha deslizou pelo meu pescoço, seios, ventre e chegou em meu sexo. Ele perdeu um pouco mais de tempo entre minhas coxas fazendo uma limpeza carinhosa em minha parte íntima. Virei para que fizesse o mesmo em minha bunda.
Quando terminou a “limpeza” em meu corpo, mandou-me para o banho. Ele faria uma lista e iríamos às compras assim que eu estivesse pronta.

— Você tá doido? — isso lá é hora de pensar em compras?
Se eu não estivesse tão traumatizada com a situação, teria gargalhado de mim mesma quando ele explicou que era a compra do material necessário para sumir com o corpo.
Ele pegou a bolsa da mulher, tinha $2.500 em dinheiro. Enfiou a grana em seu bolso. Claro que tive uma rápida sensação de perda e até pensei : “E a minha parte? Afinal fui eu quem abateu o monstro.“ De pronto ele disse que compraríamos as coisas com aquele dinheiro, não poderíamos vacilar usando cartão de banco.


Enquanto a Daisy se banhava o Edgar olhava o histórico de ligações do celular da falecida. Viu que as duas últimas foram no dia anterior para a tia às 18:11, foi logo após fecharem a loja, a outra às 20:18. A primeira de cinco e a segunda de dois minutos de duração. Não havia chamadas que pudesse ligá-la à casa da praia ele deduziu. Retirou o chip e a bateria do aparelho.
O homem achou prudente limpar aquele excesso de sangue antes de saírem. Usou a mesma toalha para tanto. A seguir colocou o pano ensanguentado dentro de um saco de lixo, assim como os pedaços da cadeira quebrada.
Pouco depois o casal saiu e rodaram por quilômetros comprando além dos sacos de lixo, material de limpeza e ferramentas para cavar. Também um galão de gasolina e uma faca grande. Tudo à dinheiro, em lugares diferentes e distantes uns dos outros.
— Prá que a faca? — tem faca lá na cozinha — indagou a garota.
Ela ficou sem fala e arregalou os olhos quando ele disse que precisavam de uma que poderiam jogar fora depois de esquartejarem o corpo, já que era impossível carregá-lo inteiro.
Ela fez “Em nome do Pai” e disse que não conseguiria fazer isso. Friamente ele disse que ela precisava ser forte, ou estaria tudo perdido.
Só faltava comprar um saco de cal e voltariam para a casa, mencionou o Edgar.
— Cal? — porque não compra látex?
— É para colocar na cova, reduz o odor — não é para pintar.
— Ah, bom! — entendi.

Horas mais tarde, uma das partes mais difíceis daquele pesadelo estava concluído, o esquartejamento. Os sacos contendo partes do corpo e material usado no trabalho e também na limpeza da casa, estavam no quintal dos fundos aguardando a noite chegar para efetuarmos a desova. Tudo feito segundo as instruções do homem.
— Você já fez isso antes, Edgar? — quero dizer, ocultar um cadáver?
— Não, mas já pensei em fazer e estudei bastante sobre o assunto.
— Eu percebi.

No início da noite nós enchemos o porta malas da Tucson com os sacos e demais apetrechos que usaríamos. Na sequência partimos em direção a Bragança Paulista, era onde morava a tia da Luana. Enterraríamos em algum lugar no meio do caminho que não fosse possível relacionar a nós, se por azar alguém encontrasse os restos mortais.
Antes de sairmos ele alterou a placa do carro usando fita isolante. Era para o caso de tomar alguma multa ou de haver câmeras de vigilância pelo caminho que capturasse a imagem do carro.
Deixamos nossos celulares na residência e partirmos por um caminho alternativo via Caraguatatuba e depois São José dos Campos; o homem disse que era mais seguro.
Rodamos por 3 horas sem parar, Igaratá havia ficado para trás e uma placa indicava que Nazaré Paulista seria a próxima cidade. Praticamente estávamos no meio do mato. Ele saiu da estrada pegando uma via secundária, de terra. Depois adentrou com o carro em uma vegetação rasteira em meio a algumas árvores. Era quase meia-noite quando parou e disse que o local era bom e não seríamos vistos trabalhando.
Desligou as luzes do carro e cavamos só com a luz do luar e uma lanterna quando era preciso.


Uma hora e meia depois havíamos cavado um buraco fundo o suficiente para me cobrir em pé. Enterramos somente as partes do corpo. Os sacos, plástico que cobria o porta malas e tudo que foi usado, seriam deixados pouco a pouco durante o trajeto da volta. 
Passava das nove horas, estávamos de volta à casa. Ele fez uma nova inspeção procurando vestígios, depois nos trocamos, pegamos os celulares e fomos para a praia para sermos vistos e fortalecer nosso álibi.
Combinamos de que tudo o que fosse dito sobre o acontecido seria tratado somente pessoalmente e em local seguro, pois as paredes têm ouvidos; a mulher apareceu na casa de praia porque deve ter ouvido algo na loja.
Outro pacto entre nós é de que jamais tocaremos no assunto por meios eletrônicos. Em época alguma.

No domingo, depois de mais um rolê na praia para sermos vistos e um almoço em um restaurante movimentado, voltamos para São Paulo. O corpo estava devidamente desovado e o local limpo. Nossas atitudes nos próximos dias teriam que ser de muita frieza e naturalidade.
***

Semana seguinte em São Paulo

Todo aquele trauma vivido na praia me deixou carente de uma relação que me fizesse esquecer aquela loucura temporariamente. Procurei o Augusto, talvez só ele me fizesse esquecer a tragédia vivida no litoral.
A semana era do feriado de Tiradentes e de novo um final de semana prolongado. Por telefone ele me convidou para passar a sexta-feira (21) em uma chácara em Arujá, uns 50 km distante de São Paulo.
Eu só dei a resposta na quinta, após convencer o Edgar a trocar minha folga de segunda para sexta. Nós estávamos dando um tempo até esfriar o sumiço da Luana. A polícia esteve na loja fazendo mil perguntas para todos depois que o Edgar notificou o desaparecimento.

***

Sexta-feira, feriado

O local da chácara não era em Arujá e sim em Igaratá, 10 km à frente e a poucos quilômetros do local em que fizemos a desova. Os momentos vividos por mim e pelo Edgar durante o último fim de semana ainda estavam martelando a minha mente como se houvera acabado de acontecer.

Fomos recebidos pelos caseiros, aconteceu um imprevisto com o patrão e ele chegaria um pouco mais tarde. E só após a chegada do homem teríamos chance de curtir o WindSurf tão comentado pelo meu acompanhante.
Fui para a sauna com o Augusto. Teríamos algum tempo de privacidade para nos curtirmos. Já dentro do ambiente e somente de toalha, ganhei um abraço por trás e compactuei com suas safadezas deliciosas observando ele soltar a minha toalha que foi ao chão. Suas mãos acariciaram meus seios e direcionaram meu corpo para que sentasse sobre uma de suas pernas. Ele estava acomodado em um dos degraus da sauna. A mão máscula percorreu meus quadris e chegou até o meu sexo. O homem me fez ronronar ao penetrar minha fenda e me tocar com seus dedos ágeis e firmes.
Nossas preliminares estavam mais gostosas a cada dia devido ao nosso avançado grau de intimidades. Com o conhecimento que ele adquiriu dos meus pontos mais sensíveis, conseguiu me transportar para mundos ainda não explorados, tamanho era o prazer.
Nossa viagem terminou quando fomos surpreendidos pelo filho do chefe e sua mulher. Foi constrangedor ser pega arreganhadinha, com as pernas para cima enquanto recebia as últimas gotas de sêmen em meu ânus já todo inundado.
Pouco depois fui apresentada ao restante do pessoal na área da piscina — achei que estava em uma praia de nudismo, pois todo mundo estava nu — o chefe do Augusto me pediu que tirasse o biquíni, era costume da casa todos ficarem ao natural. Argumentei que não estava acostumada e não fui alertada a respeito. Fiquei muito sem graça, uma vez que todos eles me eram estranhos.
O coroa estava praticamente me forçando a ficar pelada. O Augusto tirou sua bermuda e pediu com jeitinho para que eu também tirasse. O patrão ainda estava em cima de mim ansioso para ver minha intimidade. Tirei o top do biquíni, não queria prejudicar meu acompanhante criando um constrangimento só por causa de duas pequenas peças de pano. “Na sauna o filho já tinha visto mais do que a minha nudez, porque bancaria a casta agora, né?” Pensei enquanto terminava de me despir.
Consegui administrar os assédios do coroa safado que me “atacou” nas oportunidades que teve. Consegui levar de boa até a hora que fomos embora. Eu já tinha preocupações demais e não precisava de mais uma.

No dia seguinte (sábado) acordei com batidas em minha porta, olhei as horas, 7h30. “Quem seria tão cedo?"

— Quem é?
— Investigador Freitas do departamento de homicídios.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Confronto Sangrento

Na manhã seguinte acordei com o Edgar beijando o meu rosto, ele disse que ia fazer umas comprinhas no mercado e voltaria logo para tomarmos café.
— Tô morrendo de sono, vou dormir mais um pouquinho.
Ele me chamou de dorminhoca, deu um tapinha em minha bunda nua sob o lençol e se foi. Voltei a dormir.
Acordei com o barulho da campainha. Assustada virei para o lado, mas lembrei de imediato que o homem não estava comigo na cama. Imaginei que fosse ele do lado de fora, não conseguia abrir a porta, pois não levou as chaves.
Peguei a camisa usada por ele no dia anterior, era a roupa mais próxima da cama, cobri parcialmente meu corpo e fui rapidão em direção à sala após ouvir o segundo toque da campainha. Realmente ele havia esquecido a chave, ela estava alojada na fechadura pelo lado de dentro.

— Só um segundo, amor — falei bocejando enquanto abria a porta.
Gelei ao dar de cara com a mulher gigante, Luana. Fulminou-me com o olhar surpreso.

A esposa e, também a patroa, ficou possessa ao sentir-se duplamente traída e humilhada: “os dois fdp deveriam rir zombando de mim toda vez que lhes dava as costas.“ Pensou.
Ela veio na expectativa de que a outra fosse uma prostituta qualquer. Estava até pensando em dar-lhe algum dinheiro para sumir de vez da vida deles depois de intimidá-la. No entanto os pensamentos que passaram como um raio por sua cabeça só deixaram um ódio descomunal em seu lugar.
Com uma expressão demoníaca ela vociferou:
— É vocêêê a vadia?! — tira essa camisa sua vagabunda!

A mulher me deu um tapão no rosto com sua mão enorme e braço pesado que me fez cair metros pra trás. Aterrizei sobre uma das cadeiras que se espatifou. Fiquei estatelada no chão.

— Depois que eu acabar de arrebentar sua cara de putinha vadia, marido nenhum vai lhe querer como amante.
Fiquei apavorada, aquele monstro desengonçado partiu em minha direção com passos pesados parecendo um tiranossauro. Veio pra cima de mim proferindo mais ofensas. Eu me afastei rastejando de costas, estava zonza com a bofetada e a queda que levei. Ela chegou me acuando, feroz como um bicho, fiquei estirada no piso entre suas pernas e por debaixo dos seus 150 quilos.
Tentava me defender dos seu tapas e murros, mas não aguentaria por muito tempo, meus braços não eram páreo para aquela selvageria. Ela segurou um dos meus braços e com a outra mão apertou o meu pescoço. Mordendo os lábios e cuspindo ameaças ela demonstrava todo o seu ódio. Sua cara de maníaca deixou-me aterrorizada. Eu não conseguia mais respirar, tateei à procura de algo para poder bater naquele bicho. Minha mão tocou em um pedaço de madeira quebrado da cadeira. Senti uma farpa da ponta lascada entrar em meu dedo. Segurei mais para cima como se empunhasse uma faca e reuni toda a força que me restava para desferir um golpe movimentando o braço em forma de arco para acertar a cara daquela vaca gorda.
A madeira pontiaguda penetrou abaixo do seu maxilar. A mulher deu um urro abafado olhando pra mim com os olhos incrédulos e arregalados. Sua expressão era de terror, como de alguém que sabia que foi ferida gravemente.
Com movimentos descontrolados ela tentou ficar em pé, mas caiu de joelhos parecendo sufocada. Eu tentei me afastar arrastando a bunda, não conseguia levantar, porém fui segura pela camisa. Desesperada ela tentou me dizer algo e arrancou a lasca de madeira do pescoço… Deus do céu! O sangue esguichou feito um spray. Fiquei com o corpo todo borrifado pelo líquido vermelho. Eu a empurrei com os dois pés jogando meu corpo para trás, temia que ela me acertasse com a mesma madeira. A camisa rasgou ficando parte na mão dela e parte em meu corpo.
Eu me afastei engatinhando e a seguir assisti a cena mais macabra de minha vida: a mulher estrebuchando no chão feito um hipopótamo ferido. Levantou a mão em minha direção como se pedisse ajuda. Eu continuei apenas assistindo, e sem compaixão… Seu braço tombou pesado e seu corpo agitou convulsivamente alguns segundos. E ficou completamente inanimado em seguida.
Continuei imóvel totalmente atordoada. Um silêncio fúnebre tomou conta da casa enquanto pensamentos diversos martelavam a minha cabeça. “Preciso fugir antes que o homem retorne. “ Pensei, porém como fugiria sem dinheiro?

Ouvi o barulho de chave girando na fechadura. A porta da cozinha se abriu. Imaginei que estava em um filme de terror: portas rangendo, música de suspense e um ser maligno vindo pra cima de mim.
O ser que surgiu foi o Edgar e quase surtou ao ver a mulher tombada no chão em meio a uma poça de sangue e com um buraco no pescoço. Ele colocou as mão na cabeça em desespero.

— Meu Deus! — o que é isso?
Eu estava sentada no piso, encostada na parede, pelada e ensanguentada. Atônita pensava o que aconteceria comigo a seguir.
Ele olhou pra mim ainda não acreditando naquela cena de filme de terror.

— Eu sei o que você está pensando, mas eu só me defendi, esta louca tentou me matar — falei aos prantos — deixa eu ir embora antes de chamar a polícia, por favor.
Ele respirou fundo e continuou sem dizer nada.
Pensamentos fluíam em velocidade absurda na mente do homem, pensou que perderia aquela menina que tanto bem tem feito à sua vida e ao seu coração.
Não descartou a possibilidade de não acreditarem no real acontecimento e o julgarem cúmplice.
Considerou o fato do seu casamento ser em comunhão parcial de bens; a casa e as aplicações bancárias da mulher além de 90% da loja ficariam para a tia dela, sua única herdeira. Sua participação na sociedade da loja era de apenas 10%, era tudo a que teria direito, além do seu carro e uma pequena aplicação conjunta.
Por outro lado, se a Luana sumisse, ele teria tempo para fazer um bom pé de meia antes da mulher ser considerada morta e os bens serem entregues à tia.

Abracei minhas pernas e chorando de cabeça baixa falei que passaria o resto da minha vida na cadeia.
— Eu não vou chamar a polícia — ele falou com calma.
Eu levantei a cabeça esboçando um sorriso involuntário, sequei as lágrimas e perguntei:
— Não? — e o que você vai fazer?
— Só eu não, o que nós vamos fazer — ele disse.
Explicou seu plano: “vamos ter que tirar o corpo daqui e sem sermos vistos, enterrar em algum lugar que ninguém ache. Depois vamos limpar este lugar muito bem limpo. E segunda-feira, quando ela não voltar da casa da tia, eu começo a dar telefonemas a procurando como se não soubesse de nada. Só depois avisarei a polícia.
A campainha tocou. Daisy ficou em pé com um pulo e quase gritou de medo. Se mexia igual a uma barata tonta sem saber para onde ia.
— Ai meu Deus! — tô fodida.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.
 

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