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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Capítulo 13 - Test Drive

Somente no terceiro dia em meu novo emprego é que fiquei conhecendo o meu outro chefe, Pepe, o cunhado do homem. Ele era irmão da mulher do patrão e trabalhava de quarta à domingo, pois a balada de sábado rolava até a manhã do domingão. Ele chegava ao final da tarde e ficava na gerência até fechar, pois o cubano (seu cunhado) ia embora algumas horas antes das luzes se apagarem.
A Jasmim já havia me falado sobre o cara simpático de uns 25 anos. Ela o conheceu através de um aplicativo para encontros sexuais tipo o Tinder, foi depois de duas trepadas que rolou a vaga para trabalhar no restaurante. A amiga disse que parou de usar o aplicativo, já havia perdido muito tempo e no momento estava focada em ganhar dinheiro suficiente para voltar para a Colômbia e começar uma nova vida.

Na quinta-feira à tarde, já ao final do meu expediente,o Pepe pediu que eu limpasse a escrivaninha do escritório, pois ele havia derrubado uma xícara de café. Porém, descobri mais tarde, tratar-se de um pretexto para ficar comigo a sós naquela saleta. Já havia rolado um clima no dia anterior quando ele entrou “acidentalmente” no banheiro das funcionárias (é onde eu troco de roupa) e me viu pelada, pois eu troco até a lingerie para não ir embora com os odores do material de limpeza e das frituras dos frutos do mar.
Eu cobri as partes íntimas com a roupa de trabalho (depois que ele já tinha visto tudo). Ele não foi nada cavalheiro, nem virou e nem desviou o olhar, no entanto foi galante e descarado ao mesmo tempo ao ficar tecendo elogios ao meu corpo.
Eu pedi licença, pois precisava me trocar para ir embora, tinha um compromisso importante. Ele se desculpou e saiu fora. Lances como este me deixam excitada, curto de montão quando sou flagrada nua. O olhar safado do Pepe e seu comentário nada sutil, provocou-me o desejo de me tocar durante a noite quando pensei no assunto um pouco antes de adormecer.

Quanto à limpeza da escrivaninha: pela quantidade de café derramado, eu percebi que o acidente com a xícara de café foi apenas uma armação. Limpei a mesa em 30 segundos, no entanto foi tempo suficiente para o cara chegar colando por detrás de mim e todo cheio de más intenções. Seu assédio foi intenso dessa vez e rolou um clima forte. Eu tentei sair de lado evitando o contato e minha iminente submissão ao ato sexual. Falei que o cunhado dele, que a propósito, era o meu patrão, ou algum outro funcionário dedo duro, poderia flagrar a gente e eu perderia o meu emprego. Ele argumentou que era irmão da patroa e me protegeria caso desse ruim. Eu languidamente falei que não queria ser vista como a vadia que transa com os chefes. Ele riu, me abraçou e procurou os meus lábios.
Sou fraquíssima nessas horas, não consigo evitar o salto de cabeça. A minha razão perde de goleada para o desejo carnal que sinto nestas situações com cheiro de coisa proibida. Fico completamente refém dos meus impulsos sexuais, além do mais, o sex appeal do cara e sua arte na matéria de envolver-me, era digno de elogios e um motivo a mais para que eu me entregasse logo e parasse com medos e falsos pudores. A overdose de adrenalina fluindo pelo meu corpo ficou encarregada do impulso final. Passados alguns segundos eu já havia pressionado a tecla do foda-se e nem seria capaz de dizer se foi ele ou eu quem tirou a minha calcinha e desceu as calças do homem. Eu estava sentada na beirada da escrivaninha com os braços para trás apoiando meu corpo quase deitado, ele segurava as minhas pernas abertas e erguidas e fazia um vai e vem frenético com seu membro tocando fundo em meu sexo. A percepção de que daria merda a qualquer momento só aumentou o prazer que aquelas estocadas me proporcionaram. Meu gozo veio rápido e foi impossível segurar um gemidinho, ainda mais quando ele também chegou ao clímax e inundou de sêmen a capinha protetora… Ahh! Tive um apagão momentâneo e despertei após sentir sua boca na minha e um beijo que tinha um misto de agradecimento e de parabéns pelo meu desempenho. Correspondi ao beijo o abraçando e o enlaçando com as minhas pernas. Eu estava esparramada sobre a mesa do meu chefe, de pernas para cima, praticamente nua e com seu pênis ainda dentro de mim. O barulho de porta fechando trouxe-me de volta à realidade.

Minutos depois, no ônibus a caminho de casa, eu ainda estava em dúvida se o barulho da porta fechando foi na sala em que estávamos ou em outra do local. Contudo, eu sorria feito boba pensando no ocorrido. Fiquei imaginando se aquilo tudo foi um Test Drive, tipo os que alguns caras sem noção fazem com garotas de programa e até dão notas. Bom, se foi um teste, acho que fui aprovada com méritos.

Tarde de sexta-feira da semana seguinte.

Eu estava curtindo meu trabalho, não o de fazer limpeza ou o de ajudar na cozinha, acho que a minha primeira semana no restaurante foi um teste para que o meu chefe conhecesse um pouco mais sobre mim. Aparentemente fui aprovada. Apesar que aquele “Love” com o cunhado na mesa do escritório também deve ter somado uns pontos a meu favor. Ainda não repetimos a dose. Na segunda-feira passada o cubano havia colocado uma menina nova para fazer as minhas tarefas e me promoveu a atendente. Passei a cuidar exclusivamente do salão e meu horário mudou para o período da tarde e noite.
Naquela sexta eu cheguei no restaurante trajando um figurino mais leve: micro shortinho jeans que deixava transparecer as bochechas do meu bumbum através da bainha desfiada; camiseta curta e largada caindo por um dos ombros até a altura do seio dando um toque sensual; sandália de dedo rasteira que deixavam à mostra meus pezinhos delicados de unhas bem cuidadas. O chefe aprovou o meu visual.


Nos finais de semana aquilo ficava infestado de gente, por exemplo: grupinhos de rapazes à procura de diversão. Vários deles seriam hóspedes dos hotéis vizinhos, eu deduzi, e estavam na cidade a negócios ou treinamento profissional. Mas assim como no Brasil, nos Estados Unidos, as pessoas que estão na cidade a negócios não o fazem o tempo todo, principalmente em noites de sexta e sábado.

Uma semana antes eu descobri que minha amiga havia omitido um detalhe importante sobre as garçonetes de finais de semana; foi em minha primeira sexta-feira no local. Acho que ela seguiu um velho ditado comum em certos tipos de atividades: “O que acontece aqui, fica aqui”, costumam dizer os chefes.
Naquele dia eu não saí de imediato ao final do meu turno, era dia de música ao vivo. Meu chefe havia pedido para eu ficar, assistir e me divertir um pouco, ele também queria me mostrar uma particularidade da casa.
Eu queria mesmo tomar um drink e ver um pouco da apresentação dos músicos cubanos, o convite veio bem a calhar. Meu happy hour ficou melhor quando o Pepe chegou ao meu lado e disse que minhas bebidas e lanches consumidos seriam por conta da casa. De repente começou a chegar um bando de garotas e se dirigiram às dependências reservadas somente para funcionários do restaurante. Todas eram jovens belíssimas, de shorts curtos, blusas com decotes insinuantes, ou seja, prontas para arrasar o quarteirão. As novas atendentes reforçavam a equipe das fixas durante as noites de sexta e sábado.
O cunhado pediu para que eu prestasse atenção ao serviço daquelas atendentes extras, pois em breve eu poderia juntar-me a elas e sairia da limpeza.
Em minutos as mesas ficaram repletas de clientes e todos eram atendidos pelo novo grupinho de meninas que mesclou-se com as outras garotas do dia a dia.
A Jasmim era uma das fixas, saia no início da noite de segunda à quinta, mas na sexta ela esticava o seu horário até de madrugada e aos sábados ela entrava no serviço somente no final da tarde.
Havia uma sexualidade explícita naquele atendimento noturno; seios que quase saiam do decote eram praticamente servidos junto com as iguarias e bebidas, enquanto bundas em micro shortinhos eram exageradamente arrebitadas e exibidas. As garotas lindas em roupas apelativas e atitudes devassas deixavam claro que a libidinagem corria solta no local.
Meu chefe chegou ao meu lado e falou:
— Mira y aprende, Kamila. Mañana puede hacer lo mismo si lo desea.
Eu entendi o recado de chefe e cunhado, já conhecia de cor esta atividade de provocar e seduzir. No dia seguinte, digo, na noite seguinte (sábado), juntei-me ao grupinho de atendentes de finais de semana.
As garotas não se limitavam apenas a anotar os pedidos e servir comes e bebes nas mesas.
Naqueles happy hours de pura libido, aconteciam coisas no compasso da caliente música cubana ao vivo. Entre as iguarias servidas durante os finais de semana, havia um pedido conhecido por “especial número 18”, ele não fazia parte do cardápio, era somente um código. Se porventura o cara não fosse um conhecido nosso com passagens anteriores pelo estabelecimento, nós pegávamos o cartão de crédito dele e repassávamos para o gerente. Através dos seus contatos a gerência fazia uma consulta e chegava a um relatório com os dados do cartão. Somente depois de constatado que não se tratava de um policial disfarçado, o cliente era aprovado e pagava adiantado os U$150 para a garota e U$100 para a casa. A parte da casa já incluía o período de 1h em um hotel que ficava na rua lateral ao restaurante e também uma cerveja. Nós saíamos discretamente os acompanhando pelos fundos do estacionamento, atravessávamos a rua e entrávamos no hotel que participava do negócio. Na intimidade da suíte do hotel nós servíamos na cama o prato principal, ou seja, nós as atendentes éramos o prato principal.

Pois é gente, não resisti à tentação de ganhar em dois dias, mais do que eu ganhei em um mês como diarista (já que eram pelo menos quatro clientes a cada noite). Voltei a exercer a antiga e rentável profissão de garota de programa, a qual eu já tinha experiência e curtia de montão. Eu adoro fazer sexo, principalmente em situações de risco. Não consigo controlar esse meu fascínio por relações que contenham algo de condenável, ilícito, reprimível ou seja lá como queiram chamar. Ainda ganho uma boa grana para ter esses momentos de diversão.
Às vezes me pego pensando por que escolhi o ofício? Será que foi pelo dinheiro “fácil”? Ou foi pelo desejo doentio de correr perigo somente para sentir prazer sexual? Eu acho que é pelo fato de ter as duas coisas ao mesmo tempo.
Adoro estar na companhia de homens e amo fazer sexo, durmo o sono dos anjos quando tenho grana suficiente para não me preocupar com a fatura do meu cartão de crédito. Levando em consideração detalhes tão significativos, foi fácil voltar a exercer a atividade.

Continua…




Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

sábado, 24 de setembro de 2016

Capítulo 12 - Fim de Contrato, Fim de Jogo

A Luana me dispensou no sábado, oito dias depois que terminei meu namoro com o Héctor. Estava livre, leve e solta; sem namorado e sem emprego.

No sábado anterior, um dia depois de assistir aquela putaria, eu havia tomado vergonha na cara e saído fora daquele hondurenho. Tivemos um papo reto na mesma sala do ocorrido. Falei que o vi transando com a biscate. Cinicamente ele negava e dizia que eu estava louca.
— Você está querendo o que? — uma reconstituição de cena para refrescar sua memória?
Descrevi com detalhes e escárnio a nojeira que presenciei entre ele e aquela noia. Ele teve a cara de pau de me dizer que foi uma armadilha e que a garota o havia dopado. Quase soquei a cara do cretino por considerar-me tão idiota assim. A nossa conversa foi definitiva para mim, mas não foi definitiva para ele, o homem continuou cercando o meu caminho em minhas idas e vindas do trabalho durante aquela semana. Aliás, eu fiquei desconfiada que ele tivesse algo a ver com a minha demissão, já que ele mora no mesmo bairro da Luana. O machão não suporta ser contrariado e é vingativo. Mas pensei melhor, ele teria que ser muito infantil e babaca para chegar a esse ponto, provavelmente era só neurose minha, descartei a hipótese.

Voltando ao sábado da demissão e o comunicado da Luana: ao final do nosso expediente ela iniciou uma conversa dizendo que daria a vaga para a mulher que trabalhava com ela antes de mim, pois a senhora estava precisando mais do que eu. Falei que entendia, agradeci por ela ter me ensinado a limpar casas à moda americana e também pela experiência adquirida. Ela pagou a minha semana de trabalho e me deixou no ponto de ônibus de sempre.
Eu estava mesmo querendo deixar aquele trabalho, porém não tão rápido assim, fui pega de surpresa, mas não achei ruim, pois decididamente aquilo não era pra mim. Praticamente não tinha mais vida social e o dinheiro era pouco. Até que foi legal conhecer com detalhes aquele tipo de limpeza, contudo, basta uma vez apenas, "inclua-me fora disso" no futuro. Era puxado limpar aquelas residências enormes caprichando em cada detalhe, porém fazendo tudo super rápido para que a meta diária fosse cumprida. Jesus amado, terminava o dia esgotada e cheirando a cloro, lavanda, pinho ou flores silvestres. A propósito, a fragrância deste último era uma delícia, todavia em banheiros e demais ambientes, mas não em meu corpo.

No entanto nem era esse o motivo principal da minha insatisfação com o serviço, na real, além da falta de tempo para o lazer, eu também estava me sentindo explorada recebendo apenas vinte dólares por cada casa. Eu sabia que outras "helpers" (ajudantes de uma pessoa contratada para limpar casas) ganhavam trinta dólares por casa, ou mais caso a residência fosse grande. A Luana não estava sendo justa comigo. Eu sairia sem revelar o verdadeiro motivo para não criar inimizades; assim manteria a porta aberta para quando necessitasse.
Eu também não estava disposta a trabalhar de sol a sol e dia após dia só com a intenção de juntar dinheiro. Queria ter uma vida social com diversão e lazer naquele momento, ou seja, viver o agora enquanto ainda era jovem, saudável e cheia de energia. Continuo com o mesmo modo de pensar: o futuro é algo tão distante e incerto que deixo minha atenção voltada ao presente sempre que possível e vivendo um dia de cada vez.

***

No domingo eu mandei uma mensagem para a Jasmim (minha amiga do ponto de ônibus), perguntei se eu teria alguma chance de conseguir uma vaga no restaurante em que ela trabalhava. Sua resposta foi que sim, eu a encontraria na manhã do dia seguinte (como de costume) e a acompanharia para poder analisar in loco, só depois eu conversaria com o gerente para tentar uma vaga. Ela supunha que daria certo, pois estavam contratando e era adequado à minha situação, já que era um serviço alternativo (um bico). Meu visto de turista não me permitia ter um trabalho regular, assim como ela que até já estava com o visto vencido, era uma indocumentada, é assim que nomeiam os que estão com o Visa vencido ou "Overstay" como diriam os americanos.

Conforme havíamos combinado eu fui com ela para falar com o gerente e tentar a sorte. A amiga me apresentou ao Hispânico cinquentão e o homem de imediato fez cara de contrariado, disse que não poderia contratar ninguém com menos de 21 anos. Eu disse que já tinha 21, mas ele duvidou, porém foi simpático comparando minha aparência com a de sua filha de 15 anos. A seguir pediu o meu documento para verificação. Após confirmar a minha idade, a expressão em seu rosto mudou da água para o vinho, aparentando felicidade e cheio de simpatias, pediu para acompanhá-lo até uma saleta, seu escritório, eu seria entrevistada.


Na verdade ele analisou o meu corpo e movimentos pedindo para eu desfilar de um lado para o outro com graça e sorrisos. Explicou sobre a necessidade de sempre atender bem os clientes, era a chave do negócio. Depois quis saber se eu era casada, ou se tinha parentes nos EUA. Eu já li e ouvi inúmeras recomendações para que mulheres nunca revelem que estão sozinhas, seja em qual país for, é muito perigoso. Eu falei que vim para os Estados Unidos para morar com meus dois irmãos que residem em New Jersey e até fiquei por lá duas semanas, porém decidi acompanhar meu namorado (também brasileiro) que veio para Miami, ele conseguiu um trabalho em uma construtora da cidade. Eu também consegui um trabalho e resolvi ficar por aqui. Ele quis saber qual era o meu trabalho, falei que era de diarista, limpando casas. Acrescentei dizendo que eu já tinha experiência no atendimento ao público, no Brasil eu trabalhava nos stands de feiras e eventos .

Aparentemente eu cumpri todas as etapas e seria contratada, porém... Ele perguntou sobre o meu nível de inglês, pois a exigência era de que falasse e entendesse um pouco. Eu conseguia conversar em espanhol com facilidade, mas o meu entendimento do inglês era muito pobre, apesar de eu estar ralando nos estudos online e ouvindo podcasts a cada minuto livre.
Não rolou o trampo de garçonete, fiquei triste, posto que a colega havia comentado sobre os clientes generosos e as caixinhas ótimas. O salário era o mínimo, mas somado às gorjetas ela recebia o triplo do salário fixo. Mas nem tudo estava perdido, o cubano disse que precisava de alguém imediatamente para cuidar da limpeza e se eu me interessasse o emprego seria meu. "Oh meu Deus! Faxina de novo?" Pensei com desânimo enquanto ouvia mais outros detalhes sobre a vaga. Caso aceitasse, esta vítima aqui também ajudaria na higienização da cozinha, ou seja, iria lavar louça e limpar o chão.

No entanto as esperanças se renovaram quando ele comentou sobre as sextas e sábados, era quando a casa ficava abarrotada de clientes por causa da música ao vivo durante o happy hour e o clima de balada dos finais de semana. A clientela, composta quase 100 % de rapazes e senhores que trabalhavam nos arredores, ou eram hóspedes de hotéis próximos que estavam de passagem pelo país por motivos profissionais ou lazer. Eles costumavam ficar até de madrugada no estabelecimento, uma vez que teriam o sábado e domingo livres. Eu poderia trabalhar de atendente de restaurante nestes dias e teria a ajuda das outras meninas com o inglês, caso fosse necessário. Seria um teste e se me saísse bem, seria promovida a atendente. Maravilha, fui contratada e trabalharia Full Time (período integral).
Perguntei quando começaria. A resposta foi breve:
— AHORA. — E ganhei um uniforme... Dois números acima do meu manequim, e um carrinho que era um kit de limpeza. E felizmente também ganhei um par de luvas. Minhas mãos e unhas agradeceram.

Ali o pessoal não fica enrolando, trabalha mesmo. Fui logo para o dia de trampo começando pelos banheiros... Argh! Sem problemas, levaria na boa. Quem olha para o meu jeito delicado, aparentemente frágil e toda cheirosinha, deve pensar que sou uma patricinha. Não se enganem, sou uma batalhadora e adapto-me às situações extremas com mais facilidade do que muitos durões ou "mulheres sargento" — mulheres fortes, robustas de aparência bruta.
No período da tarde fui ajudar na cozinha, e toma-lhe mais limpeza: chão, fogão e queimei meus dedinhos ao tirar aquela bagulhada fumegando da lavadora de louça. Ainda sobrava pra mim o trabalho de colocar o lixo para fora. Vai pensando que vida de empregada mais nova é mole; é punk mano. No final do dia estava só o pó, e o salário era o mínimo. Pelo menos o almoço era bom e grátis.

O restaurante era longe do centrão e de lugares onde fervilhavam as casas noturnas tipo a Washington Avenue, ficava ao lado do cruzamento da Dolphin Expressway com a Le Jeune Road, próximo ao aeroporto, mas do lado oposto ao do hotel em que fiquei ao chegar nos EUA. O lugar parecia um bairro de periferia onde o comércio se concentrava na avenida principal. Um supermercado, posto de gasolina, lanchonetes, restaurantes e um hotel grande de uma rede famosa e outros dois mais simples e sem fama. Os hóspedes dos hotéis e trabalhadores do entorno eram os que movimentavam o restaurante na hora do almoço e também no happy hour de todas as tardes e noites. Durante a noite não havia jantar, as opções eram lanches ou uma variedade de porções bem boladas, tipo uma travessa de frutos do mar que era uma delícia. E muita bebida era consumida, claro.

Continua...



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

domingo, 18 de setembro de 2016

Capítulo 11 - A Fera Italiana

Fiz amizade com uma garota que eu conheci no ponto de ônibus naquela manhã de segunda-feira. Que bom que arrumei uma companhia, já que eu sempre ficava sozinha naquela parada e naquele horário. Os ônibus em Miami não tem a mesma frequência como se tem em São Paulo, por exemplo, eles demoram muito e os horários são irregulares dependendo do destino. Então foi fácil iniciar um papo furado de ponto de ônibus e começar uma nova amizade durante os minutos de espera.
Jasmim era o nome da garota, também tinha 21 anos de idade, contudo eu parecia uma menina comparada com ela, visto que a minha nova amiga era um mulherão com o corpo bem definido e de parar o trânsito. Era segura na maneira de falar e de se mover; seus gestos eram super graciosos.
Através das nossas trocas diárias de informações no decorrer da semana, fui conhecendo um pouco mais sobre sua vida e ela da minha, por exemplo, ela havia se mudado para o meu bairro naquele último domingo, era natural da Colômbia e veio para os EUA com o irmão mais velho e a mulher dele. Morou com eles na cidade de Framingham (Massachusetts) por quase um ano, mas não se adaptou ao clima frio; foram mais de sete meses gelados, falou em um tom de desânimo.
Ela veio sozinha para a Flórida à procura de emprego. Por questões econômicas se hospedara em um hostel (um albergue) e durante três semanas trabalhou aqui e alí fazendo bicos como camareira em pequenos hotéis, lavou louça em pizzarias durante algumas noites e também trabalhou como diarista limpando casas.
Completara vinte dias que estava em um novo emprego, atendente de restaurante (garçonete). Disse que estava satisfeita com o trabalho atual e pretendia permanecer por lá algum tempo. Havia saído do hostel junto com uma amiga que conheceu naquele albergue, as duas alugaram um apartamentinho nas proximidades do meu condomínio.


***

Na quarta feira daquela mesma semana o Héctor ligou para o meu celular aproximadamente às 18h e disse que também estava em Fort Lauderdale e precisava levar um carro até sua casa, mas necessitava de alguém que fosse junto para dirigir o carro dele.
Eu falei que o ajudaria, já estava finalizando a última casa. Dei o endereço de onde estava e ele veio me pegar meia hora depois.
Quando chegamos ao local onde estava o veículo, fiquei de boca aberta ao ver a preciosidade; era uma Ferrari cupê vermelha e linda, ou seja, o meu sonho de consumo. Na verdade o meu sonho perfeito seria um conversível. Depois fiquei sabendo que o modelo era o “458 Italia”. O homem me deu a chave do seu carro para que eu o levasse, ele iria na Ferrari. Até parece que eu perderia a chance de dirigir aquela joia cor de sangue. Apesar de que o possante do meu namorado era muito lindo e gostoso de dirigir, um Honda Arccor novíssimo, mesmo assim eu queria ir no carro de sotaque italiano.
— Só dirijo se for a Ferrari — falei com determinação.
Ele falou que nem fodendo daria um carro de 200 mil dólares em minhas mãos. Daí começou uma DR: ele ficava me lembrando que eu toda hora pedia para dirigir o carro dele e agora não queria. Eu respondia que ele era egoísta e queria sempre a melhor parte de tudo. Eu sou marrenta e sabia que ele precisava de mim. Falei:
— Ok, então se vira, eu vou embora de ônibus. — Joguei um beijo e saí caminhando cheia de pose. O hondurenho era um machão duro na queda, fez várias tentativas frustradas de persuadir-me. Por fim rendeu-se permitindo que eu conduzisse aquela nave espacial. 1x0 para as meninas.
Caraca, quase tive um orgasmo quando liguei o bichão e ouvi o ronco vibrante do motor.
Seguimos rumo a Miami depois de inúmeros esclarecimentos, uma aulinha sobre o câmbio que ficava no volante e recomendações do homem para eu não exagerar e chamar a atenção de policiais. Pensei comigo mesma, de que adianta dirigir uma joia rara e não chamar a atenção? Nem liguei para as recomendações.
Minutos depois na rodovia eu me sentia uma superstar acelerando aquela maravilha. Dei uma abusadinha tocando o pé um pouco mais fundo para sentir a adrenalina; o meu corpo grudou no banco tamanha era a potência da coisa, deu até medinho.
Estávamos pertinho de Allapattah (o bairro onde morava o hondurenho e onde ficaríamos). Eu brincava com o computador de bordo e não percebi quando ele deu seta e mudou de faixa para sair da rodovia. No instante em que percebi eu estava quase ao lado dele, pois reduzira a marcha para me alertar. Tive que mudar duas faixas de trânsito de uma só vez para dar tempo de pegar a saída, sendo que eu deveria já ter mudado uma faixa para a direita um pouco antes.
Deu ruim! Segundos depois vi luzes vermelhas e azuis de um carro da polícia colando atrás de mim, a seguir o som alto que dizia para eu seguir em frente. Ele continuou me seguindo e disse para eu parar quando encontrasse um lugar seguro. Que merda! Liguei rapidão para o Héctor e perguntei onde estavam os documentos do carro, pois não estava no porta luvas. Ele disse que não tinha os documentos.
— Que ótimo! resmunguei. — E agora, o que eu faço?
O hondurenho parecia tranquilo, pediu para eu ter calma e não parar ainda, ele me diria quando parar. Continuei acompanhando o Honda que seguia à minha frente. Nós batemos um pouco de boca enquanto isso, o xinguei muitão, pois eu estaria fodida quando parasse, já que estava somente com a minha habilitação do Brasil e sem os documentos do carro, poderia ser presa. Fiquei apavorada e quase neurótica vendo aquelas luzes se alternando sem parar atrás de mim.
Notei que já estávamos próximo do quarteirão onde mora o Héctor e gelei quando ouvi o policial ordenando, pelo sistema de som do seu carro, que eu parasse no acostamento. Ao mesmo tempo o hondurenho disse para eu parar próximo da esquina seguinte. Continuei na minha marcha e me borrei de medo quando ouvi a ordem de parada novamente e a sirene soando alto. Falei para o hondurenho que eu ia parar, estava com receio do policial atirar em mim. O idiota riu como se eu tivesse contado uma piada. Depois disse para eu ficar tranquila que o carro era blindado. Falou que a esquina estava logo à frente, ele mandou eu dar seta, reduzir, encostar e parar, porém sem desligar o carro e que eu esperasse o guarda sair do carro dele. Quando ele estivesse se encaminhando para a Ferrari, era para eu sair rasgando e entrar à direita e novamente à direita na viela, depois era só ir em frente até chegar no condomínio dele e esconder o carro nos fundos do pátio. Ele iria retardar a passagem do carro do policial o tempo suficiente para eu dar um perdido.
Falei que ele estava louco, eu não iria fazer isso. Todavia, ele me convenceu ao dizer: ou fazia isso ou iria presa. Mas prometi que iria matá-lo se eu escapasse dessa.
Eu cometi aquela loucura e ainda vi o policial correndo para o seu carro, mas nem o vi mais depois que virei duas vezes à direita e cheguei ao condomínio. Os segundos passados entre a minha identificação e a abertura do portão automático, pareceram uma eternidade.

Dez minutos depois eu já estava no pátio do condomínio e com o carro escondido. Fiquei longe dele, escondida em um cantinho e tremendo de medo. Estava preocupada com a demora do homem, mas achei melhor não ligar.
Finalmente ele chegou caminhando, disse que por precaução deixou seu carro em um supermercado na rua de trás. Entramos rapidão, eu precisava de uma água com açúcar e uma dose de uísque. Perguntei sobre o documento do carro, ele disse que não tinha, pois tomou o carro de um cara que era um devedor. Fiquei possessa e vociferei:
— Peraí, deixa eu ver se entendi. Você roubou o carro e deixou que eu o dirigisse?
— Sim, mas foi você, preciosa, que insistiu em dirigir a vermelhinha.
Eu desci do salto e parti pra cima dele o esmurrando seguidamente no peito.
— Seu filho da puta, eu poderia estar presa agora e sendo acusada de roubo de carro.
O sem noção se defendia e ria. Disse que tudo não passou de um susto.
Depois de muita discussão e de ele impedir que eu fosse embora, pois o policial poderia estar rodando à minha procura pelos arredores, eu o soquei mais um pouco e ouvi ele dizer que só deu uma lição no cara que devia para o “escritório de cobranças”; quando ele pagasse a dívida, o carro seria devolvido.
Tive mais uma crise de fúria, contudo resolvi que seria melhor dormir ali naquela noite, não que fosse mais seguro, mas era o que me restava no momento.
Os papéis se inverteram comparado ao nosso encontro anterior, eu que estava com raiva dessa vez e judiei do hondurenho com mordidas e beliscões durante as preliminares. Soltei todo o peso do meu corpo por diversas vezes enquanto cavalgava sobre ele montada em seu membro e banquei a louca dando uns tapas no cretino durante o meu gozo.
Porém o tiro saiu pela culatra, o FDP disse que foi a melhor transa que já fizemos.

***

Dois dias depois (sexta-feira) saí mais cedo do trabalho, pois só havia duas casas para limparmos. Eu e a Luana tivemos parte da tarde livre e voltamos para Miami. Dessa vez ela me deu uma carona até a porta do meu condomínio. Eu aproveitaria a oportunidade para ter uma conversa séria com o hondurenho, já que depois dos nossos dois últimos encontros, dia e noite eu considerava a possibilidade de terminar com ele. Eu não conseguia mais dormir direito e ficava pensando em tudo que aconteceu entre nós e tudo que eu ouvi nos últimos dias. Eu estava sim apaixonada por ele e curtia de montão nosso contato físico, uma vez que a química entre nós combinava perfeitamente. Entretanto eu sabia que aquela relação era uma roubada; o cara era bandido e usava a violência no lugar da razão. Cacete, mas este era justamente o detalhe que mais me atraía e me deixava com mais tesão em relação ao homem. E ainda tinha o fato do meu coração se recusar a deixá-lo.
Depois de um banho demorado e de muitos pensamentos, vesti minha roupinha de treino, fiquei toda cheirosa e fui rapidão para a academia com a intenção de chegar antes dos alunos. Eu queria ter alguns minutos de privacidade com o Héctor.
Assim que cheguei, estranhei em não ter encontrado o Paco na entrada e nem no salão (Paco é um tipo de zelador do local). Encaminhei-me escada acima em direção ao escritório. Ao ouvir um som parecido a gemidos femininos, desacelerei o passo e fui me aproximando de mansinho até um ponto onde poderia visualizar o interior da sala sem ser vista. A minha decepção foi maior do que eu esperava sentir. Nas duas últimas semanas eu comecei a desconfiar que o hondurenho se divertia com outra fulana (não nos subestime, a mulher sabe) durante os dias da semana em que não nos encontrávamos. Em outros momentos da minha vida eu até entenderia, pois eu também não costumava dar exclusividade para homem nenhum. No entanto desta vez eu estava envolvida demais emocionalmente, não tinha mais olhos para outros caras, e queria ter aquele danado só pra mim.
Acho que eu até teria relevado se fosse alguma das meninas sonsas que treinavam na academia, mas desde que ele se desculpasse e prometesse não fazer mais aquilo, claro. Mas a coisa era mais séria, descobri que a outra era aquela noia vagaba. Isso foi a gota d’água naquela relação.
Parece que toda aquela cena de briga e quase estrangulamento da vadia, quando ela vinha armar barraco defronte da academia, era só teatro, já que ele acabara de demonstrar que não odiava tanto assim aquela coisinha irritante. A meu ver ele também não se preocupava com doenças sexualmente transmissíveis, visto que ela se drogava dia sim e outro também e transava com qualquer um.
A cena dos dois se pegando no escritório era grotesca, tipo sexo animal com urros, agressões verbais e físicas. Ele estava deitado em uma poltrona reclinável que praticamente virava uma cama de solteiro e a vadia estava sentada de pernas abertas por cima dele, ambos nus da cintura para baixo, e ela cavalgando e gemendo como uma cadela. Ele a comandava agarrado à sua bunda e projetando a garota de forma rude para cima e para baixo. A puta falava palavrões menosprezando a virilidade dele.
Fiquei enojada e sai fora antes que minha presença fosse percebida. Estava puta de raiva, entretanto aquela situação facilitou a milhão a decisão que eu vinha postergando a dias, ou seja, riscar o Héctor da minha vida.

Eu nunca aceitei que uma terceira pessoa se metesse em minhas relações amorosas e desse conselhos e mostrasse os defeitos dos meus parceiros, sempre me achei capaz de perceber sozinha os pontos negativos das minhas relações. Porém desta vez eu vacilei, deveria ter ouvido o seu Ramon a mais tempo e saído fora deste hondurenho antes dele ter causado este estrago em meu coração.

Continua…



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Capítulo 10 - Tapas e Beijos

Último dia de 2015 e eu estava de folga uhuuu! Queria passar o Réveillon na ocean Drive, no Mango's Tropical Café, ou pelo menos no quarteirão, pois diziam que lá era tudo de bom. Foi onde eu fiz meu primeiro passeio com o Carlos em meu segundo dia em terras americanas. A Miami da Ocean Drive parece ser duas cidades em uma; durante a noite é toda iluminada com luzes de neon, clima de balada e um quê de pecado. Com a luz do dia (tenha sol ou não) o clima é mais romântico e charmoso.
Porém o Héctor e sua turminha optaram pelo Bayfront Park que fica em Downtown (centro de Miami), na Baía Biscayne. O lugar é show demais e a visita vale a pena. Lá, de preferencia durante o dia, você encontrará opções de compras em um Shopping a céu aberto e também lojinhas fofas com muita coisa boa a preços acessíveis; não são lojas de grifes famosas. As opções de cafés e restaurantes são para todos os gostos. Quem curte cultura também encontrará opções. Na marina do local há os passeios coletivos de barco, já quem é mais radical, poderá alugar um Jet ski e de quebra receberá as instruções gratuitas de um instrutor. Para os que gostam de sossego e preferem passar um dia de pura preguiça apreciando a paisagem, há uma praia tranquila e limpa.
Tudo isso fica no centro de Miami com fácil acesso. Mas naquela noite teria um show do rapper Pitibull. A propósito, garotas, vocês conhecem as letras do referido rapper? Eu particularmente não curto, e musicalmente eu prefiro o rock, contudo, as batidas eletrônicas exageradamente altas a ponto de sacudirem nosso cérebro, até que combinam com as noites loucas das baladas agitadas de Miami.

***


A festa foi divertida, principalmente por causa das bebidas deliciosas e abundantes, porém não foi o Réveillon que eu esperava. Os fogos estavam lindos e eu curti muitão, apesar de não estarem tão próximos de nós, já que a queima foi na praia lá em Miami Beach.
Terminamos a noite em um bar e ao amanhecer cada um foi para o seu lado. Eu e o hondurenho fomos para a casa dele e dormimos quase o dia todo. O rala e rola só aconteceu depois de acordarmos.



Começo de um novo ano. Que as esperanças se renovem.


Mais tarde, sozinha em casa na primeira noite do ano e pouco antes de dormir, eu colocava minhas ideias em dia e viajava em meus pensamentos relembrando as últimas horas.
Pense em uma pessoa que preenche o seu pensamento lhe fazendo esquecer do mundo e fazendo com que execute suas tarefas diárias automaticamente enquanto revive mentalmente cada segundo que curtiu ao lado daquela pessoa amada... Pensou? Então, naquele momento da minha vida, o Héctor era este cara. Apesar de o lance da gangue ainda estar martelando meus neurônios e também as pisadas na bola que ele estava dando ultimamente, mesmo assim a paixão que eu sentia fazia eu esquecer e perdoar tudo algumas horas depois. Eu só pensava em me divertir com ele em qualquer lugar que estivéssemos e com os detalhes mais bobos. Na praia em Miami Beach, por exemplo: deitados na areia após um banho de mar, eu o sacaneei colocando uma pedra de gelo dentro da sua bermuda, e na parte de trás. Ele correu atrás de mim praia afora tentando dar o troco enquanto eu soltava meus gritinhos fingindo estar apavorada. Ao final da minha corridinha, cheia de charme, ele agarrou-me displicentemente e deixou que eu o derrubasse com um golpe que ele me ensinou em nossas aulas particulares de defesa pessoal. A cena terminava com ambos abraçados, se remexendo e comprimindo nossos corpos naquela areia quente enquanto nossos lábios colados se devoravam em um beijo cheio de tesão.

***

No segundo dia do ano tudo voltou ao normal, trabalhei oito dias seguidos de sábado à sábado. Meu contato com meu namorado foi somente pelo celular; ele ligou no dia de Reis para felicitar-me, mas apesar de eu estar morrendo de curiosidade em saber se ele fora em alguma festa na véspera de Reis, não toquei no assunto, ele também não comentou nada. Marcamos de nos ver no sábado a noite.


Eu não sou do tipo de pessoa que fica interrogando seu parceiro e querendo saber onde ele passou cada minuto do seu dia e o que fez; por isso também não sabia muita coisa sobre o outro trabalho do Héctor. Claro que perguntei a respeito, visto que a academia era mais uma paixão do que um negócio, como ele já havia me dito, e que não dependia do dinheiro que ganhava lá, mesmo porque era pouco e não daria para suas despesas. Geralmente ele ficava na academia só umas quatro horas por dia (ou melhor, por noite). Ele dizia que sua outra ocupação era em uma empresa de cobranças no centro da cidade e que envolvia valores altos devidos pelos comerciantes do ramo de entretenimento para adultos (Night Clubes e Cabarés, eu deduzi que fosse).

Era noite do sábado combinado, uma semana após o Réveillon. Ele me levou a uma boate que ficava no extremo do bairro em que ele morava. O estabelecimento comercial pertencia a um dos seus "parceiros"; era assim que ele chamava os seus amigos considerados de fé. O lugar não receberia nem duas estrelas em classificações feitas pelos críticos especialistas. Também não era para casais de namorados ou marido e mulher. Era uma casa voltada para o público masculino em busca de sexo (um puteiro disfarçado). Garçonetes latinas, insinuantes e oferecidas, serviam as mesas em trajes que não cobriam o suficiente das partes. De vez em quando uma delas sumia com algum cliente.
Um pouco mais tarde eu estava no banheiro e ouvi uma conversa de duas fulanas que passaram porta adentro, elas falavam sobre o Héctor e seu trabalho. Eu fiquei quase sem respirar para não ter a minha presença notada, pois elas não sabiam que eu estava em um dos reservados.
Fiquei com medo, pois poderia ter problemas ao ficar sabendo de algo que não deveria. Enfim, acabei descobrindo que o trabalho de cobrança do meu namorado não era nenhum tipo de serviço de telemarketing que ficava ligando para os inadimplentes. Pelo que eu entendi, ele estava a serviço de uma Máfia que controlava a venda de drogas e prostíbulos disfarçados de cabarés (tipo aquele em que estávamos). Uma delas disse que o hondurenho — era assim que todos o chamavam — surrou um cara no dia anterior porque ele atrasou o "dízimo" (pagamento da extorsão). E se isso já não bastasse para ele cair em meu conceito, para piorar, ainda fiquei sabendo que ele era um galinha e que as duas fulanas já abriram as pernas pra ele semanas atrás em uma festinha a três. Eu ainda não estava com o Héctor quando aconteceu o tal "ménage à trois". As duas pistoleiras disseram que pretendiam repetir a dose naquela noite; o empecilho nem seriam os "seus homens", como elas disseram, e sim "la blanquita de Brasil". Isso mesmo (a branquela do Brasil), era eu. Ainda não conhecia esse meu novo apelido. E eu que inocentemente achei que aquela turminha tinha me aceitado como se eu fosse da família. Quanta ingenuidade da minha parte.
Detalhe: "Blanquita" apesar de parecer algo carinhoso, é um termo pejorativo e racista.
Eu não aguentava mais ficar imóvel, sentada naquele vaso sanitário e com minha calcinha arriada até o meio das minhas pernas. Meus pés estavam formigando e logo eu teria uma cãibra.
Finalmente as duas vacas resolveram sair do banheiro, e, felizmente, sem que verificassem se tinha alguém nos outros reservados. Ufa! Ainda bem, ou eu estaria fodida.
Dois minutos depois, quando tive a certeza de que estava sozinha, saí do reservado, passei uma água nas mãos e fui ligeirinha em direção à porta... Aff! Praticamente atropelei uma outra fulana que estava entrando no banheiro. Continuei andando enquanto virava o corpo me desculpando com a garota que já estava dentro me xingando em espanhol e com a cara feia de contrariada. Soltei a porta que se fechou sozinha com a pressão da mola. Que merda! Dei outra trombada com um cara que se dirigia ao banheiro masculino que ficava mais à frente. Só não fui ao chão, pois suas mãos agarraram em minha cintura evitando minha queda. O cara todo simpático e cheio de sorrisos era um dos amigos do Héctor que estava conosco no passeio de barco dias atrás. Ele se desculpava pelo incidente quando o hondurenho apareceu diante de nós com uma cara de poucos amigos. Sem dizer nada ele começou a socar o cara que tentava se defender sem entender nada e perguntava o que é que ele havia feito. Eu, sem sucesso, tentei impedir o Héctor e pedia calma dizendo que ele entendeu errado. Por sorte surgiu um grandalhão que saiu do sanitário masculino e contou com o auxílio de outro cara que acabara de aparecer. Eles contiveram o hondurenho antes que ele matasse o cara.

Minutos depois daquela cena sem sentido, nós fomos embora. No caminho, dentro do seu carro, eu ainda reafirmava que o ocorrido havia sido um acidente, pois ele imaginou, naquele instante, que eu e o cara estávamos dando um amaço naquele corredor defronte aos banheiros. Imagina que eu faria uma coisa dessas... Tá bom, pode parar de imaginar, eu seria capaz de fazer isso sim. Mas estou melhorando e diminuindo a minha cota de mancadas, lentamente e dia após dia.
Enfim, ele disse que acreditava em mim, mas tremi na base quando ele falou muito sério:
— O dia que você não me quiser mais, Mila, me deixe antes de sair com outro cara, ou eu matarei você e ele.
Jesus amado, será que este homem é louco? Pensei com meus botões. Faltava pouco para eu constatar que era hora de sair fora, só esperaria a poeira baixar. Naquele momento eu continuei agindo como se não tivesse ouvido nada.

Apesar de todos os contratempos do ocorrido na boate, ele me proporcionou a melhor transa desde que nos conhecemos. Talvez por causa do seu ciúme e sua raiva, ele acabou por ser viril demais e judiou de mim me pegando por trás com estocadas como se fosse um carrasco chicoteando sua prisioneira. Ao mesmo tempo o homem me xingava de tudo quanto é nome e deveria estar pensando que me castigava com as suas ofensas ou os tapas que dava em minha bunda, mas o que ele não sabia é que a cada palmada eu sentia mais tesão. Ele teria ficado irado se soubesse que sua brutalidade intensificou o meu prazer e meus orgasmos foram múltiplos. Eu quase desfaleci com aquela pegada gostosa.
O hondurenho ficaria puto se soubesse que naquela noite ele me finalizou de tanta satisfação tornando a minha noite feliz.

Continua...



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

domingo, 4 de setembro de 2016

Capítulo 9 - Feliz Navidad

Acordei naquela quarta, 23 de dezembro, ainda pensando no hondurenho e também me lamentando por não estar no Brasil para curtir as festas de final de ano. Eu trabalharia normalmente naquele dia e no próximo. Provavelmente passaria a noite de Natal em casa e sozinha. O hondurenho costuma trabalhar durante as noites do meio de semana. Também não é tradição em sua cultura fazer ceia no dia 24, já que os hispânicos costumam dar presentes para as crianças no dia de Reis (6 de janeiro) ou na véspera (dia 5).
Liguei para o Héctor durante o meu intervalo para o lanche. Fiquei radiante quando ele disse que tiraria folga na véspera de Natal para ficar comigo. Maravilha, guardaria para domingo o meu chester, o qual eu assaria e faria, como acompanhamento, uma farofa e a tradicional salada de maionese.

***

Muitos de nós brasileiros, festeiros por natureza, e que passamos o ano inteiro contando os dias que faltam para as festas de fim de ano, ficaríamos surpresos ao saber que a maioria esmagadora dos americanos não faz nada de especial no dia 24 de dezembro. O Natal americano é comemorado pelas famílias no dia 25 com troca de presentes pela manhã e com um almoço familiar e silencioso.
Além de boa parte do comércio, demais atrações e outras coisas ficam fechadas no dia de Natal.
Prepare-se para pagar preços acima do normal em restaurantes durante a noite do dia 24 ou no dia 25. Uma atenção maior deve ser dada às gentilezas e oferecimentos dos garçons que, aproveitando a data em que as pessoas ficam mais generosas e desatentas, irão lhes oferecer os pratos especiais que você só saberá o valor na hora de pagar a conta. É revoltante constatar que aquela comida ou bebida "special", lhe custou três vezes mais que uma do menu convencional.

Eu, com a ajuda do Héctor, tive sorte ao conseguir fazer uma reserva um dia antes em um restaurante acima da média e amplamente conhecido por seu cardápio à brasileira. Lá encontramos pratos tradicionais de nossas ceias brazuca.
Dentro do carro e antes de iniciarmos o trajeto, eu dei meu presente de Natal para ele; uma camisa social sport que ele poderia usar sobre sua regata e deixaria desabotoada se desejasse. Minha intenção era deixar o seu visual um pouco menos marginal. Pedi que ele experimentasse, pois eu a trocaria caso não servisse. Elogiei dizendo que ficou ótima nele e o convenci a ficar vestido com ela quando ele ameaçou de tirar.
No restaurante não caímos no conto do "prato especial", o hondurenho já conhecia o golpe e fez a pergunta tradicional que os garçons detestam "¿cuanto custa?" e só para não restar dúvidas reforçou com um "how much?".
Depois de ouvirmos o preço, evidentemente que ficamos com os pratos do menu normal.
A noite foi divertida, fizemos amizade com um grupinho de brasileiros e juntamos as mesas. Deu para matar um pouquinho da saudade dos nossos costumes.


Pouco depois da meia noite o Héctor parecia deslocado e ansioso para ir embora. Eu estava à vontade, todavia, também ansiosa para ir, pois queria curtir aquele hondurenho na intimidade de um quarto.
Ele não me levou para sua casa, e sim para um motel das proximidades de onde estávamos (Miami Beach). Disse que deu um problema na saída de esgoto da casa e que só arrumariam no dia seguinte ao Natal. Eu não me importava onde nós dormiríamos, só queria estar com ele e poder transar a noite toda sem tréguas.

***

Ele me acordou pela manhã; passava pouquinho das 8h e eu estava morrendo de sono. Não transamos a noite toda e, nem de longe, chegou próximo às melhores transas da minha vida. Ele disse que o chamaram e precisava ir trabalhar. Caralho "pensei', quem é que trabalha na manhã de Natal? Só os funcionários de serviços essenciais, né? E não é o caso dele.
Fiquei extremamente magoada, pois tudo o que eu mais queria era passar o dia com ele, mas não comentei nada, apesar da minha enorme frustração.
Ele me deixou metros antes da entrada do condomínio; eu ainda me preocupava em não ser vista com ele.

Já em casa, enquanto vestia uma roupinha caseira, eu decidia se tentava dormir um pouco mais ou se faria um almoço de Natal para comer sozinha. Meus pensamentos foram interrompidos pelo som de batidas em minha porta, era o seu Ramon. Ele me convidou para um almoço de Natal comunitário em seu apartamento. Outros moradores do condomínio participariam, cada um levaria algum tipo de comida, a bebida ficaria por conta do cubano. Vale mencionar que o apartamento do cubano e os outros três que ficam no piso térreo, são muito maiores que os do piso superior. Os de baixo têm quarto, sala, cozinha e banheiro e a área do apto é pelo menos quatro vezes o tamanho do meu minúsculo studio.
Foi nesse almoço na casa do cubano, durante um papo informal, que eu fiquei sabendo que o MS-XIII tatuado nas costas do Héctor (não que eu tenha mencionado para alguém que vi a tattoo) eram referentes a uma das maiores e mais violentas gangues das Américas. O MS quer dizer "Mara Salvatrucha". A sigla correta é MS-13, mas se usa variações com números romanos. "La Mara" é a abreviação. Então o hondurenho não estava sonhando com nenhuma ex de nome Mara, e sim com sua gangue. Deduzi.
Mas esta não foi a única surpresa daquele dia. Ao final da tarde e também final de festa, eu deixaria as sobras da metade do meu chester que assei e levei para o nosso almoço natalino. Também deixaria a sobra da farofa e salada de maionese que o seu Ramon disse ter adorado. Eu tinha deixado as outras metades em minha casa, pois não tinha necessidade de levar tudo. Eu estava lavando minhas vasilhas e estava sozinha com o homem, uma vez que todos já haviam saído. O homem aproveitou da privacidade e veio com um papo diferente. A princípio com insinuações dizendo que gostaria de se casar novamente para poder deixar seu patrimônio para alguém quando ele se fosse, já que não tinha ninguém próximo, nem filhos e nem parentes. Na sequência ele passou a fazer comentários mais diretos dizendo que seus sentimentos por mim, a princípio, eram de pai para filha, no entanto, com o passar dos dias ele percebeu que seu sentimento era diferente do amor de um pai. Eu estava sem saber o que responder e o que fazer. Não queria magoá-lo e também não queria despertar nele um sentimento de aversão ou represália a minha não aceitação da sua cantada. Gelei quando ele se aproximou de mim, algo naquele cubano me apavorava e eu não sabia explicar o porquê. Jesus! Salva pelo gongo. Felizmente a Amanda, minha vizinha de andar, apareceu de repente. Ela veio buscar uma travessa que havia esquecido. Aproveitei e fui com ela levando minhas louças ainda com um restinho de espuma de detergente e pingando água pela casa do homem.

— Bom final de Natal seu Ramon. Obrigada pelo convite. Vou descansar, pois amanhã acordo bem cedinho para ir trabalhar — dito isso, saí fora rapidão e subi as escadas ignorando o olhar investigativo que a vizinha lançou em minha direção.

Continua...


Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!
 

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