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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Capítulo 8 - O Primeiro Emprego

Segunda-feira foi meu primeiro dia de trabalho como diarista (house cleaning nos EUA). Trabalhei pra caramba mano; nunca fui preguiçosa e me viro em qualquer situação. A faxina era feita à moda americana, sem jogar água nas coisas, já que nos EUA as casas não têm ralo, com exceção de alguns banheiros. Existe uma infinidade de produtos e acessórios para a limpeza de pisos frios ou acarpetados, banheiras, lavatórios, vasos sanitários, etc. É quase uma limpeza a seco. Eu, particularmente, prefiro nosso método tradicional de ensaboar e enxaguar, contudo eu já sabia que, em sua maioria, casas americanas não são feitas para se jogar água, pois se usa muita madeira e gesso, ao invés de tijolo e cimento nas construções residenciais.
Receberia 25 dólares por cada casa que eu ajudasse a Luana a limpar; naquele primeiro dia limpamos três casas enormes e foram quase dez horas de trabalho puxado.

Ao final daquela semana, início de noite de sábado, a gente havia limpado quinze casas. Eu recebi um total de 375 dólares pelos seis dias de trampo. A Luana disse que gostou de mim e do meu trabalho e se eu quisesse poderia continuar a ajudando. Fiquei contente, era um serviço doido, mas era o único que eu tinha como garantido. No entanto, ela disse que poderia me pagar apenas vinte dólares por casa, seriam 300 dólares por semana, caso tivesse a mesma quantidade de casas nas semanas posteriores (nem sempre tinha, ela disse). Fiz uma conta rápida e o valor mensal que ganharia não cobriria minhas despesas; eu teria que completar com minhas economias originárias do Brasil. Tudo bem, pensei, por hora estaria bom.
Infelizmente tive que parar com meus treinos de Muay Thai, também não tive contato físico com o Héctor durante a semana, já que eu saia de casa 6h30, pegava um ônibus até Allapattah (um bairro próximo) e ali eu me encontrava com a Luana e seguíamos em seu carro rumo a Fort Lauderdale; era o local onde trabalhávamos durante toda a semana. No começo da noite eu fazia o trajeto de volta. Chegava em casa 9h da noite, cansada e com fome. Era banho, jantar e cama.

No sábado a noite eu fui até a academia para matar as saudades do hondurenho. Fiquei apenas observando e esperando o pessoal sair, pois as atividades daquela noite já estavam no final quando eu cheguei.
Eu ainda não havia curtido a noite em meu bairro, e estava perdendo momentos de diversão. Há uma enormidade de lugares para todos os gostos. Naquela noite o meu amigo me levou a um bar noturno com música ao vivo, comidas deliciosas regadas a drinks cubanos ao ritmo de salsa. Quando saímos já passava das 3h da manhã, porém, apesar da semana puxada de trabalho, eu estava animadíssima. Aceitei seu convite para dormir em sua casa para nos recuperarmos do excesso de álcool e, evidentemente, namorarmos um pouco. No caminho eu disse que ele tinha que me levar de volta antes das 9h da manha. Ele perguntou se eu tinha algum compromisso importante naquele domingo.
— Vou sair com meu namorado, mas sei lá, talvez desmarque com ele. — O que você vai fazer amanhã? — perguntei.
Ele me convidou para um passeio de barco com uns amigos dele. Evidente que aceitei. Pela manhã eu mandaria uma mensagem com pedidos de desculpa para o Carlos e cancelaria o nosso encontro, o qual havíamos marcado via fone durante a semana. Acho que depois dessa o Carlos nunca mais me procuraria, seria o terceiro bolo que eu daria nele no decorrer de três semanas.

***

Só quando o hondurenho disse que havíamos chegado à sua casa é que me dei conta que ele morava em Allapattah (o mesmo bairro da Luana). Amei muitão o condomínio, desde a entrada, que é fechada e as pessoas têm que se identificar para entrar. O estacionamento é no pátio interno e as casas são show demais; três andares com varanda no segundo piso. No interior: vários cômodos com armarinhos embutidos distribuídos em corredores e também dentro dos cômodos. A gente pode guardar de tudo e não deixar a casa bagunçada.
Segundo o Héctor, a casa era de amigos dele; uma família hondurenha que havia retornado temporariamente para o país de origem. Eu conheceria e daria mais atenção à casa quando raiasse o dia, pois naquele momento, eu e ele estávamos mais interessados em seu quarto e na sua cama. Estava tudo arrumadinho e o banheiro da suíte limpinho; foi dia de visita da sua diarista.
Começamos com nossos momentos de pegação naquela cama macia com lençóis perfumados que lembrava flores do campo. O quarto com iluminação reduzida propiciava um clima romântico que me fez desejar ainda mais o vulto daquele homem vindo por cima de mim e me beijando sem pressa enquanto eu era aquecida e protegida do frio incômodo causado pelo ar condicionado. A cada peça de roupa que ele retirava do meu corpo eu o induzia a também retirar uma das suas. Pela primeira vez ambos ficamos completamente nus frente a frente. Prazeroso foi sentir o contato do seu corpo másculo pesando e deslizando sobre o meu. E mágico foi o instante em que sua boca devorou o meu sexo me fazendo gozar doentiamente. Era como estar viajando em uma nuvem ao redor do Sol; minhas partes íntimas queimavam de tanto tesão. O hondurenho deve ter sentindo o mesmo nos minutos seguintes em que ele estocou seu membro em minha boca como se estivesse em minha vagina. O homem urrou satanicamente quando inundou minha boca e garganta com seu sêmen durante seu gozo sem fim.
Pouco depois eu me sentia amada e feliz. Fiquei de ladinho com ele por detrás colado ao meu corpo. Suas carícias e frases românticas mexeram com meus sentimentos e vaidade. O seu pênis cheio de vida, alojado estava entre minhas coxas e roçava o meu sexo; fez meu corpo transbordar de desejos carnais. Eu segurei seu membro e o posicionei na entrada da minha vagina, ele fez o restante deslizando deliciosamente para dentro de mim… Ahh! Meus gemidos foram intensos e duradouros enquanto eu me entregava inteira transbordando de desejos. Ao final daquela transa, de parar o coração, eu estava agradecida e plenamente satisfeita.

***

Acordei pela manhã sentindo que o sol ardia forte lá fora. Ambos estávamos pelados na cama e mesmo assim nossos corpos estavam úmidos de suor, pois pedi que ele desligasse o ar condicionado que estava me incomodando durante o nosso rala e rola. O homem dormia um sono agitado, parecia que sonhava. Só então, pela primeira vez, percebi algumas tatuagens em suas costas, visto que elas sempre estavam encobertas por sua camiseta regata. Na parte superior estava tatuado “MS-XIII” em um tipo de fonte que lembrava escrita antiga. Mais abaixo havia a imagem de uma mão com com o dedo mínimo e o indicador para cima (igual ao símbolo do pessoal do Heavy Metal), porém as unhas eram semelhantes a garras demoníacas de algo não humano. Que sinistro! Pensei.
Fiquei deslizando suavemente meu dedo pelas letras e números. Fiquei imaginando que o MS seriam as iniciais do nome de alguma mulher que fez parte da sua vida. Minutos depois ele começou a resmungar algo, parecia estar tendo um pesadelo. De repente eu quase morri de susto quando ele gritou em tom aflito “LA MARA, LA MARA” e acordou sobressaltado pulando da cama. Fiquei encolhidinha em meu canto e morrendo de medo. Ele rapidamente retornou à realidade e olhou pra mim um tanto confuso, mas em segundos lhe caiu a ficha. Sorriu e disse que tivera um pesadelo. Eu sorri de volta e o abracei quando ele retornou para a cama. Achei melhor não tocar no assunto do sonho, também não queria saber quem era a tal da Mara. Perguntei se ele tinha algo para o nosso café da manhã, pois eu estava morrendo de fome. Ele respondeu que não costumava comer em casa e que a despensa estava vazia. Disse para nós nos apressarmos para dar tempo de tomarmos o café na Marina.


Não fomos os últimos a chegar ao ponto de encontro na Marina, ainda faltava gente. Deu tempo de tomarmos nosso café e passarmos em uma lojinha do local para que eu comprasse um biquíni.
Conheci os amigos e amigas do Héctor. A princípio, durante nosso trajeto até o local, eu imaginei que as garotas que estariam presentes seriam garotas de programa ou “peguetes” dos caras, mas não, eles levam a sério este lance a dois e os casais têm uma relação de respeito e fidelidade. Quanto aos caras: tive a mesma impressão de quando vi o hondurenho pela primeira vez, ou seja, poderia jurar que era um bando de bandidos. Mas o passeio e o dia transcorreram maravilhosamente bem, a turminha era bem animada e me acolheram como se eu fosse da família. Acho que errei novamente em minha primeira impressão.

***

A semana seguinte estava demorando mais do que o normal para passar. Ainda era noite de terça-feira e eu não aguentava de vontade de namorar o hondurenho. Pois é, acho que dessa vez eu arriei os quatro pneus por um cara… Isso poderá ser complicado. Pensei momentos antes de adormecer.

Continua…



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

domingo, 14 de agosto de 2016

Capítulo 7 - Noite Caribenha

Minha segunda semana em Miami não foi muito diferente da primeira; passei boa parte do tempo fazendo comprinhas para o lar. Aos poucos, deixaria meu cantinho com a minha cara. Todos os inícios de noite eu ia para a academia malhar, dar porradas e suar muito durante os treinos; isto propiciou o meu convívio constante com o hondurenho.

Héctor Alejandro Gonzáles: Um cara perspicaz e atencioso. Seu humor não era dos melhores, era mais rude que simpático, mas tinha seus momentos de descontração e chegava a ser divertido vez ou outra. Um homem sério que estava sempre alerta e ligado em tudo à sua volta. Não era bonito, mas era uma delicinha mesmo não sendo um gato. Um machão que sabia ser charmoso quando queria.
A camiseta regata de alças estreitas era sua marca registrada; deixava à mostra seus ombros e antebraços malhados e cobertos de tatuagens; as quais eram exibidas com orgulho.
Durante o dia ele me acompanhava quando eu precisava ir às compras. E durante a noite eu ficava na academia esperando todos saírem para que ele me levasse até a esquina de casa. Rolava um pequeno love dentro do seu possante, porém só de beijos e carícias apimentadas. Ainda não havíamos chegado ao ápice das "atividades de alto impacto", ou seja, ainda não havia sentido seu membro dentro de mim.
Eu estava curtindo de montão a minha estadia naquele país. Faltava uma fonte de renda para ficar melhor. Dediquei várias horas daquela semana em busca de trabalho. Aceitaria quase tudo que me rendesse algum dinheiro, pois até aquele momento eu estava só gastando. Na sexta-feira, através de uma amizade feita em um grupo do facebook, consegui um trabalho temporário como help cleaner (diarista). Substituiria uma moça durante a próxima semana. Não era o trabalho dos sonhos, mas serviria como aprendizado e teria a chance de ampliar minha rede de contatos.

Naquele sábado eu acompanharia o Héctor até um casarão onde aconteceria uma festa patrocinada por um dos caras das ligações comerciais do meu amigo. Pelo sim, pelo não, achei melhor não questionar qual era o tipo de comércio. Era quase nove da noite quando sai de casa toda produzida e nas pontas dos pés. Eu não queria ser vista pelo seu Ramon. Eu ainda estava em dúvida se o homem havia incorporado o papel do meu pai ou se ele me queria e sentia ciúmes do hondurenho. Comecei a ficar incomodada com a intensidade da sua suposta proteção.
Eu já estava com um pé fora do prédio quando ouvi:
— Qué te diviertas, Kamila!
Merda! parece que ele sente meu cheiro como os cachorros quando estão no cio. Agradeci e saí fora rapidão. O meu amigo estava na esquina me esperando.
Durante o trajeto ele recebeu uma ligação que, segundo ele, era de extrema importância. Se desculpou antes e depois de dizer que me deixaria sozinha por algum tempo na festa, pois precisava resolver um negócio de última hora. O homem não me disse onde iria nem o que faria. Ele não era do tipo mentiroso, mas era cheio de mistérios e segredos. Deixou-me na entrada do evento e prometeu voltar logo. Era só o tempo de resolver aquela parada, ele disse.
A festa era em uma das ilhas em Venetian Islands (fica entre o centro de Miami e Miami Beach). Entreguei meu convite para um homem e entrei balançando o corpo ao som de um ritmo contagiante. Depois fiquei sabendo que o ritmo era Calipso. Gente, era impossível ficar parada ouvindo aquela música. Mais alguns passos e... Deus do céu! Aquela barraqueira da porta da academia estava na festa e nem parecia uma nóia. A vadia estava toda produzida com um vestidinho decotado, curto e coladinho ao corpo, cabelo arrumado e maquiagem de puta (bem chamativa). Claro que ela fulminou-me com seu olhar característico de quem pergunta: O quê você está fazendo aqui sua vaca?
Só lancei-lhe meu olhar de desprezo e superioridade e fui para o lado oposto. Já a havia esquecido após ser agraciada com meu primeiro drink; um daiquiri gentilmente cedido por um dos rapazes presentes.
Caraca, que festinha legal. A balada era na área da piscina e a decoração lembrava uma ilha tropical. Diversas palmeiras, mesas com frutas coloridas e pratos com frutos do mar de toda espécie. Amei aquela festa caribenha, principalmente os coquetéis convidativos feitos a base de rum e tequila. Fiquei tão animada com o reggae que comecei a acompanhar a coreografia de um grupinho de rapazes. Dentre eles estava o que me deu a primeira bebida. Minutos depois eles que me acompanhavam em minha dança espontânea batendo palmas no ritmo e proferindo palavras de incentivo.
Dei uns goles em minha segunda bebida que acabara de ganhar. Dois dos rapazes animadinhos disseram algo sobre "dançar mais pra cima". Não entendi direito e nem dei bola, só sorri e balancei a cabeça como se concordasse e continuei dançando. Levei um baita susto quando fui segura e erguida pelos dois. Eles me colocaram em pé sobre uma espécie de balcão e disseram que eu tinha estilo. Eu quis descer, mas o grupinho foi muito simpático insistindo para que eu dançasse para eles ali em cima. Eu teria ficado sem graça em uma situação normal, porém não era eu que estava ali, sentia-me estranha e devassa ao extremo. Entrei na brincadeira e dancei para o meu grupinho particular. Fui incentivada com frases e assovios. E quando notas de 1 dólar começaram a ser jogadas aos meus pés, aí sim deixei rolar toda a minha sensualidade e falta de pudor. Fiquei animadíssima vendo outras notas começarem a forrar o balcão. Já estava completamente à vontade e sem noção de onde estava, fiz o joguinho do mostra e esconde levantando o vestido algumas vezes, ou fazendo as alças caírem pelos ombros e deixando o decote bem insinuante.

Será que já estava bêbada depois de duas ou três doses apenas? Não lembro ao certo quantas foram, após a primeira eu já estava de pileque. Eu costumo beber muito mais antes de perder o controle. Continuei com o meu showzinho, estava adorando tudo aquilo.
Fui abordada por um cara brutamontes e um outro nem tanto, mas tipo bandidão com cara de Snoop Dogg drogado. Eles fizeram eu descer do balcão, mesmo sendo vaiados pelos outros rapazes. Os dois animais foram rudes demais e colocaram euzinha para fora da festa... Vocês acreditam? Disseram que se eu quisesse fazer strip-tease deveria ter ido a um cabaré. Fiquei atônita pensando na estupidez gratuita dos caras, visto que eu não tinha feito nada demais. Tirei meu celular da bolsa para ligar para o Héctor e nem tive tempo de teclar, o idiota fortão tomou na marra o meu aparelho e mandou eu sair dali ou iria me arrepender de ter vindo. Fiquei muito puta, mas como argumentar ou lutar com um ogro daquele?
O fdp não deixou eu ficar na entrada (eu pretendia esperar o Héctor). Ele mandou eu sair fora antes que ficasse pior para o meu lado (não foram exatamente estas suas palavras, mas eu entendi perfeitamente). Ele foi me empurrando bruscamente e o meu choro não o comoveu, quase fui ao chão. Fiquei perdidinha sem saber o que fazer, já que estava sem carro ou condução para ir embora e sem entender o que tinha feito de errado. Desconfiei que alguma droga tivesse sido misturada à minha bebida. Senti-me como se estivesse entorpecida e comecei a procurar por fantasmas: Será que eu passei do ponto durante minha brincadeira com o grupinho de rapazes? Fiquei me questionando toda confusa.
Fui me afastando, ainda sem saber como voltaria para casa. Seriam quilômetros até conseguir uma condução, e ainda estava bem louca... Foi quando tudo aconteceu rápido demais. Faróis de um veículo surgiram do nada ofuscando minha visão e já estava quase sobre mim quando ouvi a freada brusca e paralisei fechando meus olhos esperando o inevitável. O carro parou a milímetros de mim; o calor emanando do capô parecia o de uma fornalha. Ao perceber que ainda estava viva, abri os olhos e vi o Héctor todo apavorado saindo do carro. Quando minha voz retornou eu consegui responder aos seus questionamentos sobre o que eu fazia caminhando a esmo pela rua, comuniquei-lhe sobre o ocorrido desde o início e deixei o homem irado ao contar sobre a minha expulsão do casarão. Ele disse que ninguém faz isso com sua garota... Eita, eu nem sabia dessa história de ser sua garota, pensei comigo mesma. Ele disse que só poderia tratar-se de um mal entendido. Voltaríamos para a festa onde todo mundo era hermano (segundo ele). Tudo ficaria bem ele afirmou.
Achei ótimo, pois queria o meu celular de volta. Apesar do susto que acabara de passar e das ofensas do sem noção que me colocou para fora, eu ainda estava animadíssima e gostaria de continuar me divertindo naquela balada do Caribe.

Voltamos para o casarão e identifiquei os dois caras a pedido dele, os dois estavam ao lado daquela vagaba. As atitudes promíscuas do trio deixava explícito o grau de cumplicidade entre eles. Só então percebi porque fui jogada na rua. Com certeza o ocorrido deveria ter a participação da vadia. Ainda estava em dúvida se o que eu sentia era raiva ou pena daquela coitada. Durante aquela semana fiquei sabendo que ela fazia ponto no centro da cidade durante a noite; nos arredores do American Airlines Arena. Dividia o espaço com outras putas de rua, nóias como ela, que aceitam alguns trocados por um programa ou trocam uma transa por pedras de crack.
A periguete tirou o sorrisinho da cara e mudou a expressão para apavorada ao perceber o Héctor se aproximando. Eu estava dois passos atrás dele. A garota saiu fora rapidão.
A cena que assisti na sequência me fez ficar arrependida por ter retornado. O hondurenho partiu para cima dos dois sujeitos os interpelando. Eles não devem ter dado as repostas corretas, pois mal começou a discussão e o Héctor já arrasou com os dois. Exagerou nas porradas deixando os ex valentões sangrando e deformados no chão. Fiquei com o estômago embrulhado. Ele pegou meu celular que estava com o grandalhão e depois puxou-me para sairmos fora ao perceber que o bicho ia pegar.
Fiquei amedrontada com este lado tão selvagem e letal dele, no entanto sentia algo de excitante ao pensar que ele o fizera por mim. Mesmo assim recusei seu convite para terminarmos a noite em outro lugar mais tranquilo. Falei que não estava bem, a bebida deixou-me enjoada e com a cabeça estourando. Com certeza alguém batizou minha bebida com drogas.
Ele, a contragosto, fez o caminho de volta para me deixar em casa.
Eu ainda não tinha feito sexo com penetração com o Héctor, e só faltava isso, a gente já tinha feito de tudo dentro da academia e do seu carro nos últimos oito dias em que estávamos ficando. Ao final dos nossos momentos de libertinagem com trocas de masturbação e orais, eu fazia o papel da donzela arrependida que tinha se deixado levar pelo momento e dizia estar envergonhada, pois eu tinha namorado e não era justo para com ele. Para todos os efeitos eu estava namorando com o Carlos (o policial).
Eu não sei porque estava bancando a difícil com o hondurenho, ele era muito delicinha e mexia demais comigo... Acho que sei o motivo, eu estava gostando dele e não queria admitir. Isto levava a outro motivo; não queria ser apenas mais uma em sua cama, queria que ele também gostasse de mim e provasse isso com gestos e palavras. Não sei o que estava acontecendo comigo, acho que estava tendo outra crise de romantismo...Que merda! Acho que me apaixonei pra valer pelo homem.

Chegamos próximo ao meu prédio e mais uma vez ficamos aos beijos e amassos dentro do carro. Não impedi sua mão atrevida de penetrar por debaixo do meu vestido e continuar o percurso até estar por dentro da minha calcinha. Deixei rolar os momentos de bolinação. O cara estava me levando à loucura e a vontade de ser possuída era incontrolável. Queria sentir seu corpo nu colado ao meu e entregar meu corpo e minha alma para ele, mas só se ele ficasse firme comigo. Minutos atrás, antes dele matar os caras (ou quase isso), ele disse que eu era o seu amor. Será que isso conta como compromisso?
Ahh! O danado me fez gozar outra vez. Remexi alucinada o meu sexo em sua mão e gemi baixinho com minha boca colada no seu pescoço. Contorci meu corpo por minutos dentro daquele veículo parado a menos de cinquenta metros da minha casa.
Estava levemente saciada e queria muito mais, porém me afastei e novamente fiz o teatrinho da garota cheia de pudores. Pedi para ele ter paciência só mais uns dias, pois eu iria terminar com meu namorado. Ele disse que eu o estava enlouquecendo, mas que teria paciência.
Fiquei frustrada. Ele é um cara tão... Como eu diria? Um fora da lei, bruto, macho e autoritário; ainda assim deu mole. Meu sexo ardia em chamas de desejos e eu deixaria rolar naquele instante se ele forçasse só um pouquinho mais. Da próxima vez acho que não resistirei, o tesão está incontrolável. Pensei.

Continua...



Beijos queridos amigos. Até o próximo capítulo!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Capítulo 6 - Pelada no Corredor

A gente fica maluca em Miami com tamanha quantidade de outlets que transformam pessoas em compradores compulsivos. Também há uma enormidade de lugares para se divertir, inclua nesse pacote os restaurantes com seus cardápios deliciosos. No entanto tive que pegar leve e adiar compras e gastos desnecessários, pois o foco naquele momento era arrumar um trabalho para não queimar todo o meu pequeno patrimônio. Tá legal, eu sei que fiquei com os dólares do Matheus, porém a grana estava no Brasil e eu não tinha como pegar, a menos que voltasse para Campinas. Ademais, eu tinha um pressentimento de que o mais sensato seria deixar aquele dinheiro no gelo por um bom tempo antes de começar a gastar.
Trouxe o suficiente para o básico. Os passeios a lugares turísticos e interessantes seriam feitos futuramente conforme tivesse oportunidade. O próximo passo era conseguir uma fonte de renda para que minha estadia de alguns meses não fosse apenas de subsistência, queria ter diversão também.
Meu Visa tinha validade de seis meses, mas, por ser de turista, eu não poderia trabalhar oficialmente. Então novamente eu quebraria algumas regras trabalhando em algo extraoficial; só não havia decidido em que. Ainda era minúscula a minha rede de contatos e também precisava adquirir um pouco mais de conhecimento sobre a cultura local. Passei o domingo e boa parte daquela segunda buscando informações no facebook, em grupos de brasileiros na Flórida.
Naquela noite eu tive mais um treino intensivo de Muay Thai. Meu mestre, o Héctor, falou comigo reservadamente durante a aula e disse que tinha um presente para mim, mas eu só veria na hora de ir embora, pois estava em seu carro. Sacanagem, fiquei morrendo de curiosidade.

***

Mais tarde, quando eu e o Héctor deixamos o interior da academia, apenas um cara que era responsável por desligar tudo e fechar o local ainda permanecia no interior do edifício. Caminhamos em direção ao seu carro que estava estacionado defronte ao prédio. Após abrir o porta malas ele me presenteou com uma TV Led de 32 polegadas, usada segundo ele, porém com aparência de nova, inclusive ainda estava na caixa. Fiquei feliz demais, pois 
minha casa parecia um cemitério, devido a ausência de um televisor ou aparelho de som. Eu dei um selinho no homem em forma de agradecimento. Foi bem na hora que a nóia apareceu do nada. Aquela mesma do dia chuvoso sob a marquise do supermercado. Ela surgiu tipo uma assombração e chegou apavorando. Estava toda valente desta vez. Deve ter trocado o crack por ecstasy, falei comigo mesma.
- Então pra essa você dá TV nova, carona e deve dar dinheiro também. Mas para seu filho você não dá nada.
Que merda! Esta garota novamente. E que filho é esse? Pensei. E começou uma discussão entre os dois e eu me afastei alguns passos enquanto ofensas eram trocadas. O nível de fúria chegou ao ponto do hondurenho segurar a garota pelo pescoço e vociferar que calaria a boca dela para sempre. Comecei a temer pela vida daquela barraqueira, pois a infeliz começou a se debater por não estar conseguindo respirar. Eu intervi pedindo para que ele a soltasse e não fizesse algo do que pudesse se arrepender. Honestamente, eu não estava com dó, mas se acontecesse o pior com aquela sem noção, o Héctor estaria fodido.
Ele teve um momento de lucidez e largou a vadia. Ela chorava e mal conseguia falar de tanto que tossia, enfim ela abaixou a crista. Puto da vida ele tirou alguns dólares da carteira e jogou em direção a ela proferindo palavrões. Após fechar o porta malas com raiva, pediu que eu entrasse no carro e saímos fora. Ainda vi a garota pegando o dinheiro do chão e ficar nos olhando enquanto o carro se afastava.

No caminho ele falou que a garota tinha um filho de um ano de idade e ela jurava ser filho dele, mas que duvidava, pois na época em que eles estavam juntos, houve um barraco forte na casa onde ela morava com a irmã mais velha e o cunhado. A irmã flagrou a periguete transando com seu marido na cama do casal. Depois ela revelou que o cunhado pagava para transar com ela e faziam isso há meses. A irmã a mandou embora de sua casa, e o Héctor também terminou com ela.
- Mas vocês não usavam preservativo durante as relações?
Ele respondeu que sim, mas aconteceu uma ou duas vezes de eles praticarem o coito interrompido. Porém ele afirmava ter certeza de não a ter engravidado. Depois do ocorrido ela começou a ir para a cama com qualquer um e por qualquer quantia.
Mesmo não assumindo a paternidade, de vez em quando eu dou algum dinheiro pra ela, mas é por dó da criança. Concluiu ele.
Estávamos chegando em casa e eu não queria ser vista com ele. Isto acabaria queimando meu filme com o meu senhorio cubano que não vai com a cara do meu amigo. Pedi que parasse na esquina mais próxima e falei com muito jeitinho para ele não parar mais defronte do meu prédio. Ninguém tinha nada a ver com a minha vida, no entanto queria evitar comentários desagradáveis. Meu amigo disse entender e faria isso por mim, ele sabia que o motivo era o meu senhorio cubano. Foi gentil em não dizer nada. Agradeci mais uma vez e ele se foi. Eu sofri para levar aquele negócio até em casa, não era pesado, mas era grande e desajeitado para carregar.

Como sempre, em meus retornos ao lar, encontrei seu Ramon assim que adentrei o condomínio. Eu já estava ficando neurótica com sua marcação cerrada. Pelo menos ele ofereceu-se para levar a caixa e eu aproveitei a oportunidade e pedi para ele instalar o aparelho pra mim. Ele deixou a caixa em minha porta e foi pegar as ferramentas necessárias em seu apartamento. Aproveitei para tirar a camiseta, tênis e lavar mãos e rosto, a noite estava quente e eu morrendo de calor pelo esforço feito.
Após seu retorno, respondi sua pergunta se eu tinha comprado ou ganhado. Respondi que comprei no Best Buy, aproveitei a promoção por ser uma peça do mostruário.
- E você desistiu de comprar o computador, niña?
Ele havia me perguntado outro dia se eu não sentia falta de um televisor. Eu respondi que sim, mas no momento eu compraria um computador, a TV teria que esperar para quando eu conseguisse um trabalho.
Respondi sua segunda pergunta dizendo que precisava do computador, mas adiaria a compra, pois o dinheiro estava curto. Pelo menos poderia navegar pela internet na tela grande do televisor, já que o aparelho é Smart TV. Ainda tive que dar mais detalhes sobre a compra, todos inventados, claro, inclusive o táxi fretado para trazer o bagulho.
Recebi também um elogio referente ao top e o short coladinho que estava vestindo. Eu uso na academia de luta, mas para todos os efeitos eu frequento uma academia de fitness distante dali. Visto uma camiseta por cima da roupinha para fazer o caminho de ida e volta para casa.

Ele também achou que a TV parecia nova e sem uso, apesar do interior da caixa estar meio bagunçado com cabos e peças fora da embalagem. Melhor que seja nova eu pensei, só não o deixaria saber que era um presente do hondurenho.
Fiquei observando o homem enquanto ele fixava o aparelho em uma parede onde outrora houvera outro televisor. Ele lembrava o meu avô, os dois tinham o mesmo jeitão autoritário de militar, porém o cubano tinha uns vinte anos a menos e os cabelos levemente grisalhos. A pele branca queimada de sol, boa altura, braços fortes e abdômen de quem já malhou por décadas, mas a barriguinha começando a ficar insinuante.
- O Sr. é policial, seu Ramon?
Ele olhou-me com um semblante fechado e apreensivo e deixou-me com medo e arrependida de ter feito a pergunta.
- Quem lhe disse isso, niña?
- Ninguém, é que o Sr. parece muito com meu avô, principalmente no jeitão e modo de falar. O meu avô é coronel aposentado da polícia militar do Brasil. - Ele respondeu meio a contra gosto, disse que trabalhou no governo cubano, mas não era policial. Eu mudei de assunto. Falei que estava procurando um trabalho, e caso ele soubesse de alguma coisa eu agradeceria se me ajudasse.

O papo ficou mais descontraído com o decorrer dos minutos. Falei que não oferecia uma bebida para ele porque eu não tinha nada em casa, não consegui comprar, eu ainda não tinha 21 anos (isso ele já sabia). Ele quis saber se o Carlos era o meu namorado, respondi que não, era um colega e a gente se curtia e ficava. Tive que explicar o significado de curtir e ficar.
Ele terminou o serviço, ligou a bicha e estava tudo funcionando, recolheu suas ferramentas e perguntou qual bebida me agradava. Para fazer média falei que adorava os coquetéis cubanos, daiquiri e mojito principalmente - e eu amo mesmo estas bebidas -. Qualquer dia desses ele me ensinaria a fazer o verdadeiro mojito havano, falou animado. Fiquei decepcionada, deduzi que ele pegaria a bebida em sua casa naquele instante e não um dia qualquer, mesmo assim agradeci e quis lhe dar uma caixinha pelo serviço. Ele gentilmente recusou e disse estar à disposição para quando eu precisasse de manutenção em algo da casa.


Fui para o banho após ele sair. Meu corpo estava dolorido pelo esforço feito na aula de luta e precisava de uma ducha gostosa e uma massagem com um óleo de camomila para aliviar as dores.
Sentei em minha cama após o banho, liguei a TV em um canal qualquer e comecei a massagear meu corpo nu com o óleo relaxante...Assustei com três batidinhas em minha porta, olhei o relógio e passava bastante das 22hs. Cheguei pertinho e perguntei quem era.
- Soy yo, Ramon, Kamila.
Pedi para ele esperar um minuto, corri até o mini closet e peguei um robe levinho só para cobrir rapidamente o meu corpo. Atendi a porta receosa da intenção da visita do homem àquela hora da noite. Abri só uma fresta, fiquei com o corpo colado na parte de dentro da porta, pois a seda fina mostrando minhas curvas poderia despertar alguma tara naquele senhor. Coloquei a cabeça no vão e o vi com um copão na mão onde tinha folhinhas verdes, limão socado, uma bebida cristalina e gelo.
- Fiz um mojito havano para ti, ninã - e ofereceu-me o copo.
Quase gritei de tanta felicidade, estava doida por uma bebida. Abri a porta rapidão e...Soltei um gritinho. A porra da maçaneta entrou na fresta do meu robe e o levou junto quando escancarei a porta. Fiquei pelada na frente do homem com meu robe todo aberto. Virei rápido de costas para ele.
Jesus! Me desculpe, seu Ramon - falei assustada e toda sem graça.
- Tranquila, Kamila, foi demasiado rápido - falou o danado demonstrando a decepção de quem não viu o suficiente.
- Pero no mucho, né? - falei zoando e rimos do meu mico.
Peguei o copo e agradeci dizendo que ele adivinhou meu pensamento, pois agora mais que nunca eu precisava de uma bebida. Novos sorrisos e desejos de boa noite e bons sonhos, desculpei-me novamente pelo incidente e fechei a porta.

***

Seu Ramon bateu em minha porta na manhã seguinte. Trazia consigo um Computador Desktop completo. Disse que era de um ex morador que saiu devendo e pagou como pode e com o que tinha na residência. Ele comentou não ter intimidade com estas tecnologias e também ninguém se interessara em comprar o aparelho. Ele me deu de presente. Claro que recusei, à princípio, pois achei que ele estava muito cheio de gentilezas desde a noite anterior quando me trouxe a bebida. E depois de ter me visto pelada, acho que ficou animadinho demais. Porém acabei aceitando o presente, ele foi tão insistente que seria desfeita da minha parte recusar o negócio.

Continua...


Beijos queridos amigos, até o próximo Capítulo!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Capítulo 5 - Rolando no Tatame

A minha primeira semana nos EUA passou voando, mas foi cansativa. A faxina e as compras intermináveis para ter o básico em meu novo lar me deixaram só o pó. Fiz minha matrícula na academia e as duas primeiras aulas foram punk; o meu corpo estava todo dolorido. A propósito, sobre a academia, aquilo era uma arena de vale tudo e as aulas não eram de defesa e sim de ataque. Ali eram ministradas técnicas de Muay Thai só visando aniquilar o inimigo, digo, o adversário. Hispânicos e latinos, mal encarados em sua maioria, quase se matavam durante o treinamento dentro de um ringue na área central do edifício. Enquanto isso eu e outras garotas derramávamos suor em outro canto.
Depois de correr muito pelo salão e fazer trocentas flexões fui para a parte relaxante do aprendizado. Eu e as outras meninas batemos em sacos de areia e bonecos de borracha. Aprendi a socar, chutar, dar cotoveladas e joelhadas até ficar com braços e pernas roxos. Extravasei toda a raiva contida em meu subconsciente.


Mas nem só de violência vive o homem. No sábado pela manhã eu fui à academia, o Héctor me daria umas aulas exclusivas de defesa pessoal. Ele disse que socos e chutes são bons recursos, mas se você estiver dominada por mãos e braços do oponente, precisaria dominar outras técnicas. O hondurenho disse que era faixa preta de judô.
— E você está com ela aí? A gente poderia fazer uma brincadeira legal. — Não resisti em fazer minha piada e meu joguinho de sedução. Jesus amado, quando é que eu tomarei jeito de moça direita? 
Ele gostou da brincadeira, disse que não estava com a faixa mas poderia conseguir algo parecido. No entanto deixamos o jogo sexual para outra hora, pois o foco era o treinamento de defesa e depois ele me levaria em seu carro até o Walmart, conforme havíamos combinado. Eu compraria as miudezas para minha casa e também alguns equipamentos de proteção necessários para os treinamentos. E uma roupa apropriada também.
A aula transcorreu rápida e divertida. Cada vez era mais prazeroso estar ao seu lado e sentir o contato do seu corpo no meu. Em umas das quedas ficamos deitados no tatame com nossos corpos colados. Eu estava imobilizada e de frente para ele. Até que demorou para acontecer o inevitável... Trocamos um olhar de cumplicidade com nossos lábios a poucos centímetros de se tocarem. Ele encurtou sutilmente a distância e eu sorri maliciosamente. Avancei minha boca úmida mais alguns milímetros oferecendo meus lábios entreabertos. Meu corpo já estava aquecido pelo calor da luta no solo e, apesar de estar queimando de desejos naquele instante, eu estremeci como se tivesse um calafrio ao deliciar-me com um beijo demorado e de tirar o fôlego. A ausência de outras pessoas, o silêncio do edifício e o meu shorts folgadinho que começava a descer com facilidade por meus quadris, faria com que chegássemos rapidamente aos finalmentes. Eu raramente consigo controlar os meus impulsos, mas consegui ser forte desta vez. Levantei um pouco sem graça, pois estava quase pelada. Fui mais recatada do que de costume e dei uma esfriada na situação pedindo desculpas e dizendo que nós estávamos indo rápido demais. Enquanto eu ajeitava meu shorts e top, perguntei:
— Você me leva até o Wallmart agora?
Ele respondeu que sim, também agindo de modo comedido e tentando disfarçar a excitação.
Partimos para as compras e tivemos tempo de conversar sobre todos os assuntos e nos conhecermos melhor. Horas depois ele me deixou na entrada do meu condomínio carregada de coisas para minha nova morada. Não houve beijo de despedida, apenas um hasta luego.

Aquela semana foi produtiva. Na terça eu abri minha conta bancária e na sexta eu fui ao consulado brasileiro para fazer minha Carteira de Matrícula Consular. Eu havia agendado na segunda feira. Este lance também foi uma recomendação do Carlos. Ele disse (e eu concordei) que se ficarmos andando com o passaporte original, corremos o risco de perdermos, danificá-lo, ou pior, ele pode ser furtado e usado para fins criminais.
A "Carteira Consular" é um documento tipo o RG que temos no Brasil, ele substitui nosso passaporte no exterior. Este documento é grátis e tem validade de dez anos. Então podemos deixar nosso passaporte guardado em local seguro para evitar qualquer problema.
Esta carteira é reconhecida pelo governo dos EUA, pois há um acordo entre os dois países. Você faz de tudo com ela, já que é um documento como se fosse o passaporte. Podemos viajar pelos Estados Unidos, abrir conta em bancos e também é aceito nos serviços públicos.
Para tirar é necessário o passaporte e outro documento do Brasil, tipo o RG e um comprovante de residência. Eu levei meu contrato de locação, pois ainda não tinha recebido nenhuma correspondência em meu nome naquele endereço.
No consulado nem pediram para ver o comprovante de residência, só pegaram meu passaporte, o meu RG e perguntaram onde eu estava residindo. Receberei a minha carteira consular em até quinze dias, via correios.

***

Ainda naquele sábado no início da noite, recebi uma ligação do Carlos convidando-me para jantar. Ele disse que me pegaria pouco depois das dez, já que seu treinamento iria até as nove. Porém não poderia ficar muito tempo, visto que iria cedinho para Orlando visitar a filha pequena que morava com a mãe, sua ex esposa. Falei que estava exausta, tive uma semana de muito trabalho. Sugeri que ele fosse dormir mais cedo, pois a semana dele também foi puxada e ele teria que dirigir por mais de três horas pela manhã. A gente se encontraria em outra oportunidade. Ele concordou e eu entendi porque ele desistiu tão rápido do encontro. O Carlos, no início da semana, iniciou um processo para ingressar na SWAT. Os primeiros testes são físicos e são extenuantes, conforme ele me disse nas ligações durante a semana. Eu estava feliz por ele estar dando um Upgrade na sua carreira de policial. Ao mesmo tempo eu sentia que aquilo aumentaria a distância entre nós.
Após encerrar a ligação eu continuei imóvel sentada na cama, recostada na cabeceira, exausta e satisfeita por não precisar me arrumar para sair. Começava a achar que a chama do domingo anterior, quando me entreguei por inteira ao Carlos, começava a se extinguir. E não pensem que foi por causa do meu lance com o Héctor, não sou tão volúvel assim... Tá bom, eu sou volúvel, mas não tinha nada a ver, eu apenas não queria envolver-me com o Carlos, pois nossos mundos são muito diferentes. Acreditei que ele estivesse pensando a mesma coisa a meu respeito naquele instante. E olha que ele não sabe da missa a metade.

Continua...




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