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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Capítulo 4 - Adaptação Imediata

No dia seguinte, segunda-feira, retornei ao condomínio com minhas duas malas e uma mochila contendo roupas,calçados e acessórios femininos. Levei também o dinheiro para o primeiro aluguel e depósito. Não tinha roupa de cama, nem tão pouco de mesa e apenas uma toalha de banho. Dei a grana para o homem, peguei o recibo, as chaves e ouvi ele reiterar as normas ditas anteriormente: nada de drogas, festas, animais, som alto, visitas somente durante parte do dia, e outros detalhes do dia a dia do condomínio. Credo, quantas regras. Acho que quebrarei algumas. Pensei comigo mesma com cara de séria, mas segurando um sorriso.

Minutos depois estava sozinha fazendo uma inspeção em meu novo lar. Era evidente a necessidade de uma faxina geral, porém faria isso somente no dia seguinte. Fiz uma lista das prioridades que compraria para abastecer e equipar a casa. Retornaria ao hotel naquela tarde e dormiria lá, havia pago três diárias e teria até as 11h do dia seguinte para fazer o check-out.

Na manhã seguinte (terça-feira), retirei meu dinheiro que estava no cofre do hotel e fechei minha conta. Peguei um táxi para Little Havana, seguiria a dica de um vídeo que assisti no YouTube sobre como abrir uma conta bancária nos Estados Unidos. A propósito, recomendo o mesmo para quem pretende permanecer meses no país. O Carlos também sugeriu que eu abrisse a conta. O banco que recomendo é o Wells Fargo, fui em uma agência nas proximidades da minha residência. Foi necessário apenas o meu passaporte e um depósito de cinquenta dólares para abrir a conta, no entanto eu deixei quase todo o meu dinheiro depositado e protegido. Recebi um cartão de débito (era provisório. O definitivo eu receberia pelos correios) e ganhei algumas folhas de cheque.

Depois de resolvido o lance do banco eu voltei a minha atenção para umas compras de emergência, não tinha nada para comer em casa e nem os utensílios mais simples de cozinha tipo: pratos, copos, ou talheres. Faria uma compra pequena, pois voltaria de ônibus. Os táxis estavam acabando com minha grana, Deus do céu, como são caros.Também não é tão fácil pegar um táxi dependendo de onde você está. Aquelas cenas de filmes em New York que a pessoa grita "TÁXI" e meia dúzia deles param ao seu lado, isso é só em filmes — mesmo porque aqui não é New York, né? — Em Miami, geralmente você tem que ligar para alguma empresa de táxi ou usar um aplicativo do celular solicitando o serviço. Pensei que talvez eu precisasse comprar um carro para locomover-me com maior facilidade, porém adiaria a compra até chegar o momento oportuno.
Fiz uma busca no Google e encontrei um supermercado da rede Sedano's nas proximidades. Foi onde comprei o necessário para os primeiros dias e que eu pudesse carregar nas mãos. Fui embora de ônibus e segundo o GPS eu desci 1,6 milhas depois, era o ponto mais próximo da minha casa. Caminharia as quatro quadras restantes com as mãos cheias de compras.

Um carro show demais, conversível e branco (nem faço ideia qual era a marca e modelo), veio em sentido contrário e diminuiu a marcha parando ao meu lado. O motorista era um cara próximo dos vinte e cinco anos, pardo de aparência latina. Perguntou se eu queria ajuda com as compras. Recusei gentilmente e falei que já estava chegando em casa. Continuei andando. A rua era de mão única, assustei quando ele veio de ré e ficou novamente ao meu lado. O cara tinha um jeitão desses membros de gangues de filmes americanos: camiseta regata, várias tatuagens, bigode e cavanhaque bem aparados dando-lhe um visual másculo, porém cafajeste.
— Você é do Brasil? Perguntou enquanto seguia devagar com o carro acompanhando meus passos que ficaram mais rápidos, pois fiquei com medo daquele cara de aparência suspeita. Eu era recém chegada em um país estranho, cultura estranha, ainda estava bem no início da minha adaptação e não sabia em quem confiar.
Respondi que sim e não teria como negar, já que o meu portunhol deixava bem claro.
Eu já havia recusado sua ajuda e carona mais duas vezes quando chegamos na esquina da minha rua. Uma de suas outras perguntas era se eu estava morando em Miami, menti ter vindo com meus pais somente a passeio, entrei à direita... Deus, o cara continuou me seguindo. Eu ainda não estava apavorada, em razão de suas maneiras e palavreado não serem vulgares e nem de fazer o tipo bandido. Seu papo era educado — pelo menos ele se esforçava em sê-lo — e fazia convites para irmos tomar uma cerveja, um suco ou apenas um café. E se ele fosse um psicopata tipo um serial killer? Que medo, pensei.
Felizmente cheguei em meu prédio e avistei o senhorio (o cubano), estava na entrada conversando com outro homem. Ele olhou sério para o cara do carro, ele por sua vez fez um gesto tipo quem bate continência e disse:
— Buenas tardes, Ramon! — e acelerou o carro saindo fora.
O senhor Ramon (o cubano) nem respondeu ao boa tarde do cara. Perguntou se ele havia me molestado. Respondi que não, só ofereceu ajuda com minhas compras. Deu para perceber que ele conhecia o sujeito do carro e não ia com a cara dele. Pedi licença e fui para dentro, eu não queria saber da vida dos outros, ficaria na minha e de bem com todo mundo dentro do possível.

Meia hora depois estava saindo novamente para ir em outro Sedano's a três quadras de casa, só que do lado contrário ao que tinha ido antes. Compraria água mineral, produtos e material de limpeza. No caminho trombei novamente com o cara tatuado, ele estava ao lado do carrão defronte a um edifício antigo decorado com grafites estilo Rip Rop e uma placa fazendo referência a uma academia de defesa pessoal. Era tarde demais para mudar de calçada. Gelei quando ele pegou um papel nas mãos de um garoto que estava ao seu lado e veio em minha direção. Sua abordagem foi simpática e respeitosa, estendeu-me o papel, era um folder relacionado ao estabelecimento e as aulas ministradas. Comentou que era sócio e instrutor naquele negócio e apresentou-se como Héctor Alejandro Gonzáles, hondurenho. A simpatia continuou, ele me ofereceu uma semana de aula grátis e insistiu para que eu entrasse, conhecesse o lugar e fizesse a inscrição para a semana free. Falei que estava com pouco tempo e precisava fazer umas compras urgentes. Prometi voltar para conhecer outra hora. Arrependi-me de ter dito sobre as compras, com certeza ele deduziu que eu iria no supermercado na próxima quadra. O cara não insistiu, disse que aguardaria ansioso a minha visita.

***

Estava caminhando pelos corredores do supermercado e tentando não comprar mais do que eu poderia carregar, ao mesmo tempo eu pensava naquele cara de traços marginais, todavia muito atraente, não que fosse bonito, mas ele tinha uma maneira peculiar de agir e um sex appel impossível de ignorar. Eu preciso parar de pensar com o sexo, isso só tem feito com que eu entre em roubadas. Gostaria de poder sentir medo do perigo e afastar-me quando prevejo uma situação com cara de roubada. Queria me envolver apenas com os caras certos e bonzinhos que despertem alguma paixão em meu coração... Ahh! O que que estou dizendo? Não quero nada disso, tudo isso é muito mais do mesmo. Quero adrenalina e quanto mais melhor. Alguém pode dizer: e quando der errado e o erro for fatal? Respondo: espero já ter dado o meu recado quando chegar essa hora.

Terminei de fazer minhas compras e senti um cheiro característico de chuva enquanto estava no caixa passando as compras. Fiquei preocupada por estar carregada de mercadorias novamente, apesar de não ter comprado nem a metade do que estava precisando com certa urgência. Chovia forte quando eu sai do mercado, porém nada está tão ruim que não possa piorar... Adivinhem quem estava se aproximando defronte a porta de saída do supermarket? Ele, o Héctor Alejandro Gonzáles todo garboso em seu poderoso possante, com a capota fechada naquele momento, claro. O cara só poderia estar me seguindo e até a natureza estava conspirando contra, pois o tempo estava ótimo com sol brilhando momentos antes quando cheguei e virou em minutos para chuva. A água começou a cair sem dó.
Olhei para o céu e estava tudo escuro e o teto baixo, iria chover muito. Para piorar ainda tinha um ventinho que incomodava. Fiquei parada próximo à porta de saída. Deixei as compras no chão já que o peso era demais para os meus braços e mãos. Eu tive um dia puxado, não parei nem um minuto desde aquela manhã. Naquele momento estava cansada ao extremo.
Fiquei sob a marquise do mercado torcendo para a chuva passar logo e assim como eu, havia entre as outras pessoas, uma garota parda de aparência latina e de uns vinte anos aproximadamente. Era bonita de rosto, o corpo um pouco acima do peso, cabelos longos e castanhos, mas desleixada no geral. Vestia uma bermuda jeans, uma blusa tomara que caia de um branco encardido e que exibia com nitidez o contorno dos seus seios fartos. Seu tênis era podrinho e sua aparência era de nóia (dependente químico). A doida correu debaixo de chuva em direção ao carro do Héctor. Toda oferecida ela o encheu de elogios vulgares dizendo como ele era gostoso na cama e macho de verdade, etc. Todos os mais próximos puderam ouvir a tentativa da garota de fazer o cara se sentir o fodão do pedaço, contudo não deu certo, ele dispensou a oferecida com rispidez e sarcasmo. Disse para ela ir à pé e que um banho de chuva lhe cairia bem no momento. A garota não respondeu, pareceu-me que ela temia o cara, voltou para debaixo da marquise obediente como uma cachorrinha que o dono manda se deitar, mas sua expressão não tinha nada de conformismo, e sim de revanchismo.
Ele avançou mais uns metros e encostou o carro pertinho de onde eu estava, desceu e veio em minha direção. Disse que a chuva demoraria a passar e ofereceu uma carona. Eu fiquei preocupada, não com o assédio do cara, e sim com o olhar maligno e ameaçador da outra que foi dispensada. Mas se ela achou que eu recusaria a carona por causa dela, enganou-se "miga", daí sim que eu fiz questão de ir com ele só para dar o troco na petulância daquela atrevida.

Disse para o cara que estava mesmo precisando de uma carona, visto que comprei coisas demais para carregar nas mãos. O gato foi gentil pegando minhas compras e levando para o carro, porém algo em mim ainda dizia ser recomendável evitar carona com esse cara, pelo menos até eu ter certeza de não tratar-se de um psicopata. Contudo dessa vez ele nem foi muito insistente, também nem adiantaria caso eu não necessitasse da carona, pois raramente alguém consegue convencer-me pelo cansaço. Dessa vez fui vencida pelo sentimento de vingança despertado em mim por aquela sonsa abusada, e também pela dose de adrenalina. Eu não consigo resistir a um chamado de perigo que possa envolver prazer.
Enfim, aceitei sua carona para voltar para casa. Porém ele foi bem cavalheiro não fazendo mais nenhum convite para sairmos ou perguntas sobre minha vida, só falou da academia e o que eu aprenderia. O percurso era curto e chegamos logo ao meu condomínio. Prometi ir no dia seguinte fazer minha inscrição, pois ele havia feito uma explanação legal sobre as aulas ministradas, isso em dois minutos de conversa. Desci, peguei minhas coisas, dei um "hasta mañana" e ele se foi.

Novamente cruzei com o seu Ramon no hall de entrada, ele agora estava sozinho e falou comigo sobre o cara do carro. Disse que ele é hondurenho ( eu já sabia, mas não falei nada) e não é gente boa. Não trabalha, mas está sempre com carros valiosos e na companhia de pessoas envolvidas em gangues e coisas ilegais. Muitas das tatuagens em seu corpo são típicas de detentos em presídios.
— Manténgase alejado de él, niña, tenga cuidado. — Em português claro ele quis dizer: "Sai fora ou você estará entrando em uma roubada, garota."
Aceitei sua ajuda para levar os bagulhos escada acima, falei que ainda precisava comprar muita miudeza para a casa. Ele sugeriu o Wallmart, pois lá eu encontraria de tudo para equipar uma casa.

Mais tarde, durante minha faxina, fiquei pensando: será apenas fachada a academia do Héctor? Ou o cubano está exagerando na dose por não gostar do hondurenho? Decidiria até o dia seguinte se faria a minha inscrição. Aprender a me defender seria uma boa ideia no momento, pois têm muitos caras e algumas minas engraçadinhas que merecem umas porradas.


Continua...


Beijos queridos amigos, até o próximo Capítulo!

sábado, 23 de julho de 2016

Capítulo 3 - Alugando um Studio

Depois do meu "rala e rola" com o Carlos e durante o nosso café matinal, ele comentou sobre o seu trabalho. Ele é sargento do departamento de polícia de Hialeah Gardens — é uma cidade do condado de Miami-Dade.
— Caraca, ainda bem que não te cobrei nada pela transa, ou eu estaria numa enrascada agora, né? — Ele riu gostoso, pois deduziu tratar-se de uma brincadeira, claro, uma vez que eu não comentei nada sobre as parcelas polêmicas de minha vida, contei apenas sobre o meu trabalho de promotora em eventos. Achei melhor omitir meu outro trabalho, o de acompanhante, em razão de ser considerado crime nos Estados Unidos. No Brasil não é socialmente aceito, mas não é crime.
No tocante a ele ser cidadão americano e filho de brasileiros, fiquei sabendo na cama do hotel durante o intervalo do nosso primeiro momento de pegação.
Mudei de assunto e comentei sobre a minha necessidade de alugar algo para morar, não poderia continuar hospedada em hotéis, era economicamente inviável.
— Mas você não veio só a passeio? — ele perguntou demonstrando espanto.
Respondi que sim, vim com a intenção de aprender o inglês e conhecer em detalhes como era a vida nos Estados Unidos. Estava analisando a possibilidade de fixar morada no país em um futuro próximo. Quando retornasse ao Brasil batalharia por um visto de trabalho. Por hora, ficaria alguns ou os seis meses que o meu Visa permitia. Preparei-me financeiramente para isso antes de vir.
Perguntei se ele poderia me ajudar a encontrar algo pequeno para alugar e ao invés de fazermos um passeio turístico faríamos um tour imobiliário. Depois dos esclarecimentos que ele fez sobre locação nos EUA, onde ele confirmou as informações que eu já havia visto na Internet, conversamos sobre os valores que eu poderia pagar, visto que o aluguel em Miami não é nada barato.
O Carlos disse que eu estava com sorte, pois uma amiga sua, também brasileira, estava querendo uma moça para rachar o aluguel de um studio (ou kitnet, como preferirem). Ele quis saber se eu aceitaria dividir um quarto com outra moça. Respondi que para mim estaria ótimo, sem problemas. A vaga em questão era de outra garota que casou na última semana e foi morar com o marido.
Meu colega não conseguiu contato por telefone com sua amiga, logo, sugeriu irmos pessoalmente encontrá-la em seu local de trabalho antes que a vaga fosse preenchida por outra pessoa.
Ele foi muito gentil em acompanhar-me, infelizmente chegamos tarde, a vaga havia sido alugada naquela manhã. A sua decepção pareceu ser maior que a minha. Ele sugeriu continuarmos rodando, principalmente por lugares onde houvesse a chance de encontrar um apartamento que estivesse dentro das minhas possibilidades. Estávamos em Little Havana, ele disse que encontraríamos algo bom e de valor razoável naquele bairro.
Algumas quadras depois, eu olhava o lugar, casas e ruas, era tudo tão diferente do que costumamos ver no Brasil, digo nos detalhes culturais. As casas não tinham muro ou cercas em sua maioria e as calçadas eram quase todas iguais, feitas de cimento apenas, nada de pedras, cerâmica ou similares. Em algumas ruas havia casas com grades nas portas e janelas, e também condomínios com cercas de tela, mas era uma parcela insignificante. Notei a ausência de crianças brincando nas ruas — apesar de ser domingo — também não deparei com algo similar aos nossos famosos botecos de periferia com pessoas bebendo na entrada e balcão... Despertei da minha viagem particular ao sentir um solavanco e ouvir o barulho da freada brusca. Ele desculpou-se pelo susto, entrou à esquerda e parou o carro no estacionamento de um ponto comercial. Havia quatro senhores defronte a um café, ele disse conhecer um dos homens naquele grupinho e que o sujeito poderia me ajudar. Fiquei esperando no veículo enquanto ele ia ter com o pessoal.
Um dos homens, logo após ser indagado pelo Carlos, fez uma cara de quem pensava e disse algo promissor, deduzi em face da reação do meu colega, pois demonstrou animação e teclou no celular. Após o telefonema ele olhou para mim com uma expressão de felicidade, agradeceu ao homem e despediu-se dele e dos outros. Voltou para o carro com um sorrisão no rosto e falou:
— Achei a sua casa. Vamos até lá.
Retribuí o sorriso enquanto juntava as mãos em forma de prece.
Chegamos a um condomínio de dois andares, comprido e cheio de janelas. Falamos com o responsável, um senhor cubano muito simpático. Ele tinha duas suítes mobiliadas para alugar, gostei da mais sujinha, porém só precisava de limpeza. A pintura era clara e nova, os móveis e eletrodomésticos estavam conservados. Era um quarto com micro cozinha incorporada e um banheirinho. Era tudo minúsculo, mas o espaço seria suficiente para mim e poderia cozinhar. Economizaria uma grana não precisando comer em restaurantes todos os dias.
Pagaria seiscentos dólares por mês, e estava incluso: gás, água, internet e TV a cabo. A luz era separado e a área de serviço era comunitária e na parte de baixo, com lavadora e secadora. Maravilha, pensei. O acerto foi direto com o homem e poderia mudar no dia seguinte, logo após pagar o primeiro mês adiantado e dar mais um mês de depósito. O contrato seria de seis meses, era o tempo mínimo estabelecido.
Depois do alívio por ter conseguido a moradia, fui passear com o Carlos em Miami Beach, o mínimo que eu poderia fazer para agradecer era pagar o almoço. Fomos a um restaurante na Ocean Drive, recomendação dele. Geralmente se come bem e barato em Miami, paguei vinte dólares em um spaghetti ao molho branco com muito camarão e tomate picado. Serviria facilmente três pessoas, porém nós dois comemos tudo sozinhos. Infelizmente tudo foi regado a suco e água, eu completaria vinte e um anos em alguns dias e ainda não poderia beber e nem comprar nada de álcool em estabelecimentos comerciais.
Depois do almoço continuamos nosso passeio caminhando pela Ocean Drive. O dia passou rápido e eu ainda não tinha entrado no mar. Apesar de sóbria, estava doidinha para dar um mergulho e ser batizada pelas águas do Atlântico Norte. Escolhemos uma praia mais ao sul de Miami Beach.
Após a pequena caminhada eu já cheguei tirando minha bermuda e blusa, estava com o biquíni por debaixo. O Carlos, apesar de acostumado com o Brasil, ficou com os olhos fixos em meu fio dental, nada exagerado, todavia provocante. 
Ele disse não estar a fim de se molhar, então fui para o mergulho sozinha, mas não curti muito a temperatura da água, apesar do céu azul, sol brilhando e a temperatura agradável da areia, a água estava fria demais para o meu gosto. Voltei para a companhia dele e não tinha nem uma toalha para me secar, e tinha um ventinho gelando ainda mais o meu corpo.
— Ai que frio — choraminguei toda trêmula.
— Vem aqui que eu te aqueço. — Ele envolveu meu corpo com seu abraço.
Eu ainda tentei evitar, pois iria molhar toda sua roupa, entretanto adorei sua rapidez característica abraçando-me antes que eu tivesse qualquer reação. Foi tão bom sentir-me protegida, segura e aquecida pelo calor do seu corpo. Este homem estava mexendo comigo, e mexeu ainda mais quando procurou minha boca beijando-me de uma maneira apaixonada. Eu fiquei suspensa pelo seu abraço e os dedos dos meus pés mal tocavam o chão. Correspondi ao beijo sentido minha língua ser devorada e meu corpo espremido contra o dele. Rocei meus mamilos duros e eretos em seu peito e curti um volume morno e convidativo pressionando minhas partes baixas. 
Apesar de saber que não deveria deixá-lo aprofundar-se nesta relação, fui permitindo seu envolvimento e tornando-me cúmplice de uma situação que tinha tudo para dar errado. Todavia não conseguia resistir, era tão bom desfrutar do seu carinho. Eu tinha outros planos sobre minha estadia no país, incluso nesses planos estava infringir a lei.
O Carlos era um cara especial e não queria de maneira alguma magoá-lo. No entanto naquele instante esqueci de tudo que pudesse não dar certo e entreguei-me ao desejo carnal e curti o momento namorando aquele moreno gostoso e deixando claro que ele era especial para mim.
Após os amassos cheios de paixão e tesão, caiu nossa ficha, estávamos rodeados de outros banhistas. Tentei criar um clima de descontração e falei só para zoar:
— Aqui pode fazer top less? — Claro que ele disse que ali não podia.
Fiz biquinho e disse que queria bronzear meu corpo sem deixar marcas de biquíni. Ele disse que em outro final de semana me levaria para o norte de Miami Beach, lá eu poderia ficar nua. Demonstrei toda minha alegria e disse que cobraria o passeio.


Continua...


Beijos queridos amigos, até o próximo Capítulo!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Capítulo 2 - Carlos

Após estar instalada em meu quarto, tomei um banho de banheira, demorado e relaxante. Tirei das malas somente as roupas que usaria de imediato e nos próximos dois dias. Já era noite, iria até à recepção para guardar a maior parte do meu dinheiro no cofre do hotel, guardaria nove dos dez mil dólares. Ficaria com os mil dólares restantes e com meu cartão pré pago para as despesas dos primeiros dias.
Minutos depois a minha grana estava em local seguro, aproveitei a ausência de hóspedes naquele momento e bati um papo com o recepcionista que gentilmente atendeu-me. Fui informada dos locais onde poderia fazer saques de dinheiro, outros onde poderia enviar valores para o brasil quando houvesse a necessidade, lugares onde comprar chip de celular, dicas de transporte público entre outras coisas.


A noite estava agradável e uma brisa morna convidava para um passeio e uma refeição fora do hotel. Usaria uma dica importante naquele momento, era de onde poderia comer bem e pagar barato, estava morrendo de fome. Saí para conhecer a vizinhança, senti-me segura e nem lembrava mais dos meus problemas no Brasil.
Os restaurantes de Miami, cubanos e mexicanos principalmente, têm uma variedade de pratos saborosos com bons preços e porções generosas, quase um exagero: Salmão grelhado, espeto de camarão, purê de batata e salada de folhas, tomate e legumes. Se continuar comendo assim ganharei uns quilos a mais rapidamente.

Dei uma caminhada pelos arredores após meu jantar farto, comprei um chip por 90 dólares para o meu smartphone, com direito a ligações internacionais, locais e internet ilimitada durante um mês. Poderia ficar conectada e usar as redes sociais para fazer contatos e buscas. Ainda usaria como GPS.
Na volta para o hotel comprei duas caixinhas de doces sortidos e deliciosos, dei uma para o meu colega da recepção e aproveitei a oportunidade para tirar uma dúvida que tive durante meu passeio minutos atrás. Queria saber se eu poderia receber a visita do Carlos em meu quarto e se ele poderia tomar café comigo ali no hotel. Ele disse que mediante o pagamento de uma taxa, eu poderia beneficiar-me de alguns serviços, inclusive os de receber visitas no quarto até às 22h e ter convidados no café. Eu paguei a taxa e pedi para ser avisada quando minha visita chegasse pela manhã.Fui para o meu quarto e só então senti o cansaço da viagem, era quase 1h da manhã quando deitei e apaguei.

No dia seguinte acordei com o som do telefone, era da recepção alertando-me da chegada do Carlos. Autorizei que ele fosse ao meu quarto. Excepcionalmente eu estava vestida com um conjuntinho de short e blusa, geralmente eu durmo pelada. Levantei rapidão e passei uma água no rosto e dei uma ajeitada nos cabelos, foi o tempo suficiente para ouvir o toque da campainha do quarto. Passava bastante das 8h, pedi desculpas, pois eu já deveria estar pronta para sairmos. Ele disse para eu relaxar, era domingo e não tinha pressa, a gente tinha o dia todo pela frente. Acomodou-se na poltrona enquanto eu fui para o banho.
Minutos depois sai do banheiro vestida apenas com a toalha, fui até o mini closet pegar a roupa que havia separado.
— O que foi? — perguntei com uma expressão de sorriso e dúvidas, pois ele me olhava de uma maneira enigmática.
Ele não respondeu, fez cara de quem estava com más intenções... Na verdade, eu diria que eram boas intenções. Levantou e caminhou em minha direção sem dizer nada, acariciou meus cabelos, segurou em minha nuca e beijou-me. Eu sonhei com este momento durante a noite toda e durante meu banho. Entreguei-me sem a menor resistência aos seus carinhos e deixei-me conduzir até a cama.
Acomodou-me deitada na lateral do leito, minhas pernas ficaram para fora. Ele abriu lentamente a minha toalha e ficou estático apreciando a minha nudez. Eu estava à milhão ansiando por ele dizer ou fazer algo. Sua voz saiu com a mesma intensidade do brilho do seu olhar:
— Moça, você é perfeita. Ainda estou pensando se não seria pecado tocar em algo tão angelical.
— Nem pense em rezar agora, eu quero pecar com você, Carlos — falei agoniada. Queria ser tocada, violada, humilhada, enfim, permitiria tudo para poder fazer amor com aquele homem tão sexualmente atraente.

Ele ajoelhou sobre o tapete, acariciou minhas coxas, beijou-as depois e continuou beijando até chegar em minha virilha... Deus! Eu não aguentava mais o desejo de ser tocada em meu sexo... Ah! sua boca deslizou beijando meus grandes lábios, pequenos, e minha fendinha foi penetrada por sua língua, Jesus, quase tive um treco de tanto tesão.O tempo passou, não sei quanto, estava deitada de bruços e sendo golpeada por trás. Perdi a conta dos orgasmos que tive, porém já era o segundo preservativo que ele tirava cheio de sêmen.
Após um descanso para que nossa respiração voltasse ao normal, fomos para o banho. Não, não tinha acabado ainda, senti meu corpo flutuar após sentir sua ejaculação e a pulsação do seu membro alojado bem no fundo de mim. Sentia-me segura sendo sustentada pelos braços do moreno chocolate, másculo na verdadeira acepção da palavra. Em pé, ele prensava-me na parede deliciando-me com vigorosas estocadas. No final, ele acomodou-me deitada na banheira e banhou-me como se eu fosse uma recém nascida, visto que eu estava finalizada e toda molenga. Eu amei tanto carinho e só conseguia sorrir fazendo carinha de boba ouvindo ele falar comigo como se eu fosse um bebe.

Continua...


Beijos queridos amigos, até o próximo Capítulo!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Miami, Sonho ou Pesadelo?

Viajei para Miami com a intenção de afastar-me de problemas e de um provável risco de vida. Quem leu minha última série "Acompanhante de Luxo" entenderá melhor, mas não que isso seja necessário, pois esta é uma outra história.
Novamente o sexo tomou a frente dos acontecimentos, conheci e envolvi-me sexualmente com um policial dos EUA, até aí tudo bem, o problema é que eu teria um envolvimento simultâneo com um hondurenho que estava ilegalmente nos EUA e levava uma vida marginal.
De início eu pretendia ficar apenas os seis meses que o meu visto permitia e retornaria para o Brasil, no entanto os imprevistos fizeram eu mudar de planos e a possibilidade de ficar eternamente em terras americanas passou a ser o plano B.
Obviamente tive que conseguir um trabalho para não ter problemas financeiros em minha estadia, e foi através desse trabalho que acabei envolvida em uma trama preparada pelos criminosos e donos da noite de Miami, os mesmos que controlam a prostituição tanto quanto o tráfico de drogas. De garçonete passei à garota de programa e escrava sexual na sequência.
Como tem ocorrido ultimamente, precisaria de um aliado para me livrar de mais esta roubada. Só não sabia em quem confiar, se no mocinho, no bandido ou rezar pela presença inesperada de algum salvador.
Convido a todos para acompanharem toda semana o desenrolar desta história.


Apresentação


Para quem ainda não sabe, meu nome é Kamila, e para os mais próximos apenas Mila. Dezembro começará em três dias e logo a seguir virá meu aniversário de vinte e um anos. Foram duas décadas de emoções com recordações boas e ruins vividas em períodos de ebulição em quase sua totalidade, visto que pessoas passaram por minha vida causando estragos e tiveram papéis marcantes como antagonistas: meu pai e meu padrasto, por exemplo. Travei com eles batalhas de paixão e de ódio onde não houve vencedores e nem vencidos. Fiz coisas que hoje eu não faria e arrependo-me de algumas delas. Trago em minhas lembranças, primeiramente os momentos de curtição, já os dissabores serviram como aprendizado. De maneira alguma considero-me uma vítima, pois entrei no jogo porque quis e já conhecendo as regras. Desde cedo tive a consciência de que não era um anjo e diariamente praticava minha diversão (ou maldade) preferida, a de seduzir adultos e sentir-me desejada, contudo logo após fazer o meu joguinho de sedução, ingenuamente orgulhava-me por ter alcançado o meu intento e achava que era o último biscoito do pacote. A seguir eu dava um jeito de sair fora caso o escolhido também não tivesse despertado os meus desejos. Ainda assim foram inúmeros os casos em que deixei levar-me pelo papo maduro de pessoas insinuantes e acabou rolando um lance.
Algumas outras pessoas estiveram envolvidas em minha vida nos últimos anos, e tiveram um maior ou menor grau de relevância ensinando-me as artimanhas de uma relação a dois e a portar-me como uma dama, porém sem exigirem que eu perdesse o meu lado moleca e a minha irreverência.
Então gente, é isso aí foram anos agitados da puberdade até agora, não lembro de nenhum período de calmaria que possa ser considerado como significativo nestes meus vinte anos de vida.

Aos amigos leitores.

Esta história seria apenas sobre a continuação da série “Acompanhante de Luxo”, porém ganhou vida própria e o início tem a ver com o tema imigração e minha adaptação em uma cultura diferente. Os primeiros capítulos serão uma espécie de guia para os que desejam viajar para os Estados Unidos e ainda não sabem quais os problemas que poderão enfrentar durante os procedimentos de entrada e início de vida em um novo país. Sobre como eu consegui o Visto no consulado americano aqui no Brasil (São Paulo no meu caso), não tenho nada a relatar, pois tirei em 2013 e não tive problema algum, já que fui com minha mãe. Ela é empresária de porte médio e tem vínculos no Brasil.
Desta vez estou por minha conta e risco, moro sozinha faz quase um ano e minha mãe nem sabe que estou partindo para os States. Para ficar inteirada e facilitar a minha empreitada eu peguei várias dicas em vídeos do youtube, pois eu tinha receio de ter a minha entrada barrada ou dar muitas mancadas em meus primeiros dias de estadia. Recomendo que estudem o assunto meses antes de viajarem, caso pretendam permanecer muito tempo em algum outro país.
Quanto às cenas de sexo: não terá na mesma intensidade e quantidade que teve em minha série “Acompanhante de Luxo”. Gostaria da opinião de vocês que já são seguidores dos meus contos e também dos novos leitores sobre a quantidade e intensidade de erotismo que encontrarem no decorrer da história: (está exagerado, está conveniente ou falta sexo?).
Eu escrevo porque gosto, mas não faz sentido escrever somente para mim, claro que quero ser lida por muitas pessoas, então a opinião de vocês fará com que eu chegue a um meio termo que satisfaça meu amor pela escrita e o prazer de vocês em lerem.
Obrigada à todos pela atenção e pelo carinho que recebo de muitos leitores. Beijos em todos os corações.

Prefácio

A história que será contada nesta série é a fusão de realidade com a minha imaginação. Nenhuma lei dos Estados Unidos foi transgredida, tipo: prostituição, exploração da prostituição por terceiros (rufianismo), escravidão, tráfico interno ou internacional de pessoas ou tráfico ou consumo de drogas. A Flórida, principalmente a grande Miami relatada nesta história, também é um misto do real e imaginário, já que alguns lugares são fictícios. Se porventura, houver alguma similaridade com fatos reais ou entre personagens e pessoas da vida real, a semelhança não terá sido proposital, apenas uma coincidência.

Capítulo 1 - Portão de Entrada

No momento sinto uma necessidade enorme de iniciar um novo ciclo em minha vida. Em algumas horas estarei distante do Brasil, da minha família e de pessoas importantes em meu mundo sentimental e profissional. Estou escrevendo o início desta história a bordo de um avião para Miami, almejo afastar-me dos problemas atuais. Recentemente estive envolvida sexualmente, ou melhor, fui amante de um empresário dono de confecções em Campinas-SP — é a cidade onde moro — ele também possuía outra indústria em Blumenau-SC — cidade onde ele morava — Após o desaparecimento inexplicável do homem — o inexplicável no caso era apenas para sua mulher, filhos, polícia e imprensa, já que eu tinha informações que o Matheus, o desaparecido, estava vivo e fora do país — seria seguro refugiar-me em um lugar distante, pois poderia estar correndo o risco de perder a vida devido a ter ficado em meu poder uma grande quantia em dólares pertencentes ao homem, e também um apartamento que me foi doado por ele, segundo uma documentação que surgiu um dia depois do empresário ter sido dado como desaparecido. O intuito da viagem era o de ficar distante de tudo que estivesse relacionado ao Matheus. Ficarei nos Estados Unidos o tempo de meses que meu Visa permitir, claro, se o agente da imigração não barrar o meu acesso durante o procedimento de entrada.
Estou levando dez mil dólares em dinheiro e este é o limite máximo para entrar nos Estados Unidos sem precisar declarar, já os valores superiores a esta quantia, se você não declarar estará cometendo crime. Não sei o que acontece com o valor excedente, se você tem que comprovar ter adquirido legalmente o valor, se é taxado e qual seria a porcentagem. A minha preocupação em trazer muito dinheiro é dar motivo ao agente da imigração pressupor que eu vim para não voltar; aí o meu Visto de entrada começaria a ficar complicado.
Ensaiei um discurso de ter vindo fazer compras e passeios, e minha estadia seria de vinte dias. Inclusive minha passagem de volta estava realmente marcada para vinte dias depois, no entanto eu poderia remarcar para outra data mediante o pagamento de uma taxa.
É aconselhável estudar pela internet antes de sair viajando. Peguei inúmeras informações em vídeos do YouTube recomendando não mentir sobre a passagem de volta, reserva de hotel ou se você vai ficar na casa de alguém, etc, pois é quase certo que o policial olhe sua passagem, reserva e até faça menção de ligar para a casa citada por você. Se algo não estiver de acordo o bicho pega.
Para tornar lógica a quantia de dez mil dólares eu trouxe anotado uma lista de compras e até os lugares onde compraria. Uma jovem viajando sozinha já é suspeita de querer ficar eternamente no país, imagine com dinheiro vivo suficiente para se manter meses sem trabalhar. Trouxe mais da metade das minhas economias, deixei um pouco em minha conta para pagar as despesas do meu apartamento em Campinas e outro tanto em meu cartão de crédito pré pago.

Chegada à Miami

“Senhoras e senhores, sejam bem vindos à Miami. Agora são cinco horas e trinta minutos p.m, hora local… blá blá blá e Muito obrigado por voarem com a American Airlines.” (traduzido).

Enfim cheguei à Miami e pisei em terra firme. Curti a sensação de alívio por ter deixado os problemas para trás, mesmo que fosse temporariamente.
Segui o fluxo das pessoas para sair da área de desembarque e pegar o MIA Mover — Um pequeno metrô de superfície (também é conhecido como Monorail) é grátis e funciona dentro daquele aeroporto enorme — ele nos deixou próximo ao local da temida entrevista migratória.
Após passar pelos procedimentos iniciais fui encaminhada para uma das filas dos guichês da imigração, senti um friozinho na barriga e a ansiedade aumentou. Felizmente a fila estava andando rápido, quando restava somente mais uma pessoa à minha frente e também foi liberada sem demora, fiquei mais animada e já me imaginei passeando em Miami Beach. No entanto, comigo tinha que ser diferente, claro… O policial da imigração resolveu me pegar para Cristo e não parava com as perguntas, menos mal que foi em espanhol. Felizmente não menti sobre o retorno e hotel, ele pediu para ver a passagem e o “voucher” — é o impresso do e-mail confirmando a reserva do hotel que fiz no Brasil — e já estranhou, pois minha reserva era de três dias apenas e eu disse que ficaria vinte. Expliquei que usaria os três dias para conhecer melhor a cidade e encontrar o hotel perfeito perto das coisas que me interessam e que o local também fosse seguro para guardar as compras que farei durante minha estadia.
Comecei a ficar preocupada e achando que voltaria dali mesmo para o Brasil, o homem fazia cara de jogador de poker e eu não sabia se estava indo bem ou mal.
E o danado não parava de fazer perguntas: se eu estudava ou trabalhava no Brasil e em que; minhas relações familiares; se já estivera nos Estados Unidos; quanto de dinheiro eu trouxe, cartões de crédito, etc. Manter a calma, ser educada, simpática e não cair em contradições foi o fundamental, eu acho. Eu estava “de boa”, caso não desse nos EUA, seria uma pena, pois queria muito permanecer uns meses no país, no entanto poderia ir para outro lugar caso desse ruim.
Depois que eu respondi mais perguntas que na prova do Enem, finalmente coloquei os dedinhos para tirar as impressões digitais e fiz pose para a foto (e eu devo ter ficado linda, claro), fiquei aliviada e feliz, principalmente com a frase que ouvi: “Bienvenida a los Estados Unidos de América”.
Maravilha, ganhei um Visa de seis meses de permanência na terra do Tio Sam. Aí foi só alegria.

Fui na esteira retirar minha mala e reencontrei um cara que conheci no avião. Na verdade eu não o conheci, só trocamos alguns olhares à distância em Guarulhos enquanto a gente aguardava a chamada para o embarque. Durante o voo tivemos um contato um pouco mais próximo quando eu voltava do banheiro e deixei cair minha necessaire ao topar com ele no corredor. Agachamos ao mesmo tempo e ele foi mais ágil em pegar meu estojo, nossas mãos se tocaram e o “choquinho” básico foi inevitável. O moreno grandalhão e simpático entregou-me o bagulho. Agradeci e senti uma energia percorrer o meu corpo ao olhar bem no fundo dos seus olhos negros. Tive uma sensação como se meu corpo tivesse sido invadido sentindo-o percorrer por debaixo do meu jeans, minha blusa, sutiã… Gente, ele escaneava até a minha alma penetrando em meus pensamentos mais íntimos. Arrepiei todinha e fiquei curiosa sobre o que mais ele poderia fazer-me sentir. Eu desejei conhecer mais a fundo aquele homem de pele escura, rosto duro apesar do jeito simples e despojado; acentuado era por sua barba de três dias.
Acho que ele também queria me conhecer e ficou fazendo hora próximo da esteira esperando eu aparecer. Naquele local nossa conversa foi mais produtiva, fiquei sabendo seu nome, Carlos Henrique Garcia, e morava no distrito de Hialeah, condado de Miami-Dade. Ele caiu do céu, estava meio perdida naquele aeroporto. Pedi sua ajuda para sair dali e pegar um táxi.
Após passarmos pela alfandega e as bagagens pelo raio-x (pois fui uma das sorteadas) e graças aos céus não fui convidada à abrir minhas malas, pois trouxe uma boa quantidade de roupas, sapatos, sandálias e outras coisas de uso geral. Não trouxe o suficiente para satisfazer minha vaidade, contudo parecia que estava de mudança. Em minha casa ficou uma porção considerável das roupas que eu amo, assim como calçados. O tempo de minha estadia nos EUA ainda estava em análise, não havia descartado a possibilidade da minha amiga Yasmin enviar, via FedEx, algumas das minhas coisas deixadas separadas em meu closet, mas somente se eu necessitasse e caso fosse viável.
Seguimos juntos até onde ficam os táxis, Informei-lhe onde me hospedaria mostrando a ele o voucher, o mesmo que mostrei ao agente minutos antes. Perguntou se eu queria compartilhar o táxi, o meu hotel ficava próximo ao trevo onde passa a State Road 826, ele seguiria por ela depois de deixar-me na recepção.
— Opa, demorou.
Ele recusou meu dinheiro após chegarmos ao meu destino. Restava-me apenas agradecer e nos despedirmos, pois já havíamos combinado de nos encontrarmos na manhã seguinte (domingo), era seu último dia de férias, mesmo assim gentilmente cederia seu tempo para mostrar-me alguns pontos importantes da cidade.
Depois das despedidas, sorri satisfeita por ter conhecido de imediato um cara legal, e por não ter gasto com o táxi. Que bom já chegar economizando, controlaria o dinheiro para não passar apuros financeiros durante minha estadia nos Estados Unidos, para tanto, fiz minha reserva em um hotel mais em conta, longe das praias e do centro.


Continua...


Beijos queridos amigos, até o próximo Capítulo!

 

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