Social Icons

sábado, 29 de outubro de 2016

Capítulo 18 - Noite Tenebrosa

O Carlos não voltou naquela noite de domingo, ficou de plantão. O almoço que o Xavier comprou acabou virando jantar. Batemos um bom papo durante e após nossa refeição, tivemos a oportunidade de nos conhecermos melhor. A conversa rolou tão descontraída que o tempo voou. Era hora de dormir, ele acordaria cedo na manhã seguinte para ir trabalhar e eu aproveitaria a carona do amigo.
Arriei meu corpo cansado sobre a cama do Carlos, mais algumas horas de sono me fariam bem. O sentimento de segurança por saber que o Xavier estava ali tão pertinho me dava uma sensação agradável demais.
Porém meu sono foi agitado mais uma vez, tive um pesadelo terrível. A impressão era a de estar em um tipo de porão pertencente ao condomínio em que morava até horas atrás, mas a aparência era a de uma caverna. Estava deitada nua sobre uma mesa de pedra rústica e fria. Apesar de sentir a presença de inúmeras pessoas, conseguia enxergar apenas um ser em pé à minha frente. Seu tronco era algo sinistro, igual ao bode do cubano, com a mesma cabeça de expressão maligna e chifres curvados. Pareceu-me real e não apenas um capuz a cabeça animal daquele ser estranho. Tinha também peitos femininos, volumosos e naturais e, para completar, seus membros inferiores eram similares aos de um Minotauro. Ainda assim eu sabia que aquele ser mitológico de uns 2 metros de altura era o seu Ramon. O pavor tomou conta de mim quando ele disse algo em um dialeto estranho com uma entonação demoníaca. Compreendi que ali acontecia um ritual e eu seria violentada pela fera e sacrificada. Aquela coisa exibiu seu pênis tão monstruoso quanto o seu corpo e deu a entender que cobraria o restante do aluguel. Veio para cima de mim que estava com as pernas erguidas, arreganhadas e seguras por duas pessoas vestidas de túnicas negras.
Meu choro foi mudo, tentei gritar, mas minha voz não saiu. Algo que me deram para beber em uma taça antiga de ferro deveria ser algum tipo de droga paralisante.

De repente surgiu um clarão e o meu grito enfim saiu da maneira mais forte que já conseguira gritar, ao mesmo tempo em que impulsionei meu corpo tentando pular de cima daquela pedra e correr para longe dali. Aquela cena tenebrosa desapareceu como fumaça no ar, senti a presença e a respiração de outra pessoa atrás de mim. Assustada eu virei o corpo rápido e dei de cara com o Xavier deitado ao meu lado. Desabei a chorar, ainda estava apavorada, mas logo descobri que tudo não passara de um pesadelo. A mesa de pedra na verdade era a cama do Carlos e a caverna era o quarto. Só então me dei conta que estava nua… E ele também. O policial me abraçou forte e carinhosamente disse para eu parar de chorar, porém eu não conseguia, apertei ainda mais meu corpo contra o dele e disse que estava com medo. O homem gentil e carinhoso prometeu que me protegeria de todo o mal. Ele acariciou o meu rosto enxugando as minhas lágrimas. O nosso primeiro beijo aconteceu mais natural do que deveria, também o momento a seguir, o da penetração em minha vagina. Não me senti culpada como se cometesse um crime, eu só queria amar aquele homem, transar loucamente e esquecer o sonho ruim. Fizemos um papai e mamãe inesquecível, me acabei em um gozo sem fim sentindo meu interior inundado por sua ejaculação que parecia um tsunami. Minha última recordação após descer das nuvens, aninhar-me nos braços do Xavier e dormir como um bebê cheio de soninho, foi uma ligeira preocupação com a quantidade de líquidos que escorria entre minhas pernas e que poderia deixar evidências sobre a cama do Carlos.

Acordei assustada com o som de batidas na porta do quarto. Meu Deus! É o Carlos, pensei cheia de sentimentos de culpa com a pisada na bola que acabara de cometer. Já era dia, olhei apavorada para o lado procurando em vão o amigo. Estava sozinha na cama. A porta abriu só uma fresta e ouvi a voz do Xavier:
— Mila! Hora de acordar.
Senti um alívio do tamanho do mundo, mas ainda estava confusa. Respondi que já estava levantando. Ele disse que sairíamos em meia hora e fechou a porta. Levantei pensativa, enrolei-me na toalha e examinei os lençóis e fronhas; não havia marcas ou odores diferentes. Será que tudo não passou de um sonho? Questionei-me. No entanto pareceu-me ter sido tão real o que vivera a minutos. 


Depois do banho vesti uma roupa e fiz uma maquiagem básica rapidão, tomei uns goles de café e ele me levou ao mesmo hotel em que eu ficara no momento da minha chegada a Miami. Fiz mais alguns agradecimentos pela ajuda enorme, o beijei no rosto e ele se foi. Eu ficaria hospedada por um tempo indeterminado naquele local, ainda ponderava sobre os fatos ocorridos nos últimos dias. Não procuraria uma nova moradia enquanto não decidisse qual caminho seguiria. Faltavam dois meses e meio para vencer o meu Visto de turista, entretanto, abrir mão desse tempo de permanência nos EUA e retornar ao Brasil antecipadamente não estava descartado.

Na terça-feira fui trabalhar normalmente no período da tarde. Assim que cheguei recebi um convite do meu patrão para acompanhá-lo até sua saleta. Aquilo era deveras anormal, com certeza alguma treta me aguardava. O cubano sentou por detrás de sua mesa enquanto eu permaneci de pé, tirou uma quantia em dólares da gaveta e sem fazer o menor rodeio disse que eu estava dispensada. Não deu nenhum motivo específico, falou apenas que costuma trocar as garotas com frequência a pedido dos clientes que gostam da rotatividade.
Que desculpa esfarrapada, pensei, nosso grupo era de 18 meninas, e levando em consideração que a maioria esmagadora da clientela contratava somente um programa por semana, demoraria meses para começarem a enjoar de nós. Eu não tinha nem dois meses de casa, então, com certeza não seria esse o motivo. Tentei argumentar dizendo que eu tinha conhecimento de um “ranking” criado pelo Pepe, eram estrelas dadas pelos clientes levando em consideração os detalhes da aparência e desempenho da garota de programa (conhecido no meio como “Test drive de GP”). Ouvi de fontes seguras que eu era 5 estrelas, ou seja, uma das preferidas daquele lugar. O homem falou com descaso que não existia nada daquilo, era só conversa de empregados. Estendeu a mão com o dinheiro em minha direção e disse que era referente aos meus últimos dias de trabalho. Depois foi curto e grosso encerrando a conversa e dizendo para eu ir embora, pois ele tinha trabalho a fazer.
Gente, que coisa estranha, não lembro de ter feito nada de errado. O patrão sempre foi sério, é verdade, mas também era super educado e simpático. Não conhecia essa sua face grosseira. O que será que aconteceu? Tentava entender a razão de tudo isso enquanto me dirigia até a cozinha para me despedir do pessoal.
Eu até pensei em ligar no dia seguinte e falar com o Pepe, ele só trabalhava de quarta à domingo. O homem era irmão da patroa e poderia interceder por mim. No entanto eu desisti logo da ideia, não gostaria de trabalhar em um ambiente onde o dono não me queria. Também não fiquei me lamentando pela perda do emprego (apesar de adorar aquele trabalho) já que de certa maneira o meu patrão facilitou a minha tomada de decisão: aceitaria a oferta de emprego no navio, daria um sim para o gordinho em nosso encontro do dia seguinte.

Continua…



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 

Translate

Total de visualizações de página