Social Icons

sábado, 29 de outubro de 2016

Capítulo 18 - Noite Tenebrosa

O Carlos não voltou naquela noite de domingo, ficou de plantão. O almoço que o Xavier comprou acabou virando jantar. Batemos um bom papo durante e após nossa refeição, tivemos a oportunidade de nos conhecermos melhor. A conversa rolou tão descontraída que o tempo voou. Era hora de dormir, ele acordaria cedo na manhã seguinte para ir trabalhar e eu aproveitaria a carona do amigo.
Arriei meu corpo cansado sobre a cama do Carlos, mais algumas horas de sono me fariam bem. O sentimento de segurança por saber que o Xavier estava ali tão pertinho me dava uma sensação agradável demais.
Porém meu sono foi agitado mais uma vez, tive um pesadelo terrível. A impressão era a de estar em um tipo de porão pertencente ao condomínio em que morava até horas atrás, mas a aparência era a de uma caverna. Estava deitada nua sobre uma mesa de pedra rústica e fria. Apesar de sentir a presença de inúmeras pessoas, conseguia enxergar apenas um ser em pé à minha frente. Seu tronco era algo sinistro, igual ao bode do cubano, com a mesma cabeça de expressão maligna e chifres curvados. Pareceu-me real e não apenas um capuz a cabeça animal daquele ser estranho. Tinha também peitos femininos, volumosos e naturais e, para completar, seus membros inferiores eram similares aos de um Minotauro. Ainda assim eu sabia que aquele ser mitológico de uns 2 metros de altura era o seu Ramon. O pavor tomou conta de mim quando ele disse algo em um dialeto estranho com uma entonação demoníaca. Compreendi que ali acontecia um ritual e eu seria violentada pela fera e sacrificada. Aquela coisa exibiu seu pênis tão monstruoso quanto o seu corpo e deu a entender que cobraria o restante do aluguel. Veio para cima de mim que estava com as pernas erguidas, arreganhadas e seguras por duas pessoas vestidas de túnicas negras.
Meu choro foi mudo, tentei gritar, mas minha voz não saiu. Algo que me deram para beber em uma taça antiga de ferro deveria ser algum tipo de droga paralisante.

De repente surgiu um clarão e o meu grito enfim saiu da maneira mais forte que já conseguira gritar, ao mesmo tempo em que impulsionei meu corpo tentando pular de cima daquela pedra e correr para longe dali. Aquela cena tenebrosa desapareceu como fumaça no ar, senti a presença e a respiração de outra pessoa atrás de mim. Assustada eu virei o corpo rápido e dei de cara com o Xavier deitado ao meu lado. Desabei a chorar, ainda estava apavorada, mas logo descobri que tudo não passara de um pesadelo. A mesa de pedra na verdade era a cama do Carlos e a caverna era o quarto. Só então me dei conta que estava nua… E ele também. O policial me abraçou forte e carinhosamente disse para eu parar de chorar, porém eu não conseguia, apertei ainda mais meu corpo contra o dele e disse que estava com medo. O homem gentil e carinhoso prometeu que me protegeria de todo o mal. Ele acariciou o meu rosto enxugando as minhas lágrimas. O nosso primeiro beijo aconteceu mais natural do que deveria, também o momento a seguir, o da penetração em minha vagina. Não me senti culpada como se cometesse um crime, eu só queria amar aquele homem, transar loucamente e esquecer o sonho ruim. Fizemos um papai e mamãe inesquecível, me acabei em um gozo sem fim sentindo meu interior inundado por sua ejaculação que parecia um tsunami. Minha última recordação após descer das nuvens, aninhar-me nos braços do Xavier e dormir como um bebê cheio de soninho, foi uma ligeira preocupação com a quantidade de líquidos que escorria entre minhas pernas e que poderia deixar evidências sobre a cama do Carlos.

Acordei assustada com o som de batidas na porta do quarto. Meu Deus! É o Carlos, pensei cheia de sentimentos de culpa com a pisada na bola que acabara de cometer. Já era dia, olhei apavorada para o lado procurando em vão o amigo. Estava sozinha na cama. A porta abriu só uma fresta e ouvi a voz do Xavier:
— Mila! Hora de acordar.
Senti um alívio do tamanho do mundo, mas ainda estava confusa. Respondi que já estava levantando. Ele disse que sairíamos em meia hora e fechou a porta. Levantei pensativa, enrolei-me na toalha e examinei os lençóis e fronhas; não havia marcas ou odores diferentes. Será que tudo não passou de um sonho? Questionei-me. No entanto pareceu-me ter sido tão real o que vivera a minutos. 


Depois do banho vesti uma roupa e fiz uma maquiagem básica rapidão, tomei uns goles de café e ele me levou ao mesmo hotel em que eu ficara no momento da minha chegada a Miami. Fiz mais alguns agradecimentos pela ajuda enorme, o beijei no rosto e ele se foi. Eu ficaria hospedada por um tempo indeterminado naquele local, ainda ponderava sobre os fatos ocorridos nos últimos dias. Não procuraria uma nova moradia enquanto não decidisse qual caminho seguiria. Faltavam dois meses e meio para vencer o meu Visto de turista, entretanto, abrir mão desse tempo de permanência nos EUA e retornar ao Brasil antecipadamente não estava descartado.

Na terça-feira fui trabalhar normalmente no período da tarde. Assim que cheguei recebi um convite do meu patrão para acompanhá-lo até sua saleta. Aquilo era deveras anormal, com certeza alguma treta me aguardava. O cubano sentou por detrás de sua mesa enquanto eu permaneci de pé, tirou uma quantia em dólares da gaveta e sem fazer o menor rodeio disse que eu estava dispensada. Não deu nenhum motivo específico, falou apenas que costuma trocar as garotas com frequência a pedido dos clientes que gostam da rotatividade.
Que desculpa esfarrapada, pensei, nosso grupo era de 18 meninas, e levando em consideração que a maioria esmagadora da clientela contratava somente um programa por semana, demoraria meses para começarem a enjoar de nós. Eu não tinha nem dois meses de casa, então, com certeza não seria esse o motivo. Tentei argumentar dizendo que eu tinha conhecimento de um “ranking” criado pelo Pepe, eram estrelas dadas pelos clientes levando em consideração os detalhes da aparência e desempenho da garota de programa (conhecido no meio como “Test drive de GP”). Ouvi de fontes seguras que eu era 5 estrelas, ou seja, uma das preferidas daquele lugar. O homem falou com descaso que não existia nada daquilo, era só conversa de empregados. Estendeu a mão com o dinheiro em minha direção e disse que era referente aos meus últimos dias de trabalho. Depois foi curto e grosso encerrando a conversa e dizendo para eu ir embora, pois ele tinha trabalho a fazer.
Gente, que coisa estranha, não lembro de ter feito nada de errado. O patrão sempre foi sério, é verdade, mas também era super educado e simpático. Não conhecia essa sua face grosseira. O que será que aconteceu? Tentava entender a razão de tudo isso enquanto me dirigia até a cozinha para me despedir do pessoal.
Eu até pensei em ligar no dia seguinte e falar com o Pepe, ele só trabalhava de quarta à domingo. O homem era irmão da patroa e poderia interceder por mim. No entanto eu desisti logo da ideia, não gostaria de trabalhar em um ambiente onde o dono não me queria. Também não fiquei me lamentando pela perda do emprego (apesar de adorar aquele trabalho) já que de certa maneira o meu patrão facilitou a minha tomada de decisão: aceitaria a oferta de emprego no navio, daria um sim para o gordinho em nosso encontro do dia seguinte.

Continua…



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Capítulo 17 - Golpe de Mestre

Eu tentei abrir a porta novamente e disse que ele não tinha o direito de ir entrando assim sem ser convidado. O idiota me puxou pelo braço e no mesmo impulso quase me jogou estatelada em minha cama. Começou a fazer ofensas gratuitas dizendo que eu era uma puta e ficava transando dentro de carros na porta de sua casa. Óbvio que era só dedução do sem noção, pois não seria possível ele ver através do vidro filmado do carro do Héctor. E eu nem transei de verdade, foram somente uns amassos gostosos.

— Eu não estava fazendo sexo dentro do carro, estava apenas conversando com um amigo — retruquei com os nervos a milhão. Também o lembrei que não tinha satisfações para lhe dar, já que a vida era minha. O tiozinho ficou irado, disse que eu ainda estava devendo parte do aluguel daquele mês e queria receber naquele instante, ou seja, queria me comer em minha cama. Até parece que depois daquela invasão sem propósito, tanto em minha casa como em minha vida privada, eu deixaria aquele escroto deitar em minha cama e ainda por cima abriria as pernas para ele.
Aquela quinzena já estava paga, eu disse, e que ele esperasse até a próxima semana para receber o restante. Pedi educadamente para se retirar, estava morrendo de dor de cabeça e precisava dormir um pouco.
O cretino não me ouvia, seu olhar demoníaco parecia o de uma pessoa possuída, provavelmente pelo espírito do seu bode bizarro. Comecei a desconfiar que aquele coroa se drogava, estava irreconhecível. O insensato chegou ao ponto de tentar me pegar à força, porém subestimou o meu poder de reação, eu lutei com o homem e usei os conhecimentos adquiridos nas aulas de defesa pessoal que tive com o hondurenho; torci o braço dele e o derrubei no chão. Não chegou a ser um ippon, haha, mas foi o suficiente para escapar dele. O homem levantou espumando de ódio, felizmente ele sentiu o braço direito (o que eu torci e dei o golpe) e ficou o apoiando com a mão esquerda enquanto me ofendia aos montes. Disse que eu iria me arrepender.


Mesmo assustada eu estava prontinha para dar um chute nas suas bolas se ele viesse pra cima novamente. Está para nascer o homem que irá bater em mim. O ameacei dizendo que ligaria para a polícia para denunciá-lo por agressão e tentativa de estupro. Ele foi sarcástico dizendo que a puta é que seria presa. Peguei o celular e ameacei ligar se ele não saísse do meu quarto imediatamente. O cubano retrucou mandando eu sair da sua casa até o final do dia, ou ele mandaria jogar a mim e as minhas coisas na rua. Aí eu fiquei muito brava, disquei o 911 e disse:
— Espera aí! Vou denunciá-lo já.
Ele levantou a mão rapidão pedindo com ênfase para eu esperar. Pareceu se preocupar com a presença da polícia e foi mais flexível. Cancelei a chamada, mas fiquei com o dedo prontinho para teclar novamente o redial enquanto ouvia o cubano mudando o prazo da minha saída. Falou que eu tinha até o final do mês para sair, ele queria o quarto, pois já tinha um inquilino aguardando. Meu celular tocou, era uma mulher do distrito policial dizendo que ligaram daquele número. O seu Ramon olhou apreensivo para mim, retornei com meu olhar de levada e poderosa. Pedi desculpas para a mulher e menti que apertei errado o botão de discagem rápida. Confirmei que estava tudo bem e fora somente um engano. Ela encerrou a ligação.
O homem saiu ainda segurando o braço e com ódio estampado em sua cara de mau. Reafirmou que queria o quarto livre até dia 31 daquele mês de março.

Assim que ele saiu eu liguei para o Carlos pedindo ajuda, disse que discuti com o seu Ramon e queria mudar naquele domingo mesmo. Precisava deixar meus utensílios de cozinha, roupa de cama, banho e mesa na casa dele, se possível. Eu ficaria em um hotel até alugar outra casa. Não contei detalhes da discussão e nem disse que queria sair dali imediatamente por estar com medo que o cubano aprontasse alguma como vingança. Queria estar escoltada para não acontecer o pior durante a minha saída.
O Carlos não poderia vir, estava de serviço naquele dia e teria folga só na semana seguinte, mas o Xavier estava em casa, ele ligaria para o amigo e pediria para entrar em contato comigo. Minutos depois o Xavier ligou e ficou combinado que viria em uma hora. Pedi para ele trazer ferramentas para tirar a TV da parede (era presente do Héctor e eu não a deixaria para o tio do bode).

Pouco mais tarde o amigo chegou, desci correndo para recebê-lo e voltamos juntos para dentro. O cubano olhou para nós apreensivo e curioso. Apresentei o Xavier dizendo que era um policial amigo do Carlos, ele veio ajudar a levar minhas coisas, pois eu estava me mudando naquele instante. Falei que o mês de depósito que eu dei, ficaria para cobrir o aluguel dos dias restantes do mês. O tiozinho não conseguia disfarçar sua insatisfação e raiva, mas aceitou sem fazer exigências. Subi com o amigo para o meu quarto, ainda sob o olhar rancoroso do cubano.
Enquanto ele soltava a TV, eu terminei de fazer as malas e coloquei as miudezas junto com roupas de cama e banho em sacos de lixo, já que não tinha caixas.
Uma hora e meia depois, estando o Xavier ao meu lado, entreguei as chaves para o seu Ramon. O carro já estava abarrotado com todas as minhas coisas e nós pegamos a estrada rumo a sua casa, lá eu separaria o que levaria para o hotel, o restante só pegaria quando alugasse outra casa.

Após chegarmos, descarregamos as tranqueiras e as deixamos na garagem, separei as coisas que levaria naquele instante. Perguntei se poderia tomar um banho e me trocar antes de ir. O amigo foi super gentil dizendo para eu ficar e passar o resto do dia e a noite lá. Na manhã seguinte eu estaria com as energias renovadas para começar a nova semana. Minha manhã de domingo realmente foi punk, já havia lhe dito, durante o nosso trajeto, que estava a mais de 24h sem dormir.
Enfim, aceitei a oferta e deixei minhas malas em um canto da sala. O simpático falou para eu me banhar e descansar um pouco, ele sairia para comprar o almoço para nós.
Tomei um banho rápido, estava mega cansada. Deitei na cama do Carlos enrolada na toalha, estava quase desmaiando de sono. Ainda tive o bom senso de tirar a toalha úmida para não molhar a cama do homem, cobri meu corpo nu com o lençol e apaguei.
Meu sono foi agitado, tive um pesadelo com o bode mal encarado e acordei assustada. O travesseiro estava úmido de suor, assim como meu corpo que ardia de calor, apesar de estar pelada e descoberta, já que o lençol estava quase todo no chão. Demorou um pouco para cair a ficha e descobrir em que cama estava. Procurei pela toalha que deixara ao lado e não a encontrei, queria tomar outra ducha rápida. Enrolei-me no lençol e fui até a sala e cozinha a seguir, foi onde encontrei o Xavier pegando uma cerveja na geladeira.
— Já acordou dorminhoca?
— Aff! Já é quase noite, dormi demais.
Perguntei se ele vira minha toalha. Ele respondeu que ao chegar com o almoço fora me chamar, mas vendo que eu dormia tão gostoso só pegara a toalha do chão e, como estava úmida, colocara para secar.
E será que eu já estava descoberta quando ele voltou? Questionei a mim mesma.
Aceitei a long neck oferecida por ele e também a toalha seca, que ele havia pego na área dos fundos. O homem ainda não havia almoçado, estava me esperando acordar. Que fofo que ele é, né gente?


Continua…



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Capítulo 16 - Orgia Marítima

As advertências feitas pelo Carlos, quatro dias antes, ainda martelavam a minha cabeça naquele quarto de hotel. Estava atendendo um dos clientes considerados especiais, um quarentão gordinho e educado que gosta de se vestir bem. Suas roupas e sapatos de grifes mundialmente famosas, somados a sua maneira “culta” de falar, deixava claro seu status social. Suas posses e gosto refinado ficaram evidentes durante o nosso jantar cultural, eu teria que fazer inúmeros programas para obter o valor gasto pelo cavalheiro naquela casa de shows. Durante o intervalo do nosso rala e rola daquela noite ele me serviu mais uma taça de champanhe e disse que tinha uma oferta de emprego para me fazer. Fiquei interessada demais em ouvi-lo, queria mesmo sair do restaurante, apesar de achar que o Carlos estava enganado a respeito do meu chefe cubano e do Pepe (seu cunhado). Meu amigo policial generalizou colocando todos os cafetões no mesmo saco. Até aquele dia, em meu ambiente de trabalho, não soubera de nenhum caso em que garotas foram agredidas, forçadas ou ameaçadas. Além do convívio agradável e proteção total, nós ganhávamos muito bem. Eles eram os melhores “bookers” que eu já tivera contato até então e mesmo assim eu pensava em sair de lá, em vista de que a cada dia mais gente ficava sabendo sobre o meu ofício e onde o praticava; estava ficando exposta demais. Também queria agradar o policial moreno e gostoso e mantê-lo ao meu lado. Ele era a única pessoa naquele país em que eu podia confiar e contar nas horas ruins.

Ouvi atentamente a oferta de trabalho do homem distinto enquanto permanecia nua e sentada na beirada da cama com minhas pernas cruzadas e bebericando o meu champanhe.
Que peninha, infelizmente a proposta não era um convite para ser sua secretária e ganhar $10 mil dólares por mês, além de alguns presentes das grifes que ele usava. Neste novo emprego eu continuaria sendo garota de programa, porém a atividade aconteceria em alto mar em águas internacionais e também em algumas ilhas onde as leis relacionadas à prostituição eram mais flexíveis que em terras americanas, quando não eram totalmente liberadas. Meu local de trabalho seria a bordo de um navio pequeno considerado um “6 estrelas” que faz cruzeiros voltados para um grupo seleto de homens refinados, bem-nascidos em sua maioria e sem problemas financeiros em sua totalidade. Pagavam um valor consideravelmente alto pelo cruzeiro de luxo (alto para nós, simples mortais). Realmente aquele passeio extremamente sofisticado não era para todos; ao final da brincadeira alguns deles chegavam a desembolsar $20 mil dólares. 



Eu fiquei atraída e demonstrei todo o meu interesse por esta “zona em alto mar”, contudo pedi uns dias para dar minha resposta, precisava romper meu vínculo com o restaurante de uma maneira suave e sem arrumar para minha cabeça. O gentil cavalheiro respondeu que aguardaria a minha resposta até a próxima semana, seria em um novo encontro que ele agendou naquele instante comigo, naquele mesmo hotel e sem a intermediação do Pepe.

***

Cruzei com o Héctor no domingo de manhãzinha, assim que meu táxi parou defronte ao meu prédio. Eu retornava de mais uma noite de festa, digo, de trabalho. Vi um Honda igual ao do hondurenho, parado e a espreita alguns metros antes do meu condomínio. O carro avançou e parou atrás do Uber no instante em que eu descia do veículo. O taxista era um dos “Drivers” conhecidos nossos lá do restaurante, ele ficou apreensivo e perguntou se o Héctor era morador do prédio. Respondi que não, mas era meu amigo e que ele já poderia ir, estava tudo bem.

Minutos depois eu estava dentro do Honda recusando o convite para passar o domingo com o hondurenho. Disse que estava vindo de uma balada e precisava dormir. A seguir tentei mais uma vez convencer o homem que nosso caso acabou, eu ainda estava puta com ele e não queria voltar a vê-lo. Aquele membro de gangue havia dado um tempo com seus assédios e tentativas de reatar comigo nas últimas semanas, porém retornou ao ataque e marcação cerrada.
Pedi que parasse de me seguir, pois tinha voltado com meu namorado.
— Eu sei, o cara da SWAT, né? — disse ele. Fiquei pensativa, não lembrava de ter comentado este detalhe com o cara.
A conversa continuou e dei os vários motivos que tinha para não voltar: primeiro eu trouxe à tona o caso dele com a noia periguete e depois, na ânsia de expor os seus podres, acabei dando mole, acho que era por causa do sono e raiva; deixei escapulir a história que ouvi no banheiro do cabaré das putas dois meses atrás. O hondurenho apertou forte os meus dois antebraços e falou serião:
— Como é que você ficou sabendo disso?

— Para Héctor! Você está me machucando — falei com raiva e não com medo. Contei que havia ouvido duas fulanas falando no banheiro daquela casa noturna em que ele me levou.
— Você é louco, mata seus devedores e outros que se aproximam das pessoas que você julga serem sua propriedade. — Ele soltou meus braços e se desculpou fazendo um carinho.
— Eu não mato os "devedores" — ele fez aquele gesto de aspas com as mãos (odeio isso) e tentou amenizar suas atitudes selvagens com justificativas estúpidas — apenas os apavoro para não repetirem o erro.
Falei que a gente não tinha mais nada pra conversar. Era adeus e esperava que ele respeitasse minha decisão.
— Tu és especial, preciosa, não sei ficar sem você.
— O truque é aceitar quando acaba e depois partir para outra — repliquei.
Ele partiu para o ataque pesado, disse que sabia sobre o meu trabalho de garota de programa no restaurante. Não fiquei surpresa, ele deveria ter informações completas sobre todos os “puteiros da cidade” e todos deveriam pagar “pedágio” para os seus chefes.
Mas a proposta dele foi o que mais me surpreendeu, ele queria ser o meu Booker e eu trabalharia para ele em uma casa noturna classe A de um parceiro seu. Eu teria sua proteção, inclusive da polícia. Recusei de cara e falei que tinha muita coisa em jogo. Ele repetiu que eu não teria problemas e seria sua protegida. O homem estava com uma ideia fixa, achei melhor dar uma esperança para ele e pedir uns dias para pensar e resolver a minha vida.
O Héctor disse que voltaríamos a conversar em breve. Relembrou alguns dos nossos melhores momentos quando a gente se pegava em amassos no interior daquele carro. Voltou a ser o macho sedutor da época em que o conheci.
— Você é um bruto, selvagem e um verdadeiro ogro. Eu me odeio por ainda gostar desse ogro, mas vou te esquecer, viu? — Eu falava da boca pra fora, posto que o toque das suas mãos e o calor do seu corpo tão pertinho era uma tentação difícil de resistir. Eu fiz um esforço tremendo para evitar que rolasse um clima… Foi em vão, a gente trocou muitas carícias dentro do possante e protegidos pelo vidro filmado. Em segundos aquele danado deixou os meus seios de fora e sua boca fez loucuras com meus mamilos inchados. Eu caí na real, não era hora nem local e nem o cara, pois eu tentava a todo custo ficar longe desse bandido. Pedi para parar antes que desse merda. Eu daria minha resposta em uma semana. Recompus minha roupa antes de sair do carro e entrar rápido no condomínio sem olhar para trás.

Estranhei não cruzar com o seu Ramon, óbvio que ele observava o veículo através de alguma vidraça. Subi rapidão para o meu quarto e foi só o tempo de tirar a roupa, desabar na cama e dormir de imediato como uma pedra, estava esgotada.
Acho que não tive nem uma hora de sono, acordei com o som da campainha e batidas na minha porta. Levantei a contragosto e puta de raiva, vesti o robe e atendi a porta com cara de poucos amigos. Era o cubano. Fiquei atônita quando ele abruptamente foi entrando sem pedir licença e fechou a porta.

Continua…


Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!


domingo, 9 de outubro de 2016

Capítulo 15 - Tropa de Elite

5 de fevereiro, quatro dias depois de trabalhar na cama do seu Ramon e tendo o bode sinistro como espectador, eu voltei ao apartamento do cubano com a intenção de pagar o meu aluguel. No entanto eu imaginei que economizaria mais essa grana quando o homem disse que tinha uma nova proposta a me fazer. Não fui pega de surpresa, eu já havia presumido que minha estadia naquele condomínio mudaria a partir do momento em que transei com o homem no último domingo.
A negociação foi rápida desta vez, nos quatro últimos dias eu já havia pensando sobre as prováveis situações que enfrentaria nos dias seguintes e as respostas que daria. Também refleti a respeito de possíveis consequências, mas achei que esse lance com o cubano não daria ruim.
Sobre a nova proposta: Ele queria trocar o valor do aluguel por sexo. Por mim estava tudo bem, era o meu trabalho. A nossa primeira vez foi difícil por estarem envolvidos outros valores, mas depois daquele dia, em que as cartas foram abertas, passou a existir uma certa intimidade entre nós e eu não precisava mais demonstrar falsos pudores. Nem esconder que era puta.
Aquilo seria apenas um acordo comercial com envolvimento sexual e sem emoções, pelo menos seria da minha parte e esperava que também o fosse da parte dele. Eu não pagaria mais os $600 dólares do aluguel, em contrapartida eu transaria duas vezes por mês com o tio cubano. Mesmo ele pagando o dobro do que cobramos em um programa de uma hora no restaurante não significava que transaríamos por duas horas, poderia ser apenas quarenta minutos, ou uma tarde toda. Ou seja, não estabelecemos limites de tempo. Eu até poderia fazer-lhe um pouco de companhia em minhas visitas, seria a chance de usufruir daquelas bebidas maravilhosas da sua adega, hahaha. Mas falando sério, nada impedia que eu e o coroa tivéssemos uma relação de amizade.


***

Início de março

Fevereiro passou voando, o trabalho no restaurante prosperou semana após semana. Com o aumento contínuo da clientela, a prática da atividade se estendeu a outros dias da semana, inclusive noites de domingos. Passei a ganhar uma grana além das minhas expectativas iniciais. A continuar neste ritmo eu construiria um bom pé de meia que engordaria a minha conta bancária antes do meu retorno ao Brasil.
Geralmente as minhas folgas eram às segundas-feiras. De terça a quinta raramente ficava no restaurante durante as noites. Meu chefe (o Pepe) elaborou mais um serviço de acompanhamento noturno para alguns clientes exclusivos. Eram jantares em casas de shows em Miami Beach, Downtown e arredores. Eu, a Jasmim e outras garotas éramos as acompanhantes dos senhores distintos. Após degustarmos as delícias culinárias oferecidas pelas casas e depois do entretenimento cultural, era hora da diversão sexual; passávamos algum tempo em hotéis ou motéis satisfazendo os desejos da clientela Vip e caprichando no serviço para que as caixinhas fossem boas e o cliente voltasse sempre.
Foi em um desses jantares, em uma quarta feira sem graça, que casualmente encontrei o Carlos. Ele estava no mesmo restaurante que nós e deveria estar participando de alguma comemoração, eu supus. O policial estava em traje civil e acompanhado de vários homens e mulheres, as mesas estavam todas juntas e a conversa bem animada. Não havíamos entrado em contato nas últimas cinco semanas, uma vez que eu troquei o número do meu celular quando terminei com o Héctor e me desliguei parcialmente das redes sociais. Fiz de conta que não o vi e fiquei sentada de costas para ele. Não queria que percebesse o tipo de envolvimento que eu e mais três meninas tínhamos com aqueles quatro senhores (nossos clientes) Mas foi inútil, era muito evidente.
Momentos depois, um garçom colocou discretamente um papel em minha mão; um guardanapo. No mesmo estava escrito: “Por favor, Kamilnha, me ligue ainda hoje, é importante”. Não reconheci a letra, mas reconheci o número do celular, era do Carlos. E só ele nos EUA me chamava daquele modo. Eu fiquei sem graça e assustada, pois já sabia qual seria o assunto (advertência sobre Prostituição e Crime). Com certeza ele queria me lembrar dos riscos que estava correndo. Eu evitei olhar em sua direção e tentei agir naturalmente. Continuei fazendo o meu trabalho de acompanhante.

Pelo menos no complemento da atividade daquela noite, que terminou na privacidade de uma suíte de motel, não precisei me preocupar com o olhar recriminador do policial.

***
Eu liguei para o Carlos somente na manhã do dia seguinte, acabara de acordar e ainda estava em minha cama. Ao atender foi breve nas palavras e não adiantou nada do assunto importante, só insistiu em falar comigo pessoalmente. Marcamos um almoço para o final de semana, quando ambos teríamos um tempinho livre. No domingo ele veio me buscar em casa, eu ainda dormia quando recebi sua ligação dizendo estar a caminho. Era meio dia, levantei cambaleando de sono, posto que fora dormir às 6h da manhã.
Meia hora depois eu estava pronta e o homem já estava na rua me esperando. Fomos para sua casa e finalmente conheci seu amigo e também policial, Xavier, que ocupava um dos quartos da casa. Eu já conhecia o cara de tanto ouvir falar, além de amigo e parceiro em seu trabalho de policial, eram quase irmãos, segundo ele.
Como já era esperado, o papo que o Carlos queria levar comigo era sobre o meu trabalho de garota de programa. Vou resumir o que ouvi, já que a conversa foi longa. Enquanto a gente preparava o almoço e tomava um vinho, o homem da lei me lembrou sobre a ilegalidade da prostituição nos Estados Unidos. Enumerou um monte de penalidades que eu poderia sofrer se fosse presa. Contudo poderia piorar ainda mais, disse em tom intimidador me prevenindo. E prosseguiu a explanação dizendo que eu havia me envolvido com bandidos que não dão o mínimo valor à vida humana, só o dinheiro e o poder importa. As garotas de programa de todos os níveis, idades e nacionalidades são úteis enquanto dão lucro e não dão trabalho. Mesmo assim, a maioria delas acabam virando escravas sexuais, são agredidas, drogadas e ameaçadas diariamente. Viram reféns dessa máfia e acabam trabalhando de graça para continuarem sobrevivendo.
O papo foi produtivo, assustador, sim, mas eu já estava ciente de boa parte daquilo e fiquei conhecendo um pouco mais sobre aquele Submundo de Miami.
Claro que naquele instante eu falei que havia entendido e que sairia do emprego o mais rápido possível. No entanto eu tinha uma dúvida e o questionei: se ele e outros da polícia sabiam quem eram os caras e o que faziam e onde faziam, por que a polícia não prendia os homens maus e fechava os lugares?
O policial não foi muito conclusivo e explícito, porém entendi o suficiente para saber que rolava uma quantia absurda de dinheiro naquele negócio. Os envolvidos eram pessoas poderosas e controlavam financeiramente os que deveriam fazer valer a lei, ao invés de fazerem vistas grossas e receberem suas propinas.
Eu prometi que sairia fora daquele pessoal, só precisava de um tempinho para sair na boa. Nosso papo ficou mais leve e apenas nós dois continuamos a fazer o almoço, já que o Xavier havia saído para buscar o carro que deixou para lavar e prometeu trazer a sobremesa. Antes ele pediu para não comermos tudo, principalmente o meu famoso filé à parmegiana que já estava na fase final de preparo e pronto para ir ao forno.

Minha conversa com o Carlos mudou de rumo, quis saber mais sobre ele e o que andava fazendo. Conversamos sobre o seu dia a dia na SWAT; ele havia sido aprovado e já estava a algumas semanas em seu novo trabalho. Depois falamos sobre nossa primeira e mágica vez no quarto do hotel em minha chegada em terras americanas. O danado confessou que quase todos os dias revivia em pensamento aqueles momentos singulares em sua vida. Fiquei emocionada ao continuar ouvindo o homem dizer que se sentia culpado por eu estar envolvida com o submundo. Se ele tivesse investido naquela paixão que sentia por mim e não tivesse se afastado eu não teria sido vítima daquela máfia. Percebi que o homem ainda gostava de mim, fiquei feliz e toda manhosa. Há semanas que estava carente de afeto e de alguém que me fizesse sentir segura. O Héctor era um ogro, mas ele preenchia um espaço importante em minha vida e deixou um vazio em meu coração quando me afastei daquele galinha.
O Carlos chegou por detrás de mim enquanto eu arrumava a salada na travessa, abraçou-me e disse um monte de palavras de amor em meu ouvido. Eu me derreti toda e também revivi a nossa primeira vez ao sentir seu pênis enrijecido por dentro de sua bermuda e alojado em meu rego sobre a minha saia. Ele mordiscou minha orelha e beijou levemente o meu pescoço por várias vezes. Virei lentamente abraçando aquele moreno gostoso e enorme o beijando cheia de desejos. Meu tesão foi a milhão enquanto estava recostada na beirada daquela mesa sentindo o meu corpo ser pressionado e amassado pelo dele. Suas mãos másculas penetraram por dentro da minha mini saia e a minha lingerie desceu rapidamente até os meus pés que foram erguidos um a um e se livraram da minha calcinha. Sua cabeça penetrou por debaixo de mim entre minhas pernas que se arreganharam na ansiedade de sentir sua boca em minha vagina.
Deeeeus! Que boca animal, tive que apoiar firme minhas mãos para trás para poder sustentar-me em pé. Senti em minha mão a polpa dos tomates que acabara de esmagar enquanto sustentava o meu corpo, já que as minhas pernas bambas mal conseguiam executar a tarefa de manter-me em pé, tamanho era o tesão percorrendo meu corpo.
Meu parceiro me pegou no colo e fomos para o quarto, antes ele teve a lucidez de desligar o forno, ou os meus filés a parmegiana virariam carvão.
Depois de minutos gemendo e gozando feito louca, demos um tempo para respirar. Estava eufórica com os momentos de prazer vividos naquele quarto. Eu precisava beber algo antes do nosso segundo tempo de loucuras. Deixei o homem esparramado na cama e fui buscar o vinho para nós. Caminhei até a cozinha e enchi duas taças com o líquido vermelho e delicioso. Ao fazer o trajeto de volta para o quarto eu ouvi o som de porta abrindo e uma voz que dizia:
— Que cheirinho bom.
Era o Xavier que entrara no mesmo instante em que passei da cozinha para a sala, pelada e com uma taça de vinho em cada uma das mãos. Eu não tinha muito o que fazer a não ser ficar vermelha de vergonha, dar um sorriso amarelo e lançar o meu olhar de garota marota. Continuei andando o mais rápido possível em direção ao quarto enquanto equilibrava o líquido precioso. A expressão do homem, depois de um “Uau”, foi um misto de desejo e curiosidade, pois deu para perceber seu olhar safado percorrendo dos meus seios ao meu sexo enquanto eu ainda estava de frente para ele. Impossível negar que senti tesão pelo cara ao ter certeza que ele olhava para a minha bunda e babava, hahaha.
Aquele percurso da cozinha até o quarto pareceu o de uma maratona. Depois que entrei e fechei a porta com um movimento da minha bunda, degustamos o vinho e tivemos mais uma sessão de “alto impacto” antes de voltarmos para a cozinha e terminarmos o almoço.

Continua…



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

sábado, 1 de outubro de 2016

Capítulo 14 - Os Segredos de Ramon

Passaram-se cinco semanas após o seu Ramon ter me dado uma cantada ao final do almoço comunitário de Natal, evento ocorrido em sua casa. Ele não voltara a tocar no assunto, mesmo porque evitei ao máximo cruzar com o cubano. Eu retornava para casa somente para dormir e os meus horários ficaram bem variados dali em diante.

Era domingo, último dia de janeiro, acordei somente as 3 da tarde. A jornada de trabalho do sábado para o domingo foi puxada, porém divertida. Não precisei simular nenhum orgasmo e acho que nunca havia chegado ao clímax tantas vezes em uma única noite. E ainda foi muito lucrativa. Entre 7 da noite e 5 da manhã eu fui para o hotel cinco vezes e com cinco caras diferentes. Além do valor dos programas, um total de $750 dólares, ainda ganhei mais $200 de caixinha; uma parte foi no restaurante e a outra foi no hotel, proveniente de dois caras generosos. Eles disseram que a hora comigo havia valido a pena, uma vez que eu não agia de modo mecânico e puramente profissional. Ambos disseram, em momentos distintos, que eu nem parecia uma garota de programa. Considerei como um elogio, já que eles prometeram voltar na semana seguinte para ficarem comigo.

No início daquela noite fui convidada pela Amanda (minha vizinha de andar) a participar de uma festinha comunitária em um dos apartamentos grandes do piso térreo. Eu, ela, o inquilino do apto, seu Ramon e mais um casal dividimos a conta de pizzas, bandejinhas de frios e bebidas. O bolo, doce demais para o meu gosto, foi por conta do aniversariante. Não era propriamente uma festa, pois no condomínio isso não é permitido, era uma comemoração com música baixa e sem alarde.
Depois que todos comeram, beberam e jogaram muita conversa fora, nós convidados batemos em retirada, porque ficou evidente que a Amanda e o anfitrião queriam ficar sozinhos para curtirem uma festinha particular, tamanho era o grau de agarramento. Eu saí logo depois do outro casal que morava ao lado, o seu Ramon veio junto comigo e pediu para eu o acompanhar até o seu apto, pois ele queria falar comigo a respeito do meu aluguel.
Primeiro eu fiquei com um sentimento de revolta: “Será que ele já quer aumentar o meu aluguel?” Pensei. Depois fiquei preocupada que ele viesse novamente com aquele papo de ficar comigo. Eu fui para resolver a parada de uma vez, fosse qual fosse o assunto. Assim que entramos eu percebi que ele trancou a porta e discretamente colocou o chaveiro no bolso da calça, mas falhou na tentativa de que eu não notasse. Não fiquei muito preocupada, visto que ele bebeu muito durante a festinha; achei que não teria dificuldade em me defender de um bêbado.

Como eu já havia suspeitado a conversa seria sobre vida a dois. Ele veio com um discurso longo e que deveria ser efeito do excesso de álcool. Falou que era um homem sozinho, sem filhos ou parentes e que não viveria muito mais em decorrência de um problema em seu coração; havia sido alertado pelos médicos. Ele deixaria todo o seu patrimônio para sua futura companheira, no caso eu se eu aceitasse morar com ele, herdaria aquele prédio onde morávamos e as suas aplicações bancárias.
Eu só o lembrei sobre a fama que eu também herdaria “A putinha do senhor cubano”. Ele deu a “brilhante” ideia de mudarmos de estado ou até de país. Como se isso resolvesse alguma coisa. Uma garota com praticamente o terço da idade de um coroa seria o centro das fofocas em qualquer parte do mundo, eu falei para mim mesma.
Deixei ele terminar sua proposta. Ele concluiu dizendo que como compensação eu lhe daria alguns anos de relação amorosa (sexo, claro), o respeitaria e seria uma esposa fiel.
A primeira parte da proposta (a de ficar com seu patrimônio) eu gostei. A segunda parte (passar anos fazendo boquetes naquele senhor) eu não gostei nadinha. Para piorar ele queria a minha fidelidade, isso seria quase impossível. O tio cubano estava forçando um pouquinho demais a barra.
Gente, eu não sou uma vadia e nem tenho problemas psicológicos (eu acho), mas com certeza eu tenho um problema biológico; é algo forte demais dentro de mim que coloca meu desejo sexual acima de qualquer senso de pudor ou fidelidade com meu parceiro. Os meus pontos fracos são as relações não socialmente aceitas e os homens proibidos pra mim. As situações de risco me atraem como um ímã e as promíscuas são como entorpecentes que me fazem delirar. Não importa se o penhasco é alto demais para pular, salto de cabeça em busca do prazer.

Bom, não embarcaria nessa, primeiro porque eu não seria capaz de ser uma esposa fiel, estava anos luz além das minhas possibilidades. Segundo e último: eu não queria magoar o homem. Apesar das suas atitudes pegajosas, ele sempre foi legal comigo e nunca me faltou com o respeito. Porém, apesar de sua simpatia e educação, eu tinha medo dele, havia algo em sua aura que eu não conseguia decifrar, então era melhor eu não me envolver com o cubano e não prometer algo que eu não pudesse cumprir.
Minha resposta foi a de que havia uma pessoa me esperando no Brasil e eu voltaria em breve após cumprir minha pequena jornada no território americano.

Depois de uma nova tentativa e minha nova recusa, ele partiu para a tática do dinheiro. Daí eu tive a certeza de que aquela conversa de casamento era papo furado, ele só queria me comer. Ofereceu-me 500 dólares para transar com ele. Eu recusei, disse que não era garota de programa.
Ele disse que já sabia do meu trabalho no restaurante e que as garçonetes são garotas de programa.
— Fique tranquila, Niña, não estou recriminando. — Ele completou dizendo que era uma pena que fosse naquele lugar, do contrário ele viraria freguês só para poder ter um pouco do meu carinho.
Ele não quis explicar os motivos de não querer frequentar meu local de trabalho; ainda bem, pois eu sairia de lá, ou mudaria de casa, de tão desconfortável que ficaria.
Perguntou-me quanto eu cobrava por programa, ele pagaria o triplo para transar comigo naquele instante. Eu tentei dissuadir o cubano da ideia, disse que era difícil para mim ter relações com pessoas tão próximas e da minha convivência particular.
Ele jogou pesado, disse que me pagaria mil dólares. Aquilo virou uma luta em que ele atacava com dinheiro e eu me defendia com argumentos não muito convincentes.
Ainda que a sua oferta fosse o equivalente a uma noite inteira de trabalho abrindo as pernas no hotel, ainda era pouco para o que eu provavelmente teria que suportar caso continuasse morando ali.
Ele fez uma oferta final e uma chantagem emocional que soava mais como ameaça. Disse que me pagaria 1.200 dólares para eu transar com ele e se eu recusasse seria porque o achava um nojento repugnante, já que ele sabia que eu ganhava 150 dólares por cada programa de 1h durante as noites de sextas e sábados no Ômega hotel. Olhei para ele com os olhos arregalados e expressão de surpresa, ele estava muito bem informado a meu respeito, isso me deixou assustada.

Refleti um pouco, o coroa não era nenhum ser repugnante e até era limpinho, hahaha. Ele ser um cinquentão também não era problema, sempre tive uma queda por homens de meia idade. Eu faria isso, mas não era somente pela grana, era para evitar transtornos, pois eu tinha medo do cubano, sentia até arrepios quando ele me olhava seriamente no fundo dos olhos. Eu também não queria mudar de casa naquele momento e às pressas, então bora trabalhar como uma boa profissional. Ele seria mais um cliente, um cliente que estava pagando bem. Iria me divertir e faria valer a pena para ele.
— Ok, seu Ramon, eu aceito os 1.200 — posso usar seu banheiro antes?
Ele ficou cheio de sorrisos, disse para eu usar o banheiro do seu quarto.
Fui na direção indicada por sua mão, a porta estava encostada. Quando adentrei o cômodo eu fiquei todinha arrepiada e nem foi pelo cheiro que lembrava casa de umbanda, foi por causa de um tipo de santuário em um canto do quarto. Era algo como uma miniatura de templo e havia uma escultura feita de barro, um busto bizarro com uma carranca satânica que lembrava um bode de chifres enormes, mas tinha seios de mulher. Desviei o olhar de imediato, aquela coisa olhava pra mim e parecia estar viva. Aff! Fiquei arrepiadinha de medo.


Ao abrir a porta do banheiro eu dei de cara com uma Jacuzzi enorme, até esqueci a carranca e só pensei em relaxar deitada naquela coisa. Eu induziria o cubano a entrar na hidro comigo, pois o dia foi quente e um banho lhe cairia bem, já que eu não estava a fim de sentir sabores estranhos durante o meu trabalho. Eu também estava suadinha, mas era por causa dos momentos de tensão.
Depois do xixi eu deixei a tampa do vaso abaixada (estava levantada quando entrei). Homens, bah! Voltei para a sala:
— Uau! Sua hidro parece uma piscina, vamos tomar um banho juntos?
Claro que o safado curtiu a ideia. Eu pedi para ele preparar seu famoso “mojito havano” para nós enquanto eu colocava a bicha para encher d’água.
Voltei para o banheiro. Passei batido pelo quarto sem olhar para o bode mal encarado. Abri os registros da água, tirei a minha roupa, mas lembrei que estava sem minha bolsa e sem as capinhas protetoras. Enrolei meu corpo em uma toalha e fui até a cozinha.
— Você tem preservativos, né? — perguntei enquanto ele terminava de preparar nossa bebida. Eu teria que saber, caso negativo buscaria em minha casa. Ele disse que tinha. Seu olhar devorou meu corpo envolto pela pequena toalha. Eu peguei um dos copos em sua mão e beberiquei olhando de maneira bem safada para ele.
— Está uma delícia. O senhor sabe mesmo como preparar um drink, seu Ramon — Ele pediu para chamá-lo apenas de Ramon.
Eu disse “ok Ramon”, voltei minha atenção e fiz um elogio a sua geladeira duplex. Fui até ela e perguntei se poderia abrir. Ele respondeu que sim, mas não era uma duplex, era uma adega ao lado de uma geladeira. A porta que abri primeiro era do refrigerador. Gente, tinha mais coisa dentro dela do que eu costumo consumir em três meses. Depois abri a outra porta… Caraca mano! Tinha tanta bebida boa e cara, várias delas faziam parte do cardápio do restaurante em que trabalho e eu já provara algumas. Claro que eu fiz um charminho apelativo só por diversão. Fiquei apontando e comentando cada garrafa de bebida que eu conhecia. Quando cheguei na parte de baixo eu dobrei o meu corpo e a minha bunda ficou quase de fora, pois a toalha não cobria o suficiente. Percebi o vulto do homem chegando por detrás de mim e tomei um sustinho ao sentir sua mão invadindo minha privacidade e tocando a minha xota. Eu relaxei, continuei quietinha e deixei ele se divertir massageando com o dedo a minha fenda úmida. Ele arrancou-me um gemidinho gostoso quando me penetrou com seu dedo mau. Rebolei em sua mão com movimentos suaves dos meus quadris.
O ar frio da adega estava suportável, já que a noite estava quente, mas uma mistura de odores semelhante a mofo começou a me incomodar. Sugeri irmos para o banho. Ele me pegou em seus braços, eu segurei os dois copos e fomos para o seu quarto, porém ele parou ao lado da cama e pediu para eu deixar os copos sobre o criado mudo. Assim que fiquei com as mãos livres ele me colocou de quatro na cama, e de frente para aquele bode. Abaixei meu olhar e arrepiei de tesão quando ele enfiou a cara na minha bunda e começou a me chupar. Abri minhas pernas facilitando para ele e enfiei minha cara no travesseiro para gemer gostoso sem chamar a atenção. Era pura magia sentir a volúpia das sugadas em meu sexo e o penetrar da sua língua remexendo o meu clitóris… Ah! Isso é estar no paraíso. Ele continuou me deliciando com boca e dedos, disse que o banho ficaria para depois. Nem argumentei, sua língua estava me enlouquecendo e gozei na boca do homem segundos depois.
Ainda contorcia meu corpo sentindo os prazeres do meu clímax quando ele passou seu braço esquerdo pelo meu ventre segurando-me firme e introduziu seu pênis em minha vagina melada de saliva. Eu quase deixei passar batido e remexi vadiamente ao sentir aquele membro me penetrando, no entanto eu tentei me libertar e disse que sem camisinha não rolaria. Consegui me desvencilhar, ele caiu na real e aliviou. Depois pegou o preservativo.

Meu programa com o cubano não foi uma das melhores fodas da minha vida, mas o coroa não era ruim de cama. A hidro veio logo depois da primeira trepada, porém a arma do homem foi abatida pelos jatos de água morna. Como ele pagaria uma quantia maior que o equivalente a uma noite inteira de rala e rola no hotel, eu continuei sendo a profissional exemplar e trabalhei aquele pinto com minha boca e mãos delicadas até deixá-lo ativo novamente. Mas depois eu que conduzi o ritmo, gozei e o fiz gozar. Com certeza o deixei satisfeito e também finalizado depois de quase duas horas de atividade sexual. Peguei a grana que obtive merecidamente e fui embora para o meu cantinho repousar, pois de manhã começaria uma nova semana de trabalho.

Continua…



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!
 

Translate

Total de visualizações de página