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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O Corno da Feira

Sinopse
Paixão e atração carnal e o cenário era um pequeno condomínio na periferia norte de São Paulo. De um lado o atraente Leonardo, mexicano, quase quarentão e de passado desconhecido. Do outro lado Liliane, uma jovem atraente, muito provocadora e com idade para ser filha de Leonardo. Entre eles o feirante Geraldo, um homem rude e imprevisível.
Inconsequência, irresponsabilidade e uma desgraça anunciada.

Prefácio

Nota policial de um jornal local:
Feirante executa suposto casal de amantes.
“O feirante Geraldo Firmino de 30 anos suspeitava que sua mulher Liliane Gomes de 20 anos e grávida estivesse se relacionando sexualmente com outro homem. Na madrugada do último sábado ele retornou a sua casa duas horas após ter saído para o trabalho. Segundo seu funcionário que o auxiliava na feira, ele foi com a intenção de pegar sua esposa adúltera em flagrante. Ao adentrar o quarto e visualizar um homem, que seria o suposto amante, dormindo na companhia de sua mulher e o traindo em sua própria cama, ele efetuou os disparos que culminou com a morte do casal que repousava no leito conjugal…”

Um ano antes

Parte 1 - Minha Vizinha é um Anjo
Durante alguns anos, morei em uma casa alugada, havia mais duas casas no mesmo terreno: Uma mulher próxima dos 60 anos e que pertencia ao grupo de senhoras de uma igreja católica do bairro, morava nos fundos com suas duas cadelas. Eu ocupava a casa do meio e a terceira casa que ficava na frente foi alugada dois meses depois para um casal de recém-casados. O cara, de uns 30 anos de idade, pele clara queimada de sol, trabalhava em feiras livres, era proprietário de uma barraca de frutas e saia com seu caminhão no início da madrugada seis dias por semana.
A garota, bem mais nova que ele, trabalhava em uma empresa nos dias úteis e eu quase não a via durante a semana. Aos sábados e domingos a gente se cruzava no quintal ou na área em que estendíamos roupas para secar no varal. Era muito prazerosa a visão daquele anjo de cabelos longos e ruivos, pele clara bronzeada naturalmente que eu imaginava ser tão lisa e macia quanto a textura de uma pera de primeiríssima qualidade que foi cultivada artesanalmente. O balançar dos seus quadris enquanto ela caminhava em direção aos varais da área comunitária era de despertar meus desejos mais sacanas. As flores da estampa do seu shortinho de algodão acompanhavam o ritmo e balançar do seu traseiro, eu queria correr e abraçar aquele corpinho por detrás e sentir toda a maciez e calor daquela bundinha carnuda se esfregando em minha região genital.
Era quase impossível controlar minha tara no momento em que ela se esticava todinha nas pontas dos pés para alcançar o fio do varal e sua blusa subia deixando à mostra sua região lombar... O tesão era de tirar o juízo.
O desejo começava a ficar incontrolável com o passar dos dias, ajustei meus horários para que tivesse contato com ela a semana toda, e não somente aos sábados e domingos. Contudo, continuei tentando ser um cavalheiro e não avancei o sinal, não poderia correr o risco de ser acusado de assédio sexual e voltar a ter problemas com a lei.
Os dias passaram e a tática do bom moço deu resultado, nossas conversas não eram mais apenas bom dia e boa tarde, a gente tinha muito mais assunto depois que descobrimos que tínhamos afinidades em músicas e filmes.
Quinta-feira era um dos dias em que passava o caminhão do lixo, eu deixava para por os bagulhos pra fora perto das 20h, era quando ela (Liliane) chegava do trabalho. O marido geralmente tirava uma soneca até que ela chegasse. Estava ameaçando cair uma tempestade de verão, a noite ficou mais escura, ventava forte e logo viria muita água. No horário estimado estava na calçada ajeitando calmamente o saco de resíduos ao lado de um poste, no mesmo instante ela desceu do ônibus, foi também quando começou a cair os primeiros pingos. Liliane correu em direção ao portão que eu mantive aberto a esperando entrar.
A chuva chegou de vez. Gentilmente agradeceu-me por ter esperado que entrasse e caminhou apressada escada acima. Fechei o portão e sai correndo para não me molhar muito e se possível alcançá-la para ao menos desejar bom descanso.
A corrida não foi em vão, alcancei-a no momento em que ela tropeçou no último degrau e evitei sua queda segurando em sua cintura momentos antes que chegasse ao chão. Ela aplumou e virou o corpo, eu continuava com as mãos firmes naquele corpinho angelical. Sorriu envergonhada enquanto agradecia e sua expressão foi ficando séria e enigmática enquanto olhava fixamente em meus olhos. Não pensei duas vezes, abracei seu corpo molhado pela água que caia do céu sobre nós, fiquei encantado pela expressão de dúvida, medo e desejo que emanava do seu olhar. Aproximei lentamente a minha boca da sua, ela sustentou nosso olhar sem ao menos piscar e suas mãos deslizaram por meu peito, ombros e envolveu meu pescoço com seus braços ao mesmo tempo em que separava seus lábios e oferecia sua boca. O beijo, a princípio, foi cheio de medo de sermos flagrados, porém, quando nossas línguas se tocaram e nossos lábios sugaram uns aos outros, fez com que esquecêssemos todo o mundo ao redor. Segurei seu bumbum por cima da saia molhada e com movimentos circulares esfreguei seu corpo ao meu. Ela se deixou levar movimentando os quadris no mesmo ritmo.
A Luz da área externa de sua casa acendeu, estávamos a menos de 10 metros da porta de entrada. Nosso momento de magia foi interrompido pelo perigo iminente. Eu a soltei sem dizer nada e ela correu em direção a casa. Eu saí rápido pelo corredor ao lado, o muro alto me protegia de ser visto pelo feirante. Em segundos cheguei a minha casa onde entrei sem fazer o menor barulho. Agora só me restava sonhar com o beijo delicioso e a maciez do seu corpo colado ao meu e esperar pelo sábado, onde loucuras poderiam acontecer.



Parte 2 – Anjinho ou Diabinha?
O sábado chegou e minha expectativa era enorme de beijá-la novamente e ir muito além, todavia, ela não passeou pela área de serviço, estava me evitando. Parecia indiferente e desconversou nos raros momentos em que tive oportunidade de abordá-la. Eu entendi, pois a tia das cachorras passou o dia andando pelas áreas comunitárias e tirou nossa privacidade.
No domingo a garota deu sinal de vida somente após o meio dia. Só percebi que estava em casa quando começou a tocar rocks baladas. A propósito, eram bem sugestivos.

Perto das 14h a moça veio desesperada me pedir o telefone do entregador de gás, estava assando uma carne no forno quando seu gás acabou. A preveni de que a entrega demoraria; ela se lamentou com medo que o assado não ficasse bom.
A garota aceitou minha oferta de empréstimo do meu botijão. Mais tarde, quando seu almoço estivesse pronto, eu o pegaria de volta.
Fiz a troca dos botijões em seu fogão, porém não consegui recriar o mesmo clima do dia em que a beijei na chuva. Não que ela estivesse indiferente ou arrependida do acontecido naquele dia, não me pareceu ser isso. Presumi que poderia ser apenas medo de se envolver ou de ser flagrada pelo feirante que chegaria logo.
Voltei para casa ligeiramente frustrado, já que havia criado grandes expectativas com aquela oportunidade.

Meia hora passou e o entregador ainda não havia dado as caras, mas o marido sim. Ele veio até minha porta agradecer pelo gás e convidou-me para almoçar com o casal. Aceitei, claro, nem foi preciso ele insistir.
Eita! Pensei. Acabara de tomar minha última cerveja e o mercadinho já estava fechado. Ficaria chato ir de mãos abanando. Com pesar, levei ¾ de uma garrafa de Smirnoff, era a última bebida que tinha em casa. Levei também alguns limões para fazer uma caipirinha e acompanhar o assado da vizinha.

O papo com o vizinho até que foi legal, apesar de que ele falava muitas gírias típicas do pessoal do mal.
Deixei-o fazer a segunda caipirinha, enquanto isso eu ajudava a Liliane (que agora era Lili) a resolver problemas em seu computador. Divertimos​-nos olhando algumas fotos de um grupo para adultos em seu perfil no facebook. Naturalmente criou-se uma cumplicidade entre nós e ficamos a um passo de algo mais íntimo.
O almoço estava delicioso, há meses que não saboreava uma comidinha caseira tão boa. A segunda caipirinha e a garrafa de vodca chegaram ao fim, ainda restavam 3 ou 4 latinhas de cerveja na geladeira do vizinho.
A Liliane havia colocado um DVD de um show de rock para assistirmos. O maridão não era muito chegado ao ritmo e dormiu deitado no tapete, recostado no sofá. Eu estava ao lado esquerdo dele, sentado no mesmo sofá, a Lili do lado direito. Quando o feirante começou a roncar, ela foi até seu quarto. Voltou em seguida e pude perceber pelo balanço dos seus seios que ela tirara o sutiã. A danadinha se aproximou e deitou seu corpo ao meu lado apoiando a cabeça em minhas pernas. Fiquei extremamente receoso que o cara acordasse, mas pelo ronco e quantidade de bebida ingerida pelo mesmo, acho que não correria este risco.
Acariciei os cabelos daquele anjinho com a mão esquerda, com a direita eu percorri seu peito e ventre por cima de sua roupa e penetrei minha mão por dentro de sua blusa. Toquei seus seios nus os amassando carinhosamente.
Dois minutos depois ela não parecia satisfeita, segurou em meu braço e o moveu em direção de sua boceta... Deslizei a mão no interior do seu short e calcinha, massageei sua vulva e penetrei sua fenda com um dedo e pressionei seu clitóris e proximidades firmemente com meu dedo "mau". A penetrei com mais um dedo e a garota contorcia todo o seu corpo sobre o sofá. Fiquei de olho no cara preocupado que toda aquela atividade o acordasse.
A doidinha aumentou seus movimentos e deu um gemidinho profundo. Senti minha mão umedecida, ela chegou ao orgasmo.
A garota estava descontrolada, pensei, pois ela virou o corpo para o meu lado e compulsivamente começou a abrir a braguilha de minha bermuda. Mesmo morrendo de receio eu entrei no jogo e a deixei colocar meu membro para fora. Ela o abocanhou e começou a sugar vorazmente. O homem resmungou alguma coisa e se mexeu. Ela se recompôs rápido sentando na outra extremidade do sofá enquanto eu ajeitei meu pau duro e minha bermuda em tempo recorde. O vizinho ainda demorou a voltar à realidade. Ajeitou-se calmamente disfarçando e tentando dar a entender que não havia dormido. Foi o tempo suficiente para que eu ficasse apresentável novamente.

O vídeo chegou ao final.
— Da hora estas melô, né? — exclamou o dorminhoco.
Respondi que sim, disse ter curtido muito. Levantei para ir embora, acordaria cedo no dia seguinte, expliquei. A Lili pegou as chaves e acompanhou-me até a saída do pequeno quintal, abri e atravessei a porta de alumínio e vidro, virei para ela e sussurrei:
— Você é muito doida menina.
— Pensei que gostasse de correr riscos — ela disse em tom provocador e o olhar cheio de malícia.
Eu quase a agarrei ali mesmo, mas afastei-me para evitar encrenca.
— Eu gosto de brincar com fogo — retruquei —, mas odeio me queimar.
Virei e continuei a caminhar, ouvi o som de porta sendo fechada e trancada.

Mais uma semana passou e o desejo me consumia, fiquei bolando um plano para atraí-la até minha casa naquela manhã de sábado, porém, ela antecipou meu movimento surgindo na porta da minha sala pedindo ajuda, pois seu chuveiro não estava esquentando... Jesus! Que visão maravilhosa aquela ruivinha de cabelos molhados, olhos castanhos e brilhantes, pele sedosa sem uma manchinha, os lábios vermelhos que eu tanto gosto e vestida apenas com uma toalha. Claro que ofereci meu chuveiro para que terminasse o seu banho, apesar de não ser necessário, visto que ela estava toda cheirosinha e não era somente pelo banho que acabara de tomar ou pelos cabelos lavados, mas sim pelo seu perfume que tinha algo de alucinógeno e sedutor.
Ela insistiu para que eu fosse olhar seu chuveiro. A acompanhei até sua casa... Entramos pela sala e ela graciosamente caminhou à minha frente, abriu sua toalha e a deixou ir ao chão. A visão da parte posterior daquele corpinho nu ficaria registrado em minha mente para sempre. Seu bumbum perfeito fisgou-me como um peixe em um anzol. Eu a segui, não em direção ao chuveiro, mas em direção ao quarto. Foi nesse dia que tivemos nossa inesquecível primeira transa. E na cama do casal.
Teria que usar muitos adjetivos para descrever o quanto foi bom, resumirei dizendo que a Lili é um fenômeno. Fiquei esgotado e esparramado em seu colchão, satisfeito e observando aquele anjo de perninhas arreganhadas, toda molinha com um sorriso de felicidade. Isso tudo aconteceu logo depois que eu só rearmei o disjuntor do chuveiro – que a danadinha desarmou de propósito.



Parte 3 - Gravidez de Risco
Dias se passaram e os nossos encontros furtivos viraram rotina, eram de duas a três vezes por semana. Ela enviava uma mensagem para o meu celular assim que o corno saia de madrugada, silenciosamente eu chegava ao seu quarto para amar aquele anjinho com corpinho de bailarina.
Sentia-me o cara mais feliz do mundo. Até que em certo dia, em um dos nossos encontros, após fazer uma carinha de medo e preocupação, ela jogou uma bomba em meu colo; falou que estava grávida. Discutimos só um pouquinho nossa relação e como dois inconsequentes, fomos para a cama comemorar o aumento da população.
Como todo bom corno, o marido foi o último a ficar sabendo, ela deu a notícia para o cara somente no dia seguinte.
Depois me contou que o feirante ficou todo feliz com a expectativa de ser pai. Eu e ela não compartilhávamos da mesma expectativa, já que pairava uma dúvida: qual de nós dois seria o pai? Eu, um mexicano de pele parda e cabelos pretos, ou ele, branco assim como ela, seus cabelos eram ondulados, castanhos e claros. A Lili era naturalmente ruiva. Acho que pela cara do bebê nem precisaríamos do exame de DNA.



Os meses passaram e quase nada mudou em nosso relacionamento – na verdade melhorou – nossa paixão e tesão só aumentaram.
No início da madrugada em um meio de semana, fui novamente ao seu encontro. Depois de beijos ardentes, carinhos e juras de amor, eu a despi tirando sua camisola e elogiei seu corpo e o barrigão de seis meses, era a grávida mais linda que já havia visto. Seus seios aumentaram de volume com o desenvolvimento da gravidez e, nos momentos de êxtase como aquele em que estávamos vivendo, seus mamilos ficavam deliciosamente entumecidos atraindo minha boca como se fossem dois imãs. Após me perder naqueles peitos firmes e volumosos, tirei sua calcinha, era a última peça de roupa que cobria seu corpo angelical. Peguei-a em meus braços deitando-a suavemente sobre a cama. Livrei-me de minhas roupas e deslizei minha boca naquela pele macia percorrendo o seu corpo inteirinho. Parei na sua boceta lisinha e cheirosa a sugando ao som dos seus gemidinhos. Estava explodindo de desejos. Posicionei-a de ladinho e entrei com minha perna por dentro das suas. Penetrei seu sexo aos pouquinhos ouvindo seus sussurros dizendo que me amava e que eu era o seu homem. E que só eu conseguia fazê-la delirar de prazer.
Era a primeira vez que ia à sua casa neste dia específico da semana; evitávamos tal dia, pois era quando o Geraldo armava a barraca em uma feira a poucas quadras dali. Perdemos a noção do perigo, já que em todos esses meses de relações proibidas nunca tivemos o menor problema. Resultou que ficamos imprudentes e relaxados.
Ela estava deliciosamente gostosa naquela noite, vivemos momentos de clímax intenso e troca de energia positiva. Após a mistura do meu sêmen com seu líquido de gozo ao finalizamos com mais um orgasmo de tirar o fôlego, aquele anjinho adormeceu abraçadinha ao meu corpo... Também adormeci.
Isso nunca acontecera antes, sempre saia antes do dia clarear ou de vizinhos acordarem.

Acordei assustado pensando ter ouvido um fechar de porta metálica na área externa. Já era dia claro e bateu o terror quando ouvi a voz do corno mandando o cachorro ir se deitar. Seriam segundos até ele abrir a porta e flagrar-me com sua mulher, ambos pelados em sua cama após uma noite de prazeres.
Pensei muito rápido e decidi não acordá-la, pois não havia um segundo a perder. Joguei sua camisola e calcinha em uma cadeira ao lado, recolhi minhas roupas e chinelo enquanto deslizava feito um raio pra debaixo da cama. Foi a conta certa, ouvi o barulho de fechadura abrindo, ele entrando no instante seguinte e se dirigindo ao quarto.


Final – Duplo Homicídio
O marido chamou por ela com voz de espanto. Pelo movimento da cama, percebi que ela acordou assustada — e não era pra menos, tadinha, eu que sou o "sexo forte" estava me borrando.
— Não foi dar um trampo princesa? — indagou curioso.
O cara deve ter ficado cismado ao vê-la pelada, pois a interpelou.
— Por que está sem a camisola? — seu tom de voz já era de interrogatório.
"Caraca! Vai dar merda" Pensei encolhidinho ali embaixo e sem respirar.
Ela teve jogo de cintura e raciocínio rápido, disse que havia levantado, porém, antes do banho sentiu uma tontura e deitou novamente.
Percebendo a preocupação dele, ela o tranquilizou dizendo que não 
era nada demais.
Desesperado eu rezava para ele ter vindo só para pegar algo e ir embora logo. Mas o cara tinha outras intenções, se insinuou como quem queria dar uma rapidinha. Ela tirou o ânimo dele dizendo que agora não e que queria descansar só mais um pouco, etc. e tal.
Ufaa! Se ele aproximasse o nariz ou a boca naquela boceta, descobriria que tem um sócio e que o mesmo acabara de passar por ali. Daí sim o bicho iria pegar.

Enfim e felizmente ele não descobriu sobre a traição e muito menos que eu estava debaixo da cama — Claro né! Ou você não estaria lendo isto agora —. O cara veio buscar um boleto que tinha que pagar naquele dia. Recomendou que ela não levantasse ainda e repousasse um pouco mais. Partiu em seguida.
Esperei pouco mais de meia hora após ele sair e também sai fora.

Por que esperei tanto? É que toda aquela adrenalina e hormônios a mil acabou reacendendo o nosso desejo e nos pegamos em mais um momento de loucura e prazer para aliviar a tensão – "Nóis capota, mas num freia" – também quis atender a recomendação do sócio mantendo a nossa parceira em repouso na cama.

Dois meses passaram e em certa noite a Lili teve um mal estar, não era dor de parto, ainda teria três semanas pela frente. Ela não quis preocupar o marido, já que poderia contar comigo. Trocamos algumas mensagens por SMS durante a noite e ela parecia ter melhorado.
Assim que o Geraldo saiu, eu fui para a casa dela fazer-lhe companhia. Era só para ficar ao seu lado, posto que nós demos um tempo com as relações sexuais.
Notei que ela estava muito abatida e foi piorando com o passar dos minutos. Achei melhor que ela ligasse para o marido avisando que iria para o hospital... Só dava caixa postal, o telefone do cara parecia estar desligado. Poderíamos criar um constrangimento e levantar suspeitas sobre nosso caso amoroso caso eu a levasse ao hospital sem avisar os familiares. Ela ligou para seus pais, os mesmos moravam em um bairro próximo e em menos de meia hora chegou um bando: pai, mãe, irmã e irmão em um Fiat Uno velhão que apagou na hora em que eles iriam sair. A lata velha não pegou mais.
A Lili pediu para que o irmão me chamasse em minha casa para levá-la rápido em meu carro, pois ela não estava nada bem. Não havia necessidade de ir todo mundo. O pai e a mãe ficaram na casa e os irmãos foram comigo.
Não era grave o estado dela, foi medicada e ficou em observação. A irmã ficou com a Lili e eu voltei com o irmão para tentar consertar o seu carro.

Já começava a clarear o dia quando chegamos a nossa rua e vimos carros de polícia e muito movimento no portão. Depois de nos identificarmos, o investigador relatou o ocorrido. Suas palavras seriam repetidas por rádios e TVs durante todo o dia, e também pelas próximas edições dos jornais impressos.

Dia Seguinte

Final da nota de um jornal local: "... Segundo informações do departamento de polícia, vizinhos ouviram vários tiros e acionaram o 190. Ao chegar ao local da ocorrência os policiais encontraram o morador da casa (Geraldo Firmino) com o corpo tombado no chão e o tronco parcialmente apoiado no sofá da sala. O mesmo tinha uma perfuração na têmpora feita com arma de fogo. Um revólver calibre 38 e uma poça de sangue estavam ao seu lado. Era um suposto suicídio. No quarto e cama do casal, havia um homem e uma mulher, ambos de meia idade, eles vieram a falecer após serem alvejados por vários tiros, provavelmente enquanto dormiam. O casal vitimado foi identificado como sendo os pais de Liliane Gomes (esposa do suposto suicida). Segundo uma testemunha que não quis se identificar, eles não eram moradores do local, vieram prestar assistência à filha grávida e provavelmente adormeceram enquanto aguardavam o retorno da mesma que foi acompanhada pelos irmãos até o hospital do Mandaqui."

O caso foi registrado no 40º Distrito Policial.

Lili ficou muito abalada com a morte dos pais, entrou em contato com o proprietário para entregar a casa em que morava. Ela foi morar com os irmãos até o dia do nascimento de Diego, um menino moreno e robusto que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna — como diria o poeta — e era a cara do pai (eu, no caso). Os irmãos então constataram que a desconfiança do feirante tinha fundamento, a Liliane o traia, e pelo visto, em sua própria casa. Houve uma discussão que foi interrompida pelas enfermeiras, chamaram a irmã de vadia e culparam a garota pela morte dos pais. Ela foi expulsa da casa deles.
Eu levei a Lili e nosso filho para morarem comigo. A senhora das cadelas, que morava nos fundos, fazia o sinal da cruz toda vez que passava por nós. Ela nunca entenderia que minha relação com a Lili era puro fogo e paixão carnal... Bem, talvez entendesse, por isso se benzia.

Um ano depois.

O pequeno Diego completou 1 ano de idade e seu pai Leonardo não compareceu em sua festa que foi organizada pela mãe Liliane. Leon se separou de Lili dois meses antes, no mesmo dia em que ele descobriu a traição de sua companheira ao bisbilhotar o celular da garota e ver as inúmeras mensagens trocadas com outro homem. Eram declarações de amor e relatos de sacanagens que praticaram em três meses de encontros furtivos. O suposto amante era um garotão que trabalhava na mesma imobiliária onde Lili começou a trabalhar quando Diego completou 6 meses de vida.

Uma semana após Leon se separar de Lili, ele retornou ao México. A data coincidiu com o misterioso desaparecimento do garotão da imobiliária que sumiu sem levar nenhum pertence e sem deixar o menor vestígio. Nunca mais foi localizado.

Em 6 meses Dieguinho teria um meio irmãozinho ou irmãzinha, já que Lili completara 3 meses da nova gravidez, fruto do último adultério.

Fim




Beijos queridos amigos, até a próxima!

2 comentários:

  1. Kamilinha!!!! Que história!!!! Cheio de tudo, heim!!! Parabéns!!! Se mostra cada vez mais uma Grande e Deliciosa Escritora!!!! Tudo perfeito!!!

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  2. Valeu amável amigo Edson, beijão pra vc e obgda por todo o carinho!

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