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sábado, 10 de dezembro de 2016

Capítulo 23 - Policiais Bandidos

Dormi o dia inteiro naquela quinta-feira, estava precisando recuperar o sono perdido. O Héctor havia feito compras e juntos fizemos o jantar. Eu ainda tinha objeção ao seu jeito marginal de ser, mas permanecer ao seu lado, protegida e amada por dois dias inteiros foi maravilhoso. O chato era ficar naquele confinamento em plena noite de sábado, meu desejo de sair era enorme, nem que fosse só para tomar um sorvete na esquina. Meu anfitrião não foi trabalhar nas duas últimas noites, apenas deu uma passada rápida na academia durante a tarde, praticamente não desgrudou de mim desde o meu desembarque. Não desgrudou mesmo, parecíamos recém casados ainda em lua de mel; passamos a maior parte do tempo fazendo amor por todos os cantos daquela casa.

Naquela noite eu ficaria sozinha, o hondurenho teria que atender a um chamado do seu chefe (o do famoso escritório de cobranças). O homem fez inúmeras recomendações para que eu não saísse, disse que nas próximas horas ele saberia quem estava atrás de mim.
O acompanhei até à porta e depois de beijos de despedida e mais recomendações ele foi em direção ao seu carro. Tive uma sensação estranha e um aperto em meu coração, era como se o estivesse vendo pela última vez. Chamei seu nome e corri em sua direção, o abracei forte e nosso beijo teve um sabor amargo de despedida. Ele não percebeu a minha apreensão, ficou feliz com a minha demonstração de carinho e disse que voltaria o mais rápido possível.

Minutos mais tarde, após beber a metade de uma garrafa de vinho, atendi a um chamado em meu celular, era a Jasmim, a minha amiga colombiana, ela disse que precisava da minha ajuda para atender dois clientes especiais agendados pelo Pepe, um deles exigiu que eu fosse uma das garotas e o chefe a incumbiu da tarefa de me levar. Falei que estava esgotada chegara à pouco de um trabalho; foram cinco dias duríssimos e cansativos, precisaria repousar um pouco mais até estar pronta para outra. A amiga disse que somente eu poderia ajudá-la, o clima no restaurante estava horrível, estavam dispensando parte das meninas. Ela dependia do emprego e poderia perdê-lo caso não atendesse o Pepe. Pediu pelo amor de Deus e choramingou até conseguir me convencer.
"Droga! Porque eu sou tão molenga?" Pensei.
— Tá bom! Eu te ajudo, mas só desta vez.
A Jasmim agradeceu muito e disse que poderia ir me pegar. Recusei a carona, não queria revelar onde estava hospedada, também não contei o lance da ameaça. Peguei o endereço do encontro: um motel na Biscayne Blvd, distante umas cinco milhas de onde eu estava. Falei que a encontraria no local em 40 minutos. Com sorte eu retornaria antes do hondurenho voltar.

Chamei um Uber. Quando ele chegou e me avisou via celular, saí e vi um cara que estava em um carro estacionado defronte ao condomínio vir em minha direção. Eu já sabia que era um dos parceiros do hondurenho que fazia a minha segurança. Ele pediu para acompanhar-me caso eu saísse. Falei que não era preciso, iria visitar uma amiga e voltaria logo. Pedi encarecidamente para que ele não falasse nada para o Héctor, não queria chateá-lo e preocupá-lo. Entrei no táxi e seguimos em frente, percebi que o "segurança" veio atrás em seu carro e manteve uma distância considerável.

Enviei uma mensagem de voz para a amiga avisando que estava chegando. Ela disse para eu ir direto ao quarto. A lembrei que swing seria mais caro.
Um swing seria legal, foi sua resposta, porém ela estaria com o outro cara em uma outra suíte ao lado.

Já no quarto do motel e após uns goles de whisky, acerto de valores e detalhes do programa, iniciamos os momentos de pegação.
Minutos mais tarde, estava somente de calcinha e com a boca cheia do sêmen que acabara de receber do seu membro. O cara esperou até gozar para se apresentar como policial. Falou que eu estava presa por praticar prostituição nos Estados Unidos. Fez eu me arrumar em dois minutos e levou-me para fora onde o seu companheiro o esperava ao lado de um carro.
Quando vi que dentro do veículo estavam a Jasmim e aqueles dois homens (latino e hispânico) que me abordaram no bar do hotel em meu último encontro com o Patrick, já imaginei que era extorsão ou pior. Eles também se apresentaram como policiais. A amiga estava aos prantos e parecendo confusa, desculpou-se e disse não ter ideia do que estava acontecendo. O latino a mandou calar a boca.
Desconfiei que aqueles caras eram bandidos fingindo serem homens da lei. E mesmo que fossem policiais, o Héctor havia me dito que confiar em um policial local poderia ser uma roubada; a gente nunca sabe se ele é correto ou se colabora e protege algum cartel.
Eles pediram meu passaporte, dei minha ID (Carteira de Matrícula Consular). O que parecia ser o chefe ficou contrariado dizendo que aquilo não valia nada, ele queria meu passaporte. Expliquei que aquele documento foi tirado no consulado brasileiro e substitui o meu passaporte. Ele foi bem grosseiro dizendo que já sabia disso, mas no distrito eu teria que apresentar o documento com o Visto. Disseram que iriam comigo até o condomínio em Allapattah para pegarmos o passaporte e algumas roupas, já que eu permaneceria presa até o dia em que seria levada à corte.
"Como que eles sabiam onde eu estava hospedada se não contei nem para a Jasmim?" Fiquei mais aterrorizada ainda.
Comecei a desconfiar que eu e a amiga estávamos fodidas, o Carlos já havia me orientado a guardar o passaporte em local seguro, pois o documento tem valor no mercado negro.
Menti dizendo que havia perdido meu documento ou havia sido roubado durante o cruzeiro. Tiraria outro somente quando retornasse ao Brasil. Os caras ficaram indignados, disseram que éramos muito relaxadas (entre outros pejorativos) ou muito mentirosas — a amiga também havia dito que perdera o dela, já havíamos conversado a respeito desse lance de passaporte durante minha estadia no restaurante —. Claro que um deles, o que estava comigo no quarto, já havia revirado a minha bolsa e ficou com tudo que era de valor, inclusive meu celular e dinheiro. O FDP me agrediu com um tapa quando eu disse que ele não podia pegar as minhas coisas.
Disseram que iríamos direto para o distrito. Foram enfáticos comentando sobre a gravidade do crime. Com sorte, após sermos sentenciadas pelo juiz, pagaríamos uma multa de uns vinte mil dólares e seríamos deportadas, ou poderia piorar, seríamos condenadas a passarmos no mínimo um ano no presídio com criminosas de todas as espécies e deportadas depois.

Tudo aquilo não passava de um golpe, eles eram policiais corruptos que lucravam extorquindo pessoas e recrutando garotas indocumentadas (ou não) que praticavam a prostituição na América. Eles as encaminhavam para os "Donos da noite" e as garotas eram obrigadas a trabalhar de strippers (aos olhos da lei) e putas (aos olhos dos frequentadores daqueles estabelecimentos). Tudo acontecia normalmente durante as baladas noturnas, tanto quanto nas diurnas, em várias casas conhecidas internacionalmente. O que a vista dos turistas parecia ser um trabalho artístico e por vezes desejado por jovens à procura do sonho Americano, era,na verdade, um cárcere onde garotas viviam em regime de semiescravidão ou escravidão total.
Meu Visto ainda não havia vencido, mas estava praticando um crime naquele país. Eu corria os meus riscos no Brasil, mas lá a prostituição não é crime e eu tinha pessoas a quem recorrer nos momentos difíceis.
Pois é, como diz o ditado: "Se você ficar batendo na porta do inferno, uma hora o diabo atende."

Nós fomos algemadas e ficamos no carro com o latino e o hispânico. O cara que estava comigo no quarto, juntamente com o outro sujeito, entraram em um outro veículo e sumiram. Nó fomos levadas pela dupla de policiais bandidos. Quando seguíamos um pouco mais à frente, eu consegui ver o parceiro do Héctor dentro do seu carro, ele falava ao celular e fixou o seu olhar no meu até estarmos fora do seu campo de visão.
Os caras seguiram até o bairro Little Haiti, lá nós fomos colocadas dentro de uma minivam. Além do motorista havia mais quatro caras tipo bandidos e todos com tatuagens que faziam referência a uma gangue (Barrio 18). Fiquei aterrorizada e temi que tinha pouco tempo de vida, aquilo não se tratava de um rapto para trabalho de escrava sexual, era uma vingança contratada por alguém.

Nos últimos dois dias eu ficara sabendo um pouco mais sobre a Flórida, o Héctor resolveu abrir o jogo, já que eu estava diretamente envolvida naquela trama.
A grande Miami é uma rota de drogas e há uma luta pelo controle do local. A disputa é sangrenta entre os cartéis que têm como soldados membros das duas gangues mais violentas do mundo. É muito dinheiro envolvido com drogas, prostituição e extorsão. O hondurenho pertencia a uma dessas gangues e conhecia inúmeros policiais corruptos, inclusive do alto escalão, os caras estavam do "lado negro da força". Muitos deles foram despedidos ao não passarem pelo detector de mentiras e se tornaram mais um membro (soldado) das gangues.



Eu e a Jasmim fomos entregues em uma boate da periferia, um puteiro 24h. Já tínhamos ouvido falar sobre aquele lugar e sabíamos que o mundo acabara de desabar sobre nossas cabeças, seríamos escravas sexuais e não sairíamos de lá com vida.


Continua...




Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

Um comentário:

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