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sábado, 19 de agosto de 2017

Motel

Segunda-feira combinamos de nos encontrarmos no restaurante. Ele estava me aguardando quando cheguei, bancou o cavalheiro se levantando e puxando uma cadeira pra mim.
Aproveitamos para falarmos de assuntos que geralmente não entram em pauta quando estamos na loja. Como ele tem mais experiência de vida e mais quilometragem, falamos dele quase o tempo todo.


Daisy se divertia ao perceber a mudança de comportamento do patrão quando sua mulher não estava presente. Até parecia que a dona era mãe dele, uma mãe má e autoritária que intimidava e reprimia o menino com um simples olhar.
Na época em que Edgar conheceu a Luana, ele acabara de receber o pedido de divórcio de Irene — sua ex-esposa e mãe de suas duas filhas —. Estava falido e sem perspectivas futuras. O casamento com a Luana foi sua tábua de salvação.
Um homem sem atrativos e de conversa monótona. Se não fosse o trabalho que lhe toma quase todo o tempo, os seus dias seriam de um grande vazio existencial, já que sua vida afetiva com a mulher é uma rotina entediante. Sua postura é de inferioridade e conformismo perante a mulher que herdou os investimentos, o comércio e também a personalidade forte do pai. Ela é a dona do dinheiro e é ela quem manda. Com um nível plus de obesidade ela não dá grande importância à aparência ou futilidades. Está sempre buscando a possibilidade de ascensão material “possuir é mais importante que usufruir”. Solidariedade e tolerância são atitudes que ela nunca entenderá. Essa é a patroa. 

Passamos o restante da tarde em uma suíte adorável em minha primeira vez no interior de um motel; tudo era novidade. Infelizmente o meu acompanhante não era a pessoa que eu gostaria que estivesse ali comigo. Suas atitudes também não combinavam com o ambiente tão convidativo e aconchegante; o patrão não foi nada romântico. Após alguns beijos e apertos em meu corpo, sem cerimônia arrancou o meu vestido e por alguns segundos apreciou o conjunto de lingerie que ele mesmo havia me dado. A seguir se expressou “poeticamente“ dizendo:
— Você está um puta de um tesãozinho vestida assim.
Ele me fez ajoelhar para abocanhar seu pênis. Permaneceu em pé,agarrado aos meus cabelos e forçou seu pinto em minha boca e garganta. Engasguei algumas vezes e tive ânsia de vômito. Ele percebeu que aquilo não ia prestar, então terminamos de nos despir e fomos para a cama.
O Edgar deitou por detrás de mim, ergueu uma de minhas pernas e se acomodou por dentro delas. Seu próximo movimento foi penetrar minha boceta com rispidez. O homem estava se sentindo poderoso, com a mão em meu pescoço ele virava o meu rosto procurando minha boca com seus lábios ou simplesmente segurava firme me mantendo presa, queria dar a entender que eu estava em seu poder e que era ele quem mandava. As estocadas do seu membro em meu sexo eram tão intensas que o desconforto trazia à tona os meus gemidos mais profundos, em compensação também me proporcionaram uma parcela de prazer.

O desempenho sexual do Edgar superou suas próprias expectativas na companhia da jovem amante. Em virtude dela estar dependendo momentaneamente do patrão, interferiu positivamente na masculinidade do homem. Sua vida sexual com a atual esposa era um fracasso algumas vezes e sem tesão em outras, pelo fato dele se apequenar diante de mulheres independentes. O mesmo ocorreu em seu casamento de seis anos com Irene, sua ex. Conforme ela progredia em sua carreira a dele regredia. Isso o afetou tanto profissionalmente quanto sexualmente.

Daisy percebeu nas entrelinhas dos comentários feitos pelo parceiro, que a química entre eles superava com folga as relações do homem com suas mulheres (atual e ex). Friamente começaria a tirar vantagem daquela relação enquanto o homem ainda curtia o seu momento de glória. Ela pediu sua ajuda para sair da pensão o quanto antes. Ele prometeu que resolveria o assunto nos próximos dias.

***

A garota entregadora esperou ansiosa pela sexta-feira e o provável terceiro encontro com o Augusto. No entanto, deu ruim, ele não fez contato. Esperançosa ainda aguardava pelo pedido no dia seguinte (sábado).
Quando ela estacionou o ciclomotor na entrada da loja ao voltar de uma entrega, um carro parou no meio fio e deu um toque de buzina; era o Augusto. Daisy já o havia reconhecido antes dele abrir o vidro do lado do passageiro e chamá-la. A buzina também chamou a atenção do patrão no interior da loja. O homem ficou à espreita como um animal que sente o seu domínio sendo ameaçado; principalmente quando a garota debruçou na janela do carro colocando cabeça e parte do tronco para dentro. Ainda tinha o agravante da bunda redondinha e arrebitada dentro de um jeans justíssimo que deixou alguns marmanjos babando naquela calçada.
— Não quis a entrega especial esta semana? — ela perguntou insinuante.
— Era tudo o que eu queria, mas vou falir se continuar assim.
— Não seja por isso, acabei de criar uma promoção só para você: pague por duas cestas especiais e ganhe a terceira grátis — somente a parte especial, claro — ela gargalhou a seguir.
— Opa! Adorei esta promoção — ele falou com brilho no olhar — quando posso receber meu brinde? — será que pode ser hoje à noite — ele sugeriu.
— Pra mim está ótimo — estamos combinados então, hoje à noite eu levo a sua encomenda.
A novinha não se continha de felicidade, aquele trintão mexeu com seus sentimentos, isso estava mais que evidente e somente ela é que achava que aquilo ainda era só um lance profissional.
Ela deu tchau e disse que tinha que voltar ao trabalho. Ele tentou beijá-la na boca, a jovem rapidamente virou o rosto e o beijo foi na bochecha.
— Seu doido, aqui não — ela sorriu e acariciou a mão dele — tchau, até depois.

Quando Daisy entrou na loja o Edgar estava espumando de ciúmes e raiva. Com cara de “eu sou seu dono” ele disse:
— Mocinha! Deixe para bater papo com os seus amigos depois do expediente.
Ela se desculpou e voltou ao trabalho. Ambos eram observados sorrateiramente pela patroa em outro canto da loja.

Mais tarde, em um momento a sós com o patrão, ela levou nova bronca do seu empregador e amante ciumento.
— Você precisa parar de se sentir ameaçado e me respeitar — zangou-se a menina — me ajudar a mudar você não ajuda, né?

***

A cena com o Augusto e a DR que tiveram na sequência surtiu efeito para a felicidade da jovem. O Edgar alugou, em caráter provisório, uma kitnet de um amigo. Pagou por um período de três meses, adiantado. Deisy não podia fazer um contrato e nem ele, sem que sua mulher soubesse.
A garota foi pressionada pelo homem que quis saber mais sobre sua origem e com quem ele estava se relacionando. Encurralada ela inventa uma história de que foi agredida pelo pai policial que a pegou fazendo amor com um namorado. Ela fugiu de casa depois de o ferir gravemente, pois o pai violento jurou matá-la quando conseguisse pôr as mãos nela.
— Eu sabia que ele não falava da boca pra fora, eu tinha que sumir para bem longe e ficar invisível, por isso acabei chegando aqui.

Enquanto isso, na UTI de um hospital do Rio Grande do Norte:
A família do prefeito comemorou quando o filho Paulo reagiu a estímulos após seu traumatismo craniano gravíssimo e fizeram uma verdadeira festa quando ele saiu do coma profundo.
Sua primeira frase foi:
— Vou matar aquela vadia.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

sábado, 12 de agosto de 2017

Banho de Mangueira

Daisy não se arrependeu de ter transado por dinheiro com o Augusto (o cliente), se tivesse que continuar vendendo seu corpo para ele para poder sobreviver naquela selva ela o faria sem problemas. “O dinheiro que ele me deu por duas horas de carícias era quase a metade do que ganharia em um mês de trabalho na loja. Tudo bem que foi um dia excepcional e as coisas feitas de improviso, pensava Daisy. Não me sinto tão mal quanto achei que me sentiria ao partir para esta atitude desesperada. O resultado até que foi bem satisfatório.”

O mesmo cliente solicitou uma nova entrega na sexta-feira seguinte. Naquele mesmo dia o Edgar (o patrão) a surpreendeu com presentes e um convite para almoçarem na segunda-feira, dia em que ambos folgariam. Claro que ele tentou fazer tudo discretamente sem chamar a atenção de outros, porém sua gentileza com a jovem começava a despertar o interesse dos demais funcionários. Ela curtia a atenção, no entanto estaria no inferno caso a patroa percebesse o interesse do marido pela funcionária, a corda arrebentaria do lado mais fraco como sempre acontece.

A preferida do patrão ganhou um vestido, conjunto de lingerie, bolsa e sapatos. Era para usá-los no encontro que teriam no almoço agendado.

Naquela noite de sexta-feira ela foi fazer a entrega da cesta de vinhos e queijos do Augusto. Dessa vez foi ele quem fez a oferta para tê-la em sua companhia. Ela já esperava pela proposta e já tinha um sim como resposta. Ainda era cedo e a garota tinha entregas para fazer. Combinaram que ela voltaria ao final do seu expediente.
“Ele me agarrou quando virei as costas para sair. Seu abraço forte me fez sentir o volume roliço sob suas calças e sobre as minhas. Aquilo mexeu comigo, eu queria era sentir seu corpo sobre o meu e o seu pau inteiro dentro mim. Não aguentava mais, faltou pouco para dar um foda-se e fugir do trabalho.”
— Me aguarde, essa noite serei sua até de manhã.
— Esperarei ansioso. Não gaste toda sua energia trabalhando — ele brincou.

Passava das 22h30 quando ela retornou à residência, disse que só precisava de uma ducha e depois o compensaria pela espera. No entanto, minutos depois, foi ele quem a fez delirar mais uma vez:
— Ahhh! O que você consegue fazer com a sua boca no meu corpo é de enlouquecer — ela murmurou gozando na boca do homem enquanto se contorcia feito um réptil.

Eles fizeram amor por horas naquela noite. Os intervalos foram apenas para comer e beber, pois ninguém é de ferro.
Antes de adormecer, aninhada nos braços do companheiro, ela foi amável exaltando o homem:
— Você me enlouqueceu da outra vez, mas hoje, fala sério, foi demais — e dormiu com um sorriso no rosto.

Na manhã seguinte (sábado) ela foi direto para a loja. Ao final de mais um dia de expediente, Luana, a patroa, deixou a chave dela com a Daisy. A dona não trabalha aos domingos e o patrão iria chegar um pouco mais tarde, pois o casal iria em uma festa naquela noite de sábado.
A moça jantou em uma padaria e chegou na pensão depois das 23h naquele sábado, só pensava em um banho morno e dormir para acordar cedo no outro dia. Contudo dormiu sem o banho, a residência estava sem água por causa de uma manutenção na rede local.

Daisy chegou uma hora mais cedo na loja naquele domingo, iria tomar um banho antes de começar o trabalho. Seria uma ducha improvisada usando um chuveirinho ligado à uma mangueira e que era usado para regar plantas. Nos fundos da loja ela tirou a roupa e se arrepiou todinha com o contato da água fria em seu corpo. Menos mal que era um dia de verão.



A jovem estava na fase final do seu banho quando ouviu o apito característico do alarme da porta quando a mesma é aberta. Ficou apavorada pensando que poderia ser algum invasor, pois era muito cedo para ser o patrão. Ela cobriu o seu corpo nu e molhado apenas com o agasalho de malha. Foi com cautela para o salão principal… Quase caiu para trás ao dar de cara com um homem.
— Deus do céu! Quase me mata de susto — ela falou com o patrão.
Ele a havia segurado no instante que a moça tropeçou ao recuar com o susto. O agasalho com capuz a princípio cobria somente as suas partes mais íntimas, suas pernas torneadas e de coxas grossas e úmidas era uma visão agradável de se ver. Ela havia soltado as mãos que mantinham a roupa fechada ao tentar se equilibrar segurando em algo. O agasalho abriu exibindo os seus seios e também seus pêlos pubianos para deleite do patrão.
Daisy conseguiu firmar o corpo com a ajuda dele, se cobriu novamente olhando assustada e envergonhada para o homem. Edgar a abraçou carinhosamente.
— Hei, calma! Você está tremendo.
A funcionária se desculpou por estar tomando banho na loja, depois tentou explicar sobre a falta de água na pensão. O homem a interrompeu no meio da fala e arriscou roubando-lhe um beijo… Ela ficou estática sentindo os lábios dele nos seus, sua mente raciocinava em velocidade tão absurda que até parecia que o homem se movia em câmera lenta. Deduziu que seu emprego estaria por um fio se o recusasse novamente, pois não era sua primeira tentativa desde a sua admissão na loja.
Moderadamente ela correspondeu ao beijo, porém sentiu aversão às mãos masculinas que percorriam o seu corpo tentando tirar o seu agasalho. Daisy tentou evitar a princípio, porém ele insistiu na tentativa e a garota cedeu soltando a blusa e ficando à mercê dele. O patrão abriu a roupa e admirou seu corpo, fez carícias em seus seios de mamilos intumescidos. Terminou de despi-la e a puxou pela mão em direção ao seu escritório. Se acomodaram em um pequeno sofá.


Foram poucas as preliminares até ele a acomodar sentada de pernas abertas sobre ele e a penetrar.
Entre troca de beijos e frases sem sentido o homem segurou em sua bunda e a fez subir e descer continuamente.
De olhos marejados Daisy não se sentia em uma relação sexual e, sim, como se pagasse uma penitência. Ela fez a sua parte dando gemidinhos e remexendo sobre o membro firme que entrava e saia cada vez mais rápido de dentro de sua vagina.
Edgar chegou ao clímax, seus movimentos ficaram suaves, lentos e por fim ficou estático. A garota sentiu os últimos espasmos do pênis que perdeu a rigidez e tamanho. Considerou aquela etapa como cumprida.
O homem envolveu a menina com um braço colando o corpo quente e macio ao seu, com a outra mão afagou os cabelos longos e castanhos do anjinho, ainda ofegante, que repousava com a cabeça tombada em seu ombro. Ele sorriu satisfeito com aquela loucura e o prazer que ela lhe proporcionou.

Durante aquele dia de trabalho Daisy comentou o quanto era ruim a pensão em que residia. Que sentia medo de ser abusada por homens e até por mulheres que lá viviam.
— Você precisa arrumar um lugar melhor para morar — falou o patrão.
— Eu sei, mas não tenho como fazer isso sozinha. Você me ajuda a ir para outro lugar?
Ele não teve tempo de responder, foram interrompidos por um outro funcionário, contudo o semblante dele a deixou com a impressão de que a resposta seria um sim.

A garota saiu para mais uma entrega naquela manhã. Aproveitava os momentos solitários para conversar com seu eu interior:
“Meus interesses são momentâneos, dedico minha atenção integral somente às necessidades básicas do meu dia a dia. Não sinto necessidade de diversão ou lazer e nem de envolvimento amigável com pessoas; ainda reside raiva e amargura dentro de mim. Faço planos para ter segurança e estabilidade em um futuro próximo, mas nesse instante o que posso fazer é continuar vivendo apenas um dia de cada vez.
E com o Augusto…Será que ainda é só um negócio?”


Ela se recusava a responder aquela pergunta ou de pensar a respeito, continuaria dando um passo de cada vez.

Continua…

Beijos queridos amigos, até a próxima.

sábado, 5 de agosto de 2017

Apimentando a Entrega (Cesta do Amor)

Daisy chegou em uma pensão no bairro do Bixiga lendo o anúncio de um jornal gratuito. Precisou pagar adiantado os $350 referentes a um mês de estadia para ficar com a vaga, eram as normas da casa. Ela teria que conseguir um emprego em poucos dias ou não teria dinheiro suficiente para o segundo mês. Contudo o emprego não poderia ser oficial com um registro em carteira; ela considerava o fato de que estivesse sendo procurada pela polícia após sua tentativa de homicídio contra o filho do prefeito. Mesmo que os danos causados pelo atropelamento tivessem sido apenas superficiais, aquela família de poderosos estariam atrás dela.

Duas semanas se passaram voando e a recém chegada não conseguia um trabalho alternativo com um mínimo de dignidade, apesar de toda sua dedicação, desenvoltura e simpatia.
Na tarde de domingo, uma das mulheres que morava na pensão e que era conhecida por Tia, teve uma nova crise em seus rins e mal conseguia se locomover. Daisy havia feito amizade com a mulher e se ofereceu para fazer algum chá ou ir comprar algo na farmácia. No final do dia elas fizeram um acordo e a jovem a ajudaria na limpeza de uma casa em que a mulher trabalhava de diarista todas as segundas-feiras no bairro do Itaim Bibi. Ela não conseguiria fazer tudo sozinha nas condições que estava. Pagaria a metade da diária para Daisy. A garota agradeceu e ficou feliz com a oportunidade de ganhar um dinheiro.
O casal de patrões da “Tia” eram proprietários de uma loja que confeccionava e entregava cestas de café da manhã, além de arranjo de flores para diversas ocasiões. O homem folgava as segundas-feiras, pois era ele quem cuidava da loja que abria também aos domingos.
Adélia (a Tia) chegou com Daisy e explicou para o homem o motivo de trazer a ajudante. O quarentão não conseguiu disfarçar o fascínio ao ver a menina pela primeira vez e ela percebeu de imediato que o interesse dele era somente o de levá-la para a cama.
Daisy ainda estava decepcionada e com raiva de homens, havia feito uma promessa que fdp nenhum a faria de idiota novamente. Poderiam ter seu corpo, sim, mas pagariam um preço justo por isso e nunca teriam o seu coração.
A garota astuta e necessitando de dinheiro para se manter sozinha em uma cidade e estado estranho, anteviu a oportunidade de obter algum ganho com aquele homem.
Durante o dia de trabalho Daisy aproveitou cada mínimo instante para seduzir o patrão. Quando Adélia se afastava deixando aquele corpinho angelical sob os olhares gulosos do homem, a garota aproveitava cada segundo para aplicar seu joguinho de sedução. Deixava cair a alça de sua blusinha folgadinha e o tecido leve fazia o restante expondo parcialmente seu seio durinho e juvenil. A garota, entretanto, continuava com seu trabalho de limpeza como se nada de anormal estivesse acontecendo. Seu corpo era despido completamente pelo olhos do homem que a devorava em pensamento.
— Você é uma moça muito linda e atraente, Daisy — arriscou o homem em uma investida, pois ele ainda não estava certo se aquela menina era uma safada ou apenas uma interiorana simplória.
— É só pose, eu não resisto à tentação de parecer sedutora — ela disse e sorriu.
Depois de quebrar o gelo eles conversaram de modo descontraído e se conheceram melhor. Daisy aproveitou o momento e sem fazer cerimônia lhe pediu um emprego fixo. Maliciosamente disse que seria uma boa funcionária e que ele não se arrependeria.

Durante a semana Edgar conversou com a esposa sobre a ideia de contratar mais um empregado e ampliar o raio de entrega. Recentemente o negócio expandiu também para o happy-hour incluindo cervejas geladas, vinhos, destilados, queijos e frios nas entregas. Precisariam de mais um funcionário além do rapaz que já trabalhava para o casal. Era uma ideia para o futuro, mas o patrão antecipou para ter Daisy por perto permanentemente.
Tudo foi acertado com a patroa. Na semana seguinte a menina foi até a loja — no bairro de Moema — para conversar com eles. Ofereceram-lhe o emprego de entregadora, já que ela sabia pilotar motos, faria entregas com um ciclomotor.


***

O plano de aproximação oferecendo o emprego para conquistar a garota não saiu como o planejado, Daisy era esperta e decidiu dificultar para o patrão se valorizando, mas continuaria o seduzindo, pois pretendia alçar voos mais altos com esta relação e não apenas se deitar com ele de vez em quando em troca do emprego.

Final de mês, Daisy teria que pagar até a manhã do dia seguinte os $350 correspondentes ao novo mês de estadia. Só lhe restavam $400, se pagasse pela vaga ficaria sem dinheiro suficiente para se alimentar e para condução, já que receberia seu pagamento por aquela primeira semana de serviço alternativo só no dia 10 e ainda era menos do que precisava no momento.


Em sua última entrega de cesta de happy hour daquela noite, o cliente havia levado um fora da namorada. Quando Daisy chegou com a encomenda o homem parecia bem abatido, seu comportamento inseguro e de coitadinho até faria algumas mulheres sentirem pena dele. Falou que era seu aniversário e a namorada o abandonara naquele dia especial em sua vida. Óbvio que a cena de sofrimento e de se fazer de vítima era para mexer com a sensibilidade da moça. Depois ele partiu para o bote a convidando para entrar. Foi insistente para que a garota o acompanhasse em uma taça de vinho.
— Vem cá! Eu não mordo, não com força — e riu descontraído.
Mesmo receosa Daisy concordou em entrar.
— Não tem mais ninguém aqui? — ela perguntou ainda indecisa.
Eles estavam sozinhos na residência, mas o cara 
 não forçou a barra, continuou simpático e conquistador. A jovem descontraiu e tomou uns goles em consideração a caixinha especial que havia recebido. Entre um papo e outro ela levantava o moral do homem de baixa autoestima. A investida do cara era improdutiva, com uma paquera enferrujada ele tentava seduzir a moça para que ela ficasse em sua companhia naquela noite. A conversa subitamente incendiou.
— Eu preciso conseguir trezentos reais nas próximas duas horas e só tenho o meu corpo para vender. Você quer fazer negócio? — falou Daisy sem meias palavras.
Rolou... Chegaram a um entendimento. Os beijos e carícias começaram na sala e ficaram ardentes. No caminho até o quarto havia uma trilha de roupas jogadas ao chão. Uma calcinha vermelha e de rendas era a última peça que estava próxima à cama em que a menina nua, deitada de costas recebia o homem por cima dela. O cara que a princípio fez papel de coitadinho era um amante impetuoso, deu uma e mais outra sem sair de cima ou tirar de dentro da moça que soube ser carinhosa. Ela o fisgou pelo sexo, o homem arriou as quatro rodas pela garota e esqueceu a regra básica do jogo da sedução: nunca se apaixone.

Mais tarde, depois de mais uma ducha ela se vestia para ir embora.
O homem carente e insaciável choramingou pedindo que não fosse e não o deixasse sozinho naquela casa.
— Fica! — Eu tô pedindo.
— Hoje eu não posso, mas haverá outros dias e você sabe onde me encontrar. A menina aprendeu rápido a ser profissional.

Continua…

Beijos Queridos Amigos, Até a Próxima.

domingo, 30 de julho de 2017

Tal Pai, Tal Filho

Daisy era bebê de colo quando sua mãe solteira caiu no mundo e a deixou para os avós criarem. Nada mais justo, pois indiretamente o avô foi o responsável por aquela gravidez.
O avô trabalhava para a família do prefeito há décadas, já era a terceira geração daquele clã no poder. O aposentado era um faz tudo, além de puxa-saco. Na época em que Daisy tinha apenas 10 anos, o avô a levava para o trabalho que supostamente fazia na casa do prefeito durante algum dia da semana quando a dona da casa não estava presente. Além de primeira dama da cidade, a mulher também era funcionária do gabinete do marido e remunerada pelos cofres públicos. Vez ou outra ela dava o ar da graça na prefeitura para justificar o dinheiro pago pelo contribuinte.
A neta passava a tarde brincando com Paulinho, um garoto de 15 anos e filho do prefeito. O meninão a levava para jogar videogame em seu quarto. No final do dia o avô recebia um dinheiro extra das mãos do garoto; era uma gratificação pelo serviço avulso prestado. No caminho de volta para casa ele agradava a neta lhe comprando sorvetes, doces ou brinquedos.

A rotina se estendeu por quase três anos. A menina não era mais uma criança, seu corpo de mocinha estava desenvolvido, assim como o rapaz, ele já era um homem.
A brincadeira virou paixão, pelo menos para a garota, seu coração adolescente transbordava de amor pelo rapaz que a tratava como namorada somente na privacidade do seu quarto. Falava que os pais dele a proibiriam de frequentar a casa se soubessem do namoro. A cada novo encontro ele prometia que casaria com ela quando fossem maiores.
O namoro escondido estava com os dias contados, Daisy sofreu um baque quando soube que ele estava de viagem marcada para os Estados Unidos. Ela temia que ele a esquecesse durante os anos que ficasse fora cursando uma universidade. O jovem a tranquilizava dizendo que em sua volta já seria dono do seu nariz, estaria formado e ninguém poderia impedir o casamento deles. A menina acreditou, disse que esperaria, pois o amava mais que tudo na vida. 

Cinco anos depois

Daisy se transformara em uma moça bela e atraente, cobiçada por jovens e adultos, porém ninguém provou de seu beijo e carinho durante o período de espera, ela se guardou para o seu amor.
Paulo retornou com o seu diploma universitário, estava mais maduro, até aí normal, concluiu a jovem, mas estava bem diferente daquele rapaz simpático e carinhoso de antes, havia uma prepotência em suas atitudes. Durante aquela primeira semana ele foi frio e a evitou em diversas oportunidades. A desculpa era que ainda estava se readaptando e acertando uns negócios com seu pai que cumpria o seu segundo mandato como prefeito.
Em uma conversa rápida com a moça, em um encontro casual na praça, ele a convidou para uma balada na capital do estado (cerca de 120 Km dali). Naquele sábado aconteceria uma festa na praia.
Durante a noite tudo estava perfeito para Daisy, a festa e o carinho de Paulo a tratando como uma princesa. Depois do show principal ele a convenceu de passarem o resto da noite em uma pousada antes de pegarem a estrada de volta. Ela sabia o que aconteceria no quarto, e estava feliz, pois se guardara para ele durante os últimos anos. Alimentava a esperança de fortalecer a relação durante aquela noite, ela o amava e tinha a certeza de em breve ser assumida como sua namorada e posteriormente como sua mulher.
“Nós continuamos dançando no interior da pousada ouvindo a música que vinha da praia. Levantei meus braços para ele tirar minha blusa, depois meu sutiã, acariciou meus seios e entre um passo de dança e outro minha saia chegou ao chão. Na sequência ele se despiu feito o The Flash e segundos depois estava montado sobre mim, foi só o tempo dele arrancar a minha calcinha. Fiquei refém de suas vontades e obediente aos seus comandos. Ele me penetrou pela frente me pegou por trás, inundou-me com seu sêmen e depois de satisfeito dormiu profundamente.
Demorei a pegar no sono, fiquei curtindo nossa primeira noite, apesar de que não teve o romantismo que eu imaginei durante os anos de espera, no entanto estávamos juntos e isso me fazia um bem danado. Continuei imaginando como seria minha vida ao lado dele e fiz planos para um futuro próximo enquanto ouvia os seus roncos.

Acordei quando o sol já ia alto. Estava sozinha na cama e no quarto. Encontrei um bilhete que dizia: ‘Tive que correr para casa, pois não posso perder o almoço com minha família. Dentro do envelope tem um dinheiro pra você pela noite de diversão e também para pegar o ônibus de volta. Quando der para a gente se ver novamente eu peço para o teu avô lhe avisar.’

— FILHO DA PUUUTAAA!!!
Depois do meu grito de indignação e choro desesperado, comecei a arquitetar o meu plano de vingança.
Alguns dias depois já havia vendido meu celular e várias miudezas, mas ainda era pouco para o que eu tinha em mente. O cafetão do meu avô recebeu seu pagamento mensal no dia anterior, era quando ele tinha mais dinheiro em casa… E eu sabia onde ele guardava.”

***

A motocicleta invadiu a calçada, acelerou rápido e atingiu o rapaz o arremessando metros à frente. A vítima rolou várias vezes antes de ficar inerte sobre o asfalto. O condutor do veículo perdeu o controle da máquina que ziguezagueou e tombou. Apesar do capacete e jaqueta de couro masculina, era perceptível que se tratava de uma mulher. Após se recompor do tombo ela saiu acelerando a milhão enquanto os curiosos se aproximavam para socorrer o acidentado, Paulo, filho do prefeito.

— Moça, acorda! Chegamos.
Daisy acordou em pânico, era a quinta vez que o sonho se repetia e era tão real como se revivesse o acontecido de dias atrás. Seu ônibus acabara de chegar ao terminal rodoviário do Tietê em São Paulo. A jovem foi acordada pelo passageiro ao lado, estava exausta, pois praticamente não dormira nos dias posteriores ao acidente que deu novos rumos à sua existência. Desembarcou com o desejo de deixar todo o seu passado para trás e começar um novo ciclo em sua vida. Ainda não sabia se Paulo estava vivo ou morto após ela propositalmente o atropelar com a moto do seu avô. Se livrou da motocicleta, capacete e jaqueta jogando ao longo de um rio nos limites da cidade. Só com uma mochila nas costas ela pegou caronas até chegar em João Pessoa-PB, comprou uma passagem e embarcou no ônibus para São Paulo.
Ela não tinha com quem contar, o dinheiro que conseguiu trazer daria para pouco mais de um mês caso ficasse em uma pensão barata.

Continua…

Beijos Queridos Amigos, Até a Próxima!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O Preço da Fama

Era uma baladinha para menores de 11 a 17 anos regada a sucos refrigerantes e sorvetes, porém o proibido é mais gostoso e sempre tem uma turminha do mal que consegue entrar com bebidas mais fortes e alguns outros baratos que ligam. Foi nessa balada que eu conheci o Albert, um fotógrafo gringo que fazia trabalhos para uma grife famosa de roupas voltadas ao público jovem. Ele se infiltrou naquela discoteca para adolescentes a pedido do seu chefe. O homem o incumbiu de encontrar talentos anônimos e a preferência era para meninas bonitas, desinibidas e cheias de energia. As interessadas teriam que participar de um teste de seleção para poderem ingressar na nova equipe de modelos da agência.
Fiquei super animada com a possibilidade de conseguir o meu primeiro emprego em uma área que eu amava. Combinamos de eu ir até o estúdio fazer um teste fotográfico que aconteceria no dia seguinte (sábado), próximo dali, em São Caetano mesmo. 


***

Por detrás de sua câmera ele me observava. Acenou positivamente com a cabeça quando segurei e puxei de maneira bem delicada a tira da tanga do biquíni. Continuou dando cliques contínuos e registrando cada movimento do meu corpo. Voltei meu olhar para a lente como se quisesse seduzi-la oferecendo meus lábios molhados e levemente separados. Senti-me incrivelmente sensual.
Depois de uma infinidade de cliques ele sorriu parecendo estar satisfeito. Fiquei feliz, minha performance foi do seu agrado, conclui.
— Maravilha Kamila, perfeita — você entendeu direitinho qual era a pegada — enalteceu o fotógrafo.
Entre mais alguns elogios ele mostrou-me as fotos em seu notebook.
Estava finalizado o meu teste fotográfico, aguardei junto com outras duas meninas que estavam na baladinha e assim como eu foram convidadas a fazerem o teste.
Nós três fomos aprovadas e seríamos modelos de uma linha de trajes de banho para a coleção do próximo verão.
Fomos convidadas a conhecer a mansão e o dono da confecção (nosso futuro patrão) naquela mesma tarde. Foi exigido que tudo ficasse em segredo até nossos pais assinarem o contrato que receberíamos no final do dia.
O casarão era um luxo só, além das bebidas liberadas também para menores, ainda tinha uns estimulantes a mais para enlouquecer. O chefe era um cinquentão bem charmoso e havia mais dois coroas no local que eram o sócio e o advogado, segundo eles.
Os negócios foram deixados para o final, o chefe queria ver se nós, o trio de meninas, era animado, pois a coleção de verão exigia alegria.
Depois de um bocado de diversão com música, bebidas e alucinantes, começou uma sessão de fotos e vídeos para descontrair.
A descontração foi além da conta devido a tudo que nós ingerimos (ou que nos fizeram engolir). Não lembro de ter concordado que o coroa me despisse, nem que tocassem o meu corpo em dois e até três de uma única vez. Mas recordo de ter curtido as bocas e línguas agitadas em minhas partes íntimas enquanto estava esparramada em um dos sofás daquela sala enorme. Lembro também do riso histérico misturado com choro das outras meninas transando com os outros dois coroas pervertidos.
Eu apaguei e acordei em minha cama na manhã seguinte. Não sei como cheguei em casa, pois ainda estava chapadona, morrendo de enjoo e dor de cabeça.
Na segunda feira, quando voltamos à agência para o nosso primeiro dia de trabalho, não existia mais nada no local, eram salas vazias com placa de aluga-se. Os números de telefone também não atendiam. Voltamos ao casarão… Estava vazio e ninguém morava lá há meses segundo o corretor da imobiliária. Havia uma placa de vende-se que com certeza não estava lá no sábado. Tudo não passou de um golpe.
No dia seguinte ficamos devastadas ao recebermos por e-mail as nossas fotos e vídeos com imagens de nudez e sexo explícito que já circulavam em um site pornográfico. A cena em que eu estava deitada de costas no braço do sofá, com as pernas abertas e levantadas e aquele tiozinho escroto bombando na minha bunda, doeu mais em mim ao assistir do que no real momento da transa, uma vez que eu nem me lembrava dessa parte. Eu teria que rezar muito para que aquelas imagens não chegassem até pessoas próximas a mim, ou então eu estaria realmente fodida, pois não parecia um abuso e, sim, uma suruba consentida.

Fim

Beijos queridos amigos, até a próxima!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Dia de Reis, Tarde de Rainha

Interior do RN, quase Paraíba. O dia era 06 de janeiro. Eu e minha mãe passamos uma semana daquelas férias na casa dos pais do namorado dela (ele, o André, ainda não era o meu padrasto).
O sol começava a raiar quando eu cheguei de uma festa em comemoração ao dia de Reis. Minha mãe, o André e seus familiares estavam saindo para passarem o dia em uma praia a 80 km dali. Eu fui dormir depois de ouvir um montão da minha mãe.
Acordei perto do meio dia molhadinha de suor, fazia um calor da porra. Tomei um banho frio (mesmo porque não tinha um chuveiro aquecido) e sai do banheiro com o corpo propositalmente molhado para atenuar a sensação de calor.
Em minha casa era só eu e minha mãe, então normalmente andava nua. Faria o mesmo ali, estava sozinha e a sensação térmica remetia ao inferno. Sem um condicionador de ar, ficar pelada era um jeito prático de suportar os 40 graus.
Caminhei até a cozinha e coloquei duas pedras de gelo em um copo com água, depois aproveitei o gelo para tomar um gole de vermute. Liguei a televisão só para quebrar o silêncio e me acomodei no sofá bebericando meu drink.



Depois do último gole fui à cozinha abastecer o meu copo e ver o que tinha para comer. Belisquei um pedaço de frango assado enquanto dançava ao som de uma música animada que vinha da TV… Quase engasguei com o frango ao ouvir palmas logo atrás de mim.
Era o sobrinho do meu futuro padrasto, um gato galego de uns vinte e poucos anos. Conheci o danado, sua esposa e o bebê de 2 anos no dia anterior e em outra situação inusitada: eu estava na casa dele, um quarto, sala e cozinha ainda em construção, experimentava umas roupas que a mulher dele vendia para ajudar nas despesas. O cara chegou da rua sem se fazer notar e entrou no exato momento em que eu tirava a blusa e ficava de peitos de fora.
Enfim, fiz o mesmo que no dia anterior em sua residência, porém desta vez a esposa dele não estava presente para interromper um clima que começava a rolar. Cobri minhas partes com mãos e braços.
— Caraca! Será que você sente o cheiro de mulher pelada?
— Acho que só o seu.
— É o que parece, duas vezes em dois dias é demais — dá licença que vou me trocar no quarto — falei enquanto tentava passar por ele.
Como todo bom safado ele disse que não precisava, pois eu estava linda assim. Eu sorri e depois falei que por mim eu continuaria à vontade, estava morrendo de calor, mas se chegasse mais alguém eu não teria como explicar minha nudez ao lado dele.
Voltei cinco minutos depois com uma roupa leve. Ele já havia se servido de uma bebida.
— Pensei que você tivesse ido com o pessoal. A sua mulher foi com o bebê.
— Eu sei, trabalhei até agora no mercado e vou de moto — vem comigo.
— Tá doido! Estou cansada de sol escaldante e água salgada.
Fui em direção ao fogão e perguntei se ele queria comer antes de ir.
— Claro, você é tudo que eu quero.
— Não foi isso que eu quis dizer seu safado, falei olhando pra ele. Depois virei e murmurei:
— Mas até que não é má ideia.
Ele partiu para o ataque me abraçando por detrás, confessou seus desejos por mim, lambeu minha orelha e beijou meu pescoço. Eu virei sem dizer nada e nos beijamos, nos esfregamos e o tesão foi a milhão. Virei novamente com a intenção de ir para a sala. Ele me abraçou colando em minha bunda, levantou a minha blusa e tocou os meus seios os massageando. Seu corpo impulsionou o meu à frente, foram alguns passos até eu apoiar minhas mãos sobre a mesa e ficar de bunda arrebitada curtido suas mãos deslizando por dentro de minha minissaia e descendo a minha calcinha. Olhei para trás ansiosa e cheia de desejos… Ele acabara de descer sua bermuda, era tamanha sua ereção que seu pênis parecia pulsar. Suspirei ao senti-lo se encaixar em minhas pernas entreabertas e penetrar minha vagina superúmida. Ahh! Impossível descrever a sensação de sentir tudo aquilo me invadindo sem pedir licença. Ao viver essas loucuras eu ignoro o mundo ao redor e aproveito cada segundo de prazer como se fosse o último.
Entreguei-me de corpo e alma ao momento curtindo suas mãos firmes em minha cintura e suas estocadas vigorosas que levaram-me aos céus.
Ele acabou comigo me deixando pelada e arriada sobre o sofá, fiquei anestesiada com um sorriso bobo de quem estava satisfeita após uma tarde de pura magia. Minha última lembrança daquele encontro foi o de ouvir ele dar a partida na moto e depois o som do motor se afastando. Na sequência apaguei e dormi um soninho gostoso.


Beijos queridos amigos, até a próxima.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Nego Biu

Estava arrependida de ter bancado a detetive e ter entrado naquela roubada. Acho que rezar não adiantaria e até passou pela minha cabeça uma ideia maluca de dar preferência a um e incitar uma briga entre eles. Tentaria a fuga durante o tumulto. Porém nem tive a oportunidade de terminar o raciocínio, de repente um vulto surgiu na escuridão caminhando rápido em nossa direção. O recém chegado era um cara grande, muito grande e fortão; pense no Dwayne Johnson (o policial musculoso do filme Velozes e furiosos 6), tipo assim, só que com o charme brazuca.
Enfim, ele segurou em meu braço com uma mão e com a outra ele fez um gesto imitando uma arma com dois canos. Vociferou para os três moleques que me mantinham como refém:
— Aee! Larga a mina que ela é minha chegada!
Eles pareciam temer o cara, ou no mínimo tinham juízo, pois ficaram na miúda e disseram que estavam só zoando.
— Devolve o meu celular e minha bolsa! — falei para um deles.
Fiquei toda corajosa com meu ”guarda-costas” ao lado. Eu poderia estar entrando em uma enrascada ainda maior, mas naquele momento eu só queria livrar-me daqueles marginaizinhos e sair fora daquela favela. Não poderia deixar as imagens gravadas caírem nas mãos do pessoal daquele buraco.
Os carinhas devolveram as minhas coisas um tanto contrariados, deu para captar a raiva que estavam sentindo. Eu teria problemas se cruzasse com eles novamente sem a companhia do meu suposto protetor.
O trio do mal saiu para um lado e nós para o outro na escuridão, só então eu senti medo daquele trintão com cara de mau e da cor do chocolate. Começava a achar que havia pulado da frigideira para cair no fogo.
Ele parou próximo a uma das poucas luzes existentes naquelas vielas e me filmou de cima abaixo. Fiquei gelada quando aquele monstro de homem veio com sua mão em minha direção e parecia que tocaria o meu seio.
— Seu vestido rasgou — ele falou.
Foi gentil ao pegar a alça caída e tentou ajeitar a roupa rasgada em meu ombro. Sorri agradecida e disse que precisaria de uma costura. O gigante estendeu a mão me cumprimentando e disse que seu nome era Rogério, mas desde moleque todos o conheciam como Nego Biu. Ele preferia ser chamado pelo codinome, concluiu. Retribuí o cumprimento dizendo o meu nome e que também preferia ser chamada de Mila.
Aquele homem de aparência bruta não me parecia mais ser uma ameaça. Perguntou se eu estava na casa de alguém ali por perto, pois ele não me conhecia e sabia que eu não era da comunidade. Simplifiquei a história dizendo ter vindo com uma amiga e tivemos um desentendimento, fiquei cheia de raiva e resolvi ir embora sozinha.
Nego Biu disse que eu cometi um erro dando mole naquelas quebradas. Eu concordei. Sugeriu sairmos fora daquele pedaço, ele me acompanharia até a saída da vila.
Eu não teria como ir embora a esta hora, expliquei, não havia ônibus circulando e não conseguiria um táxi.


***


Mesmo a Jéssica não merecendo, não poderia ir embora sem saber como ela estava. Minutos mais tarde liguei para o seu celular… Não atendeu em nenhuma das minhas tentativas. Deixei uma mensagem: estaria esperando nas proximidades e que ela ligasse pra mim. Não falei do Biu e nem sobre estar indo para o posto de reciclagem (era onde ele morava). Aceitei o convite do grandalhão para ficar lá até o dia amanhecer.

Chegamos na casa dele. O lugar resumia-se a um cômodo grande dividido por uma cortina que separava o que seria sala e cozinha na entrada e um quarto do outro lado da cortina. O banheirinho era do lado de fora. Ele pegou uma garrafa de água em uma geladeira, que pelo estado, provavelmente veio do ferro velho e ele deu uma geral e estava sendo-lhe útil. Perguntou se eu queria.
Aceitei a água, agradeci e comentei:
— Estou precisando é de uma bebida forte, foram muitas emoções esta noite. — E soltei um suspiro de relaxamento.
Ele pegou um litro de vermute branco (Contine) em um pequeno armário de portas quebradas, disse que ganhou de um reciclador. O Biu levaria a bebida para a casa do seu cunhado no dia seguinte, lá aconteceria um almoço de Ano Novo. Recusei várias vezes, mas gentilmente ele insistiu para que eu me servisse, poderia ir sem a bebida para o tal almoço, não havia prometido levar nada.
Teria sido indelicada se não tivesse aceitado. Ele abriu a garrafa e nos serviu, brindamos à vida e a dias melhores.
Biu falou que ia dormir um pouco. Eu estava com a adrenalina a milhão, não queria e não conseguiria adormecer, aguardaria algum contato da Jéssica enquanto esperava o dia amanhecer. Desejei-lhe bom sono e disse que ficaria bem.
Acomodei-me em um sofá na entrada, com a garrafa quase cheia. Ele foi para perto de sua cama, eu podia observá-lo pelo vão entre as duas metades do plástico azul que foi improvisado como cortinas. Tirou a camisa, o sapato e deitou vestido com sua calça jeans.
Continuei bebendo, olhando as horas a cada cinco minutos e também para ele que parecia ter adormecido.

Fiquei assustada com vozes masculinas que se aproximaram da janela e pararam. Eu gelei. Olhei para o meu anfitrião que permanecia deitado sem mexer um músculo. Um dos caras falou:
— Acende o bagulho ai véi. — A voz era de alguém bêbado ou drogado.
O medo aumentou. Pela fresta da janela de madeira eu percebi a claridade que parecia ser de um isqueiro. Outra voz falou para eles continuarem andando e o que parecia ser dois ou três caras, felizmente foram embora.
Eu bebi compulsivamente o vermute e devo ter adormecido por alguns minutos e tido um pesadelo onde sofria abuso sexual e violência. Acordei com minha mão tocando meu sexo. Assustada tentei lembrar onde estava… A ficha caiu, vi o homem deitado em sua cama…Toquei meu sexo com mais intensidade e senti desejos por aquele homem negro de aparência rude. Levantei e caminhei mansamente até o vão da cortina, ele estava de olhos fechados e parecia que dormia.
Toda a tensão vivida em tão pouco tempo e aquele corpo másculo, acentuaram meu apetite sexual. Poderia estar cometendo mais um erro ao pensar apenas no sexo, mas não queria pensar racionalmente, só queria me deitar com ele e fui em direção de sua cama. Porém lembrei que havia prometido para mim mesma que não voltaria mais sem calcinha para casa. Dei dois passos para trás, enfiei as mãos por dentro do vestido e tirei minha lingerie e a coloquei em minha bolsa. Entrei naquele cubículo, receosa à princípio, mas meu lado safadinha assumiu o controle. Subi lentamente por cima dele e no momento em que ele abriu os olhos sem entender ao certo o que se passava, eu o beijei nos lábios… Fui correspondida e recebi um abraço de urso, gostoso e seguro. Ele deveria estar ali se segurando e provavelmente pensou em tomar a mesma iniciativa tomada por mim.
Continuei sentada por cima dele e com ele entre minhas pernas. Levantei meu vestido, o tirei pela cabeça e joguei em uma caixa de madeira que estava ao lado, fiz o mesmo com o sutiã.
Deitei novamente sobre ele, senti o calor do seu corpo enorme e o odor de suor que ao invés de repelir-me, atraiu-me ainda mais. Suas mãos grosseiras acariciaram minhas costas e bumbum durante nosso novo beijo, para em seguida virar meu corpo e deixar-me por debaixo dele. Sua boca deslizou até meus seios saciando sua vontade e a minha. Ronronei mansinho enquanto afagava seu cabelo crespo que precisava de um bom tratamento. Empurrei sua cabeça para baixo, queria sentir sua língua em minha parte mais íntima… Ah! Aquela língua safada me fez estremecer de tesão quando penetrou minha fenda após uma chupada que me fez elevar os quadris mais de vinte centímetros acima do colchão.
Não demorou quase nada para que eu gozasse na boca do homem, estava tão molinha e desconcertada que meu corpo parecia flutuar. Falei que era a minha vez. Invertemos a posição e abocanhei seu membro com alguma dificuldade, não era enorme, mas era muito grosso.
Não prolonguei muito as carícias, não queria que gozasse em minha boca, queria sentir seus jatos de gozo em meu sexo. Ajeitei-me por cima dele.
No caminho da Paulista, eu a amiga e o Pulga pegamos alguns preservativos grátis no terminal de ônibus, não sei se peguei apenas as pequenas ou se todas as borrachinhas naquele terminal eram de tamanho único, só sei que era inadequada para aquele pênis tão grosso, em vista da coisa rasgar no cós quando eu tentava cobrir o pirulitão. Peguei uma segunda e consegui ajeitar mais ou menos.
— Está bom assim — falei para tranquilizá-lo e não perder mais tempo. De imediato sentei com minha vagina em seu membro. Aii! A penetração estava difícil apesar de eu estar molhadissima, Lubrifiquei seu membro e minha xoxota com minha saliva e sentei com as perninhas arreganhadas e bem relaxada…Ahh! Foi mágico sentir aquele nervo exposto ir deslizando pouquinho a pouquinho para dentro das minhas entranhas. Soltei o ar longamente ao sentir que estava inteirinho dentro de mim.
Não demorou muito para que eu chegasse aos céus. Quando ele gozou eu quase desfaleci ao sentir seu jato potente inundando minha vagina e fazendo meu orgasmo se multiplicar por mil, o preservativo não aguentou o tranco. Não interromperia aquele momento por nada, mesmo porque já havia acontecido. Dei um foda-se e curti cada segundo daquela loucura.
— Deeeeuus! — exclamei — que tesão, que gostoso.
Pouco depois que ele tirou de dentro o seu pau todo melado com a capinha estourada e a sua glande de fora, ele olhou para mim com aquela expressão tipo pedindo desculpas e dizendo: “E agora?” Devolvi o olhar com a expressão: “sussa, quem se importa”. No mesmo instante eu tirei o resto de borrachinha do seu pau e joguei ao chão. O negócio dele ainda estava firmão. Acha que eu perderia a oportunidade?
Fiquei de quatro e virei o rosto olhando para ele com minha carinha mais safada. Ele me possuiu novamente e nos amamos com gemidos, tapinhas na bunda e respiração ofegante até a satisfação plena.

Nego Biu dormiu minutos depois. Eu ainda estava agitada, a overdose de adrenalina que tive naquele dia foi de tirar o sono.
Fiquei pensando no relato que ele fez minutos antes de dormir: “Eu não sou um comédia, o pessoal me respeita. Fiquei trancafiado e ausente por dois anos, mas isso aqui ainda é minha quebrada.”
Ele havia saído da prisão há menos de uma semana e sua primeira relação sexual foi comigo. Um cara do tipo dele, ao ficar tanto tempo sem ver uma mulher pelada, poderia ter forçado a barra comigo. Sua força e poder eram totais naquele momento e o homem poderia ter feito o que quisesse de mim. Como conseguiria evitar? Era a Bela contra a Fera. Contudo ele foi um lorde, demonstrou ser uma pessoa especial. Disse ter se encantado comigo à primeira vista, mas não tentou me conquistar por achar que havia um abismo entre nós, tanto em beleza, cultura e idade. Vendo a minha fragilidade, ajudar-me lhe bastava naquele momento. Isso já o faria feliz.
Entretanto ele estava enganado, a distância entre nós era pequena e eu não era uma patricinha. Quem ia para a cama comigo, não precisava ser participante de um concurso de beleza ou cheio da grana. Alguns caras são especiais e não precisam de muito esforço para possuir-me por inteira e sem pudores.
Ainda bem que não banquei a recatada ou teria perdido aquela noite de magias. Meu lado devassa tomou a iniciativa e rompeu aquela pequena barreira que nos separava.
O espaço que agora é ocupado pelo sentimento de prazer e satisfação estaria vazio se eu não tivesse tomado a iniciativa e me entregado àquele homem tão amoroso e cheio de pegada.
Momentos são únicos e cabe a nós sabermos identificar quando eles batem à nossa porta.

Era dia claro e de sol quando o Biu me acordou. Estava morrendo de sono e não lembrava a que horas tinha adormecido. Ainda não havia recebido notícias da Jéssica e nem liguei para ela, só queria sair fora e levar minhas provas no celular para mostrar para o pai dela.
Nós fizemos nossa higiene matinal e ele foi comigo até o ponto onde partia um micro-ônibus. Embarcamos juntos. Tivemos algum tempo para conversar e solidificar nossa amizade durante o trajeto. Ao chegarmos na estação de trem nos despedimos carinhosamente enquanto éramos observados pelos transeuntes. Segurando nas pontas dos seus dedos eu disse:
— Adeus, Nego Biu.
— Adeus, Mila.
Ele foi para um lado e eu para o outro.

Entregando o “Dossiê”.

Eu marquei um encontro com o pai da Jéssica em um shopping no centro. Assim que ele chegou eu dei um enviar em meu celular. Mandei os vídeos e as fotos que fiz no reduto dos traficantes para o e­mail dele. Claro que usei uma conta fake, não queria ter meu nome diretamente ligado à prova do crime. Após ver tudo que mandei ele ficou arrasado, dizia não acreditar que sua menina envolvera-se com gente desse tipo e estava se drogando.
— E ajudando em sequestros relâmpagos — arrematei.
Ele ficou puto e disse que ela não chegaria a tanto.
Continuei a tripudiar, afinal ele havia me humilhado semanas atrás dizendo que eu era invejosa e só estava criando intrigas porque ele não me queria mais.
— Esqueceu que você ameaçou a mim e indiretamente a minha mãe? Quero ver se você também é tão valente com os bandidos quanto é com mulheres. Ele me fulminou com o olhar, levantou bruscamente e temi ser agredida pelo policial, porém ele se virou e saiu fora pisando duro. 

Manchete de um Noticiário Local.

“Chacina deixa 4 mortos em Santo André.

A primeira chacina do ano ocorreu anteontem, em Santo André, é a terceira do ano na Grande São Paulo. Duas das três vítimas eram menores de idade.
Uma testemunha contou que por volta das 23h45, um carro preto com vidros escuros parou próximo à entrada do bar. Um homem com touca ninja desceu pela porta do passageiro com duas armas em punho. Dirigiu­-se até os quatro rapazes que estavam sentados em volta de uma mesa do lado de fora do estabelecimento. Sem dizer nada efetuou vários disparos sem dar a mínima chance de defesa aos mesmos. Os dois maiores de idade: um conhecido pelo pseudônimo Pulga, 21 anos, e o outro de nome Jaime Caetano (vulgo Jaiminho), 18 anos, foram os primeiros a serem baleados na cabeça. Os dois menores (16 e 17 anos) foram executados na sequência também com disparos na cabeça. A seguir o atirador correu até o automóvel que saiu em disparada.
O informante não soube descrever a marca e modelo do veículo.
A suspeita da polícia é a de que o assassinato tenha sido por disputa de pontos de venda de drogas. As quatro vítimas tinham passagens pela polícia por furtos e posse de entorpecentes.”


Após ler a notícia fiquei mais tranquila, pelo menos não teria mais problemas com esse grupinho de marginais.

***

Fui visitar a Jéssica semanas depois. Ela foi internada pelos pais em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos… Arrependi-me de ter ido, foi a coisa mais deprimente que já vi na vida, a amiga estava completamente dopada para controle da sua agressividade manifestada desde a morte do namorado marginal e o afastamento da família e vida social. Parecia uma planta na sombra em um dia frio de inverno, vegetava literalmente. Saí dali chorando e com o desejo de nunca mais voltar.

Passaram­-se meses e ​ eu não tive mais contato com a Jéssica, também afastei­-me da família dela. Fiz minha transferência para um colégio distante e minha mãe, por precaução e recomendação recebida do delegado, passara a variar suas rotas e horários regulares quebrando a rotina​. Só não troquei meu número de celular, então frequentemente recebia mensagens indesejáveis no WhatsApp, eram pedidos do policial (pai da Jéssica) para revivermos um passado recente e que eu queria esquecer. Momentaneamente eu continuaria ignorando e apagando as mensagens.

Fim


Beijos queridos amigos, até a próxima!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Correr e Sobreviver

Faltavam poucos dias para o réveillon, ainda tentava evitar que a Jéssica chegasse ao fundo do poço. Corria atrás de provas irrefutáveis para mostrar e convencer o pai dela. Acabei entrando em uma roubada ao atender o pedido da amiga e acompanhá-la até a avenida Paulista na festa da virada. Todos das nossas relações evitavam a Jéssica depois do seu envolvimento com o marginal. A garota aproveitou a ausência do pai que estava de plantão naquela noite e convenceu a mãe a deixá-la ir comigo. Eu só aceitei entrar com minha participação quando soube que seu namorado também estaria lá. Era uma oportunidade de registrar alguma coisa útil em um lugar seguro. Eu não a acompanhava mais nas baladinhas que aconteciam no bairro do cara, o lugar era muito perigoso para mim que não era da turminha deles.

O cara ficou incomodado com a minha presença e não perdeu a oportunidade de hostilizar-me. Eu não estaria lá se não estivesse em uma missão, nunca gostei da sua companhia e gostei menos ainda quando ele foi acusado de ter ter roubado o celular de uma moça. A coisa piorou quando a Jéssica e eu fomos apontadas como cúmplices. Começou uma discussão com um grupinho de amigos da moça e complicou de vez; uma outra vítima também se manifestou gritando que seu celular havia sido furtado do seu bolso. O negócio ficou punk e ia dar merda. Nos esgueiramos entre os demais na multidão e fugimos do local. Seguimos correndo por um trecho da avenida Paulista até avistarmos alguns policiais, diminuímos o ritmo para não sermos alvo da atenção deles. Eu e a Jéssica calçamos novamente nossos sapatos que estavam em nossas mãos, havíamos tirado, pois apesar dos saltos não serem altos, não era possível correr com eles. Continuamos com uma passada rápida.

Respiramos aliviados ao chegarmos nas proximidades do Metrô paraíso, no entanto era cedo demais para comemoração, o drama recomeçara ao ouvirmos os gritos de uns caras se aproximando rápido, era o mesmo grupinho e continuavam nos perseguindo.
Entramos na estação na tentativa de pegarmos um trem antes de sermos alcançados. A espera pela composição naquela plataforma foi angustiante, cada segundo parecia uma eternidade.
O alvoroço de gente gritando e correndo em direção à plataforma deixou-nos em pânico, estávamos encurralados. Os gritos foram abafados pelo barulho do trem que se aproximava. Segurei a mão da amiga e juntas fizemos uma espécie de oração:
— Vem trem, vem logo, por favor. Corre moço, pelo amor de Deus!
O trem parou e fomos vistos no momento em que entrávamos no vagão. A gritaria de “PEGA, PEGA, SEGUREM ELES” foi generalizada. O marginal dizia para ficarmos na moral e fingirmos que não era conosco. Entramos e permanecemos em pé rezando para que a porta fechasse rápido. O grupo se aproximava ensandecido correndo em direção à plataforma. Soou o apitinho característico de aviso, a porta finalmente fechou e o trem entrou em movimento. Ainda morremos de medo quando olhamos para as caras de ódio, mas também de frustração daqueles insanos, eles fizeram sinais agressivos em nossa direção e era fácil ler em seus lábios o monte de palavrões pronunciados. Nós três retribuímos mostrando o dedo mau para eles e rimos aliviados.
Depois do susto eu falei que ia pra casa, ainda mais depois que ele confessou que pegou mesmo o celular da mina, “ela tava dando mole com um bagulho da hora”, palavras dele. Para piorar ele mostrou mais dois que havia roubado. Minha felicidade em ter conseguido escapar de um provável linchamento passou logo, fiquei muito puta, o cara além de um drogado também era um ladrãozinho ralé. Não poderia externar o ódio que sentia por dentro, precisava manter o foco até conseguir provas contra aquele viciado ladrão.

Nós descemos na estação Tamanduateí perto da meia noite. Assistimos parcialmente a algumas queimas de fogos de dentro do micro-ônibus a caminho do buraco onde morava o marginal. A Jéssica havia ficado em meu ouvido o tempo todo implorando para não deixá-la sozinha. Eu não poderia chegar em sua casa antes dela, saímos de lá juntas e já estava combinado que eu dormiria lá, pois minha mãe foi para o litoral e só me deixou ficar a pedido da mãe da amiga e a promessa de dormir em sua casa.
A garota pretendia continuar a festa de Réveillon com o cara e na vila dele em Santo André. Ele disse que poderíamos ir a uma festinha na casa de uns “chegados” dele, alí aconteceria uma queima de fogos a 1h da manhã. Deus do céu, não era este Réveillon que eu havia desejado para este ano, contudo era a chance de conseguir umas imagens para o meu dossiê.


***

O lugar onde morava o Pulga (namorado da Jéssica) era um favela em um terreno que fora invadido. As casas eram construídas umas sobre as outras sem organização nenhuma e as ruas eram vielas sem infraestrutura. Descemos uma escada íngreme na lateral do terreno e ficamos algum tempo na casa de baixo. Aquilo mais parecia um porão e não havia outra saída, pois o final do terreno era uma ribanceira de mais de dez metros. A parede dos fundos e uma das paredes laterais eram encostadas no barranco. A do lado contrário a separava de outro imóvel tão simples quanto. Havia janelas e porta somente na frente.
Era no terreiro que rolava a festa ao som de um Rap marginal que tinha suas letras repetidas pelas vozes desafinadas das novinhas que gesticulavam em atitudes debochadas. Também eram repetidas por alguns caras do tipo bandidão mesmo.
Havia um ou outro que parecia ser do bem, aparentemente seriam vítimas e sobreviventes do meio em que nasceram.
A casa de cima só tinha dois cômodos, ali rolava outro tipo de festa em meio a muita libertinagem e sujeira. Era o lugar ideal para eu capturar imagens e mostrar ao pai da Jéssica o quanto a garota desceu. Mais algumas semanas enterrada neste submundo e a amiga estaria tão no fundo que não haveria mais a possibilidade de resgatá-la.
Espalhados por cima de uma mesa nojenta e bagunçada, havia garrafas de bebida, latinhas de cerveja vazias, resto de comida e algumas drogas. Deduzi pela quantidade que era apenas para consumo dos ali presentes e que acabara de ser consumida por dois caras e duas garotas que dormiam aos pares em uma cama e também em um colchão largado ao chão, ambos de solteiro. As roupas de cama pareciam panos de chão velhos de tão encardidas que estavam.
Acredito que os quatro apagaram de tão entorpecidos e sem praticarem qualquer ato sexual, já que não notei nenhum preservativo usado ou embalagem. As garotas apesar de estarem com a bunda de fora, já que os microvestidos não cobriam nada naquela posição, ainda estavam vestidas com suas calcinhas.

Mantive o meu celular na mão desde a nossa chegada, já com a intenção de tentar registrar tudo discretamente. Comecei a filmar mantendo meu braço abaixado e rente ao corpo. Captei as imagens da amiga sentada no colo do bandido enquanto ele alisava suas coxas com uma das mãos por dentro do seu vestido. Ele passou um baseado para ela com a outra mão, ela fumou o bagulho e ofereceu pra mim. Eu recusei e ela insistia sendo apoiada pelo carinha. Falei que não estava a fim e não estava legal depois de tanta agitação e bebidas. O bandidinho me chamou de fresca e levantou para pegar um pouco de farinha (segundo ele). Olhei para a Jéssica com uma expressão de súplica tipo implorando para sairmos fora dali. A sonsa sorria toda eufórica vendo o cara arrumar o bagulho sobre a mesa. Eu teria que fazer alguma coisa para tirar a garota daquela roubada, mas não de imediato, naquela noite eu já tinha meus problemas para resolver e o principal deles era sair inteira daquele lugar.

Fiquei em pânico quando o Pulga apontou para minha mão que segurava o celular e perguntou:
— O que é isso aí, mina? — Gelei de medo na hora.
Ele percebeu que eu estava filmando pensei. Tentei me fazer de boba colocando a mão para trás, desligando o celular e olhando para minha perna perguntando o que foi…Soltei um grito ao ver um um bicho em meu vestido, a princípio pensei ser uma barata enorme. Que nojo, eu falei após o grito histérico e sacudi minha roupa. O bicho voou, era uma mariposa. Ouvi um montão do cara e da amiga por ter feito tanto escândalo, depois ouvi ofensas ao recusar as insistentes ofensivas deles para que eu também cheirasse aquela droga. Tiveram o reforço de um outro cara, amigo do Pulga, era mais um noia para me atormentar. Só continuei recusando e dizendo que não estava legal. A garota já estava irreconhecível e inconveniente. Não respondi às suas provocações me chamando de careta entre outras coisas, visto que ela estava bêbada a princípio e drogada na sequência.
Fiquei em desvantagem, pois o carinha a defendia e incentivava, claro. Ele foi hostil comigo, me chamou de patricinha e disse que eu estava sobrando ali. Fiquei com medo, eu não poderia ir embora sozinha, não conseguiria andar duas quadras naquelas quebradas escuras sem ser abordada pelos tipos que vagavam por lá.
O Pulga em tom ameaçador mandou eu vazar dali dizendo já estar puto comigo. Pegou a amiga pela mão e disse que ia fazer um love com ela no quarto e não queria me ver quando voltasse. Antes de entrarem no quarto ele cochichou algo para o outro cara. Consegui captar a parte que ele mandou o moleque me levar pra fora dali.
Fiquei assustada, aquele lugar não era seguro, e não tinha como ir embora antes que amanhecesse.

O sujeitinho, amigo do Pulga, veio se insinuando e cambaleando para o meu lado, ele também já estava bem louco. Guardei meu celular na bolsa e tentei ir para a porta. Ele cheio de conversa cortou o meu caminho e foi me encurralando enquanto eu me afastava contornando a mesa e desviando do colchão que estava no chão. Eu não tinha mais para onde ir, era parede de um lado, mesa de outro e ele na minha frente. Encostei na mesa. O idiota tentou me beijar a força e eu recusei virando o rosto e pedindo inutilmente para ele parar. O cara ficou zangado e apertou meu pescoço com uma mão e de dedo em riste no meu rosto fazia ameaças falando que eu era uma putinha safada e era para parar “de fazer cu doce” ou o bicho ia pegar para o meu lado. Eu chorava de raiva e não de medo, eu não me deitaria com ele nunca. Nenhum noia iria me humilhar naquela noite.
Sua mão imunda puxou a alça do meu vestido e tentou colocar meu seio para fora; tanto foi a brutalidade que ouvi meu vestido rasgando. Eu relaxei e deixei que continuasse a descer o tecido até meu seio ficar exposto. Senti repulsa com o contato daquela mão nojenta em minha pele nua. Ele estava todo confiante e achando que eu ia colaborar. Falou:
— Ae, safada. Você é gostosa. Continua na manha! — Ele disse mais ou menos isso.
Ele aliviou a pressão no meu pescoço e foi com a boca direto no meu mamilo. Com as duas mãos eu acariciei seus ombros, continuei movendo as mãos por debaixo dos seus braços e fui com as palmas das minhas mãos em seu peito e o empurrei com toda a minha força. Ele tropeçou no colchão que estava por detrás dele e se estatelou de costas sobre o casal que estava deitado.
Eu corri porta afora. Tirei meus sapatos ou não conseguiria correr. Ouvi ele vociferar palavrões lá dentro e eu corri o mais que pude, no entanto eu não tinha para onde ir naquele lugar e naquela hora da noite. Calculei que ele não viria atrás de mim, o imbecil mal conseguia andar de tão chapado que estava.

Porém minha fuga foi inútil, fui surpreendida por três caras na segunda esquina. O mais velho deveria ter vinte anos no máximo, os outros dois eram menores de idade com certeza.
Eles me cercaram como lobos ao ver um filhote de ovelha desgarrada do rebanho. Senti-me tão indefesa e desiludida de tudo. Só pensava no pior e no que eles fariam comigo. E se o outro cara aparecesse naquele momento e fosse amigo deles, daí eu teria que rezar para sair dali com vida.
— E aí, novinha! Tá perdida aqui na área? — Falou um — Tá toda princesa, vem fazer uma festinha com a gente. — Um outro disse.
E foram muitas gracinhas ditas enquanto eu tentava sair do meio deles e pedia pelo amor de Deus para deixarem eu ir embora. Eles se divertiam com meu choro e o meu medo, mãos tocavam meu corpo em todos os lugares e um deles pegou minha bolsa, que era pequena e só cabia o celular, documento, uma ou outra maquiagem e algum dinheiro.
O celular foi a primeira coisa que ele pegou na bolsa, fiquei aterrorizada. A situação já era o caos, mas poderia piorar. Se eles vissem o conteúdo das filmagens com o Pulga e os outros em destaque, eu estaria fodida de vez. Ele ligou o celular, mas não conseguiria mais que isso, pois a tela é protegida por senha e eu nunca iria dizer a senha para eles. Os outros dois além de negociarem a divisão dos pertences em minha bolsa, também especulavam onde fariam uma “festinha” comigo.

Continua…



Beijos queridos amigos, até a próxima!
 

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